Rebobinando #15 | He-Man & Os Mestres do Universo

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Pegue sua espada do poder! Seu machado de batalha! E sua… sunga de pelinho? Porque hoje a Rebobinando volta a uma gloriosa época dos anos 80! Uma época onde as coisas eram mais simples, e seus pais não se importavam com os desenhos na TV porque as histórias tinham uma lição de moral. Mesmo que essa lição de moral fosse uma propaganda meia hora exibida três vezes ao dia para vender brinquedos. Hoje vamos falar de He-man & os Mestres do Universo!

Para ler com essa música ao fundo!

Na verdade, tenho que dar o crédito dessa coluna ao Tibério. Numa conversa ele deu uma dica de um documentário em quatro episódios disponível na Netflix chamado Brinquedos Que Marcam Época. A dica em si meio que passou batida por mim, mas acabei redescobrindo esse doc durante a morgação de fim-de-ano, entre uma exibição de Duro de Matar e Esqueceram de Mim. No fim das contas, foi muito legal revisitar as histórias sobre a criação dos brinquedos de Star Wars, Comandos em Ação e da Barbie. Porém, entre eles, um episódio bateu forte na nostalgia aqui em casa e é por isso que falaremos do bárbaro Ele-Homem hoje!

Na minha classificação de desenhos clássicos dos quais eu consumi quase tudo o possível estão He-Man, Thundercats e Tartarugas Ninja. Não é nenhum mérito, claro, porque assim como eu trocentas outras crianças passaram por esta mesma fase. Mas sempre vai ter um de vocês (S.E.M.P.R.E) que vai dizer algo do tipo “ain, eu curtia Transformers”. E tá ok. Você pode estar errado algumas vezes, porque He-Man era bem mais maneiro que Transformers!

COMO ASSIM HE-MAN É MELHOR QUE TRANSFORMERS? NYA-AH-AH-AH!

A Criação.

O ano era 1980. E a monstra do mercado de brinquedos, Mattel, ainda estava se mordendo por não ter dado a devida atenção ao fenômeno de marketing que foi Star Wars. O Império Contra-Ataca tinha acabado de sair e George Lucas estava enchendo os bolsos de dinheiro com seus bonequinhos de 8 cm. Não querendo ficar atrás, os cabeças da área de criação e desenvolvimento da empresa estavam… bem, quebrando a cabeça para tentar adivinhar o que as crianças queriam.

E isso eu acho super curioso. Me lembra as histórias do Stan Lee quando da criação do Homem-Aranha, por exemplo. Ele costuma dizer que pensava no conceito e explorava qual nome seria legal, ou soasse melhor (se foi ele mesmo, ou o Kirby ou o Ditko, não vem ao caso agora). Spider-Man era um nome que soava bem. E vendo o documentário e acompanhando a história por trás da criação dos Mestres do Universo tem muito disso. Tudo pode ser resumido à palavra “power”. Eles descobriram que as crianças queriam “ter o poder” de suas próprias brincadeiras, vidas, etc. Daí a “lavagem cerebral” com o desenho animado e o herói em questão clamando “I HAVE THE POWER”, que ficou traduzido aqui como “eu tenho a força”.

Inclusive, o nome He-Man surgiu da mesma maneira! A gente acha que é um nome esquisito porque traduz ao pé-da-letra claro. Mas se você catar em qualquer dicionário, ou perguntar ao Google mesmo, olha só:

Isso mesmo. A palavra quer dizer “homem musculoso, de forma ostentosa”. Aqui no Brasil a gente poderia ter traduzido o nome dele para algo como “Homão da Porra & os Mestres do Universo”. Que bacana! E isso ainda servia de comparação com os bonequinhos mirrados de Star Wars, já que o He-Man, Esqueleto e sua turma tinham quase 14 cm de altura e puro músculo.

O que veio depois.

