Rebobinando #132: Homem-Aranha #82

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No último fim de semana, subiram uma hashtag no twitter sobre o Spider-Man Day, e várias pessoas compartilharam suas histórias e artistas preferidos. Vamos rebobinar hoje uma edição mensal e uma história simples mas super relevante sobre o cabeça-de-teia! A Rebobinando de hoje é sobre O Homem-Aranha #82.

Comecei a ler gibi de heróis no iniciozinho dos anos 90 e o Homem-Aranha foi uma referência muito grande para mim. Conhecia muito pouco sobre ele, na verdade, e os meus super-heróis preferidos na época eram em geral aqueles que eu acompanhava pelos desenhos animados: He-Man, Thundercats, Superamigos, etc. Sim, meus queridos, na minha infância eu era DCnauta e nem sabia! (O_O’)

Aos poucos eu fui aprendendo mais sobre o histórico do personagem e quem eram seus vilões, seus personagens coadjuvantes e seus dramas. Comecei acompanhando logo no início da primeira Saga do Clone com o retorno de Gwen Stacy e um pouco depois do casamento de Peter e Mary Jane, então durante mais ou menos uma década inteira, o cabeça-de-teia foi um grande formador do meu caráter como criança, adolescente e (por que, não?) adulto! Essa história foi uma das que me vieram primeiro à mente na hora de lembrar porque o Aranha é um personagem tão importante para mim.

As capas das edições americanas de Web of Spider-Man com os Abutres.

Comentei na Rebobinando sobre o Carnificina que o Aranha é sempre o cara que faz a coisa certa, que tem um senso de responsabilidade enorme fruto de um trauma e culpa. E eu achava muito bacana disso, dele fazer sempre o que era preciso mesmo diante da mais impeditiva adversidade. E as piadas também. Quando ele era escrito por roteiristas bons, ele soltava algumas das melhores piadas (muito embora eu talvez devesse agradecer ao tradutor por essa parte também)! Então ele era um exemplo de otimismo, bom-humor e resiliência. Sem contar que a parceira dele com a MJ era um dos meus objetivos de casamento, pelo menos até o fatídico Um Dia A Mais. #nuncasuperei

Quem abutreia os abutres?

A HISTÓRIA

É uma continuação direta da edição anterior, a de número #81, onde eles apresentaram os vilões da gangue dos Abutres pela primeira vez! Rápida recapitulação: na edição #81 o Aranha se vê em apuros com o retorno do uniforme negro, que havia escapado do QG do Quarteto Fantástico. Ao mesmo tempo, ele é atacado pelos Abutres, que haviam saído da prisão recentemente e eles acabam sendo derrotados mesmo com o Aranha passando por maus bocados tendo que lidar com o uniforme alienígena. No fim eles tomam uma surra e Peter derrota o simbionte na torre de sinos de uma igreja, que morre ao salvar a vida do Homem-Aranha… aparentemente, já que na época nós não sabíamos que dali ele iria se juntar ao repórter falido Eddie Brock e formar o Venom anos depois.

Voltando à edição #82. Nela os Abutres se reagrupam depois da surra e decidem voltar a atacar o Homem-Aranha. Eles não sabiam a história do uniforme alienígena, obviamente, e acharam que o herói teve dificuldades em enfrentá-los porque eles eram muito bons! Hahahah. Usar o cabeça-de-teia como alvo também não foi mero acaso, cada um dos quatro bandidos havia sido preso anteriormente pelo próprio Aranha em diferentes situações. Roubo, assalto a mão armada, agressão, essas coisas… Mas um deles era um engenheiro renomado que foi preso por tráfico de drogas ou algo assim, e que foi posto na mesma cela que Adrian Toomes, o velhinho da Havan também conhecido como o Abutre!

Esse foi um plano assasSINO, hein? Hein?

Dentro da prisão, o cara meteu o papinho de ser um grande fã do “trabalho” do Abutre e acabou estabelecendo uma amizade com ele. Sem que soubesse, Toomes conversava com o cara e compartilhou segredos técnicos sobre suas asas, achando que o cara era um zé ruela qualquer. Só que o maluco prestou muita atenção e, assim que saiu da xilindró por “bom comportamento” foi atrás de outros caras que também foram pegos pelo Aranha e montou sua gangue. Ele acabou usando os conhecimentos que aprendeu com o vilão e montou quatro roupas de abutre, modernizadas e com INCRÍVEIS ARMAS LETAIS: ZARABATANAS COM DARDOS CHEIOS DE TRANQUILIZANTE!

