Rebobinando #112 | Sonic The Hedgehog

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Ele é azul! Ele é rápido! Ele muda de cara com a velocidade uma reclamação na internet! Hoje a Rebobinando relembra um dos clássicos do videogame dos anos 90! A nossa bolinha azul mais querida de todas, Sonic The Hedgehog!

O ano era 1991 e eu era um garoto com seu recém adquirido Mega Drive! Em meio aos sinistros “rise from your grave” entoados pelo vilão de Altered Beast, eu estava em busca de emoção nessa vida de gamer que eu começava a curtir…  Eis que um pequeno ouriço azul surge em minha vida (apesar de eu chamá-lo de “porco-espinho” na época, porque bom, “ouriço” para mim era só o do mar)! Com seus sapatinhos vermelhos e seu charme fazendo um “nana-nina-não” na abertura do jogo, eu caí fácil em seus encantos de velocidade e fui muito feliz (e fiquei muito frustrado) com suas fases!

Na verdade, Sonic veio quase no mesmo balaio do meu falecido Mega Drive, chegando alguns dias depois do meu aniversário, enquanto eu ainda curtia o jogo empacotado no sistema, Altered Beast. O meu videogame foi o da primeira leva de Mega Drives do Brasil, e logo em seguida seria lançado o Mega Drive II por aqui, juntamente com um cartucho de Sonic. ¯\_(ツ)_/¯

Assim no passado como no presente, o Sonic passou por um remake entre o rascunho e o produto final.

O desenvolvimento

A rivalidade entre a Sega e a Nintendo durante boa parte dos anos 90 só pode ser comparada à rivalidade entre a Marvel e a DC Comics hoje em dia. Ou Vasco e Flamengo. Ou Rio e São Paulo. Ou Brasil e Argentina. Etc. Escolha uma analogia de preferência. Infelizmente, eu não entendo muito bem sobre empresas desenvolvedoras de games e também não sei quais foram as péssimas escolhas ou investimentos da Sega durante os anos 90 que a levaram a abandonar a criação de consoles, mas o fato é que no início daquela década, elas ainda eram rivais em pé de igualdade (???).

Tanto quem em 1990 a Sega incumbiu alguns de seus desenvolvedores com a tarefa de criar um mascote para a empresa, em conjunto com um jogo, claro. Até então, o mascote era o Alex Kidd, mas ele era “parecido demais” com o Mario da Nintendo e, portanto, não era bom o suficiente (tadinho, eu sinto sua dor, Alex). O presidente Hayo Nakayama queria um mascote tão icônico quanto o Mickey Mouse e um jogo que fosse o suficiente para desbancar o encanador gordinho que carca pessoas atrás do armário. A ideia por trás do jogo então era ser “similar o suficiente” aos jogos da franquia do Mario, mas com algum efeito mais “radical” que fizesse a diferença. No caso, a diferença veio através da velocidade!

Sonic & Furious!

O programador do jogo, Yuji Naka já havia trabalhado para a Sega com os jogos Phantasy Star e Ghouls’n’Ghosts, e usou como inspiração tanto o gameplay em plataforma do Mario, como a mecânica de Ghouls’n’Ghosts e o seu “terreno em curvas” para criar o mundo do Sonic. Como ele achava que tanto Mario quanto Ghouls eram meio lentos, resolveu deixar o jogo mais dinâmico aumentando a velocidade! Uma das coisas mais básicas que acabou sendo decidida logo no início era de que a velocidade inicial do mascote deveria ser igual à velocidade do Mario correndo. Com tudo quase decidido em torno do quanto o personagem seria veloz, só restava saber QUEM seria o personagem. Aí começou a corrida dos designers para ver quem seria o sortudo a emplacar o seu animalzinho primeiro!

Devido à mecânica do jogo e em como eles gostariam que fosse fácil de jogar, ficou estabelecido que ele deveria ser jogado com apena um botão! Para tanto, concluíram que o ataque do personagem deveria ser pular! Assim você já eliminava a necessidade de um botão para pulo e um para ataque. Durante este ataque, o personagem virava uma bola! E daí eles foram examinando animais que poderiam virar uma bola ao pular e efetuar um ataque, e assim chegaram a dois personagens: um ouriço e um tatu. Para efeitos de ataque, acharam que ter espinhos nas costas era mais “agressivo” e foi assim que o ouriço foi escolhido! Como o presidente da Sega queria um personagem que fosse tão icônico quanto o Mickey, Naoto Ohshima, o designer responsável pelo visual do mascote, juntou o camundongo da Disney com o visual de um outro personagem querido, o Gato Félix e pronto!

O Sr. Needlemouse nasceu!

Os rascunhos iniciais do sr. Ohshima para o Mr. Needlemouse, e os rascunhos finais do Sonic.

Oi? Quem?

Ah, desculpa. O nome do Sonic era Mr. Needlemouse (algo como Sr. Ratagulha em português) quando foi criado. Porém o time de oito pessoas que era responsável pelo jogo tinha um apelido que acabou sendo utilizado para batizar o mascote. Assim sendo, o Sonic Team, acabou por renomear o ouriço como Sonic. Era perfeito. Porque era um nome que passava a ideia de velocidade, era curto e memorável. E fácil de vender para os americanos!

Sonic e Félix. Um encontro de titãs! Por Domestic-Hedgehog.

