Antigamente, antes dos super-heróis (e durante e depois), os gibis de terror e sci-fi conhecidos como pulps eram bastante populares. Essas revistas traziam monstros, alienígenas, vampiros e, claro, zumbis. Segura a fome aí, que hoje vamos rebobinar Zumbis Marvel.

Ai, que fome.

Na virada do novo século o mundo estava experimentando muitas mudanças na cultura pop. Os heróis estavam mais profundos, todo mundo usava couro preto e óculos escuros e a internet ainda era um terreno desconhecido que trazia consigo um certo receio de “zombificação” da sociedade. A primeira década do ano 2000 foi repleto de filmes e outras produções relacionadas a zumbis, ainda mais depois de Extermínio, de Danny Boyle, que deu um sopro de vida (sem trocadilhos) ao gênero com a introdução dos “zumbis que correm”. 

Com o novo interesse, os anos seguintes trouxeram uma tonelada de outras produções como Resident Evil (2002), Madrugada dos Mortos (2004), Todo Mundo Quase Morto (2004), [REC] (2007), Eu Sou a Lenda (2007), Zumbilândia (2009), etc. Do mais sério ao mais comédia, todos esses filmes brincaram com os clichês do gênero, apresentando novos conceitos ou ainda virando de cabeça para baixo conceitos já existentes. E é nessa onda de reinventar uma premissa exausta que entra um dos cara que redefiniu os quadrinhos nos anos 2000: Robert Kirkman.

Walking Dead, Quarteto Ultimate e Marvel Zombies: separados na reanimação!

Em 2003 ele lançou pela Image Comics uma série de quadrinhos que durou 16 anos! Você provavelmente já ouviu falar do seriado de tv The Walking Dead, claro, mas talvez não saiba que “a série que se recusa a morrer” surgiu nas HQs antes de fazer um sucesso absurdo na televisão! Quer dizer, provavelmente você sabe disso também, já que vem me ler aqui semanalmente, mas vai que cai alguma pessoa desavisada aqui, né? Me dá um crédito?!

— Mas tio Kadu, por que você está falando de The Walking Dead? Pensei que era uma coluna sobre Marvel Zombies

Então, meu querido, minha querida jovem nerd™, as duas coisas estão praticamente interligadas já que para encabeçar o seu projeto de zumbis, a Marvel Comics chamou o responsável pela ressurreição desse subgênero do terror nas HQs: Robert KirkmanMarvel Zombies foi lançado em 2005 nos EUA e gerou uma série de continuações e crossovers. Uns melhores, outros piores, e em geral, como quase tudo na cronologia da Marvel, virou uma mega bagunça. Não vou me estender aqui em todos os spin-offs da série original, mas vou falar apenas do arco escrito por Kirkman e desenhado Sean Phillips, que compreende as séries Marvel Zombies (2005) e Marvel Zombies 2 (2007), além da one-shot Marvel Zombies: Dead Days (2008). 

No Brasil essas três séries saíram na revista Marvel MAX, com Zombies 1 sendo publicado nas edições #41-45, Zombies 2 nas edições #66-68 e Dias Desmortos saindo dividida nas edições #69-70. Além disso, a Panini ainda lançou entre 2013 e 2014 todo o histórico de publicação dos mortos-vivos da casa das ideias (até então, pelo menos) numa coleção em quatro volumes chamada Marvel Terror: Zumbis Marvel.

As capas da Marvel Max brasileira com Marvel Zombies 1, 2 e Dead Days.

O DESPERTAR DOS ZUMBIS MARVEL

Todo o crédito a Kirkman que desenvolveu as minisséries dos Zumbis Marvel, mas antes de mais nada, precisamos mesmo falar de Mark Millar. O crédito do desenvolvimento dessa premissa vem todo dele, na época em que escrevia o Ultimate Fantastic Four. Como eu havia dito inicialmente que os anos 2000 viram uma modernização de vários personagens, a Marvel criou uma nova caixinha de ideias chamada Universo Ultimate. Bendis e Millar ficaram responsáveis por trazer o Aranha e os X-men, respectivamente, para o século XXI e vários outros heróis seguiram o mesmo caminho, com mais ou menos sucesso. Nessa linha, o Quarteto teve um primeiro lançamento que não vingou, então a editora colocou Mark Millar para readaptar a primeira família da segunda vez. O cara já havia provado que era um hit maker com os X-men e com os Supremos, certamente com o Quarteto não seria diferente.

Credo, Sue. Passa um hidratante nessa cara.