*pausa para a gargalhada*

Sério. Os caras usam os braços como asas e resolveram usar como armas um tubo que você precisa enfiar um dardo dentro, mirar e ASSOPRAR a uma curta distância pro negócio ter efeito. Claro, no gibi a arma funciona perfeitamente e eles até conseguem dar trabalho pro Homem-Aranha, mas bicho, minha suspensão de descrença só vai até certo ponto!

Ai, ui! Zarabatanas! Tô morrendo de medo!

Deixando isso de lado, o plano dos Abutres agora é fazer um tipo de “entrevista de emprego” para Wilson Fisk, o Rei do Crime! Para tanto eles roubam um banco e caçam o Aranha pela cidade para o levarem até o prédio de Fisk e derrotá-lo diante dos olhos do Rei. É um plano que depende DEMAIS da sorte? Sim. Mas depois da zarabatana, isso é pinto!

Em outra parte da cidade, Peter continua bolado com o lance do uniforme, mas tenta relaxar e seguir com sua vida normal. Ele andava meio brigado com a Tia May, mas para fazer as pazes ele resolve comprar um chapéu bem bonito para a velhinha. Além disso, Harry e Liz Osborn tinham acabado de ter um bebê, o pequeno Normie, e Peter havia sido convidado para ser o padrinho do garoto. Após a compra do presente de May e uma passagem rápida pelo Clarim Diário para vender umas fotos, Peter fica sabendo do ataque dos Abutres ao banco e resolve procurá-los no caminho para casa. Ele pretendia trocar de roupa deixar o presente de May em segurança, para seguir até o hospital onde encontraria Harry, Liz e MJ, mas nessa época ele morava num muquifo no bairro de Chelsea e tinha três vizinhas gostosonas que moravam no apartamento abaixo do dele. Elas viviam usando o terraço (onde ele entrava e saía de Aranha pela claraboia) como lugar para pegar sol.

As vizinhas gostosas sempre atrapalhando!

Felizmente, ele não pôde entrar em casa porque as três ocupavam o terraço na hora. Eu digo “felizmente” porque enquanto ele se preocupava com suas obrigações sociais, ele não notou que os Abutres o haviam encontrado primeiro e o seguiram. Se ele entrasse em casa, os bandidos descobririam sua identidade secreta, o que seria bem pior. Sem poder fazer o que queria, Peter seguiu balançando direto para o hospital e passou pela frente do prédio do Rei. Foi então que o ataque começou.

O Rei do Crime por sua vez, estava com sua esposa Vanessa muito doente. Recentemente ele havia confrontado o Homem-Aranha e a Gata Negra, durante a revelação de que foi ele que deu os poderes de má sorte à antiga namorada do herói. Então as coisas não andavam muito bem entre os dois, digamos assim. Os Abutres mandam um recado dizendo que estão prestes a derrotar o Aranha em frente ao seu arranha-céu e Fisk se posiciona em frente à janela para assistir ao espetáculo. Porém, ele está super preocupado com a saúde de sua esposa. O médico havia comentado que “grandes emoções” poderiam matá-la, então a última coisa que ele precisava era de uma batalha de super-heróis em frente à sua casa! No entanto, ele observa bem atentamente à batalha, enquanto tenta distrair a esposa de alguma forma.

O Rei do Crime não pode nem curtir um netflix em paz com a mulher que já aparece gente pra atrapalhar.

Quando os Abutres atacam, a maior preocupação de Peter é não perder o presente de sua Tia. E essa é a parte que eu lembro com tanto carinho dessa história. Da primeira vez que ele havia sido atacado, ele tinha que lidar também com o uniforme negro. Da segunda vez, era o chapéu de May. O Homem-Aranha luta com os cara, um por um, levando dardo de zarabatana de todos os lados, apenas com uma mão, sem deixar a caixa do presente cair. Da janela do prédio, Wilson Fisk assiste à tudo se perguntando porque diabos o herói não largava a caixa e lutava com tudo?

