Rebobinando #11

Rebobinando #11 - Liga da Justiça Internacional - Giffen & DeMatteis

“Ain, a Liga nunca foi engraçada! Nunca foi dessa de piadinhas!” – AHEM! Permita-me discordar! Porque hoje a Rebobinando traz de volta uma das melhores fases da Liga da Justiça, senão A melhor fase! Isso mesmo, estou falando de Liga da Justiça Internacional pelas mãos de Keith Giffen, J.M. DeMatteis e Kevin Maguire, e seus revivals mais recentes Já Fomos a Liga da Justiça e Eu não acredito que não é a Liga da Justiça! Porque de desgraça nesse mundo já basta Batman V. Superman.

Publicada nos EUA no início de 1987, a fase da “Liga Engraçada” chegou aqui no Brasil somente em 1989, com Liga da Justiça #1. O gibi teve uma longa vida pela editora Abril Jovem e durou até meados de 1994 com um mix de aventuras que envolvia histórias da Liga, do Esquadrão Suicida e do Nuclear, entre outros. Neste ano, a revista mudou de nome para Liga da Justiça & Batman e juntamente com as histórias do grupo, entra no mix a saga da Queda do Morcego, encerrando por volta de 1996.

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Ai,ui, o Batman não faz piada….!

Sem sombra de dúvida, essa fase não é para os fracos de coração. Ou pelo menos não é para aqueles que deuzolivre acharam que o novo filme da Liga tinha “piada demais”. A história por trás da concepção do gibi também não fica muito a dever, porque olha só: após o grande crossover Crise nas Infinitas Terras e Lendas, os maiores heróis da DC estavam… bem… “presos” às suas equipes criativas. O Super-Homem estava nas mãos competentíssimas de John Byrne, com o seu clássico reboot. A Mulher-maravilha estava sob o comando do também não menos competente George Pérez. E, segundo a wikipedia, Mike Baron estava trabalhando na nova versão do Flash, Wally West. De todos, só o Batman foi permitido ser usado na nova Liga, pero no mucho, graças a Denny O’Neil. Ele também estava trabalhando com o personagem em novas histórias na época, mas ficou com pena da equipe criativa da Liga.

Não podendo usar nenhuma das Big Guns da editora, Keith Giffen resolveu colocar dar uma mexida na nova equipe e acrescentar um tom mais comédia. Para tanto, ele mudou um pouco a personalidade do Lanterna que amamos odiar, Guy Gardner (pelo que me consta, ele era um cara mais bacana quando virou Lanterna, mas de uma hora para outra “embabacou”, aparentemente foi aí). Guy sempre batia de frente com a feminista Canário Negro. O Besouro Azul, que tinha acabado de entrar no universo DC via Crise nas Infinitas Terras. Além de Senhor Destino, Doutora Luz e Capitão Marvel (o “Shazam”, não o que morreu de câncer). O Senhor Milagre e sua esposa Barda e o assistente Oberon também integraram a equipe. Terminando com os membros originais, Ajax, o Marciano (como ficou conhecido no Brasil o Caçador de Marte) que fazia às vezes de líder, e o Batman que aparecia quando queria, geralmente pra dar uma lição de moral nos outro.

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UM SOCO! UM SOCO!

A formação da equipe que ficou na memória das pessoas, com Fogo e Gelo, Gladiador Dourado e Maxwell Lord, na verdade, acabou surgindo posteriormente com a inclusão de mais personagens conforme a história foi avançando.

Eu até fui catar algumas edições da minha coleção de Liga & Batman, para refrescar a memória, mas estão guardadas numa caixa de difícil acesso aqui no alto do meu armário. Da fase antiga, só tenho boas lembranças Gladiador e Besouro abrindo um casino na ilha viva de Cuei Cuei Cuei. A chegada de Maxwell Lord, o empresário com uma lábia irresistível, para comandar a Liga Internacional, abrindo embaixadas em diversos outros países (e até a Antártica, pobre G’nort). O Caçador de Marte e seu vício em Oreos. E o clássico “um soco” do Batman que derrubou Guy Gardner estatelado no chão… aaahhh, bons momentos.

Já em 2004, aqui no Brasil, foi lançada pela Panini a mini Já Fomos a Liga da Justiça. Que reunia quase que toda a formação mais bacana da equipe, com algumas diferenças. Por exemplo, sai Billy Batson, o Capitão Marvel e entra Mary Marvel, tão poderosa quanto, porém bem mais inocente. A história, repleta de gags e piadinhas a cada quadro, traz aquela sensação nostálgica que a gente tinha ao ler os gibis de antigamente com um pacotinho de negresco do lado. Lançada em três edições, nós vemos Maxwell Lord, agora um ciborgue, tentando juntar a equipe novamente para formar uma espécie de “heróis de aluguel” pro povão, os Superamiguinhos. Heh. Antes que tudo começasse a funcionar plenamente, a vilã Roleta sequestra os heróis e põe Mary Marvel contra o Capitão Átomo em uma arena de luta. No fim,eles ainda enfrentam uma invasão alienígena que…bem, não era lá muito eficiente.

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São tantas expressões, bicho…!

