Rebobinando #09

Aqui estou eu de novo, dos confins do passado (QUE EM GERAL CONSISTE DOS ANOS 90) trazendo as pérolas de uma época composta por inúmeros bolsinhos, mullets e clones. Desta vez aproveitando o filme mais recente da DC Comics, para falar do reboot que veio por volta de 1996 aqui no Brasil: Zero Hora – Crise no Tempo!

Heróis se reúnem pra partir pra porrada!

Olha, não é segredo pra ninguém que a DC Comics nunca gostou da própria cronologia. Com mais de quê? 75 anos de história? Fica meio difícil mesmo de manter uma linha temporal concisa com tantos escritores e desenhistas dando pitaco e mudando coisas aqui e ali. A primeira tentativa da editora foi uns dez anos antes, com Crise nas Infinitas Terras, em 1985. E todos sabemos como aquilo terminou, né? Fim do multiverso, Barry Allen se sacrifica, Wally West é o novo Flash e tals… todos chora, todos compra gibi, DC Comics fica feliz de novo.

MAS AÍ

Passam-se dez anos e é aquele negócio, as vendas dos gibis caem de novo, o público perde o interesse e num golpe de mestre a DC resolve matar o Super-homem, aleijar o Batman, e enlouquecer o Hal Jordan. O que traz um novo fôlego pras vendas, é verdade. Traz também um novo público, mas… como fazer pra manter esses novos fãs que não se identificam com “os heróis das antigas”? É fácil! Sabe aquele seu coleguinha malandro apertava o reset do Mega Drive quando estava perdendo no Mortal Kombat? Os editores resolvem fazer o mesmo e “começar do zero” todo o universo DC e tentar um “apelo mais jovem, mais próximo do público da época” (NÃO É MESMO, NOVOS 52?). Mas ó só, não estou querendo reduzir a história a uma mera jogada de marketing, afinal de contas a DC Comics é um empresa que vive de lucros e para tanto precisa vender gibis. O problema é que de certa maneira, os reboots infelizmente acabaram virando uma prática muito comum pelos anos seguintes, e em várias outras mídias, chegando até a Marvel em 2015 com as Novas Guerras Secretas, mas isso é assunto pra outro Rebobinando.

Zero Hora foi comandada por Dan Jurgens, o responsável pela Morte e Retorno do Super-homem. Coincidentemente (OU SERÁ QUE NÃO? ( ͡° ͜ʖ ͡°)), ele também foi o responsável por Armageddon 2001. E essas duas histórias possuem uma ligação direta com a mega saga. Lembro de na época adorar os desenhos do Jurgens, especialmente em A Morte do Super-homem, mas de ficar um pouco decepcionado com a arte em Zero Hora. Ele tem lá seus momentos, mas parece que o peso de comandar as histórias e os desenhos da saga, junto com outras revistas mensais na época, deve ter atrapalhado um pouco. Hoje você encontra o tio Dan escrevendo as histórias do Super em Action Comics. Corre lá.

Todos contra o Monarc… Quer dizer, EXTEMPORÂNEO!

Mas boralá, no que consistiu Zero Hora: Crise no Tempo, então, Kadu?

Tudo começa quando um vilão misterioso começa um evento catastrófico no fim dos tempos, a entropia, lá onde Judas perdeu suas metafóricas botas, que vem apagando o espaço-tempo. Tipo um reset mesmo. Várias anomalias temporais vão aparecendo espalhadas em tempos diferentes, atraindo a atenção de Metron e dos Homens Lineares, uma espécie de Liga dos Doctors Who, que toma conta de linhas temporais. Ao investigar uma anomalia que ameaça destruir parte de um dos futuros, eles encontram o vilão Extemporâneo, que parece ser o responsável por todos os problemas. A ligação de um dos homens lineares, Tempus, com esse vilão vem desde Armageddon 2001 (como eu mencionei ali em cima ⬆️), e ficamos sabendo que na verdade o Extemporâneo é o vilão Monarca. Chega até ser engraçado ele corrigir todo mundo quando falam:

– Olha, é o Monarca!
– Meu nome é Extemporâneo!
– Mas nossa, você parece muito com o Monarca!
– EXTEMPORÂNEO! JÁ FALEI QUE MEU NOME É EXTEMPORÂNEO!