A gente, como leitor, acaba se preocupando mais com o presente também! Até mesmo por conta da importância que ele tinha não só por ser um presente de aniversário, como um presente para fazer as pazes! Então quando, no fim, o chapéu escapa da mão dele no meio da luta e é levado pelo vento, a gente sofre igual. Peter havia sido atingido por alguns dos dardos que continha um relaxante muscular, então seus braços já não funcionavam direito e nem tinham força para segurar a caixa, nem mesmo as teias. Ele cai num beco longe dos olhos do público, mas não sem antes derrotar o último Abutre da gangue. Fisk observa tudo e fica feliz ao ver que o cabeça-de-teia conseguiu resolver tudo rapidamente, mesmo se preocupando com o chapéu. Segundo o próprio vilão, talvez ele terminasse a luta mais rapidamente ainda, se não fosse por ele. Então quer dizer que era muito importante.

Olha, eu tiro o meu chapéu pra sorte do Aranha, hein?

Quando Peter acorda, ele vê um helicóptero voando baixo em sua direção e se assusta! Logo em seguida a aeronave parece soltar algum pacote em um prédio próximo e ele vai lá ver o que é. E adivinha? Sim, era o chapéu de May, na mesma caixa e com o mesmo bilhete que Peter havia escrito. Wilson Fisk não gostou nem um pouco da “entrevista de emprego” dos tais abutres porque colocou a vida de sua esposa em risco, e como forma de reconhecimento fez seus capangas recuperarem o chapéu e entregarem de volta a um de seus maiores inimigos.

Cavalo dado não se olha os dentes, Peter. Leva esse aí e vai embora.

Tô LendoPontos Fortes
  • Clássico. É uma das histórias clássicas do Aranha. Tem tudo que uma história do Aranha precisa. Compromisso atrasado, Clarim Diário e briga com o Jonah, venda de fotos, Tia May com problemas de dinheiro, MJ preocupada, Homem-Aranha lutando com a “mão amarrada”, falha dos lançadores de teia, queda num beco sujo, supervilão vendo tudo de longe… Tudo pra agradar os fãs.
  • Nostalgia. Essa é uma das histórias que vários fãs de longa data lembram com carinho. Ela é bem diferente do que eu lembrava, na verdade, mas ainda continua bem emocionante, além de ser bem determinante de quem é o Homem-Aranha!
Tô LendoPontos Meh
  • Roteiro. Isso sou só eu procurando pelo em ovo, tá? Mas o roteiro não é tão bem amarradinho como eu achava que era, e depende muito de algumas coincidências forçadas para funcionar, mas acho que dá pra relevar. Quem assina a história é a Lousie Simonson e nós sabemos que ela pode fazer bem melhor do que isso, né?
  • Desenhos. De novo, pelo em ovo. O desenhista Greg LaRocque não é ruim, mas é muito “Marvel Way” em matéria de enquadramento e desenhos. Vi que ele trabalhou muito também em Flash e Legião dos Super-heróis da DC.

As três primeiras edições de “Web of Spider-Man” saíram aqui nessas duas revistas.

Aqui no Brasil a revista foi publicada em 1990, mas nos EUA, ela fazia parte de uma nova série lançada em 1985 pela Marvel, The Web of Spider-man. Ela foi a segunda edição da revista e como uma abertura de revista nova, eu acho bem incrível, ainda mais se considerando o potencial de leitores novos que podem ter surgido (como por exemplo EU MESMO). 

Como um grande fã do Aranha que eu sou, mesmo começando a ler a revista lá pela edição #109, eu acabei indo em vários sebos e comic shops do Rio de Janeiro para comprar quaisquer edições antigas que eu pudesse pôr a mão. E não me arrependo. Essa é uma edição que eu guardo com carinho no coração, mesmo não tendo mais a minha coleção de Homem-Aranha (como eu já disse outras vezes, fiz muitas mudanças na vida e este tipo de coisa não resiste bem a mudanças). 


O Homem-Aranha #82 vale cinco rebobinandos! 📼📼📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2020-08-03T01:05:44+00:00 3 de agosto de 2020|0 Comentários