A dinâmica dos personagens mudou e a série de fato alcançou algum sucesso. E aí, na edição de Ultimate Fantastic Four #21 ele apresentou a premissa do novo Quarteto Terrível. Dessa vez, em vez de serem apenas quatro vilões da equipe que se uniram para derrotá-los, o grupo seria de fato “terrível”, seriam versões deturpadas dos heróis, vindas de um universo alternativo. Então nas edições #21-23 os heróis enfrentam o Quarteto Zumbi e os aprisionam no Edifício Baxter, até o arco das edições #30-32 em que os zumbis se libertam, mas acabam sendo devolvidos ao seu universo original. O sucesso desses dois arcos de histórias foi tanto que a Casa das Ideias resolveu de fato capitalizar em cima do conceito, expandindo suas histórias com os Marvel Zombies. Kirkman baseou suas histórias diretamente em cima das ideias apresentadas por Millar e o resto a gente já sabe. 

Aqui no Brasil esse primeiro arco do quarteto saiu em 2006, nas edições Marvel Millenium: Homem-Aranha #56-58, pela Panini. O segundo arco, com a derrota dos zumbis saiu na mesma revista, nas edições #66-68

Kirkman ia usar o Luke Cage como o único sobrevivente da praga zumbi, porém mudou de ideia só por causa dessa splash page do Greg Land no quarteto ultimate

A NOITE DOS ZUMBIS MARVEL

Finalmente! A saga dos zumbis da Marvel já começa no meio da história. Assim como o Rick Grimes de Walking Dead a gente acorda em um mundo onde os principais heróis da editora já foram zumbificados e já devoraram praticamente o mundo inteiro. A única pessoa com poderes que restou foi o Magneto, que aparece fugindo desesperado. Logo de cara a gente já nota a diferença entre os zumbis Marvel e os de outras histórias: os super-heróis reanimados não só falam e raciocinam, como mantém todas as suas memórias! É algo que os torna imensamente mais perigosos do que a média dos zumbis lerdões que não pensam, já que eles são capazes de planejar e utilizar artifícios que os deixem sempre um passo à frente de suas vítimas. Sério, como você vai conseguir enganar alguém tão inteligente quanto o Tony Stark ou o Hank Pym?

A história em si não apresenta uma origem em específico do vírus zumbi, apenas algumas referências ao herói-paciente-zero que começou a infectar todos os outros. Além disso, podemos notar também que este universo não é exatamente igual ao universo-616, com algumas diferenças óbvias como o Capitão América, que se chama Coronel América, o Luke Cage que ainda usa seu uniforme clássico, além do fato de que nenhum deles conhecem o Galactus ou o Surfista Prateado.

O zumbi mais esperto do mundo.

O curioso mesmo é que o mundo ficou completamente acabado e destruído em questão de 24 horas! A história começa apenas a poucos dias do surgimento do paciente-zero, menos de uma semana, mostrando que a voracidade dos heróis zumbis é enorme e incontrolável. Alguns vilões zumbificados ainda existem e vários deles formaram pequenos grupos “de sobrevivência” em busca de algum humano, qualquer humano, que ainda não tenha sido devorado. Muitos dos heróis ainda estão chocados com o que fizeram, mas justificam dizendo que a fome é tão incontrolável que eles não conseguem lutar contra ela! No entanto, como eles ainda retêm suas memórias, cada vez que eles param para notar que são monstros de verdade, acabam sofrendo com a culpa. Em especial o Homem-Aranha, que sofre mais do que todos por ter devorado a Mary Jane e a Tia May.

Os mortos-vivos também não seguem a regra básica de morrer com um tiro na cabeça. Em diversos momentos eles sofrem ataques que atingem seus cérebros, que cortam parte da cabeça ou que arrancam a cabeça inteira e ainda assim eles continuam vivos! O que acaba sendo mais um fator assustador desse novo vírus zumbi. A morte só vem mesmo com a total desintegração da cabeça deles, ou do corpo por inteiro… Algo que também por si só já é super difícil. 

Esses zumbis aguentam muita surra!

A trama da primeira edição gira em torno da chegada de Galactus e do Surfista Prateado à terra zumbi. Os desmortos são compostos pelo Coronel América, Homem de Ferro, Homem-Aranha, Vespa, Gigante, Luke Cage, Hulk, Wolverine e Gavião Arqueiro. Com toda a população mundial devorada, sem mais ninguém para comer, os zumbis Marvel começam a se preocupar em como aplacar sua fome. É impossível para eles comerem a si próprios, então é difícil encontrar uma alternativa (sendo isso inclusive o que gerou a história original do quarteto ultimate, já que o Reed Zumbi estava buscando mundos paralelos para invadir e devorar). A chegada do Surfista muda o esquema. A luta contra o arauto de Galactus é difícil, mas os mortos-vivos conseguem derrubá-lo, o Hulk consegue morder a cabeça dele de uma vez só e o resto se refestela em cima do que sobrou do corpo. O lance é que se eles já eram perigosos por serem zumbis inteligentes com poderes sobre humanos, imagina agora! Porque depois de devorarem o Surfista Prateado, todos eles absorveram uma parte do PODER CÓSMICO!

