Rebobinando #143: Superman/Batman Inimigos Públicos

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Como aqui na Rebobinando a gente adora falar de política, vamos lembrar daquela vez em que um super vilão foi removido do cargo de homem mais importante do mundo. Era o DONALD TR… opaopa, er, era o LEX LUTHOR! Vamos rebobinar Superman/Batman: Inimigos Públicos.

Não é uma história do Super ou do Bats sem uma origem, né?

Eu gosto bastante do Super-Homem, e dentre os arcos de história dele no início dos anos 2000, acho que o mais pertinente foi o da eleição de Lex Luthor como presidente dos Estados Unidos. Como quadrinhos podem ser, e são, políticos, essa foi uma sacada muito legal da DC Comics na época para criticar a eleição de George W. Bush, mas sem apontar muitos dedos. 

Mas depois da morte do Super, eu talvez não lembre de nenhum outro arco de histórias que tenha tido uma presença mais permanente até mesmo nas outras mídias em que o herói aparecia. Há menções de Lex presidente no desenho da Liga da Justiça e no seriado Smallville, só para citar as mais óbvias.

Esse papo de que eu sou super vilão, que eu uso robôs, é fake news!

O fato é que, dependendo do quanto uma produção com o Super-Homem pode ser longa, a gente pode esperar pelo menos uma trama envolvendo sua morte e outra com o Luthor presidente em algum momento.

E mesmo que o lado político da história não tenha sido tão bem aproveitado, só o fato de colocar o Luthor como “chefe” do Super foi um balanço bem forte no status quo das revistas. Luthor poderia ter agido mais como um chefe de estado “malandro”, agindo na surdina, mas não demorou muito e ele enlouqueceu com o poder e começou a “supervilanear” como se não houvesse amanhã (na época, inclusive, achei até que era uma forçada de barra dos autores, mas hoje em dia, com CERTOS EXEMPLOS POR AÍ, NÉ, a gente viu que é bem fácil de acontecer).

“Acha que eu vou ser um presidente banana? De um país de maricas? Quem manda sou eu!”

No entanto, todos os heróis ficaram de orelha em pé, enquanto alguns foram obrigados a trabalhar com o Luthor e outros foram agir como “agentes duplos”. Nesse meio tempo ocorreu uma saga chamada Mundos em Guerra, onde um alienígena chamado Imperiex tentou dominar a Terra. Lex obteve sucesso na solução da crise, mas só porque fez acordos com o soberano de Apokolips, o temível Darkseid, para obter armas especiais e salvar o planeta. 

Tudo isso enquanto tentava acusar falsamente o bilionário Bruce Wayne por assassinato (nada a ver com o Batman, era só porque eles tinham uma rivalidade econômica entre suas empresas). 

Embebido de poder, Luthor foi enlouquecendo mais e mais, até culminarnos na história da coluna de hoje… Vamos lá? 

“Não acredito que ele disse isso, DE NOVO!”

A HISTÓRIA 

Escrita pelo famigerado Jeph Loeb e desenhada pelo nem sempre adorado Ed McCguinnes, o arco de histórias foi lançado em uma revista nova intitulada Superman/Batman nos EUA, em 2003. Aqui no Brasil ela saiu dois anos depois, em 2005, no mix das revistas do Superman, a partir da edição #27. Nessa fase, Loeb ainda capitalizar em cima dos seus grandes sucessos (como Batman: O Longo Halloween e a série Cores da Marvel), mas parecia já estar a caminho de sua fase “porra louca” nos gibis, brincando com situações absurdas. E essa história do Super com o Batman é um prato cheio desses momentos.

Conhecida posteriormente como a saga Inimigos Públicos, a história na verdade tem o nome clássico de Os Melhores do Mundo (não confundir com AQUELE OUTRO SITE de nerds) (nem com o grupo de comédia) e começa de maneira bem clássica também, com um ataque do vilão Metallo aos Laboratórios S.T.A.R.. O Superman chega para ajudar, mas toma uma surra do ciborgue “enkryptonitado”, que acaba fugindo. Ele então descobre que os Laboratórios STAR têm uma série de arquivos secretos sobre John Corben (o nome civil do vilão) e suas origens humildes em Gotham City. Preocupado com o que descobriu, Super voa imediatamente para a cidade das trevas em busca do seu amigo, o Batman.

Eu abri meu coração pra você, Superman! Agora vou enterrar esses sentimentos!

Chegando lá, o morcego está em um cemitério investigando uma série de roubos de sepulturas. Todas elas remexidas, deixando para trás traços de um metal bem específico: metallo. Acontece que o metal especial que compõe o corpo do vilão ciborgue habitado pelo cérebro de John Corben tem o mesmo nome e foi criado por um cientista japonês. Após a uma pequena conversa, ambos são emboscados por Corben, que atira no Superman com uma lasca de kryptonita e soterra os dois heróis em uma cova.

