Nos anos 90, uma febre atingiu boa parte das crianças de todo o mundo. Se espalhou a partir dos esgotos de Nova Iorque e levou muitos pais à loucura! Óbvio que eu estou falando da febre das Tartarugas Ninja! Pega sua pizza e vem rebobinar comigo um clássico de 1990: As Tartarugas Ninja, O Filme!

O sucesso estrondoso das Tartarugas no final dos anos 80 é quase sem paralelos. Ainda acho impressionante que mesmo trinta e seis anos (!!!) após a primeira aparição delas nos quadrinhos, os personagens ainda sejam relevantes na cultura pop ao ponto de termos um reboot recente de filmes e uma nova série animada lançada em 2018. O interessante dessa saga toda, em especial com a criação dos brinquedos e do desenho animado de 1987, você pode conferir na ótima série documental Brinquedos que Marcaram Época disponível na Netflix. O primeiro episódio da terceira temporada trata justamente dos quelônios mutantes do ninjutsu e é bem legal.

Claro que o meu primeiro contato com eles foi na exibição do desenho de 87 no extinto Xou da Xuxa lá pelos anos 90 mesmo, quando ele chegou por aqui. O filme, inclusive, saiu no mesmo ano e, se não me engano, é a minha primeira memória de uma ida ao cinema com a minha família! Lembro claramente de passar pela frente do cinema e ver os cartazes dos filmes em exibição, que tinham alguns stills do próprio filme espalhados ao redor do cartaz… o das tartarugas mostravam apenas seus olhos por baixo de uma tampa de bueiro com a cidade por cima e os dizeres:

“Ei, cara! Isso não é um desenho animado, é um filme maneiro!”

O que foi o suficiente para me fazer implorar para minha mãe para vermos o filme na mesma hora! Em 1990 eu tinha apenas oito anos, então acho desnecessário dizer que FOI A COISA MAIS IRADA QUE EU JÁ TINHA VISTO EM TODA MINHA VIDA. Daí por diante, tudo o que existia de Tartarugas que eu pudesse pôr a mão eu dava um jeito de conseguir: brinquedos, camisetas, armas ninja de plástico, bandanas, seguradores de cadarço, revistas em quadrinhos, videogames, festa de aniversário de 9 anos, etc. etc. etc. Como era uma época sem internet e sem muita opção de coisas para a gente perder o foco, a minha vida girava em torno das tartarugas ninja diariamente. Não sei nem como meus pais me aguentaram e não me largaram na beira duma tampa de esgoto na rua.

Os seguradores de cadarços eram reais E EU POSSO PROVAR!

Alguns anos depois eu tive a chance de rever o filme original e fiquei meio balançado entre a nostalgia e a vergonha alheia. Foi um pouco antes do lançamento do filme em CGI de 2007 que era uma “suposta continuação” dos filmes em live-action, e eu ainda acreditava com força na tal regra dos quinze anos, que inventaram por aí. A regra dita que “QUALQUER coisa que você tenha visto antes de completar quinze anos JAMAIS deverá ser assistida novamente, pois você inevitavelmente vai achar uma merda, muito provavelmente porque JÁ ERA uma merda naquela época”.

Eu não curto muito a regra dos 15 anos, primeiro porque a Rebobinando me faz rever coisas com bem mais de 15 anos com frequência e, se eu não o fizer, não tem coluna. Segundo, porque como eu já fiz disso um hábito, eu já vou atrás de muitas outras informações sobre o produto cultural em questão que eu não tinha acesso naquela época. Então algo que possa parecer completamente datado e brega, acaba se tornando interessante sobre outro ponto de vista. E terceiro, porque eu adoro nostalgia! Costumo ver com carinho até as coisas mais bregas da minha infância e me divirto com a inocência que o Kadu de mais de trinta anos atrás via nos seriados, desenhos, filmes e gibis. Claro, tem coisas que a gente se arrepende (tipo rever He-man), mas tem coisas que a gente vê que se sustenta (tipo Galaxy Rangers).

