Rebobinando #110 | Homem de Ferro 2020

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Ano novo, vida nova, e gibis velhos! Deixando de lado as discussões sobre o início (ou não) da nova década, vamos abrir a Rebobinando desta semana com um clássico do início dos anos 90 que trazia um personagem dos anos 20! Vamos rebobinar Grandes Heróis Marvel #32, com o Homem de Ferro 2020!

Quero ver o nome dele no ano que vem!

Primeiramente, eu lembro desta edição de Grandes Heróis Marvel com essa história do Homem-Aranha muito vagamente. Lembro de ter lido na época, mas de não ter sido especialmente marcante, até porque era uma história que havia saído nas edições anuais do herói, nos EUA. Mais especificamente em The Amazing Spider-Man Annual #20 (1986). O engraçado é que em minha busca sobre o tal “Homem de Ferro do Futuro”, a menção do ano nesta história é de 2015, o que é bem esquisito! Como ele pode ser o Homem de Ferro de 2020, se ele é de 2015?

A questão é que esta história não é a primeira aparição dele, obviamente. O personagem surgiu primeiro em uma edição do Homem-Máquina, um personagem criado por ninguém menos que Jack Kirby! O personagem não teve uma vida longa com sua revista solo, que durou cerca de 20 edições apenas, de 1978 a 80. Ao longo dos anos ele virou uma espécie de herói coadjuvante em várias histórias da Marvel, desde os Vingadores até os X-men. Só que ainda em 1984 ele teve uma minissérie em quatro edições, escrita por Tom DeFalco e desenhada por Herb Trimpe. A história se passava no ano de 2020 em um futuro apocalíptico típico de meados dos anos 80 (aquela coisa meio RoboCop, meio Frank Miller, sabe?). Aqui no Brasil, a história desta mini saiu na antiga Heróis da TV entre as edições #102-105

Para enfrentar o Homem-Máquina, é preciso um homem em uma máquina!

Nessa história o Homem-Máquina luta contra um Homem de Ferro que se intitula “O HOMEM DE FERRO DE 2020”! O que se você parar para pensar é meio idiota, né? Quem é que se intitula alguma coisa com o ano como sobrenome? Tipo, “OLÁ, EU SOU O KADU CASTRO DE 2020!”

Aí no ano que vem “OLÁ, AGORA EU SOU O KADU CASTRO DE 2021!”

Não dá, né?

Enfim, a primeira aparição deste Homem de Ferro foi nesta história do Homem-Máquina que acontece em 2020, e a sua segunda aparição foi a da história do Homem-Aranha, que conta o que aconteceu ANTES, em 2015. Tipo um prequel. Como as trilogias de Star Wars, ou os filmes do Indiana Jones. Mas aí já era tarde demais, o personagem já era conhecido como Homem de Ferro 2020. E para complicar, ele ainda se chama Arno Stark (o que em si já é um novelo difícil de desenrolar das histórias do próprio Tony Stark, vai por mim).

Arno Stark. O Homem de Ferro de 2020, e o homem do ano de 2015.

O Homem do Ano 2015

A história começa simples. Vemos o Homem de Ferro fazendo uma demonstração de força durante uma sessão de fotos para a Time Magazine, que o nomeou o “Homem do Ano”. Ao retirar a máscara, vemos que ele tem uma certa semelhança com o nosso bom e velho Tony Stark, mas os diálogos dizem que ele “comprou” a empresa depois da morte de seu antecessor. Até o momento, não é explicada a natureza da relação entre os dois, mas pesquisando bem, dá para descobrir que ou Tony é tio-avô do Arno, ou que ele é uma espécie de primo-avô do Arno. 

Arno Stark é muito mais invocado e mau-humorado que Tony, mas ele tem uma esposa e um filho, os quais ele está sempre deixando de lado por conta do trabalho. Durante uma discussão com um de seus sócios, ele resolve cancelar os planos que tinha com sua família e se dirige para uma de suas fábricas, que estava sob ataque de um terrorista com parte do rosto mecânico. O nome do vilão é Robert Saunders e ele arma uma bomba na fábrica de Arno. Na verdade, a bomba foi criada pela própria empresa Stark e Robert não pretendia explodi-la. A ideia era fazer os cientistas “suarem” um pouco com sua própria arma e entenderem qual é o problema de construí-la. No último momento, quando estivesse longe, ele pretendia desarmá-la remotamente e tudo ficaria ok.

