Rebobinando #12

Estamos de volta! Eu sou o Kadu e estou aqui para mascar chiclete e falar sobre gibis velhos! E estou sem chicletes no momento, então preparem-se porque hoje vamos falar sobre um dos clássicos dos quadrinhos dos anos 80: A Queda dos Mutantes e o X-Factor!

NÃO! NÃO É ESSE X-FACTOR!

Essa foi uma mega saga das Equipes-X lançada entre Janeiro e Março de 1988, uma época em que “mega sagas” se estendiam apenas por três edições em três revistas distintas. Diferente de hoje quando uma mega saga dura oito meses, com 37 tie-ins diferentes em revistas de heróis que não tem nada a ver com a história (ESTOU OLHANDO PRA VOCÊ “VINGADORES VS. X-MEN”). Aqui no Brasil, A Queda… saiu primeiro em Superalmanaque Marvel nº 5 (1992) e mais recentemente numa série de três encadernados pela Panini em 2013.

Em 1988 os X-men estavam a caminho do auge de sua popularidade. A idéia era de reformular por completo as equipes existentes (X-Factor, Novos Mutantes e X-men) e como Shiva, os editores resolveram que nada como uma tragédia para trazer renovação.

Capas das Edições de A Queda dos Mutantes do X-Factor VERDADEIRO

Mas ok, vou falar do Volume 1 dessa história, porque é justamente nessa parte onde o X-Factor encontra o vilão Apocalypse pela primeira vez. Quer dizer, eles tiveram um rápido embate em Capitão América nº 154, mas é aqui que En Sabah Nur entra pra galeria de vilões dos mutantes indefinidamente, virando figurinha fácil em inúmeros storylines, especialmente em relação à família Summers.

No arco do X-factor o grande problema a ser resolvido primeiro era a presença de Cameron Hodge e sua ideia idiota de fazer com que os X-men originais se “disfarçassem” de humanos caçadores de mutantes para que pudessem secretamente recolhê-los e dar abrigo. Eles funcionavam como uma espécie de Caça-Fantasmas (Lembra? Era 1988!) e quando algum pobre adolescente mutante descobrisse seus poderes e começasse a causar caos e destruição… who ya gonna call? Isso mesmo. O X-Factor. Cameron Hodge era o relações-públicas do grupo e assim alimentava cada vez mais a paranóia mutante, fazendo do X-Factor cada vez mais necessário.

O lance era que Hodge, amigo de infância de Warren Worthington III (O Anjo), também era o líder de uma organização anti-mutante chamada A Direita. Isso é importante, porque movido talvez por inveja ou pelo dinheiro, ele planeja um “acidente” com o jatinho do Anjo, que é dado como morto (OU SERÁ QUE NÃO? ( ͡° ͜ʖ ͡°) ). Vale ressaltar aqui que, por conta dos eventos em Massacre de Mutantes, o Anjo acaba tendo suas asas amputadas, perdendo a já pouca função que tinha dentro da equipe. Porque, sério, ele SÓ voa.

Após enfrentar e derrotar Hodge a equipe é subitamente transportada por Apocalypse para dentro de sua nave, que paira invisível sobre NY. O lance é que durante várias edições, Apocalypse foi mostrado arquitetando seu plano. Pegando uns mutantes ali, transformando em cavaleiros aqui, partindo pra porrada acolá… tudo para culminar no recrutamento de Scott, Jean, Bobby e Hank. Como todo bom vilão, ele conta seu esquema esperando que a equipe se junte a ele na maior boa vontade. Óbvio que não rola. E é aí que ele joga a “carta do amigo com lavagem cerebral”.

Warren surge como o Cavaleiro da Morte e, chocados com a revelação, o X-Factor acaba capturado. Só que logo após Apocalypse liberar seu cavaleiros sobre NY, o grupo consegue escapar e começam a lutar. Durante a luta, o X-Factor faz diversos resgates. Ao achar que havia matado o Homem-de-Gelo, Warren recupera a memória e se une aos amigos novamente, partindo pra cima de Apocalypse que, acuado, recolhe os Cavaleiros que sobraram (Guerra e Caliban) e foge.