O jogo

Como a base do jogo era “ser rápido”, ele acaba sendo meio longo para compensar a rapidez. A maioria dos detonados (ou “walkthroughs” para a galerinha da geração Y) levam em torno de uma hora! Cada uma das fases era dividida em três atos, sendo que no último você enfrenta o chefão da fase. Que na verdade era o chefão do jogo todo, o Dr. Robotink, mas sempre com uma máquina mais mortífera do que a anterior.

Green Hill Zone: Primeirona, clássica. As colinas verdejantes cheias de loops e penhascos despencando. O Dr Robotinik vem que nem a Miley Cyrus numa WREEEECKING BAAAALL! Mas com oito porradinhas ele sai correndo!

Marble Zone:  Fogo, lava e mármore! A fase das ruínas de mármore é cheia de armadilhas, espinhos e lagos de lava que jorram em cachoeiras para cima e para baixo. Difícil, mas tem um bocado de passagens secretas que facilitam a vida um bocado. Robotinik vem com um gotejador de chamas entre duas plataformas e um rio de lava.

Spring Yard Zone: O jardim das molas tem um visual meio futurista, repleto de, err, molas. E prédios altíssimos com elevadores que te esmagam se você der bobeira. É uma das fases com a música mais legal, aliás. O chefão desta vez tem uma nave com um espeto na parte de baixo que vem arrancando os pedaços do piso onde você está. Acabe com ele logo, ou você vai ficar sem chão!

Labyrinth Zone: A maldita, MALDITA, fase do labirinto! Escorregas, quedas d’água e falta de ar imperam nesta fase. É aqui que muita criança aprendeu o significado da palavra “ansiedade” quando a música da falta de ar começa a tocar e você fica desesperado procurando por bolhas de ar no chão atrás de um respiro. É a única fase onde você não precisa derrotar o chefão em si. Só subir por um corredor repleto de armadilhas enquanto a água sobe desesperadamente atrás de você. Tente manter a calma. TENTE.

Star Light Zone: Um visual meio de nave espacial, mas com uma cidade iluminada ao fundo. Muitas plataformas flutuantes e ventiladores tentam te atrapalhar e te jogam em cima dos robôs inimigos. O Dr. Robotinik te ataca em meio a uma série de gangorras e joga bombas na sua cabeça que você pode usar, ou para jogá-las de volta nele antes de explodirem, ou para arremessá-lo em cima do vilão para explodí-lo!

Scrap Brain Zone: A zona final (ou quase). A raspa do cérebro parece ser a fortaleza final do Dr. Robotinik e é uma junção de tudo o que é de pior das outras fases. Armadilhas, fogo saindo do chão, serras elétricas, molas em lugares pouco estratégicos, plataformas flutuantes que somem debaixo dos seus pés e coisas do tipo. E eu já mencionei que o Ato 3 desta fase É UMA VERSÃO EM PRETO E BRANCO DA ZONA DO LABIRINTO? Quando você acha que se safou… Vem o jogo e te cospe na cara!

Final Zone: É basicamente a luta final contra o Dr. Robotinik. Quatro prensas hidráulicas que te atacam aleatoriamente, enquanto você precisa escapar de esferas de laser! Isso sem pegar NENHUM ANEL! Super arriscado, mas não chega a ser uma das lutas mais difíceis do jogo. 

É uma fase ESMAGADORA!

Ao terminar Sonic the Hedgehog você pode ter dois finais. Se você não conseguir pegar todas as esmeraldas do caos nas fases de bônus espalhadas pelo jogo, você salva seus amiguinhos da floresta, mas ele aparece no final, te provocando com as esmeraldas que você porventura não tenha conseguido pegar. Se conseguir, bom, aí é o final completo. Amiguinhos e esmeraldas no final, celebrando!

Tô LendoPontos Fortes
  • Rápido. Bom, é todo o tema do jogo, né? Velocidade. Então é um jogo rápido e de reações rápidas. 
  • Fácil de jogar. Jogo com um botão só, hehe. Pulo e ataque no mesmo golpe, é fácil até das crianças mais novinhas gostarem. E é uma boa porta de entrada para o mundo dos games.
  • Divertido. Bom de jogar por horas a fio, se você souber lidar com a frustração e ansiedade DAQUELA MALDITA FASE DA ÁGUA.
Tô LendoPontos Meh
  • Antigo. É antigo, e mesmo que os gráficos sejam excelentes para a época, pode ser que algumas crianças não se empolguem muito com o visual do jogo, a princípio. Também não é dos mais fáceis de achar, a não ser através de emuladores ou de Sega Collections disponíveis como jogos em alguns sistemas (o do PlayStation eu tenho certeza que existe).

Sonic é fácilmente um dos meus jogos favoritos de videogame. Talvez pelo caráter nostálgico, mas mesmo depois de velho, jogando na tevê, ou no celular, ou no computador, eu sinto a mesma empolgação de quando era um pequeno rapaz de 10 anos de idade. Não tenho muitas expectativas quanto ao filme, mas acho muito fofo quando sento para jogar o jogo na minha televisão e o meu filho pequeno vem comigo e começa a torcer pro Sonic sair correndo, com um controle na mão (que ainda não funciona tadinho). A lagriminha de orgulho chega a cair quando vejo que tem um pequeno gamerzinho em criação aqui em casa. E é bem capaz dele AMAR o filme! heheheh!

E você? Tem algum jogo do Sonic preferido? Esse primeiro? Ou Sonic 2? Sonic Spinball? Conta aí nos comentários!

Sonic the Hedgehog vale cinco rebobinandos! 📼📼📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2020-01-21T00:58:11+00:00 20 de janeiro de 2020|0 Comentários