Mas enfim. E o filme das Tartarugas? Vem comigo!

A PRODUÇÃO

O filme produzido de forma independente por uma antiga produtora chinesa chamada Golden Harvest, desde 2009 ela é conhecida como Orange Sky Golden Harvest. Sediada em Hong Kong, essa empresa era bem famosa na China por ser a produtora responsável pelos filmes das lendas de kung fu do cinema como Bruce Lee, Jackie Chan e Sammo Hung. Foi ela quem tornou esses atores famosos ao distribuir os clássicos filmes de Hong Kong ao mercado ocidental. Dada a origem das Tartarugas (que, ok, são japonesas), mas que envolve bastante artes marciais, nada mais justo que uma empresa especializada neste tipo de filme esteja envolvida. 

Com um orçamento razoavelmente baixo, de pouco mais de 13 milhões de dólares, o filme acaba sendo bem sucinto com relação ao enredo. Mas para que ele desse certo de verdade, era essencial que os protagonistas da história fossem críveis. Para tanto, boa parte desse orçamento caiu no colo da Jim Henson Creature Shop, o estúdio de fantasias e fantoches do pai dos Muppets. As roupas foram as coisas mais avançadas em termos de tecnologia para criação de fantasias na época, com as cabeças sendo controladas remotamente enquanto eram vestidas por dublês em cenas de ação. Elas conseguiam trazer um tom de realismo que não ficava no vale da estranheza, fazendo com que os personagens do desenho pulassem da tela para a vida real.

“Eu vi o futuro meus filhos, e vocês vão ganhar narizes, crescer dois metros e assombrarem os pesadelos das crianças…”

Reza a lenda, no entanto, de que o próprio Jim Henson teria odiado trabalhar no filme. Conhecido por criar programas e filmes como Os Muppets e a Vila Sésamo, o foco de suas produções era sempre ajudar no crescimento das crianças através da imaginação, estimulando os pequenos a aprender e brincar. Segundo consta, ele teria se decepcionado com a quantidade de violência no filme (mesmo que ela fosse bem cômica em certas partes), dizendo que ela era “excessiva, desnecessária e que não era o estilo dele”. Henson, porém, continuou no projeto por conta de sua amizade com o diretor Steve Barron, porque ele já havia trabalhado em outros projetos seus, como o filme Labirinto (1986).

Barron, aliás, foi uma grata surpresa para mim, enquanto pesquisava sobre o filme. Descobri que ele foi um diretor de cinema com pouquíssimos filmes, entre eles Coneheads (1993). Além disso, ele foi produtor de um desenho animado em CGI de 1994 que eu amava, chamado ReBoot (passava no Multishow, era muito legal). Isso sem falar na sua extensa carreira como diretor de videoclipes (essa sim, a surpresa), tendo dirigido clássicos dos anos 80 como: Take on Me, do A-ha (entre outras músicas); Billie Jean, do Michael Jackson; Africa, do Toto; e diversos outros videoclipes do David Bowie, Madonna, Paul McCartney, Bryan Adams, Tears For Fears, Culture Club e Simple Minds. Quer dizer. 

A CARREIRA DO CARA É TIPO UMA PLAYLIST DA JB FM!

Amo. ❤️

O diretor adorava dirigir mutantes!

O FILME “MANEIRO”

A história cobre basicamente o roteiro da primeira edição do gibi de Kevin Eastman e Peter Laird. Não sei se alguma versão dessas histórias já saiu no Brasil alguma vez, mas procurando na internet dá para achar rapidinho se você tiver curiosidade. Recomendo bastante. Enfim, a história é quase a mesma, mas como na época o desenho animado e a linha de brinquedos já era um grande sucesso, todo mundo ficou meio preocupado em ser muito fiel aos quadrinhos originais. Mudanças foram feitas e foi-se adaptando coisas tanto do desenho como do gibi.

