Rebobinando #14

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Bem vindo à festa, amigo! Por conta das festas de natal e ano novo a Rebobinando chega excepcionalmente hoje! Repleta de tiros, explosões, elevadores indo pelos ares, helicópteros caindo e terroristas misteriosamente voltando à vida! Vamos falar simplesmente do melhor filme de natal de todos os tempos. Duro de Matar! Yippee Ki Yay, Motherf*cker!

Welcome to the party, pal!

Ah, as boas lembranças de um garoto de 12 anos descobrindo um dos seus primeiros filmes de ação na vida. Vendo todo aquele tiroteio e aqueles buracos de bala falsos que explodiam em pequenas bombas de sangue das quais voavam até uns pedacinhos! Bons tempos em que os pais não se importavam tanto com o conteúdo do que os seus filhos pegavam na locadora de vídeo ou viam na Temperatura Máxima, na TV. Nessa leva de Duro de Matar (1988), dá pra incluir alguns dos clássicos atemporais como Máquina Mortífera (1987), Comando para Matar (1986) e O Grande Dragão Branco (1988). E de todos eles, mesmo sendo similares, só os dois primeiros podem se gabar de serem filmes de Natal. Muito embora Máquina Mortífera passe raspando.

– Mas beleza, Kadu. Você vai falar de Duro de Matar, mas esse é um filme que todo mundo lembra, então pra quê?

Se você quiser, eu posso falar de Milagre na Rua 34, ou Simplesmente Amor, ou…

– Não, Deixa.

Posso falar também de Esqueceram de Mim, que é basicamente Duro de Matar só que pra crianças.

– Oi q?

Deixa pruma próxima Rebobinando.😉 Mas continuando. O filme que lançou Bruce Willis pro estrelato como um herói de ação é tido como um clássico nos dias de hoje. Muitos dizem inclusive que ele redefiniu o próprio cinema de ação do fim dos anos 80 gerando inúmeras cópias que não superaram o original, e aqui eu ainda incluo as próprias sequências da franquia, muito embora todas elas tenham momentos memoráveis. Cheio de reviravoltas, com um protagonista carismático e com o segundo melhor vilão da história do cinema depois de Darth Vader, ele é simplesmente um prato cheio pra se comer no Natal. E com rabanadas de sobremesa.

Give me. The deto. Nators. … … Now. (ah, que sotaque!)

Mas a história por trás do making of desse clássico absoluto, caso você não conheça, vale super a pena saber. Por exemplo, o roteiro não é algo que a Academia do Oscar consideraria um “roteiro original”. Não porque é clichezento, péra! Mas por que é um roteiro adaptado de um livro! Sim, você poderia estar lendo Duro de Matar agora, e não fazia ideia! Nothing Lasts Forever, o livro, conta a história de um policial já de idade, chamado Joseph Leland (ugh). O cara é divorciado e vai até um arranha-céus de Los Angeles, numa festa de natal, visitar a sua filha. Lá, o prédio é alvo de um grupo de terroristas que deverão ser eliminados um a um até que Leland salve sua garotinha. O autor, Roderick Thorp, diz ter se inspirado a escrever a história após assistir O Inferno na Torre, filme de 1974. Everything is a remix, guys.

O livro em si já é uma continuação de outra história com o mesmo personagem, The Detective (1966), que também já havia sido adaptado para o cinema em 1968 com, pasmem, Frank Sinatra no papel principal e Jacqueline Bisset.

– Nossa, cara! Muitas referências!

Eu sei! Mas o mais curioso é que os planos iniciais para Duro de Matar era ser também uma continuação desse The Detective com, PASMEM, O MESMO FRANK SINATRA!

– MENTIRA!

Verdade! E muito embora seja difícil a gente sequer conceber o Frankie Blue Eyes cantando My Way enquanto se espreme descalço por dutos de ventilação, seria interessante pensar no que poderia ter sido feito desse filme. Talvez uma vibe mais Charles Bronson em Desejo de Matar, sabe? Com menos escaladas em mangueiras de incêndio, talvez? De certa forma é uma pena que não deu certo. Mas pelo menos o Frank ainda entrou no nosso querido clássico natalino cantando Jingle Bell Rock enquanto os créditos sobem. 

