Rebobinando #115 | Grandes Encontros: Super-Homem & Homem-Aranha

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Dizem que depois de um grande encontro sempre há outro! Quem dizem? Não sei. Mas entre a Marvel e a DC isso acontece bastante. Este é o segundo encontro entre o Homem-de-Aço e o Amigão da Vizinhança. Vamos rebobinar Grandes Encontros Marvel e DC: Super-Homem & Homem-Aranha.

Olha, mãe! Sem photoshop!

Lançada originalmente em 1981 nos EUA na edição #28 da Marvel Treasury Edition, esta história não chega a ser das mais memoráveis. Aqui no Brasil ela foi publicada três vezes ao longo dos anos. Primeiro pela editora RGE, em 1982. Depois em 1989, pela editora Abril. E finalmente (ou novamente) em 1993 também pela Abril, na série Grandes Encontros. E foi essa a edição que eu acabei lendo. 

Parêntese rapido: a série Grandes Encontros saiu por aqui com esse nome, mas lá nos US of A ficou conhecido como DC & Marvel Present, um projeto entre as duas editoras que promoveu o crossover entre vários heróis das duas rivais. Entre eles os Novos Titãs e X-Men (que eu já falei na Rebobinando #49), Batman e Hulk (queu ainda tô devendo) e dois encontros entre o Superman e o Homem-Aranha (cujo primeiro eu falei na Rebobinando #113). 

Este é um trabalho para o… para os… bem. Pros dois.

A ideia principal do primeiro crossover, no entanto, foi usar os melhores artistas de ambos para contar uma história bacana e balanceada entre os dois. Mas essa segunda história foi criada e lançada completamente pela Marvel, a DC só entrou com a autorização para deixá-los usar o Escoteiro Azulão e sua galera na história. Talvez por isso ela seja meio, er, chata

As comparações são inevitáveis, acredito. Ainda mais por usar personagens tão marcantes. Como ela foi escrita por Gerry Conway e desenhada por Ross Andru, que já tinham trabalhado com os dois heróis, fica evidente o cuidado deles. Esta segunda edição foi escrita por Jim Shooter (com uma ajudinha do Marv Wolfman) e desenhada por John Buscema. Não que eles sejam particularmente ruins, até porque não são, mas neste caso, eu tenho a impressão de que eles não tenham sido a melhor escolha. 

🎶 Been spendin’ most their lives / livin’ in the DOOM and PARASITE! 🎶

A história de Shooter deixou de lado a galeria de vilões de cada um e resolveu usar personagens que, ok, são vilões até conhecidos. Mas um era o Doutor Destino, que é um vilão primariamente do Quarteto Fantástico. O outro vilão era o Parasita, que na época era um vilão meio pequeno do Super. Então a trama fica meio qualquer coisa, e sem o peso de vilões mais carismáticos como o Luthor e Octopus. 

John Buscema é o irmão mais velho de um dos Artistas que eu mais detestei durante a minha adolescência (sai daqui, Sal Buscema). Mas em matéria de figuras e desenhos ele é super ok. Estilão clássico, bem “Marvel way”, sabe? Mas olhando de novo, a quadrinização desta história é bem tediosa. Na época eu lembro de tê-la achado meio chatinha, mas nunca soube explicar o porquê. 

Super lanchando o robô do Destino na porrada!

A aventura do século

O plot gira em torno do clássico da dominação mundial. O Doutor Destino tem um plano muito específico de tornar inúteis todas as formas de energia, exceto um super gerador que só ele sabe usar. Nós acompanhamos as vidas de nossos repórteres investigativos favoritos, Clark Kent e Peter Parker tendo que lidar com a notícia de que o Hulk está a caminho de Metropolis, num rompante de fúria! Ao chegar na cidade do amanhã o Hulk para em um local específico e começa a destruir tudo ao redor.

O engraçado desta história é que ela é pré-crise, o que significa que o Super-Homem tem toda a sorte de poderes esquisitos para usar. Em um determinado momento, Clark está em reunião no Planeta Diário, mas agoniado porque precisa sair para impedir que o Golias Esmeralda cause mais destruição. Então ele usa o seu super ventriloquismo para criar uma voz vinda do corredor gritando “o Hulk está lá embaixo” e usa um super pisão para fazer o edifício tremer todo. Desta forma ele tem a desculpa de sair da reunião junto com todos os funcionários do Planeta, e se esconder para virar o Super-Homem! 

Super-ventriloquismo, bicho! Eu tinha 11 anos e já achei isso ridículo na época!