As personalidades das tartarugas e as cores de suas bandanas, por exemplo. Como o gibi era em preto e branco, a única indicação das cores das máscaras vinha na capa e, em geral, todas eram vermelhas. Além disso, todas as tartarugas eram meio “num tom só” que lembrava muito o Batman do Frank Miller, com aquela narração em off super violenta e cheia de marra. Como o desenho já baixava um pouco a bola para ser bem mais infantil, cada tartaruga teve sua personalidade desenvolvida um pouquinho melhor e isso se fazia notar no filme. Leonardo, era o mais sério, que botava ordem nos irmãos. Michelangelo, era o mais engraçadinho, que amava pizza. Donatello, era o mais esperto e fazia par com as graças de Michelangelo. E Rafael era o invocadinho rebelde sem causa.

Sim, são brinquedos. Mas são tão bonitinhos!

Com essa mescla de humor de desenho e seriedade de gibi, o filme trafega ali numa linha tênue entre ser bom porque se leva a sério e ser uma merda porque se leva a sério demais. Mas não vamos esquecer que, apesar dele querer manter essa cara de filme violento, ele ainda é um filme voltado para o público infantil. As cenas de luta nunca são violentas “demais” como Jim Henson achava, mesmo para a época. Eram acrobacias de filmes de kung fu bem honestas, eu diria, ainda mais se levando em consideração que eram praticadas por caras em roupas de borracha com quase trinta quilos de equipamento animatrônico acoplados!

Esse era um ponto de discussão, inclusive, durante a fase de distribuição do filme. Muitas distribuidoras americanas se recusaram a pegá-lo porque temiam passar por uma situação parecida com a de He-Man e os Mestres do Universo, que havia sido um outro filme baseado em uma linha de brinquedos, mas que havia flopado absurdamente nas bilheterias! Contudo, isso não pareceu ser um problema para a pequena New Line Cinema, que bancou a distribuição das Tartarugas e com isso arrecadou mais de 200 milhões de dólares de bilheteria! O filme foi, durante anos, a maior bilheteria de qualquer filme das tartarugas até o reboot de 2014, e seguiu firme e forte como a maior bilheteria de filme independente até a chegada da Bruxa de Blair em 1999. 

“Um, dois, três e… BI-LHE-TE-RIA!”

A HISTÓRIA

É até engraçado ler a história do primeiro gibi das Tartarugas Ninja depois de ver o filme mais uma vez, porque é bem notório que toda a origem delas + o confronto com o Destruidor no topo de um prédio em NY foi quase que retirado ipsi literis das páginas da revista. No entanto, como uma história de vingança não pega bem para heróis infantis, a trama toda dá uma suavizada no círculo vicioso de vendettas pessoais para focar em uma história mais familiar. Mas não no sentido de ser algo repetitivo, mas que é basicamente uma história de famílias. Sobre laços familiares.

Tudo começa com uma onda de crimes que varre Nova Iorque. No finalzinho dos anos 80, a “grande maçã” não era esse paraíso gentrificado que é hoje em dia e sofria bastante mesmo com crimes, poluição e problemas sociais em geral. Na NY das tartarugas ninguém estava a salvo, pessoas eram roubadas em plena luz do dia e o filme abre com uma carteira sendo batida de um cara na rua e depois sendo passada de mão em mão, de pivete a pivete, enquanto a jornalista April O’Neil narra uma notícia sobre a onda de crimes em questão. Suas investigações a levam até um misterioso Clã do Pé e ela promete chegar ao fundo dessa história.

Judith Hoag como April O’Neil. Ela teve uma ponta que foi cortada no filme de 2016, como chefe da nova April, interpretada pela Megan Fox.

No fim do dia, ao sair do trabalho, April se depara com mais bandidos saqueando a sua van de notícias. Claramente em perigo, ela grita por ajuda enquanto um sai voa em direção ao poste luz do local deixando tudo um breu. Ouvimos apenas os sons de uma luta e, quando a polícia chega iluminando o local, April está caída no chão, ilesa, enquanto os bandidos estão todos amarrados ao seu lado. Ela repara em um garfo sai largado no chão perto de um bueiro e o guarda dentro de sua bolsa. De dentro do bueiro, vemos Rafael extremamente chateado com isso.

