Rebobinando #113 | Grandes Encontros: Super-Homem x Homem-Aranha

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Houve uma época onde os grandes encontros entre editoras rivais era consideravelmente mais fácil de realizar do que hoje em dia. Mesmo com as grandes batalhas que estes crossovers geraram, aparentemente os caminhos eram bem menos complicados do que as batalhas judiciais, os multiversos entrelaçados, e os fãs nervosos que temos hoje em dia. Vamos rebobinar um pequeno clássico dos Grandes Encontros Marvel & DC: Super-homem vs Homem-Aranha!

Um aperto de aço!

Todo mundo sabe que a Marvel e a DC já se encontraram várias vezes nos quadrinhos. Um desses encontros que a maioria conhece foi o crossover clássico Marvel x DC de 1996 (para referência, vou anotar aqui para uma futura Rebobinando). Mas para os nerds mais ou menos da minha idade, é bem capaz que se lembrem de um outro grande confronto, que foi a série lançada aqui no Brasil em 1993, intitulada Grandes Encontros: Marvel & DC, que reunia os grandes medalhões de cada editora em uma história conjunta, recheada de desentendimentos, brigas e parcerias. Já falei de um desses grandes encontros aqui na Rebobinando #49, sobre os Novos Titãs & X-men, produzido por ninguém menos que Marv Wolfman e John Byrne

Super-homem vs Homem-aranha, no entanto, foi a primeira colaboração desta parceria e surgiu de uma ideia, em meados dos anos 70, de fazer um filme usando os dois personagens. Quem a sugeriu foi um agente literário e produtor de cinema chamado David Obst, produtor de pérolas cinematográficas como A Vingança dos Nerds e Picardias Estudantis (uau. Imagina só O NAIPE que seria esse filme dos heróis nos anos 70?). Ele chegou para Stan Lee e Carmine Infantino, respectivamente os editores-chefes responsáveis pela Marvel e DC na época, e sugeriu o crossover. A ideia agradou a ambos, mas como já estava em andamento os planos para o filme de 1978 do azulão, e a série de tv do amigão da vizinhança de 1977, ninguém se empolgou muito e colocar isso adiante. No entanto, os dois acharam uma boa ideia investir nesse encontro nos quadrinhos já que, ora bolas, esse era o negócio deles!

Pelos menos os dois tem uma certa habilidade em desviar dos problemas…

Poucos sabem, mas a primeira parceria MESMO entre as editoras ocorreu um ano antes, com um gibi muito pouco relacionado a super-heróis. Até 1975 o clássico O Mágico de Oz, de 1939, teve um pequeno revamp nos EUA, sendo exibido em reprises na tv e alcançando uma nova popularidade que seria revertida em lucros numa nova linha de brinquedos e tal. Ocorreu então uma corrida pelos direitos de publicação do material e tanto a Casa das Ideias, quanto a Distinta Concorrência, não queriam perder essa boquinha. No final, ambas chegaram a um acordo e publicaram conjuntamente, em formato tablóide, uma “treasury edition” intitulada MGM’s Marvelous Wizard of Oz. A edição era escrita pelo lendário Roy Thomas e desenhada pelo não menos lendário John Buscema.

Aqui no Brasil esse gibi do Mágico de Oz nem saiu, mas o primeiro encontro entre o Super-Homem e o Homem-Aranha, a tal “BATALHA DO SÉCULO”, saiu logo após de sua publicação original em 1976. Em 1977 a editora Ebal publicou o Almanaque dos Heróis. Depois disso ela saiu de novo aqui quase vinte anos depois, em março de 1993. Publicadas trimestralmente, as edições seguintes trouxeram os encontros entre Novos Titãs x X-men, Batman x Hulk e novamente um encontro entre o Super x Aranha

Estou curioso para ver os crossovers: Homem de Lata vs Homem de Ferro, Wolverine vs Leão Covarde, Espantalho vs Batman (péra…)

Escrita e desenhada por dois artistas que já haviam trabalhado por anos com os dois personagens, a história é bem leve e se desenrola como um desenho animado típico da Sessão da Tarde. Gerry Conway conhece bastante tanto Clark quanto Peter e coloca os dois em situações onde seus poderes constantemente são uma desvantagem que pode ser superada pelo outro sem maiores problemas. E, apesar do Super-homem ser claramente superior ao Homem-aranha em matéria de poderes e tal, ele nunca é esnobe quanto a isso. O Aranha também, nunca se coloca mais abaixo do que o homem-de-aço, pelo menos não mais do que o habitual. Como a história ocorre antes de crises e clones, é uma oportunidade única de rever os maiores heróis da Terra (opa, não são esses), numa época mais… digamos… inocente.