Então quando Galactus surge de fato, ele não tem a menor chance contra a turba de zumbis cósmicos! E eles, apesar de algumas baixas e de ficarem ainda mais mutilados, acabam devorando o devorador de mundos e assim absorvendo ainda mais poder cósmico! Com o mundo em ruínas e sem vida, eles se voltam para a única solução possível agora que possuem o poder de deuses: Devorar o universo!

Os Zumbilactuses!

O bacana de Marvel Zombies 1 são algumas ideias perturbadoras do Kirkman para adaptar esses personagens. Por exemplo, todos eles sofreram algumas mudanças de personalidade por causa da fome e de todas as desgraças que fizeram, então o Capitão América fica mais violento e descuidado (o que acaba sendo fatal para ele depois), o Aranha sofre ainda mais do que o normal por causa do seu complexo de culpa. O Hulk por sua vez fica mais irracional quando está faminto, mas sempre acaba virando o Banner depois de consumir seres vivos, o que o deixa todo deformado por causa do volume de comida que ele ingeriu como o golias esmeralda… Enfim. Mas de todos, o pior mesmo acaba sendo Hank Pym. O Gigante prova que é o pior vilão da Marvel porque ele é quem lidera os Zumbis, ao mesmo tempo em que faz planos secretos para si mesmo. Sim, ele inicialmente se propõe a estudar o vírus em busca de uma cura, mas ao fazer isso ele resolve aprisionar o Pantera Negra para comê-lo aos pouquinhos, de pedaço em pedaço, para aplacar a fome e poder raciocinar o suficiente para salvar a todos! Claro que tudo vai por água abaixo e eventualmente o Pantera acaba fugindo e se aliando ao grupo de sobreviventes do Magneto, formado por seus acólitos e pelo mutante Forge.

Os poucos sobreviventes do apocalipse morto-vivo…

A VOLTA DOS ZUMBIS MARVEL

Em Marvel Zombies 2, Kirkman brinca com a ideia de que os novos “devoradores de mundos” do universo são os super-heróis mortos-vivos da Marvel! Durante um período de quarenta anos, eles devoraram todo o universo e suas populações, adicionando mais zumbis super poderosos às suas fileiras, como a Fênix, o Senhor do Fogo, GladiadorThanos! Ao devorarem o último planeta e notarem que mais uma vez vão ficar com fome, eles lembram da máquina de Reed Richards que pode invadir outro universo. Determinados, eles fazem o caminho de volta (parando para fazer um lanchinho com Ego, o planeta vivo).

Na Terra, o Pantera Negra e o Forge formam uma pequena tribo com os sobreviventes, vivendo com uma certa paz durante anos. Todos já estão mais velhos e o filho do acólito Fabian Cortez está tentando dar um golpe de estado na tribo para ocupar o lugar de líder. Em meio aos escombros eles encontraram a cabeça da Vespa, que vive agora com um corpo robótico e completamente racional, sem ser movida pela fome zumbi! Aparentemente, se os mortos-vivos ficarem muito tempo sem consumir a carne de outros seres vivos, a fome diminui e eles continuam sobrevivendo, quase como antes, sem precisar se alimentar dos outros. O vírus é praticamente tratado como um vício, daqueles que você se livra com uma intervenção à força, em isolamento. 

Zumbis Marvel 2: Os Novos Recrutas

No entanto, tudo muda com a tentativa de golpe e Malcolm Cortez, que envia um assassino para matar T’Challa. Ele quase consegue, se não fosse pela Vespa Zumbi que, em um momento de piedade, morde o Pantera Negra, infectando-o. Os dois devoram o assassino e T’Challa resolve continuar como o líder da tribo, mesmo zumbificado (e passando pelo processo de, er, “desintoxicação”). É durante todos esses problemas que os heróis mortos-vivos ressurgem na Terra em busca do aparelho dimensional de Reed Richards! Acontece que o negócio não estava mais no edifício Baxter, mas sim com Forge, na tribo de sobreviventes. 

Ocorre então a Guerra Civil Zumbi! Porque em meio à busca pelo aparelho dimensional, o Aranha e o Luke Cage descobrem que também estão livres da fome, pois passaram muito tempo viajando pelo cosmos até chegar à Terra, sem se alimentar. Completamente sãos, eles querem impedir o Gigante de levar essa tragédia a mais um universo partindo para a porrada. As baixas continuam sendo muitas, com a Fênix morrendo, além de Banner, Gladiador e o Senhor do Fogo. No entanto, quando tudo parecia perdido, todos os heróis zumbificados percebem que “perderam a fome”. Eles fazem planos para reestruturar a sociedade e tentarem se reeducar para conviver em conjunto e organizam uma reunião para conversarem. Malcolm Cortez propõe que examinem o aparelho dimensional para encontrarem um local onde todos pudessem viver, mas no fim era tudo uma armadilha. Ele reuniu todos os zumbis num local só e os enviou para outra dimensão, se livrando para sempre deste mal!

