Rebobinando #10

Estamos de volta com mais uma Rebobinando, a coluna que passa pelo passado, presente e futuro daqueles gibis nostálgicos que não existem mais. Esta semana vamos passar pelo passadíssimo, passado, quase presente e não tão distante futuro de duas equipes que ficaram famosas nas mãos de Jim Lee! Estou falando do crossover de 1998, WildC.A.T.s/X-men.

Ao falar desses dois times, não dá pra deixar de falar do coreano tampinha mais queridos dos quadrinhos. Todos sabem que em 1992, após alavancar as vendas da Marvel, Jim Lee, Todd McFarlane, Rob Liefeld (*cospe no chão para espantar o mal*) e cia. resolveram fundar a Image Comics. Era como um paraíso pros criadores independentes, onde eles podiam colocar à prova seus próprios gibis. Nada mais de obedecer ordens dos gigantes DC e Marvel, de seguir cânones de eras atrás. O céu era o limite! Pena que perto dos anos 2000 os sinais do tempo foram começando a surgir. Não que a editora estivesse indo à falência, claro, tanto que ela está aí até hoje, firme e forte, com uma linha de quadrinhos maravilhosa, que o diga Invincible, The Walking Dead, e porque não, Savage Dragon.

Rebobinando #10 X-Men Wildcats

As equipes se ajudam.

Em 1998, Jim Lee vendeu o seu estúdio, a Wildstorm Productions, para a DC. Sacumé, né? Esse lance de editor toma muito tempo, e ele provavelmente estava afim de voltar a desenhar mais. A partir daí ele trabalhou em Batman, Superman, até ser anunciado como Co-Editor da DC Comics juntamente com Dan Didio, estando à frente do projeto Novos 52 (*cospe no chão de novo, cinquenta e duas vezes*). O que isso quer dizer pros WildCATs, sua mais famosa criação? Bom, quer dizer que desde a primeira fase da equipe, Jim Lee já não estava mais tanto no comando dela, tanto que 1997 aconteceu o que todos esperavam.

Não, não foi o crossover entre o Homem-aranha e o Spawn (QUE NUNCA OCORREU E EU JAMAIS VOU TE PERDOAR POR ISSO, MCFARLANE)!

Sobre o quê era a Minissérie, tio Kadu?

Chegando aqui no Brasil em 1998, WildCats/X-men foi lançada como uma minissérie em quatro edições, focada em tempos diferentes. Pra quem tinha a esperança de ver quatro edições fabulosamente desenhadas exclusivamente pelo Jim Lee, foi uma certa decepção. Mas olha só, devidamente separadas entre as Eras de Ouro, Prata, Moderna e das Trevas, a mini contava com um grupo de desenhistas fodíssimo. Atenção pro line-up: Travis Charest, Jim Lee (o homem), Adam Hughes (a lenda, o mito) e Matt Broome (o #FUÉN).

Rebobinando #10 X-Men Wildcats

Wolverine vs Nazistas.

Sério, além dos desenhos, o time de roteiristas não fica atrás e, apesar de apresentarem o esquema básico dos crossovers (encontro, briga, aliança, porrada no vilão em comum), as histórias giram em torno de um tema central que é o encontro das duas equipes através dos tempos. Aliás, esse é o tipo de crossover que parte do princípio que as duas equipes coexistem no mesmo universo, o que estabelece uma relação interessante. Ainda mais quando Wolverine e Devota se encontram na edição #1 durante a Segunda Guerra e depois se reconhecem na edição #3, durante a briga com o Clube do Inferno. Outra coisa legal foi estabelecer que o grande problema da mini é a invasão daemonita. Os caras estão na Terra à milênios e a cada edição eles tinham uma aliança diferente com algum vilão dos X-men.

As edições #1 e #2 são escritas pelo parceiro de sempre de Lee, Scott Lobdell. A edição #3 conta com os roteiros de James Robinson, que escreveu a aclamada Starman que o Caruso A-M-A. Já o último número é escrito por ninguém menos que Warren Ellis, mas que infelizmente conta com os desenhos mais escrotos de todos. Pura falta de talento na quadrinização, todo mundo com a mesma cara, enfim… nem sei como deixaram passar aquilo.

E a história, tio Kadu? Vale a pena tirar a naftalina do meu baú e reler issaê?

Bom, tudo começa com Wolvie e Devota indo atrás de um pergaminho dos infernos (heh) durante a Segunda Guerra. Ao tirá-lo das mãos de um daemonita nazista, eles reencontram o vilão Kenyan que quer usá-lo para acordar uma Lady Daemonita fodona. Devota consegue evitar que ela acorde e tudo fica bem no fim. Na segunda edição, encontramos o Bandoleiro fazendo parceria com Jean Grey. Após ser liberado de uma prisão nos cafundós do Judas, Bandoleiro cai num trabalho pra SHIELD, acabada frustrando os planos de uma aliança de daemonitas com a Ninhada e o Sr. Sinistro.

Rebobinando #10 X-Men Wildcats

Ciclope leva chifre.