O plano do Doutor Destino era usar um mecanismo para irritar o Hulk e fazer com que, em meio a destruição causada por ele, a cela do vilão Parasita, no subsolo dos Laboratórios S.T.A.R., seja rompida, liberando o vilão. Peter chega em Metropolis meio tarde e não tem muito o que fazer antes do Super resolver o caso. 

Os dois então teriam de lugar para investigar o caso. Peter permanece em Metropolis e arranja um emprego no Planeta Diário, e Clark vai para NY trabalhar no Clarim. Cada um com suas desconfianças e pistas. O Super, pelo poder do plot, desconfia direto que a trama seja um plano de Victor Von Doom, porque a única outra mente capaz de usar o Hulk para seus propósitos nefastos é o Lex Luthor, e ele está preso (heh). 

Hulk libera o Parasita!

O ponto mais bacana nesta história, aliás, é esse “trocando as bolas” dos dois, entre o Planeta e o Clarim. Ver os alter egos dos heróis lidando cada um com a galeria de coadjuvantes do outro é bem divertido. Em especial a relação dos dois com seus respectivos editores-chefe, Perry White e J.J. Jameson. 

No fim, entre armadilhas e outras participações especiais (a Mulher-Maravilha enfrenta o Homem-Aranha no covil de Destino num determinado momento), os dois heróis se unem e o Parasita acaba descobrindo que o plano do Doutor Destino consistia em fazê-lo absorver a força do Hulk, da Mulher-Maravilha e do Super-Homem e não conseguir lidar com o volume de energia. Assim, ele acabaria se transformando numa espécie de cristal que serviria para alimentar a máquina do juízo final de Von Doom. O mais maneiro é que o Parasita descobre isso após absorver a força do Aranha e ganhar um “sentido de Aranha” de brinde, que o alertou do perigo. 

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Depois de uns sopapos, o Parasita é derrotado e Destino foge de sua base secreta em direção à embaixada latveriana em NY. Ele consegue cruzar a porta a poucos instantes de ser pego pelo próprio Super-Homem E AINDA TIRA ONDA! Ele diz algo tipo “estou em solo latveriano e de acordo com as leis, aqui você não pode me tocar”! E nem o Aranha nem o Super podem fazer nada. Ninguém mandou eles serem lawful good

Queria ver se isso iria funcionar com o Justiceiro.

Destino conseguiu a imunidade. Agora vamos ver quem é que vai pro paredão!

Tô LendoPontos Fortes
  • Crossover. Bem ou mal, é mais um crossover entre editoras e isso por si só já é bacana. Houve outros encontros antes, que tornam este um pouco mais maneiro, ainda mais se você ler Batman e Hulk.
  • Nostalgia. Quase como a primeira aventura, essa se sustenta bastante na base da nostalgia. A história é de 1981, mas ainda carrega aquela vibe dos anos 70. Superman pré-crise e tals. Tem um climão bobinho, mas já tenta se levar mais a sério o suficiente, ainda mais por usar o Doutor Destino como vilão. Neste ponto, ela acaba sendo até melhor que o primeiro Grande Encontro dos dois.
Tô LendoPontos Meh
  • Chatinha. Ainda acho ela meio chatinha hoje. O início tem páginas e páginas de seis quadrados alinhados com um amontoado de texto de exposição do Destino com aquele vocabulário rebuscado dele. Boa parte da história é cada um dos heróis fazendo uma investigação própria, longe um do outro. Eles só se encontram duas vezes no gibi inteiro (ok que da segunda vez ele vão enfrentar os vilões e tal). A interação é pouca, então a graça fica só mesmo pelos encontros espaçados deles com os coadjuvantes do outro.

Destino desanda a dialogar diretamente consigo mesmo.

Apesar dos pesares, eu gosto do Doutor Destino como vilão. Mas eu curto ele como vilão principal do universo Marvel e fiquei achando que a escolha do Parasita como “capanga dispensável” dele meio caída. Queria ver o Destino se aliar a outro p*ca grossa da DC, mas honestamente, não sei quem seria capaz de bater de frente com Victor Von Doom nesta aventura. Talvez o Vandal Savage? Ra’s Al Ghul? Não sei. De qualquer maneira, a época em que a li já era bem anos 90, então pode ter sido por isso que eu a achei meio antiquada mesmo.

E você? Sei que  já fiz essa pergunta antes, mas tem mais algum crossover preferido? Ou melhor, você tem alguma ideia de crossover que você gostaria de ver? Me diz aí dois heróis e dois vilões um de cada editora! Vale Marvel, DC, Image, Valiant, etc.

Grandes Encontros Marvel & DC: Super-Homem & Homem-Aranha vale três rebobinandos. 📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2020-02-10T20:02:06+00:00 10 de fevereiro de 2020|0 Comentários