Terrorista do passado e Família do futuro.

Porém, antes que Saunders pudesse fugir, ele é atacado pelo Homem de Ferro do Futuro, que acaba matando-o acidentalmente. Os cientistas descobrem que o terrorista planejou bem ao armar a bomba, e só um escaneamento de sua retina era capaz de desarmá-la. Como Arno matou o cara em uma explosão, não sobrou retina nenhuma para cancelar a bomba. 

Arno Stark não era pouca merda, na verdade. Afinal de contas, ele havia conseguido o posto de homem do ano da Time Magazine porque conseguiu construir o primeiro dispositivo de deslocamento temporal do mundo. Ao procurar por informações sobre o terrorista no futuro, a única menção de destaque do nome “Robert Saunders” era um recorte de jornal do fim dos anos 80, quando ele ainda era um garotinho e sofreu um acidente que desfigurou parte do seu rosto, durante uma briga de super-heróis! TUN DUN DUUUUN.

“If only I could tuuuurn back time…”

De volta ao passado, vemos o Amigão da Vizinhança lidando com seus problemas habituais. Falta de grana, aluguel atrasado, chefe opressivo, aniversário da Tia May, etc. Em meio a isso, um moleque fica seguindo ele por todo lado, no Clarim, querendo dicas sobre como se tornar um fotógrafo. Quem é o moleque? O jovem  Robert Saunders! Em meio a uma briga do Aranha com um bando de ladrões de banco, o Homem de Ferro 2020 (err, 2015?) surge e rapta o garoto. 

Sem saber o que estava em jogo, o Aranha interfere, o que deixa o Cabeça-de-Lata mais nervoso ainda! A briga entre os dois segue cada vez mais perigosa e, num ataque descuidado do Homem de Ferro 2020, o garoto acaba se ferindo seriamente. Isso obviamente deixa o nosso querido escalador de paredes maluco de raiva e ele janta o Arno Stark no sopapo até que ele grita que “não há mais tempo” e desaparece de volta para o futuro!

Assim nasce o Coronga.

O final é um pouco triste e mostra porque este Arno Stark acabou virando o empresário/mercenário maligno que apareceu nas histórias do Homem-Máquina. A bomba acabou explodindo, arrasando por completo o local onde a fábrica Stark ficava e matando milhares de pessoas no processo, entre elas a esposa e o filho dele.

Tô LendoPontos Fortes
  • História. O argumento é bem bacana. Tem aquele lance de viagem no tempo em forma de loop, e é uma história boa no geral. Foi escrito por um tal de Ken McDonald que não tem lá muitos trabalhos de destaque pela Marvel.
  • Desenhos. São bacanas também, mas nada muito impactante. Mark Beachum tem um trabalho limpo e as cenas de lutas são bem feitas. Joguei o nome dele no google e descobri que hoje em dia ele meio que virou um “desenhista de gostosas” com várias pin-ups provocantes.
  • Disponibilidade. Fácil de achar, apesar de não ter nenhuma reedição desde a Grandes Heróis Marvel #32 original de 1991. 
Tô LendoPontos Meh
  • Esquecível. Apesar do argumento bacana, a história não é lá muito memorável, a não ser pela expansão do personagem do Homem de Ferro 2020. Tanto que ninguém se dignou a colocá-la em algum encadernado.

Arno Stark não era assim uma BRASTEMP, né…? Mas deu pro gasto.

Esta versão do Arno Stark acabou sendo colocada, obviamente, em um outro universo dentro do multiverso da Marvel, mais especificamente da Terra-8410. O implica que esta história do Aranha e a história do Homem-Máquina se passam em um universo alternativo também, aparentemente. Na bagunça das novas Guerras Secretas ele acabou fazendo parte de algumas equipes e acabou morrendo sendo devorado por sua própria armadura (que foi infectada com um vírus tecnológico zumbi no universo dos Marvel Zombies). Quadrinhos, hehe.

Neste ano, a Marvel resolveu ressuscitar este personagem de outra forma, utilizando o Arno Stark do universo 616, que andava meio desaparecido. Será que vai dar certo?

Reboot do Homem de Ferro 2020 pro universo 616.

E você? Lembra de outros personagens do futuro? Do universo 2099? Lembra de alguma outra história que você curte? Conta aí nos comentários!

Grandes Heróis Marvel #32 vale três rebobinandos! 📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2020-01-06T20:57:26+00:00 6 de janeiro de 2020|0 Comentários