Rebobinando 109 | Star Wars

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Há muito tempo atrás, nesta galáxia mesmo, um filme estreou no verão americano de 1977 e, quase sem saber, mudou para sempre a relação entre o público e o cinema! E entre Hollywood e as licenças de merchandising. Vamos rebobinar Star Wars!

Gente, mas eu *issshhh-huuu* acabei de limpar isso aqui *issshhh-huuu* E JÁ TÁ BAGUNÇADO DE NOVO?!

Não há muito o que se falar sobre o clássico. Quer dizer, até há muita coisa a se falar, mas por ser uma das franquias (quiçá “A” franquia) mais conhecidas do mundo, é bem provável que você já tenha ouvido falar de algumas de suas várias histórias de bastidores. Hoje em dia é até difícil encontrar alguém que não tenha visto pelo menos um dos filmes da saga. Mas em geral, em todo grupo de amigos deve haver pelo menos um cara que é o “amigo chato” que conhece absolutamente tudo sobre cada um dos filmes, séries e desenhos (e até mesmo o famigerado especial de natal) e que discorre ad infinitum sobre cada detalhe e minúcia de cada passo dado por um Skywalker nas telonas. 

Por que eu escolhi falar de Guerra nas Estrelas, err, Star Wars: Uma Nova Esperança na coluna desta semana?

Bom, tirando o apelo óbvio da estreia do novo filme, eu fiquei com vontade de compartilhar a primeira vez em que assisti o filme junto com o meu pequeno nerd, meu padawanzinho de 2 anos de idade. Até porque eu não lembro muito bem a primeira vez em que assisti qualquer um dos filmes da trilogia clássica de Star Wars. Quer dizer, lembro vagamente de ter visto partes de O Retorno de Jedi em algum Cinema em Casa do SBT. Bom, pelo menos hoje em dia eu já sei que era RdJ, já que só me lembro mesmo da cena das speeder bikes nas florestas de Endor. Ainda assim, não lembro muito de ter visto os outros filmes direito, afinal eu ainda era bem novinho e meus pais não era tão aficcionados assim com cinema. 

“Aí você atira primeiro e grita MACLUNKEY, e o resto eu ajeito na pós…”

Só fui assistir a trilogia clássica com consciência do que estava assistindo com o relançamento de luxo da coleção em VHS em 1997. Um amigo ganhou de presente naquele ano e, nas vésperas da estreia de Episódio I: A Ameaça Fantasma, ele me emprestou para que eu “me preparasse” para o filme! Foi uma experiência interessante rever filmes que eu havia visto há tanto tempo e me lembrava tão pouco, mesmo com todas as mudanças e os novos efeitos em CGI adicionados posteriormente pelo  George Lucas. Na época, algumas mudanças me pareceram interessante, mas hoje em dia eu tenho um pouquinho de nervoso sempre que vejo as cenas. Sou um árduo defensor do corte original do filme e junto minha voz a de inúmeros outros fãs quando peço à Disney que LANCE A TRILOGIA ORIGINAL NO FORMATO ORIGINAL SEM ALTERAÇÕES.

Mas é um sonho distante.

Merchandising e Brinquedos

Lembro que neste box de VHS de 1997, além dos três filmes, havia um documentário sobre a produção do filme original. E foi muito bacana descobrir, além de onde surgiu a ideia para a história, ver todos os problemas enfrentados pela equipe para lançá-lo nos cinemas. Além disso, claro, como era um documentário da edição especial, ele fala bastante sobre as alterações feitas para “melhorar” o filme (na opinião do tio George, claro). E, enquanto eu possa dar o braço a torcer nas cenas com as naves atacando a Estrela da Morte e coisas do tipo, outras sofreram mudanças sofríveis. #HanShotFirst

Em edições posteriores de relançamento do filme, vieram outros making of, outros documentários com diversas entrevistas contando como foi que Lucas conseguiu garantir os direitos do filme, bem como de merchandising, só porque ele jogou com a noção que os grandes estúdios tinham sobre o estilo de filme que Star Wars copiava. Reza a lenda que ele criou a saga porque sempre quis, na verdade, vender brinquedos! Só que eu não acho o documentário onde eu vi isso nem por um cacete! Só resta deixar aqui o link para a série da Netflix, chamada Brinquedos que Marcaram Época (Toys that Made Us). Tem vários episódios, mas o da primeira temporada, sobre Star Wars é um dos mais bacanas!

A abertura é horrível, mas os docs são maneiros e bem engraçados!

E isso é uma das coisa mais interessantes dessa obra toda. Acho muito curioso as pessoas hoje em dia reclamando da Disney como se ela fosse a única “monstra capitalista” que toma conta do universo de Star Wars só para fazer dinheiro, como se o próprio Lucas não tivesse o mesmo approach com a obra. Não a toa Carrie Fisher dizia que, se bobear, ia acabar pagando dinheiro pro George Lucas só de se olhar no espelho.