Seria o fim dos zumbis Marvel? Claaaaro que nao!

Marvel Zombies 2 foi uma continuação interessante, mas termina com um final muito em aberto, o que é uma pena, já que Kirkman não voltaria para continuar essa história (quer dizer, ele ainda escreveria Dead Days, mostrando a origem do Zumbiverso, mas é um prequel, não uma continuação). Em vez disso, temos mais três sequências com Marvel Zombies 3, 4 e 5 que foram escritas por Fred Van Lente e contém histórias de alguns personagens de terror da editora, como Morbius, Homem-Coisa e Daimon Hellstrom lidando com alguns zumbis do zumbiverso que vieram para o universo-616. Por último, isso já em 2009, foi lançado Marvel Zombies Return, também com Van Lente e alguns outros escritores, mostrando o que aconteceu depois que os heróis foram enviados para outro universo no fim de MZ-2.

Numa virada digna de Entre a Foice e o Martelo, os zumbis foram enviados para um universo marvel bem parecido com o nosso e, na tentativa de salvá-lo de uma infecção zumbi generalizada, eles acabam sendo os responsáveis pela ruína daquele mundo. Gerando o herói-paciente-zero original que por sua vez cruzaria as fronteiras do universo para infectar o zumbiverso original, num ciclo fechado de tragédias e mortos-vivos.

O final de Marvel Zombies Return finalmente amarra a origem da praga zumbi apresentada em Quarteto Ultimate #21

Tô LendoPontos Fortes
  • Comédia. Ok, é uma história de terror, mas como de praxe no gênero, ela tem muitos elementos de comédia também. Ou tragicomédia, se você preferir. As edições do Kirkman são bem melhores, na minha opinião, mas as do Fred Van Lente ainda tem suas pérolas de humor.
  • Ideias perturbadoras. As minisséries têm uns momentos muito perturbadores, que acabam sendo meio aliviados por conta da comédia também. Mas tipo, Peter devorando a Tia May e a MJ, ou ainda o Reed Richards concluindo que os zumbis são o próximo passo na evolução e infectando o restante do quarteto. A Mulher-Hulk devorando os filhos de Reed e Sue. Hank Pym propondo campos de criação de humanos para eles não ficarem sem comida, etc. etc. São ideias assustadoras, mas quem curte terror vai adorar.
Tô LendoPontos Meh
  • Continuações. As histórias que vieram depois dos arcos de Kirkman não têm o mesmo charme, mas tentam brincar um pouco com os elementos de terror da própria Marvel. Traz de volta alguns personagens meio esquecidos e tal, mas não carregam o mesmo peso, infelizmente. Lembro de ter achado meio chatinho e não consegui nem ler tudo de novo antes de escrever a coluna.
  • Cronologia. É uma bagunça, né? Como tudo na Marvel, quando algo faz sucesso eles repetem e reutilizam em outras histórias, sem se preocupar direito com o que veio antes. Com isso, a ordem de leitura dos gibis fica uma zona sem tamanho e durante muito tempo, os personagens zumbis que a gente curtiu conhecer ficam sem aparecer.

WE NEED TO GO BACK, KATE!

Recentemente, a Marvel retornou com mais uma série de Marvel Zombies, em 2019 e 2020. Como o arco iniciado por Kirkman acabou sendo encerrado ainda em 2009, essa “nova fase” traz uma nova infecção em outro universo Marvel, mas se levando mais a sério, seguindo uma linha de “história de sobrevivência” e menos de “comédia terrir”. Passou batido por mim, talvez por causa da pandemia mesmo, mas dei uma olhada de leve e parece bacana, apesar de tudo.

Além disso, o seriado What If…? do Disney Plus também adaptou uma versão dos zumbis Marvel para a telinha do streaming que, apesar de não se aprofundar no gore e nos conceitos perturbadores dos quadrinhos, teve lá o seu apelo. Na história, o vírus zumbi vem do universo quântico e os heróis mortos-vivos são mais genéricos, mas ainda assim é uma história que eu jamais pensei que veria assim, “ao vivo” na TV, sabe? Então achei bacana.

Céééérebrosssss…

E você? Tem algum filme de zumbi favorito? Já leu Marvel Zombies? Qual herói você acha que sobreviveria uma invasão zumbi? Diz aí nos comentários.


Zumbis Marvel vale quatro rebobinandos! 📼📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.