Já em 2005, na edição #10 de DC Especial (uma coletânea de histórias da editora, pela Panini), foi publicado aqui as seis edições de Não acredito que não é a Liga da Justiça. O nome é uma brincadeira com uma marca de margarina famosa nos EUA, “I can’t believe it’s not butter”, e traz a equipe reunida novamente e mais “aquele cara”. Sim, o Lanterna mais odioso de todos, mas também o que mais sofreu nas mãos dos escritores da DC comics: Guy Gardner está de volta e leva a turma toda para o Inferno! Literalmente. O Bad Place. A casa do Sete-Pele. Tudo isso pra trazer de volta uma das personagens que sofreu algumas das maiores injustiças da editora. Essa história marca a ressurreição de Gelo, a princesa de gelo mais amada desde Frozen Lerigou.

Pelo menos até aquele presente momento. Não sei a quantas andam as mortes e ressurreições da DC desde Novos 52 < Convergêcia < Rebirth < Etc. Etc.

Tô Lendovantagens
  • A arte. Tudo bem que pela série mensal passaram vários desenhistas, mas eu me refiro aqui especialmente a Kevin Maguire. Nunca ninguém trouxe tantas boas expressões faciais aos heróis da DC Comics quanto esse cara. É pra ler fazendo careta.
  • As piadas. Desde as mais idiotas até as mais elaboradas. M. DeMatteis depois passou um boooom tempo escrevendo Homem-Aranha para Marvel, e para provar que o cara não é só piada… É dele a famosa A Última Caçada de Kraven. Baita currículo.
  • As minis são bem recentes e é bem capaz de você achar numa comic shop perto de onde você mora, ou num sebo, ou no MercadoLivre, ou onde quer que você ache gibis. Já as edições mensais da Liga vai precisar de um garimpo forte, mas não devem ser tão difíceis de achar também.
Tô Lendodesvantagens
  • Alegria e Felicidade. Quer dizer, se você tiver um carvão congelado no lugar do seu coração, ou se você é superfã da DC no cinema, passe longe. Esta fase M A R A V I L H O S A da Liga da Justiça deve dar alergia em você.
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galeria de capas das edições mensais e das minisséries especiais de Liga da Justiça Internacional aqui no Brasil.

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2018-01-19T00:33:58+00:00 4 de dezembro de 2017|10 Comentários
  • VIVA!!! ALEGRIA E FELICIDADE!!! Mais uma EXCELENTE coluna, Kadu! Sempre rio alto em algum ponto! E cadê A PANINI QUE NÃO ME REPUBLICA ISSO?????

  • Adriano de Oliveira Ferreira

    kkkkk, cara que saudade e alegria ao mesmo tempo…… ótima matéria.
    Pra mim o inesquecível foi o GADNER do BEM!!!!! E a SUE (mulher do homem elástico), arranjando briga, com o dono do novo bar da frente porque ele era um SUPERVILAO!! E É claro a dupla epica BESOURO AZUL E GLADIADOR DOURADO!!!

    obs.: se todos os gibis tivessem essa DESVANTAGENS tava ótimo.

    • Eu esqueci de colocar nos pontos fracos o que fizeram com os personagens como a Sue em Crise de Identidade ou o Gardner, ou a Gelo… Muita tristeza.

  • Alexandre Lira Dos Santos

    Besouro: …Batman verde seria tão ridículo quanto…
    Batman: Besouro Azul.
    Besouro: CHISTE!!! o Batman fez um chiste…
    Esta é um conversa de uma história que não me lembro, mas é a primeira recordação que sempre me vem à cabeça quando lembro da liga cômica. Acho que a irreverência da liga cômica vinha justamente do fato de não terem personagens de peso na época (o que os guardiões da galáxia viriam a fazer no cinema anos depois). Chamar o Capitão Marvel de Capitão Fraldinha, a história do Senhor Nebulosa o decorador de mundos (e seu arauto o esquiador escarlate), Besouro Azul, Gladiador Dourado, Soviete Supremo, fosse o vilão, fosse o perigo, fosse um fato cotidiano, tudo se tornava pano de fundo para a interação dos personagens, e acho que independente de humor ou não, é disto que se trata contar histórias.

    • Exatamente. Pq na época deles a Liga enfrentou uns vilões perigosos ainda assim e sempre deram conta do recado. As piadas ficavam mais para histórias “one-shot” ou para as interações entre os personagens mesmo. Pô, foi essa a Liga que bateu de frente com o Apocalypse durante a “Morte do Super-Homem” e os caras sobreviveram! Não é pouca merda, não. =D

    • Aliás, nessa de chamar o Capitão Marvel de Capitão Fraldinha, tem uma outra piada sensacional em “Eu Não Acredito que não é a Liga da Justiça” que é chamarem a Poderosa de “rainha do funk”. Direto. Hahahaha.

  • Guilherme Hosken Barbosa

    Esta fase era espetacular.
    É impossível não se divertir lendo esta série. Uma pena que a Panini nunca tenha tido interesse em publicar isso naquele formato Lendas do Universo DC. Seria demais.

  • Thiago Boss

    Melhor Liga eternamente!

  • Bruno Messias

    Eu li “Já fomos a Liga da Justiça” um pouco antes de ler “Crise de Identidade”. Isso fez doer MUITO o coração com o destino da Sue Dibny. Ela está fantástica na minissérie da Liga.

    Sobre o Guy Gardner, estive relendo meu encadernado de “Lendas” recentemente… quando ele encontra a Mulher Maravilha pela primeira vez, faz algum comentário besta qualquer. Mas eu lembro que na versão original da Abril ele dizia “que potranca!”
    Acho que a babaquização do Gardner foi depois que ele sofreu um acidente e ficou em coma, não foi algo assim?