Rebobinando #127: Lobo/Máskara

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O MAIORAL TÁ NA ÁREA! Trazendo consigo além de muito massacre, sangue e destruição, um certo maluco de cara verde e terno amarelo! ALGUÉM ME SEGURE! Porque hoje a Rebobinando é sobre um dos mais sangrentos crossovers dos anos 90: Lobo/Máskara!

Aqui na Rebobinando a gente já tratou de diversos crossovers. Em geral os encontros entre as duas grandes editoras, como Super-Homem e Homem-Aranha, X-men e Novos Titãs, e também crossovers de personagens da mesma editora como Homem-Aranha e Wolverine, etc. etc. Mas nada tão ofensivo e tão brutal quanto o encontro entre os dois assassinos mais inconsequentes da DC e da Dark Horse.

O Máskara se chamava Masque. E o Lobo usava colante!

CONHECENDO OS ADVERSÁRIOS

O Máskara é muito conhecido pelo filme de 1994 que lançou Jim Carrey ao estrelato, mas o personagem nasceu nos quadrinhos bem antes. Bom, na verdade, o conceito  foi criado em 1982 pelo fundador da Dark Horse Comics, Mike Richardson. Isso gerou uma tira em quadrinhos que foi publicada em uma das primeiras publicações da editora. Anos depois,  em 1989, o roteirista John Arcudi e o desenhista Doug Mahnke revitalizaram o personagem transformando-o nessa mistura louca entre os desenhos antigos de Tex Avery + O Exterminador do Futuro, criando uma violência cartunesca BEM gráfica e sanguinolenta. O Máskara fez um sucesso nos anos 90 pela Dark Horse e foi adaptado para um filme família e logo em seguida para um desenho animado bem leve também, deixando todo o sangue nos quadrinhos mesmo. Aqui no Brasil, nenhuma das histórias dele foram publicadas na época, apenas o crossover com o Lobo em 1998 e um outro com o Batman em 2001. Porém em abril de 2020 saiu uma coletânea com todos os arcos de história, publicados de 1989 a 1995, pela Editora Pipoca & Nanquim. Então corre atrás!

Já o Lobo, o maioral, dispensa apresentações, né? Mas vou fazê-las aqui mesmo assim. Ele foi um outro personagem que surgiu primeiro com um conceito, mas que foi adaptado poucos anos depois e acabou fazendo um sucesso. Criado por Keith Giffen e Roger Slifer, ele apareceu primeiro em uma revista dos Omega Men em 1983. Além dessa equipe, ele foi um personagem regular do Lanterna Verde por um tempo, até ser aproveitado pelo próprio Giffen durante a época da Liga da Justiça Internacional. O curioso é que ele surgiu primeiramente como uma paródia de um OUTRO personagem invocado e rebelde de uma OUTRA editora rival: um certo baixinho canadense e cabeludo com problemas de controle da raiva.

Lobo e Wolverine. Cara de um focinho do outro.

Isso mesmo. O Lobo surgiu como uma paródia do Wolverine. Se você pegar o design original dele, ele era muito mais franzino e, durante sua participação na L.J.I., ele até já usava uma roupa de motoqueiro, mas com um visual muito anos 80 e um cabelo que lembrava um bocado o penteado do nosso carcaju favorito. Depois disso ele sumiu num limbo até 1990, quando ele foi reformulado pelo roteirista Alan Grant e o desenhista Simon Bisley para o visual e a personalidade que conhecemos hoje. O curioso é que o Lobo surgiu novamente como uma paródia ao estilo dos quadrinhos dos anos 90 e uma crítica especial à Marvel e à Image Comics, com seus personagens hiper masculinos, hiper violentos e suas pistolas enormes e metralhadoras gigantescas. Só que a paródia caiu tanto no gosto do público que eles buscavam criticar que ele deixou de ser uma paródia e abraçou o estilo cromado dos anos 90 de corpo e alma! 

Músculo vs Borracha. Quem vence?

TIRO, PORRADA E BOMBA

Dado o histórico dos dois, nada mais justo que um crossover fosse a próxima coisa a acontecer para eles. Era como os americanos dizem “a match made in heaven”, eles foram feitos um para (dar na cara d)o outro! O gibi foi publicado por lá em duas edições, lançadas em fevereiro e março de 1997. Eu consegui por as minhas mãos nas duas edições em uma das muitas feiras de quadrinhos que existiam aqui no Rio de Janeiro na época, em uma casinha perdida na Tijuca. Comprei em inglês mesmo e aproveitei para treinar e aumentar o meu vocabulário na época, mal sabia eu que todas as gírias do Lobo eram inventadas e apenas soavam como as palavras em inglês.

Curiosidade: A gíria “feetal’s gizz”, que foi traduzida aqui como “gizz de feetal” pura e simplesmente, soa como “fetal’s jizz”, ou, er, como posso dizer? “Porra de feto”. Eca.

As edições brasileiras não demoraram tanto para sair, pelo menos. Já que em setembro e outubro de 1998 elas chegaram às bancas daqui pela Editora Metal Pesado. Em geral quase todas as revistas do Lobo saíram por essa editora que já era famosa por publicar os gibis mais indies e mais alternativos produzidos nos EUA. O único porém era que a tiragem não era a mesma das revistas da Globo ou da Abril Jovem, então era um pouco difícil de encontrar em qualquer banca de jornal. 