Essa abertura já nos diz tudo o que precisamos saber sobre o filme e em seguida somos apresentados às tartarugas mutantes adolescentes ninja, uma a uma, enquanto elas comemoram mais uma vitória! Em meio às gírias da época (Awesome! Righteous! Bossa Nova?! Excellent!!) elas caminham pelos esgotos até chegarem em sua casa e contarem ao Mestre Splinter sobre o seu sucesso. A relação deste pequeno grupo familiar já fica bem determinada aí também, com Splinter dando os parabéns a todos e pedindo mais calma a Rafael, que continua ressentido por ter perdido o seu sai.

“Há um antigo ditado japonês, Rafael, que diz: MUITA CALMA NESSA HORA!”

Aos poucos tudo vai se desenrolando e vamos conhecendo os outros personagens. Rafael vai ao cinema (heh, eu adoro que eles saem de sobretudo e chapéu como se ninguém notasse que ele é uma tartaruga gigante indo ao cinema) e esbarra com mais um crime e com o vigilante Casey Jones. Ao mesmo tempo, vemos o Clã do Pé e seu líder, o Destruidor, ficarem cada vez mais preocupados com a investigação de April. As tramas convergem quando Rafael decide seguir a repórter para recuperar o seu sai e precisa salvá-la quando os soldados do Pé são enviados para assustá-la. 

Rafael dá uma surra nos soldados e salva April, levando-a até sua casa, nos esgotos. Lá nós somos apresentados à história de Splinter e dos quatro irmãos de forma resumida e num flashback bem maneirinho contado com os típicos fantoches do Jim Henson. Ainda acho engraçado que na época a gente nem piscou o olho quando fomos apresentados à ideia de que um rato de estimação pudesse aprender ninjutsu de dentro de sua jaula com um mestre humano. Mas que ainda assim tenhamos nos indignado tanto quando o reboot de 2014 resolveu estabelecer que o Splinter aprendeu a arte dos ninjas através de um livro achado no esgoto. Heh. Nesse ponto, a origem do desenho animado de 1987 acaba sendo a mais adequada à suspensão de descrença do espectador, estabelecendo que Splinter era um humano antes de se tornar um rato. Mas eu estou me distraindo.

O temível Picotador… Ralador… Destruidor!

Splinter conta uma versão da história apresentada nos gibis em que seu mestre, Hamato Yoshi, e Oroku Saki eram rivais em um dojo no Japão. Os dois disputavam o amor de uma mulher, Tang Shen. Ela escolheu Yoshi como marido e, antes que Oroku Saki pudesse fazer algo, os dois fugiram para os EUA. Lá, eles levaram uma vida normal até serem descobertos e atacados pelo antigo rival. Oroku matou os dois, mas Splinter conseguiu fugir de sua jaula e atacou o vilão, antes de ser jogado nos esgotos. Após um tempo andando nos subterrâneos da cidade, ele encontrou quatro tartaruguinhas nadando em um líquido viscoso que brilhava no escuro. O rato resgatou os quatro e algum tempo depois percebeu que todos eles estavam crescendo muito rápido. Splinter então decidiu treiná-los como havia sido treinado por seu mestre e deu a eles seus famosos nomes de artistas renascentistas após encontrar um livro de artes largado no lixo (pois é). Saki veio a se tornar o Destruidor, que agora liderava o Clã do Pé, que virou uma organização criminosa.

Enquanto as Tartarugas vão deixar April em casa, o lugar onde eles moram é atacado pelo soldados do Pé e Splinter é raptado. Acontece que, como o Clã do Pé é uma organização em desenvolvimento, eles precisam de cada vez mais soldados para suas fileiras. A onda de crimes crescente em NY é obra deles como uma forma de treinar jovens sem família, sem perspectiva de vida, para se tornarem membros do clã de ninjas! Eles se reúnem em um galpão abandonado perto do Rio Hudson e lá é festa todo dia! Crianças e adolescentes bebendo, fumando, jogando fliperama, andando de skate, etc. Mas em meio a eles Tatsu, a mão direita do Destruidor, está atento para descobrir quem se destaca mais e pode se unir à organização. Eles conseguiram até mesmo recrutar um jovem Sam Rockwell em início de carreira! Além dele, acompanhamos a história do jovem Danny, filho do chefe de April, que acaba tendo um papel importante na trama.