Mas enfim, a culpa é nossa mesmo, né? Quem é que não curte pegar um sabre de luz na mão no meio de uma loja e fazer uns wóóóóm wóóóóm  com a boca!

Jornada (do Herói) nas Estrelas

Convenhamos, Star Wars funciona também porque mexe com o nosso interior de ser humano. Baseado na estrutura da “Jornada do Herói” estabelecida por Joseph Campbell, a obra atinge cada um de nós no âmago, nos desejos, enquanto heróis de nossa própria história. 

Bonito, né?

Mas é que a jornada do herói é bem isso mesmo. Campbell era um estudioso de mitologia e religiões e durante toda sua vida ele analisou os diversos mitos de várias culturas usando o método de “comparação-e-contraste” e encontrou uma espécie de “fórmula” nessas histórias. Claro que nem tudo segue a mesma regrinha, nem deveria, porém para George Lucas isso foi uma mão na roda e praticamente toda a obra de Campbell pode ser encontrada na nossa galáxia distante favorita.

A Nova Esperança

Apesar de gostar muito dos filmes, cada vez que eu assisto o Episódio IV de novo (e de novo, e de novo, e de novo…) eu sinto que ele é meio… err… chatinho. Desculpa. Mas é que o filme original é um pouco lento demais para os padrões atuais e, cada vez que eu lembro que a minha esposa tentou assistir o filme comigo por três vezes, e ela dormiu nas três vezes, eu percebo que tem um problema de ritmo aí. O que é curioso, porque ela gostou muito de assistir os episódios mais recentes da franquia, como o Episódio VII e Rogue One

WÓUM PSSHHH! WÓUM WÓUM PSSSHHH!

Uma Nova Esperança começa explosivo, com perseguição, naves e tiros, logo em seguida temos a figura sinistra de Darh Vader, imponente na tela. Com uma voz sombria, matando um rebelde logo de cara para o povo perceber que ele não está ali para brincadeira. Mas logo quando os dróides fogem e caem em Tatooine, tem uns 30 minutos ali de enrolação na areia (mas com uma apresentação necessária dos personagens) que segura boa parte do filme até ele engrenar de novo com Han, Chewie e Estrela da Morte. O resto é história.

O curioso do filme é como ele ainda se sustenta para as nova gerações. Recentemente, assisti com o meu filhinho a tiracolo e fiquei reparando nas reações dele a cada momento da história. Para ele, claro, o nome do filme é “o filme dos robozinhos” porque o R2D2 e o C-3PO são os que mais chamaram sua atenção, juntamente com o Darth Vader, não vamos esquecer. Posso dizer que ele adorou! Assistiu em duas partes porque a capacidade de atenção dele para um filme de duas horas ainda é pequena, mas o experimento foi um sucesso!

A ÚNICA cena que eu toparia de ver refeita todinha era essa aqui!

Tô LendoPontos Fortes
  • Clássico. Dispensa apresentações, né? Quem não viu, deve ver. Quem já viu vê de novo!
  • Inovador. Para a época, mas com efeitos até hoje. É o precursor dos blockbusters de verão e sem ele não teríamos nenhum Avengers, MCU, e outros tantos… O filme ressuscitou um filão de fantasia que já não era visto há um tempo nos EUA e ganhou o mundo com uma história simples, mas muito bem contada.
  • Efeitos. Cabe ali na “inovação” também, porque para produzir o seu filme, George Lucas precisou INVENTAR o equipamento para criar os efeitos especiais necessários para contar sua história.
  • Música. Sabe como é, né? Jonh Williams. PAM-PAM-PAM-PARAM e tals. Outro clássico.
Tô LendoPontos Meh
  • Ritmo. Tenho lá meus problemas com o George Lucas na direção de qualquer coisa. Acho que o primeiro filme da saga funciona bem só por ser o primeiro. Foi até gratificante os filmes seguintes terem outros diretores (curto muito o boato de que certos “grandes amigos” do Lucas iriam dirigir a trilogia prequel, pena que não foi para a frente). 
  • Novas versões. Pois é. As alterações no filme serviram ao seu propósito em partes. Como mencionei antes, as mudanças ruins meio que sobrepujam as boas, infelizmente. Mas sempre dá pra achar a “versão mais original possível” pela internet afora.

Mas é isso. E você? Imagino que adore Star Wars (ou dificilmente cairia aqui). Já mostrou o filme para algum familiar? Tem algum momento preferido nas histórias? Ou tem alguma opinião impopular sobre a saga? Conta aí nos comentários.

Star Wars: Uma Nova Esperança vale cinco rebobinandos! 📼📼📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2019-12-17T01:52:02+00:00 16 de dezembro de 2019|0 Comentários