Rebobinando #117 | X-men #50

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Eles são mutantes que enfrentam grandes ameaças com certa frequência. Então às vezes até os X-men precisam de uma folguinha, pra jogar um basquete, um pôquer… ou mesmo passar uma tarde no shopping. Então hoje a gente rebobina um desses primeiros passeios dos X-men! Vamos rebobinar X-men #50.

As capas das edições brasileira e americana com a história.

Os X-men estão aí desde 1963. Durante boa parte do seu início, no entanto, o gibi não teve lá um impacto muito grande. Tanto que durante alguns anos, ele entrou “em hiato” após ser cancelado em 1970. Foi só em 1975 com a estreia de uma nova equipe pelas mãos de Chris Claremont e Dave Cockrum que eles foram alçados ao status de “superstars” da Marvel!

O boom aconteceria mesmo por volta dos anos 80-90, quando o mercado de quadrinhos americano se aqueceu, o desenho animado estreou, e desenhistas famosos tipo Jim Lee e Marc Silvestri renovaram o visual de vários integrantes da equipe. Inclusive, foi nesse iniciozinho dos anos 90 em que eu comecei a ler as revistas mutantes que eram publicadas por aqui pela Editora Abril. E mesmo com sagas homéricas e acontecimentos fantásticos, eu curtia bastante um tipo de história em específico: os X-men num dia de folga

“Let’s go to the mall…!” – Seria a Cristal a Robin Sparkles da Marvel?

E nem tô falando daquelas histórias que começam com eles na piscina ou algo do tipo, mas que depois descambava numa aventura gigante. Existem várias assim e, se não me engano, até Programa de Extermínio começa assim. Eu tô falando mesmo de histórias que aprofundam certos personagens em uma aventura meio boba, até, onde eles passeiam por algum lugar, conversam bastante e enfrentam alguma ameaça local super específica também.

Na edição #50 de X-men no Brasil foram publicadas duas dessas histórias, mas como recentemente comemoramos o dia internacional da luta pelos direitos das mulheres, eu achei que seria interessante focar apenas na primeira história: A Noite das Mulheres, escrita por Chris Claremont e desenhada por Marc Silvestri. Com o nome original de Ladies’ Night, ela foi publicada em The Uncanny X-men #244 em 1989 nos EUA. Aqui em terras brasucas, ela saiu em dezembro de 1992 numa edição comemorativa de 100 páginas, também com as histórias de The Uncanny X-men #245, #246 e #247

Plasmóides transitórios semi-animados etc. etc. = Fogos de artifício.

Além de duas histórias descompromissadas, a HQ também é um marco nos gibis-X, porque finalmente coloca a novata Jubileu em contato com os heróis mutantes. Ela já havia sido apresentada em edições anteriores, mas foi aqui que ela bateu de frente e precisou ser salva por Tempestade e cia. e decidiu seguir o grupo até sua base na Austrália! 

Ah, os anos 80…!

X-Women

Tudo começa com a Jubileu, inclusive. Como uma verdadeira “rata de shopping”, ela aparece fazendo uma apresentação dos seus fogos de artifício para um público empolgado. Não demora muito para ela chamar a atenção dos seguranças do shopping, que partem atrás dela implacavelmente. Mas durante a fuga acabamos descobrindo que além dos poderes mutantes, ela é bastante rápida e ágil (e como quase toda personagem feminina rápida e ágil, era um “ás” na ginástica olímpica da escola). 

Troca de corpos. Troca de vozes. Até quando você não ouve a voz…

Em seguida, somos levados até o QG dos X-men no meio do deserto australiano. Um dos quartos está sendo destruído, com móveis e outras coisas sendo arremessados pela janela com uma força incrível. Como líder, Tempestade voa para saber o que é, mas é “atacada” por uma cama voadora (Cristal havia disparado uma rajada laser para desviar a cama e não ser esmagada). Após bastante confusão, todos os X-men se encontram diante do quarto destruído. Era o quarto de Vampira, e ela mesmo quem havia causado toda aquela comoção. 