Essa cena, cara! ESSA CENA!

Como eu disse, a ideia de usar o Frank Sinatra não foi pra frente e enquanto o filme não saía do inferno da pré-produção, os produtores procuraram por outras estrelas de ação em ascensão no momento. Houve planos de adaptar o roteiro para transformá-lo numa continuação de Comando Para Matar com PASMEM NOVAMENTE, ARNOLD SCHWARZNEGGER!

– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH!

EU SEEEEI! DE NOVO! Imagina só que pérola da cinematografia mundial seria ver The Governator passando aquelas pinturas de guerrilha, metendo uns trabucos embaixo do braço e simplesmente implodindo o Nakatomi Plaza pra fora do tomo só pra salvar a Alyssa Milano? Iam precisar de muito mais que 13 terroristas, com certeza.

Tô LendoPontos Fortes
  • Todos! É um baita filme que todo mundo deve assistir!
  • As continuações. Embora não cheguem aos pés do primeiro, todas elas são boas (menos a 5, vai?). E todas elas (menos a 5) seguem o mesmo padrão de “roteiro-que-era-pra-um-filme-mas-depois-virou-duro-de-matar”, ou seja, por isso que elas parecem ser continuações tão, ahem, descontinuadas. Menos a 5. Que é bem fraca.
  • Os Capangas. Eu tenho um certo fascínio por capangas. Em especial depois daquela cena sobre a família de um capanga em Austin Powers, eu sempre me pergunto o que levou essa pessoa a trabalhar pro vilão da trama. E em reparando nos capangas, eu comecei a notar um certo asiático, de bigode fu manchu, careca, mas de cabelo comprido, que aparecia com frequência nos filmes e sempre era um dos primeiros a morrer. Esta nota é pra você Al Leong! Você foi o primeiro artista obscuro que eu procurei na internet. Que ninguém nunca esqueça o Uli. Ou o Chinês Armado #9. Ou o Motorista Tibetano.
Tô LendoPontos Fracos
  • As cópias. Tipo:
  • A Força em Alerta, que é Duro de Matar num encouraçado.
  • Passageiro 57, que é Duro de Matar num avião.
  • Cliffhanger, que é Duro de Matar nas montanhas.
  • Morte Súbita, que é Duro de Matar num estádio de hockey.
  • A Rocha, que é Duro de Matar em Alcatraz.
  • Força Aérea Um, que é Duro de Matar no avião do presidente.
  • Serpentes à Bordo, que é Duro de Matar num avião. Com cobras.
  • Invasão à Casa Branca, que é Duro de Matar, bom, na Casa Branca.

O fato é que nada disso ocorreu. Se foi pro bem ou pro mal, nunca saberemos. O que sabemos é que é um clássico. Que depois dessa, a carreira do Bruce Willis alçou vôo. E que Alan Rickman, pra mim, vai ser eternamente conhecido como Hans Gruber e não Severo Snape! E que se você tem um pré-aborrecente em casa que dá mais trabalho no dia de natal do que preparar uma farofa sem passas, taí uma boa tradição para as festas de fim de ano. Tira o pó do DVD player, pega aquela cópia de R$ 12,99 que você comprou nas Lojas Americanas e vai curtir um dos grandes clássicos de natal. Ou ano novo!

Óbvio que vale cinco rebobinadas! 📼📼📼📼📼


Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2018-01-12T20:32:48+00:00 1 de janeiro de 2018|10 Comentários
  • Sebastião Nunez

    O filme é realmente muito bom. Recentemente teve uma sessão no Cinemark Clássicos, fiz de tudo para ver no cinema, mas infelizmente não deu. De qualquer forma é um ótimo filme para rever as vezes.

    • Pô, com certeza. Eu tb tentei ir nessa sessão do cinemark, mas acabei não conseguindo… *chuif*

  • DIE HARD!!!

  • Strider_Tag

    “NOW I HAVE A MACHINEGUN ! HO HO HO !”

  • Yippee ki yay, motherfucker!

  • Marcos

    Um dos primeiros filmes que a minha mãe me indicou na vida

    • Sua MÃE?

      Caraca eu praticamente tive que ver esse filme escondido da minha pq ela jamais entenderia o quanto é maneiro ver o Bruce Willis explodindo prédios e terroristas!