Sam Rockwell e Danny, os dois jovens de maior destaque no exército de adolescentes do Clã do Pé.

E é aqui que ela se torna uma história sobre família. De um lado, temos o Destruidor, um cara que abraça uma porção de jovens sem eira nem beira na vida, prometendo um caminho, um destino, mas que é um cara mau, no fim das contas. Ele finge se importar com seus asseclas e discursa como um líder inspirador, mas para ele esses garotos não passam de “soldados rasos” (que não por acaso é uma das traduções em português para “foot soldiers”). E do outro lado temos Splinter, um pai rigoroso, mas ainda assim amável, compreensivo. Que abraça seus filhos com amor e compreensão, incentivando-os a se tornarem melhores sempre. São dois arquétipos de pais que existem sempre em nossa mitologia: Darth Vader e Obi Wan, Magneto e Xavier, Lula e Bolson… não péra.

Então Danny se mete com o Clã do Pé porque está naquela fase rebelde da adolescência. Ele acha que seu pai não gosta dele, e por isso se volta para o grupo do mal. O garoto então ziguezagueia entre os dois lados da história, primeiro porque April se mostra mais compreensiva, e segundo porque Splinter se abre com ele, contando sua história e mostrando que um pai de verdade sempre ama seus filhos. Ressentido, Danny acaba se escondendo na casa das tartarugas após uma luta dramática que destrói o apartamento de April e faz o grupo mutante bater em retirada até uma fazenda para se organizarem melhor (e para cuidarem de Rafael, que havia tomado uma surra). Quando elas retornam a NY para salvar Splinter, é ele quem as leva até o covil do Clã e ajuda Casey Jones a libertarem o mestre. 

“Vamos, usem suas armas antes que a associação de pais nos impeça!”

A batalha nos telhados da cidade é praticamente toda retirada do primeiro gibi das tartarugas, até mesmo alguns dos diálogos, o que é bem legal. Ela tem um final bem bizarro que me deixou um pouco chocado quando eu era criança. Ver o Destruidor ser esmagado por um caminhão de lixo foi meio tenso, mas nada que as piadinhas que vieram depois dessem uma amenizada. Piadinhas essas que foram inseridas na pós-produção, segundo dizem. Aparentemente o estúdio achou que a visão de Steve Barron era “dark” demais e deram uma suavizada na edição, depois de mandarem o diretor pra casa.

“Ele não era o diretor que precisávamos, mas o diretor que merecíamos…”

Tô LendoPontos Fortes
  • Melhor versão. Talvez seja só a minha nostalgia, mas eu ainda acho essa a melhor versão das Tartarugas Ninja. Dentre todos os desenhos, seriado e filmes, para mim esse primeiro filme encapsula bem que tipo personagens eles são. Que podem se levar um pouco mais a sério, mas sem deixar de serem divertidos.
  • Animatrônicos. Ok que hoje em dia a gente está super acostumado com as “fantasias em CGI” da maioria dos filmes, mas tem alguma coisa no uso de animatrônicos que tem um charme todo especial. Tosco, mas especial. 
  • Fidelidade. Numa época em que a maioria dos filmes de quadrinhos tomavam liberdades criativas que os desviavam demais das obras originais, TMNT era quase um gibi ao vivo.
  • Coreografias. Comentei isso numa das colunas sobre os tokusatsus da Manchete. Aqui no Brasil estávamos acostumados às coreografias de luta dos seriados japoneses então, mesmo não sendo algo novo, era empolgante ver lutas mais bem-feitas do que a maioria das obras americanas que tínhamos acesso. Era bobinho, mas divertia bem.
Tô LendoPontos Meh
  • Interferências. Isso nas obras das tartarugas ninja de maneira geral, não só no filme de 1990. Por serem heróis especificamente lutadores, as associações de pais dos EUA tinham uma verdadeira ojeriza à “violência” dos filmes e dos desenhos, chegando ao ponto de proibirem que os super-heróis sequer usassem suas armas! Quem lembra do He-Man que não socava seus inimigos, só pedras? Ou do Wolverine que retraía as garras para socar alguém, só para soltá-las de novo logo depois? Apesar do primeiro filme ter passado quase incólume por isso (ênfase no “quase”), o mesmo não ocorreu com os filmes e desenhos seguintes, o que forçou as tartarugas a lutarem quase como o Pernalonga.
  • Sequências. Cada um dos filmes seguintes sofreu um bocado por conta disso TMNT 2 é bem mais bobo e TMNT 3 é só ruim e ponto. Depois disso as tartarugas entraram num hiato que foi quebrado pelo “arruinador de infâncias” Michael Bay, com o lançamento do reboot de 2014 e sua continuação de 2016.