Na edição #3, os X-men estão investigando o desaparecimento de uma criança mutante perto de uma propriedade do Clube do Inferno na Inglaterra. Ao descobrir que os daemonitas se infiltraram no Clube para (novamente) acordar um deus lovecraftiano as duas equipes se unem para impedir que isso aconteça. Já no último número o longínquo futuro é logo ali, em 2019! Os daemonitas utilizaram a tecnologia dos Sentinelas para se fundir e acabaram criando uma nova raça que dominou o mundo inteiro no melhor estilo A Era de Apocalipse. Num plano desesperado que envolve viagem no tempo, eles conseguem impedir a chegada da nave que trouxe os daemonitas pra Terra, milênios atrás. Reescrever a realidade é sempre a saída mais simples!

Tô Lendovantagens
  • As participações especiais. Tem pra todo mundo. As garras do Wolverine, Gambit, Sr. Sinistro, Nick Fury do lado da Marvel e Lanceiro (aquele Deadpool de segunda, sabe?), Savant e Majestic do lado da Image. Pra todo lado que você olhar tem alguma easter egg
  • Os times criativos envolvidos nessa mini é espetacular. Apesar de ser “só mais um crossover” e das histórias passarem bem rápido, elas são bem empolgantes. Em especial a #1 e a #3.
  • E, pô, ao contrário de muitos outros crossovers por aí, este grande encontro não foi um “versus” (OU SÓ UM “V”, VIU, BATMAN V. SUPERMAN?). Só que a barrinha inclinada não significa que eles não troquem uns sopapos entre si, claro.
Tô Lendodesvantagens
  • Parece queu tô batendo na mesma tecla, mas pelamordasminhasminiaturas! Os desenhos da última edição são horrorosos. Não lembro de ter visto esse Matt Broome desenhando pra outro gibi, mas nos “agradecimentos especiais” da edição tem um nome que reconheço. Brett Booth, de Backlash. Não acompanho o cara, mas desde aquela época já achava o traço dele meio esquisito. Aparentemente ele desenhou algumas páginas dessa edição e… bem, não ajudou muito.
Rebobinando #10 X-Men Wildcats

Galeria de capas das edições brasileiras.

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2018-01-19T00:29:07+00:00 27 de novembro de 2017|18 Comentários
  • Adriano de Oliveira Ferreira

    eu nao tenho ideia do porque eu gostava TANTO disso na época!!!

    • Depende de muita coisa, idade, falta de critério, idade, conhecimento de poucas coisas sobre quadrinhos, idade…

      • Bruno Messias

        Hahahah! Idade, com certeza é um fator!
        Dia desses comprei num sebo aquela minissérie em três edições dos X-Men com desenhos do Jim Lee… e foi como voltar no tempo! Nem sei avaliar se a HQ ainda é boa, ou se é só nostalgia.

        Cá pra nós… no desenho que abre essa matéria, o Ciclope não tá meio “Luma de Oliveira” com aquela coleirinha?

  • Até hoje tenho vontade de ler aquela especial Equipe X & Team 7.

    • Nunca li esse crossover… Na verdade tinha até esquecido que ele tinha existido.

  • Nem sabia que isso tinha rolado e já fiquei revoltado com essa coisa de eles sempre terem existido no mesmo universo. É mentira dos roteiristas e posso provar.

    • Hehehehe. Isso depende de quem vai escrever a história. No primeiro encontro Marvel e DC, por exemplo, o Super-homem e o Homem-Aranha existiam no mesmo universo. Acho que vai da cabeça de cada um por que é melhor pra história.

    • mas na ultima edição, mostra a explicação de não serem mais do mesmo universo

  • Léquinho Maniezo

    Ai sim, ai sim. Porra, eu ADORO Wild C.a.t.s. A versão 3.0 me deixa felizão, acho um gibi mto foda. X-men também, apesar de eu não ter idade pra ter lido a fase que todo mundo ama na época certa nem dinheiro pra ler, legalmente, agora. Parece um Crossover legal, Travis Charest desenha pa caralho; sejamos francos, Jim Lee e o Adam Hughes também são igualmente bons, apesar de eu não ser mto fã do Jim Lee. O quarto homem parece ser um tosco qualquer memo.

    Acho que qualquer coisa vale voltar pra ler, QUALQUER MERDA. Ótimo texto

    • Hahahahaha. Acho que eu nunca conheci um fã tão árduo de WildC.A.T.s. A Panini lançou vários encadernados da fase boa de X-men, é bem capaz de vc achar em alguma comic shop por um preço razoável.

  • Eu tenho as nacionais e reli recente numa arrumação. Pô, ainda gosto dessa merda.
    Hahaha E não só desse crossover, tiveram vários.

    • As minhas tão guardadas em algum lugar aqui em casa queu sei…

  • Afff…. Eu li essas histórias EM TRÊS DÊ!!!! Pior coisa que eu fiz na minha vida! Eu achei que elas só tinham saído dessa maneira. Vou te contar viu…!
    Obrigado pela menção honrosa na frase do James Robinson, que escreveu Starman que eu A-M-O!
    E, para completar, SAVAGE DRAGON, PORQUE SIM!!!!
    Brilhante coluna, mate!

    • Hahaha. Pois é. Teve esse gimmick escroto, né? Eu li quando saiu aqui no BR mesmo, não teve nada disso não, ufa!

  • tenho essa coleção completa.
    gosto mais da arte da primeira edição, o tom de cores ficou foda

    • Foi nesse gibi queu conheci o Travis Charest. Sou fã do cara até hoje. Pqp que desenho bom.

  • Iolando Valente

    Bons tempos.Alguma chance de você comentar a mini série “Spawn -Wildcats”?Não saiu por aqui,mas é bem legal.