Durante o restante da história, Metallo fica completamente esquecido, porque enquanto isso tudo ocorre, vemos Lex Luthor recebendo uma informação secreta de que um meteoro de kryptonita do tamanho do Brasil está em rota de colisão com a Terra. Luthor está na sala de operações da Casa Branca, cercado por um time de super-heróis que trabalham para ele. Ali dentro, o careca conta para todos que tem motivos para crer que o meteoro está sendo atraído, de alguma forma, pelo Superman e, portanto, coloca a cabeça do herói a prêmio em rede nacional. Um bilhão de dólares para quem entregar o Superman!

MUA! MUHAUAHA! MUAHAUAHUAHAUAHAUAHA!

Mas olha só, eu disse que a história era cheia de coisas malucas acontecendo o tempo todo, não é? Então, enquanto Luthor discute sobre como prender o Superman na Casa Branca, os dois heróis estão na Batcaverna discutindo o “segredo” de John Corben: que ele era um bandido chinfrim de Gotham na mesma época em que Thomas e Martha Wayne foram assassinados, e que ele carregava consigo uma arma do mesmo calibre que matou os dois! Enquanto Clark e Bruce discutem a possibilidade de Metallo ser o assassino dos Wayne, a caverna é invadida por uma versão mais velha do Super-Homem, com um uniforme que lembra o de Reino do Amanhã!

Se prepara porque um Super VINDO DO FUTURO VOLTOU NO TEMPO PARA MATAR A SI PRÓPRIO E IMPEDIR QUE ELE DESTRUA O METEORO DE KRYPTONITA. O que não faz O MENOR SENTIDO, na boa. Por que ele não se junta ao Super? Por que ele não diz o que aconteceu para eles mudarem o futuro? Por que ele acha que a melhor maneira é matar a si próprio? E quem salva o mundo depois? Afe, Jeph. Eu gostava tanto de você.

O Superman do Futuro com o Batmóvel dos anos 60 vs o Batman do Presente.

Enfim, o Super velho some de repente, assim como veio, o Super novo e o Batman saem em busca de ajuda para lidar com o meteoro, mas acabam sendo atacados por uma horda de supervilões que vai de Mongul e Solomon Grundy, passando por Gorilla Grodd, Capitão Frio, Sr. Frio e Nevasca, além de Banshee Prateada, Lady Shiva, Giganta, Manta Negra, entre outros… Se você está se perguntando porque alguém como o Mongul iria atrás de uma recompensa de um bilhão de dólares, essa é uma ótima pergunta. Ninguém responde, infelizmente.

Depois de derrotar todos esses vilões de uma vez (e fazer a gente se perguntar como é que essa galera consegue dar trabalho em histórias comuns) eles ainda precisam enfrentar os próprios amigos. Os dois dão de cara com a “liga da justiça” pessoal do Presidente e, de novo, saem na porrada contra Capitão Átomo, Major Força, Estelar, Katana, Raio Negro, Lanterna Verde (o John Stewart) e Poderosa. Claro que eles derrotam todos com as mãos nas costas, mas não sem antes carregar consigo Katana e Poderosa, levando ambas para o Japão, para irem atrás de um menino chamado Hiro, o novo Mestre dos Brinquedos, e filho do cientista que inventou a liga metallo, a única coisa capaz de barrar a radioatividade da kryptonita.

Eu amo/odeio esse robô gigante meio muçarela, meio calabresa.

Mais porrada acontece, ainda mais depois que a Sociedade da Justiça envia o Gavião Negro e Shazam para dar um jeito nos dois heróis fugitivos. A luta é até bacana, mas a edição termina no meio dessa luta e a gente não sabe do final até a edição seguinte, o que acaba sendo um pouco frustrante. Enquanto a porradaria come solta, acompanhamos a derrocada mental de Lex Luthor aos poucos. Isso porque ele deixou seu ódio e inveja pelo Superman levar a melhor e começa a agir como um vilão maluco de histórias em quadrinhos (é, eu sei), bem diferente do cara frio e calculista que venceu as eleições três anos antes. Descobrimos que ele anda injetando em si mesmo uma mistura do anabolizante Veneno, o mesmo que dá força ao vilão do Batman, Bane. Mas além disso, essa versão sintética do composto ainda é misturada com kryptonita líquida! Como nada disso deve fazer um bem danado pra saúde, ele começa a ficar mais paranóico, mais delirante e vendo inimigos em todo o lugar COMO CERTOS PRESIDENTES POR AÍ, NÉ?

E gente, como eu posso continuar? Tem tanta coisa louca acontecendo, sabe? Luthor dá um beijo na boca da Amanda Waller! O Capitão Átomo viaja para o futuro e encontra o Superman velho! Os ajudantes do Super e do Batman invadem a Casa Branca atrás dos seus mentores e tomam uma surra! O Superman e o Batman se disfarçam de Gavião Negro e Shazam POR ABSOLUTAMENTE NENHUMA RAZÃO! Os dois resolvem explodir o meteoro de kryptonita em uma nave criada pelo menino que é o novo Mestre dos Brinquedos, só que a aparência dela É UM ROBÔ MEIO-SUPERMAN, MEIO-BATMAN! O Capitão Átomo volta no tempo dizendo que o Superman pode até sobreviver à explosão do meteoro, mas que os estilhaços da pedra ainda chegariam na Terra radioativos. Por isso quem tem que ir pro espaço é alguém que possa absorver essa radiação e o próprio Capitão Átomo vai em seu lugar…

Te dei o sol, te dei o mar / e te dei radiação / raio de kryptonia / meteoro do azulão!