Tartarugas: Do dark ao creepy.

No fim, o filme se sustenta bem, se levarmos em consideração suas sequências e os reboots. Como eu disse antes, ele se leva o suficientemente a sério para funcionar bem, mas sem deixar de lado o bom humor dos personagens. Essa mix de filme de ação + comédia é uma ótima pedida para entreter as crianças sem tratá-las como idiotas, como por exemplo o segundo filme faz. O Segredo do Ooze, de 1991, é bem mais bobo as cenas de luta parecem coisa de desenho animado, com efeitos sonoros de desenhos e as tartarugas usam iô-iôs, linguiças defumadas, sprays de água e outros itens de palhaço para derrotarem seus inimigos. A paranóia de não deixar as crianças verem armas em uso, fez até a versão britânica do filme cortar na edição o uso dos nunchakus de Michelangelo, até mesmo em cenas que ele aprecia no fundo! 

Já o reboot de 2014 decidiu americanizar a história por completo deixando de lado todo o histórico oriental dos personagens. Pelo jeitão do roteiro, dá para perceber que o vilão real que usaria a armadura do Destruidor no final seria o cientista maligno Eric Sacks, mas depois de exibições-teste, a produção deu um jeito de enfiar o Oroku Saki na história (sem trocadilho)! Basta prestar atenção na similaridade entre os nomes Eric Sacks e Oroku Saki. 😱 A continuação de 2016 é um pouco mais divertida e traz alguns dos vilões favoritos dos fãs: Rocksteady, Bebop e Krang (que tem os dubladores originais na versão BR), mas ainda assim é difícil se relacionar com aqueles brutamontes todos paramentados que parecem muito pouco com tartarugas.

Além disso, depois que as tartarugas foram adquiridas pela Nickelodeon, a cada década mais ou menos nós temos uma versão nova delas em uma série animada. No geral, como fã das histórias antigas eu sempre tenho um receio de começar a assistir esses novos desenhos, mas logo em seguida eu me dou por vencido porque ou as storylines são muito boas, ou a animação é sensacional. Meu sobrinho de 7 anos curtia muito o desenho de 2012 e vi boa parte com ele, acabei gostando bastante. O mais novo ainda não dei uma chance, mas já vi uns videos na internet falando sobre a qualidade da animação e está ANIMAL, CARINHAS!

Ainda guardo um carinho enorme por esses quelônios pré-adultos. Em especial porque temos quase a mesma idade e eu gosto de pensar que os personagens que eram adolescentes no passado já sejam as tartarugas mutantes ninja de meia-idade hoje em dia. Lendo um jornal na poltrona, vendo suas tartaruguinhas infantes brincando no chão da sala e fazendo aulinha de ninjutsu com o vovô Splinter.

E você? Curtia as tartarugas? Viu o filme? Ou prefere os desenhos? Quem era você na brincadeira com os amigos? Eu era sempre o Leonardo! Me conta aí nos comentários!


As Tartarugas Ninja, o Filme vale cinco rebobinandos! 📼📼📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.