Tô Lendovantagens
  • O Arcanjo. Um novo uniforme maneiríssimo e uma reformulação completa do Anjo que, agora transformado, fica mais amargurado, mais violento e mais ameaçador. E mais azul.
  • O X-Factor desiste dessa história de Caça-Mutantes e volta a ser um bom e velho grupo de heróis, tentando melhorar a relação entre o público e mutantes realizando atos de heroísmo (TAMBÉM TÔ TE OLHANDO JOSS WHEDON EM ASTONISHING X-MEN).
  • Cameron Hodge surge como um vilão bacana e recorrente até certo ponto quando, depois de Inferno, ele ressurge como um dos vilões MAIS ANOS 90 DOS ANOS 90, em Programa de Extermínio.
  • A Nave do X-Factor. A nova residência da equipe acaba sendo a nave que Apocalypse abandona. Ela ficava ali na pontinha de Manhattan e gerava um campo de força que só permitia a entrada de mutantes. Nem sei como eles conseguiram levantar aquele trambolho pra ficar igual a um prédio.
Tô Lendodesvantagens
  • Rusty Collins e Skids Blevins. Dois personagens tão ruins que até a Marvel esqueceu que eles existem.
  • Crossover com o Hulk cinza. É até maneiro ver como o traço do McFarlane era meio esquisito quando ele era obrigado a seguir o “Marvel Way”, mas que baita história desnecessária, cara.
  • A saída do Simon Cowell. Ninguém aguenta esse cara, ele sempre foi meio babaca.

Veredicto? A saga se sustenta bem mais do que a maioria das mega-sagas-crossovers-with-bacon-and-lasers que a gente vê por aí hoje em dia. Alguns tie-ins com Demolidor acabam gerando mais sinergia (a Marvel adora essa palavra) com o universo Marvel e integram bem os personagens na Manhattan do fim do anos 80. O fator nostalgia conta muito nesse caso, mas essa foi uma história que deixou marcas profundas nos personagens por bastante tempo definindo muitos deles pra década de cromo que estava por vir.

Vale cinco rebobinadas de cinco! 📼📼📼📼📼


Rascunhos de Walt Simonson para o Arcanjo.

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2017-12-11T03:56:47+00:00 11 de dezembro de 2017|5 Comentários
  • UÔU! Cinco rebobinadas de cinco??? Não estaríamos exagerando não??
    Essa aí tá na minha fila mental de “um dia.. quando eu tiver tempo…” Mas sua coluna trouxe ela mais pra frente, Kayds! E você falou um lance lá no iníio sobre os infinitos tie-ins das mega sagas atuais e eu lembrei que eu deixei de ler DC de um todo quando me peguei lendo PACTO DAS SOMBRAS porque me juraram que era fundamental pra entender Crise Infinita. Duas letras? A. F.
    Por outro lado, quando eu era mais jovem, nunca entendia como o mundo podia estar acabando na revista do Quarteto Fantástico e o Homem Aranha estava discutindo com o Pete Pote de Pasta numa boa, na revista do lado… Eu achava que não deveria ser complicado fazer uma mençãozinha do tipo “nossa, monstros da zona negativa??? *Para saber mais leia QF 347”. Enfim. Mais uma belíssima coluna, my friend! 👏🏻👏🏻👏🏻

    • Eu digo isso mais pq ela é uma saga curta e com efeitos mais duradouros do que a maioria das coisas recentes que a gente tem visto por aí. Li o relançamento da Panini no ano passado (ou retrasado?) E me diverti pacas.

  • André A. Laskos

    Mesmo pra quem não conhece tanto sobre hq’s, essa coluna é muito boa. Valeu!

  • Iolando Valente

    Taí uma excelente história.Muita porradaria,bom argumento,desenhos legais…uma beleza!Sua coluna é bem bacana.Parabéns!