Enfim, é um festival de coisa doida que nem parece o mesmo Jeph Loeb dos anos 90, que escreveu coisas sérias e até mesmo poéticas. Quase não é um susto quando a gente sabe que ele saiu dessa porra-louquice toda para escrever a fase do Hulk Vermelho, Os Supremos III e (afe) Ultimato. Eu não gosto muito da arte do Ed McGuinness, acho que todo mundo tem mais ou menos o mesmo corpo bombadinho e a mesma cara, parecendo um bando de bonequinho do He-Man, mas de alguma forma esse tipo de traço funciona bem melhor numa história dessas do que algo mais real, ou mais bacana.

Em breve, nos anos 80 mais perto de você!

IMPEACHMENT

A saída de Lex Luthor da presidência se dá de uma forma quase cartunesca. Tenho certeza que já vi uma resolução de trama parecida em algum desenho do Scooby-doo (CruuUUuuUUzes)! Largado pela sua equipe, paranóico e enlouquecido, Luthor resolve lidar com seus problemas por conta própria e veste uma nova armadura mecânica, com tecnologia de Apokolips. Com a força do Veneno banhado em kryptonita e uma nova armadura poderosa, ele é capaz de lutar de igual para igual com o Super-Homem! Os dois partem para o troca-tapas no meio de Metrópolis, diante de câmeras de TV, fotógrafos e repórteres de jornal, e todos os outros habitantes da cidade. Lex acabada admitindo inúmeros crimes de guerra (durante a saga anterior, Mundos em Guerra), além de uma parceria no mínimo “inusitada” com Darkseid.

Depois de tomar uma senhora surra do nosso querido escoteiro azulão, Luthor acaba caindo em uma de suas torres da Lexcorp e se pergunta por que estava tudo vazio. É a vez do Batman de chutar esse cachorro morto, dizendo que a WayneTech realizou uma aquisição hostil da Lexcorp e comprou toda a empresa das mãos da CEO Talia al Ghul. Falido, sozinho e “impeachmado”, ele implode o prédio para poder escapar. Quando a poeira baixa, nenhum dos heróis consegue encontrá-lo, mas nós os leitores somos agraciados com uma das melhores cenas “eu voltarei” das HQs, fazendo referência a um certo baixinho canadense.

“Muito bem, malditos. Você deram o seu melhor, AGORA É MINHA VEZ!”

Tô LendoPontos Fortes
  • Massa Véio. Bom, se essa é a sua onda, claro. Mas eu acho a história incrivelmente divertida, apesar dela não se levar tão a sério. Perdi a conta de quantas vezes eu gargalhei alto com alguma coisa absurda tirada do c* do Jeph Loeb.
  • Clássicos. São as versões mais clássicas dos personagens e arrisco dizer que é uma ótima porta de entrada para leitores novos. Tem origem, personagens bem estabelecidos e bastante vilão para compor cenas maneiras.
  • Disponível. Foi lançado em um encadernado pela Panini em 2007, além do mix de histórias do gibi do Superman, publicado de 2002 a 2012 (que tem de rodo nos sebos por aí). Sem falar no desenho animado de 2009.
Tô LendoPontos Meh
  • Ed McGuinness. Não gosto e pronto, desculpa. Reitero que parece que eu estou lendo uma história interpretada por bonequinhos do He-Man. Fico pensando como seria a história pelas mãos de um Tom Grummet ou Dan Jurgens, ou John Byrne… Dá licença, eu sou velho.
  • Massa Véio. Se essa não é a sua praia, passe longe. Apesar de achar divertido, alguns personagens têm a profundidade de um pires e algumas resoluções são meio “meh”. Por isso eu acho que a história é mais voltada para a molecada, então vale a pena pra mostrar pras crianças.

A capa original, o encadernado de 2007 e a capa do DVD.

No fim, Luthor foi “deposto” porque era maluco mesmo e, bom, um supervilão! Muita gente nem acreditou quando a DC lançou essa história, imaginando que seria impossível o povo dos Estados Unidos votar em um cara amplamente conhecido como um supervilão. Pena que a realidade provou o contrário, né? Mas apesar da “massaveíce”, ela pode nos ensinar uma lição de paciência e de esperança. De que não importa o quanto os supervilões pareçam estar vencendo, eles sempre cometem um erro fatal que joga seus planos pelo ralo.

E você? Tem algum candidato dos gibis favorito? Qual o personagem que você acredita que daria um ótimo presidente? Ou prefeito? Conta aí nos comentários!


Superman/Batman: Inimigos Públicos vale três rebobinandos! 📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2020-11-16T22:12:39+00:00 16 de novembro de 2020|0 Comentários