A arte de Ross Andru é uma AULA cara! De enquadramento, poses, tudo, cara. Na época eu não lembro de ter achado grande coisa, apesar de ter curtido. Mas nossa, hoje, depois de velho eu sentei para rever a edição e fiquei pasmo com o quanto o cara podia desenhar dentro do “estilo marvel” que muitos considerariam “engessado” hoje em dia, mas imprimir um estilo próprio, dinâmico, limpo e bem enquadrado. Se você quer ser artista de quadrinhos, estude os grandes desenhistas antigos! Andru é um deles!

Cara, só amor pelo Ross Andru! Só amor!

A Batalha do Século!

A história é simples, nem sei se vale muito a pena contar ela toda aqui, mas vou procurar resumir bem. 

Partimos do princípio que ambos os heróis vivem em um universo compartilhado, aliás. Sem tramas de multiverso e portais dimensionais, etc. etc. Clark vive em Metrópolis, Peter vive em Nova Iorque, ambos conhecem a figura heróica um do outro, mas nunca tiveram a oportunidade trabalhar juntos até o momento da história. Que começa com, claro, um robô gigante destruindo a cidade do amanhã!

O Super-homem tem uma certa dificuldade em derrotar o robô, e não percebe que foi enganado por Lex Luthor, que foge depois de roubar um chip-eletrônico-mcguffin-qualquer dos Laboratórios S.T.A.R. Enquanto isso, o Homem-Aranha impede um roubo a um museu perpetrado pelo Doutor Octopus e seus asseclas. Porrada vai, porrada vem, os dois vilões acabam indo presos e colocados lado a lado na cadeia (!!!). De lá, os dois fogem (CLARO) e decidem tocar o rebu no mundo.

Acho incrível como prenderam o Dr. Octopus NUMA CELA COMUM! (além do que, fiquei com medo do modo como o guarda diz que “revistaram” o Luthor todinho na cadeia).

De lá o Homem do Amanhã descobre a fuga de Luthor e Octopus e vai para NY para o lançamento de um satélite sinistrão que provavelmente seria o alvo dos vilões. Lá MJ e Lois Lane acabam raptadas por um Super-homem fake diante dos olhos de Peter Parker e Clark Kent. O que gera o motivo para o primeiro desentendimento e briga entre os dois. De longe, os bandidos irradiam o Amigão da Vizinhança com “raios de sol vermelho” (o que quer que seja isso) e ele, de repente, é capaz de descer o pau no nosso querido escoteiro azulão.

Findos os desentendimentos, os dois se aliam para acabar com o plot do mal de Octhor, ou seria Lucthopus? Enfim, do ship maligno entre Lex Luthor e Doutor Octopus. Como eu disse antes, a história se desenvolve de maneira bem simples mesmo, mas nem por isso ruim. Outra época, outro público, essas coisas. Acho que vale muito a pena dar uma lida se você nunca leu.

“O que eu quero, Sr. Austin Powers, É UM MILHÃO DE DÓLARES! MWA. MWUHUHUA. MWUHUHUHUHUA!”

Tô LendoPontos Fortes
  • Histórias Simples. Se você conhece o básico de ambos os personagens, é perfeita. Não precisa de nenhum conhecimento prévio de Marvel, ou DC, quem é de onde, nada disso! 
  • Arte. Ross Andru está com um trabalho primoroso nessa edição, e com umas splash pages magníficas. Dick Giordano, que viria a ser editor-chefe nos anos 80, foi o arte-finalista da história e, segundo ele, seu parceiro de estúdio Neal Adams mexeu em algumas páginas em segredo, além de ajudar com a arte-final.
Tô LendoPontos Meh
  • Idas e voltas. A história se desenvolve simples e isso é bom, mas tem lá seus altos e baixos. Como ela tem 92 páginas, acaba ficando um pouco longa…
  • Inocência. Sei que marquei a simplicidade como um ponto forte, mas a história é antiga demais e alguns clichês ficaram ainda mais datados hoje em dia. Como o plano dos vilões de ameaçar a Terra com tsunamis causadas por um satélite (??) em troca de 10 bilhões de dólares (????). O Doutor Octopus se volta contra Luthor porque o plano dele é “acabar com a Terra” independente do dinheiro, etc. Bobinho demais se você curte uma pegada mais séria.

Eu curto bastante esses crossovers de personagens diferentes. Curto muito a ideia de um universo compartilhado entre eles, lembro inclusive de outros crossovers dos anos 90 que seguiram este princípio para contar uma história legal, que foi o do Homem-Aranha com o Batman, ou o de X-men e Wild C.A.T.s

E você? Tem algum outro crossover que você curte? Algum outro grande encontro que vale a pena a gente rebobinar? Diz aí nos comentários!

Grandes Encontros Marvel & DC: Super-Homem vs Homem-Aranha vale quatro rebobinandos! 📼📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2020-01-28T00:14:51+00:00 27 de janeiro de 2020|0 Comentários