[Voz do Keanu Reeves]: “Armas, muitas armas. Armas grandes. ARMAS QUE ATIRAM MAIS ARMAS!”

A (ENÉSIMA) BATALHA DO SÉCULO

ALERTA de SPOILERS (mesmo que a revista já tenha mais de 23 anos).

Tudo começa quando um bandido zé-mané qualquer está andando pela rua. Ao fugir da polícia por tentar cometer um assalto, ele se esconde em um beco e cai acidentalmente ao lado da máskara. Pensando que ele poderia vendê-la e ganhar algum dinheiro, ele resolve esperar a polícia ir embora para sair dali. Enquanto isso, o Lobo é arrancado de suas férias por um conselho galáctico que quer contratá-lo para ir atrás do “Bastardo Supremo”, um ser hiper violento de cara verde, que destruiu uma porrada de mundos e matou bilhões de pessoas no último mês. Oferecem a ele um bilhão de créditos, o valor suficiente para convencê-lo a adiar as férias e ir atrás do cara.

Os dados coletados pelo conselho galáctico indicam que o tal Bastardo foi para a Terra e é para lá que vão o Maioral e uma equipe de aliens determinada a capturar o bandido antes. Claro que esses aliens são pura bucha de canhão e encontram o zé-mané perdido no beco no exato momento em que ele veste a máskara e se torna O Máskara! O restante da primeira edição é uma sucessão de violência, tripas e piadas de baixo calão, enquanto o Máskara e o Lobo trocam sopapos e insultos enquanto destroem praticamente toda a ilha de Manhattan! Ao final, o Máskara mostra que no momento ele não é a pessoa que Lobo está procurando, mas sim o seu dono anterior. Ele sim é que era o Bastardo Supremo! Então os dois chegam a um acordo e partem juntos em busca desse tal dono anterior da máskara, que foi capaz de mutilar bilhões e pessoas e planetas.

A arma é do tamanho do braço do Lobo, que já é enorme!

A segunda edição nos leva a uma road trip intergaláctica com os dois enchendo de porrada as mais diversas raças do universo em busca do tal Bastardo. Eles são levados a um bar na borda de um buraco negro, onde o Máskara arranja confusão com todo mundo! Escondidos dentro do banheiro, Lobo começa a se perguntar se o seu parceiro realmente lembra quem era o dono anterior e resolve arrancar a máskara da cara dele e vestí-la para descobrir! 

E é aí que a proverbial cobra põe um marlboro na boca e acende o isqueiro. 

Ser, ou não ser? Eis a questão!

Se separados o Lobo e o Máskara já causam. Imaginas juntos! Todos os malfeitores do bar, assustadíssimos com a visão do Lobo vestindo a máskara resolvem se arriscar na coisa mais segura que tem por perto e se jogam dentro do buraco negro para fugir. Claro que o Loboskára vai atrás e é o único a sair com vida do outro lado. Ensandecido, ele começa a mutilar tudo o que vê pela frente e… acho que você já sabe onde isso vai dar, né?

Eu sei que dei o aviso de spoiler, mas se você leu até aqui, vou dar uma colher de chá e dizer que o final segue a mesma vibe absurda e fecha toda a história de maneira hilária. Te vira pra descobrir!

Vai catá um sebo, rapá!

Tô LendoPontos Fortes
  • Arte. É  Doug Mahnke em sua melhor forma. Eu lembro de ter falado mal dele em Superman vs A Elite, mas aqui a arte dele é bem mais apropriada. Sem precisar se conter nos absurdos e na violência, ele eleva o nível dos detalhes ao máximo e deixa a leitura bem mais prazerosa. Tem umas splash pages incríveis.
  • Roteiro. O fiapo de roteiroé só uma justificativa para uma infinidade de piadas chulas e de metalinguagem. Mas já que essa é a proposta, eu acho ela muito bem feita! O roteiro entrega exatamente aquilo que o público quer e não tem a menor vergonha disso. Às vezes eu fico com a impressão de que essa história poderia sair na Revista Mad sem o menor problema.
Tô LendoPontos Meh
  • Disponibilidade. Meio chato de encontrar. Mas tem se você procurar bem em lugares como o Mercado Livre e afins. Com valores variados também, afinal sempre tem uma galerinha que mete a mão. Além disso, muitas vem dentro de um “pacote” com outras revistas do Lobo que, dependendo, podem até valer o preço mais salgado.
  • O Máskara. Também é uma questão de disponibilidade. Não tem nada do personagem por aí a não ser o mega encadernado lançado recentemente. O valor não é super absurdo, dado que é a coleção completa dele em uma edição só, mas pode ser meio salgado para muita gente. Aí vai de cada um.

É tiro que você quer? É TIRO QUE VOCÊ VAI TER, MEU FILHO!

Eu gosto muito desse crossover. Quando eu era adolescente ele foi quase um marco nos tipos de história que eu estava acostumado a ler, na verdade. Nunca fui muito fã do Lobo e confesso que as minisséries dele anteriores eu li poucas vezes e não sacava metade do humor. Achava a arte maneira, mas meio assustadora. Também pudera, eu era mais novo e não era exatamente o público-alvo, mas enfim… Lobo/Máskara é engraçadíssima, vale super a pena reler. Ou ler, se você nunca chegou a tê-la em mãos.


Lobo/Máskara vale cinco rebobinandos! 📼📼📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2020-06-08T21:06:33+00:00 8 de junho de 2020|0 Comentários