Precisamos lembrar que nesta época a Vampira era uma personagem bem diferente. Não havia muito tempo (cronologicamente falando) que ela havia passado a integrar a equipe X, saída da vilanesca Irmandade de Mutantes. Além disso, a ainda dividia sua psiquê com a heroína Carol Danvers! Isso mesmo, a Capitã Marvel, de quem ela havia absorvido seus poderes, memórias e mente, permanentemente (gente!). Então a personagem funcionava como uma pessoa com dupla personalidade. Às vezes quem agia na equipe era a Vampira original, às vezes era a Carol Danvers… E isso causava todo tipo de confusão. Como por exemplo, uma decorar o quarto da outra sem permissão! 

E com Tempestade e Vampira furiosas, Carol Danvers frustrada, Cristal tem uma ideia ótima! Ir às compras! 

As cores das edições americanas são mucho locas, cara.

E assim a metade feminina da equipe se junta e, com o auxílio do mutante aborígene Teleporter, vão da Austrália a um shopping nos EUA para fazer compras, se arrumar e depois curtir uma náite super estáile. Não preciso nem dizer em que shopping elas vão parar, né? 

O lance é que os seguranças que estavam atrás da Jubileu chamaram uma “ajuda especializada” para eliminar mutantes! O Esquadrão M!

– MAS TIO KADU, EU NUNCA OU O FALAR DESSE GRUPO DE CAÇADORES DE MUTANTES ANTES! 

Esquadrão… quem?

Isso, meu caro jovem nerd™ é porque a história é descompromissada e o tal Esquadrão M é um grupo de manés! Só que eles tinham um baita equipamento que tinha sido possuído durante a saga Inferno e foi deixado para trás. Quando eles ligam o troço no shopping para capturar a Jubileu, o caos reina, e cabe às super arrumadas e super lindas X-Women salvar o dia! Elas salvam Jubileu e todo o povo do shopping, e ainda destroem o maquinaria infernal rapidinho e dali voltam para casa. 

Impressionada com a luta, Jubileu as segue e percebe que o portal do Teleporter fica aberto por um tempo após elas passarem por ele, como um “convite”. Sem pensar duas vezes ela se joga atrás de suas heroínas e o resto é história! 

E assim chega Jubileu!

Tô LendoPontos Fortes
  • One shot. É uma história curta, divertida, sem muito dilema. É uma daquelas histórias boas pra se distrair e que muita gente chamaria de “filler” hoje em dia. Mas é bom para respirar entre as grandes sagas anuais. 
  • Desenhos. Eu AMO o Marc Silvestri e sempre quis desenhar mulheres como ele. Sempre achei muito bonitas no traço do cara e aqui ele se solta! Muda o estilo, o cabelo de quase todas e brinca muito com a moda da época, bem legal.
Tô LendoPontos Meh
  • Bobinha. Não sei, os “vilões” são meio idiotas, mas sei lá. Apesar de curtir bastante, acho que nem todo mundo pode curtir uma trama boba assim.
  • Não acontece sempre. Como em geral essas histórias são um “respiro” entre grandes sagas, elas surgem só de tempos em tempos, o que é uma pena. Às vezes a gente só quer ler algo leve e nem tudo precisa ser A MAIOR AVENTURA DE TODOS OS TEMPOS QUE VAI MUDAR TUDO O QUE VOCÊ CONHECE!

Enfim, eu gostava bastante talvez porque eu fosse mais novo, ou só talvez porque eu estava acostumado com coisas mais simples, não sei. Mas hoje em dia, depois de velho e de ter lido bastante coisa, eu ainda aprecio muito este tipo de história. Pode ser só porque eu simpatizo demais com o Alan Moore que adora brincar com expectativas, mas deixa para lá. Isso é papo para outra Rebobinando.

E você? Tem alguma história dos X-men tirando uma folga? Jogando um jogo? Ou mesmo de outra super equipe de super-heróis fazendo a mesma coisa? Conta aí nos comentários!

X-men #50, vale quatro rebobinandos! 📼📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2020-03-09T20:52:45+00:00 9 de março de 2020|0 Comentários