O lançamento dos bonecos, ou se você preferir, “figuras de ação”, foi acompanhado de diversas maneiras de estabelecer os personagens junto ao público. Como Star Wars tinha uma série de filmes onde as crianças sabiam quem era quem, He-Man precisava ser conhecido de alguma forma para se tornar o fenômeno que se tornou. Mini gibis vinham em cada embalagem dos bonecos, com histórias apresentando cada personagem, e além disso, em 1983 foi lançado uma série de animada que no fim foi a maior responsável pelo grande sucesso da linha de brinquedos.

Os mini gibis vinham com cada boneco vendido para ajudar a contextualizar o herói e seu universo.

O desenho, na época, parecia maravilhoso! Eu lembro de pensar que os movimentos dos personagens era quase real e achava tudo muito bem feito. Curtia até as lições de moral (que foram incluídas só para os pais não reclamarem que era um desenho violento e tals). Para muitos efeitos, esse desenho marcou época. Seja como pura estratégia de marketing, ou seja como avanço no uso de temas de histórias para crianças. He-man era um bárbaro e, embora raramente usasse a sua espada, ele foi um dos primeiros heróis a de fato lutar com seus inimigos na telinha. O desenho também falou sobre drogas, bullying e todo pai curte uma TV que ensina seus filhos, ao invés dele mesmo ter que falar sobre temas cabeludos… ops.

Pena que não se sustenta ao teste do tempo. A última vez que eu tentei assistir, não consegui terminar um episódio sequer.

Tô LendoPontos Fortes
  • O marketing, né? Nada parecido havia sido feito até a época. E isso abriu precedente para inúmeras outras séries como as Tartarugas, ou Thundercats, ou Comandos em Ação.
  • A história. Se você se preocupar em procurar, o plot dos Mestres do Universo tem uma riqueza de detalhes e um backstory absurdos. Coisa que só fãzão mesmo conhece, mas que vale a pena conhecer.
  • A própria linha de brinquedos. Como os próprios criadores disseram, só faltou eles jogarem a pia da cozinha nessa história. Como a ambientação de fantasia sci-fi de capa-e-espada engloba muita coisa, tinha-se a liberdade de se criar absolutamente qualquer coisa! E se você souber inglês, os nomes dos personagens são de uma qualidade trocadilhesca maravilhosa.
Tô LendoPontos Fracos
  • O desenho animado. Como eu disse antes, a não ser pelo fator nostalgia, o desenho não é lá essas coisas. Não se sustenta ao teste do tempo, nem em relação ao roteiro, nem em animação. Pena.
  • As continuações. O desenho original durou uns cinco anos, gerando até um spin-off: She-Ra a princesa do Poder. Sem contar o filme horroroso de 1987. Desde então a Mattel vem tentando sucessivamente, a cada década, relançar os Mestres do Universo para um público novo. Tentou em 1990 com o He-Man de rabo de cavalo. Tentou novamente em 2002 com um desenho que era até bacana, mas que também acabou cancelado. Nos anos 10 ainda não tivemos nenhum revival dos personagens, mas vai que…?
  • O marketing. Como dito antes, toda essa estratégia foi pioneira em como fazer desenhos e vender brinquedos e isso acaba sendo muito ruim. Tanto pro mercado de brinquedos como o de desenhos. Desenhos ótimos acabam sendo cancelados porque não vendem brinquedos, por exemplo, a não ser que alguma empresa de vídeos on demand resolva ressuscitá-los alguns anos depois. Te amo, Young Justice. Te amo, Netflix.

No fim, ficam as boas memórias e os bonequinhos usados no fundo do baú. He-Man está nos corações de qualquer trintão ou quarentão de hoje em dia, mesmo que as crianças só curtam esses bonecos da Marvel gigantes sem articulação nenhuma que nem dá pra brincar direito. Pela nostalgia e pelo desenho, He-Man vale só duas rebobinadas. Mas pela linha de brinquedos, vale as cinco rebobinadas!

Desenho animado: 📼📼

Linha de Brinquedos: 📼📼📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2019-02-25T22:03:07+00:00 8 de janeiro de 2018|16 Comentários