Que otário. Bom. De qualquer forma, as primeiras edições parecem um tanto corridas, mas acabam deixando um gosto meio amargo com a derrota da Sociedade da Justiça nas mãos do vilão, o que nos leva a pensar que a DC queria MESMO apagar os velhos da editora. Os heróis restantes se reúnem em um tipo de resistência, mas tudo que eles conseguem fazer é reagir ao que Extemporâneo joga pra eles. Quando eles finalmente conseguem um vislumbre de vitória, com o vilão aos pés do Super-homem, ficamos sabendo quem é que estava por trás da trama de verdade. Ninguém menos do que Hal Jordan, ou melhor Parallax!

*PAUSA PARA O CHOQUE* 😱

Para tosse ou resfriado, tome Parallax! Ao persistirem os sintomas o médico deverá ser consultado!

⏪ Rebobinando ⏪ Pra quem não lembra, durante os eventos de O Retorno do Super-homem, a cidade natal de Hal, Coast City, foi destruída. Isso levou o herói a se corroer de remorso e luto, fazendo com que ele pedisse aos Guardiões do Universo que desfizessem o acontecido. Tendo seu pedido negado, Hal enlouquece de ódio e em Crepúsculo Esmeralda ele destrói toda a tropa dos Lanternas Verdes roubando para si todo o poder dos Guardiões e se transformando no vilão de Zero Hora. Seu objetivo? Literalmente resetar o universo à sua imagem e semelhança, para que a tragédia de Coast City não se repetisse. Uma pena que anos depois Geoff Johns resolveu reescrever isso, transformando Parallax numa espécie de “vírus galático do medo” ou whatever.

De volta a Zero Hora, Parallax apaga com sucesso a existência e começa a reescrevê-la. Tempus, ainda vivo, consegue reunir um punhado de heróis consegue se refugiar num local fora do tempo, onde planejam sua investida final. O resultado é a derrota de Hal e um novo Big Bang que reescreve o universo como deveria ser: aleatoriamente. Porém com algumas pequenas diferenças.

Veredicto

Eu daria duas rebobinadas e meia, de um total de cinco. Mas como não sei usar meio emoji, fica três. 📼📼📼

Tô Lendovantagens
  • A transformação de Hal Jordan num vilão. Muita gente não gostou, mas eu confesso que nunca fui um grande fã do Lanterna Verde e que pra mim toda a tragédia que se abateu sobre o herói fez muito sentido em sua queda pro lado sombrio da Força.
  • O fato do reboot não ter sido tão drástico quanto os Novos 52, por exemplo. Há várias menções da Crise durante a saga, mas no fim tudo permaneceu quase igual, com pequenas diferenças espalhadas aqui e ali, nada que complicasse a leitura dos fãs mais antigos, mas suficientemente explicadinho pros fãs novos conseguirem acompanhar.
Tô Lendodesvantagens
  • Tem que rolar toda uma preparação para conhecer personagens que talvez você nunca tenha ouvido falar. Na época eu não tinha lido Armageddon 2001 e esperava que Zero Hora fosse uma mega saga com Super-homem, Batman, Mulher-maravilha e outros metendo porrada num vilãozão foda, mas tive que fazer um baita dum trabalho de pesquisa pra saber quem eram a maioria daqueles personagens envolvidos.
  • Guy Gardner. Na verdade, tudo o que fizeram com ele desde que o chutaram pra fora da Tropa. Ele passou por maus bocados, mas era um personagem adorado por muitos na época. Só isso explica sua sobrevivência até hoje e porque, ainda bem, ele continua sendo o Lanterna Verde que todos amamos odiar.

Galeria de capas em “contagem regressiva” de Zero Hora!

2018-01-19T00:20:32+00:00 20 de novembro de 2017|15 Comentários
  • Hahahaha Só assim pra essa série merecer TRÊS Rebobinadas!!!
    Uma coisa muito interessante de Zero Hora é que ela dá o pontapé para a revista do Starman, escrita pelo James Robinson, que é muito foda! E às páginas em que os Knights aparecem estão ca-sa-di-nhas com o início da revista deles! Eu fui reler por causa disso que fiquei impressionado! (Continuei achando a saga uma bosta, mas essa parte me impressionou!)

    • Foi uma das primeiras “grandes sagas” queu li. Na época achei maneiríssima, mas ao reler pra escrever a coluna eu sofri um pouco. Confesso que pulei várias páginas.

  • Guilherme Hosken Barbosa

    A memória é meio falha, mas pelo que me lembro dessa saga, era bem meia boca (ruim mesmo). Nem lembrava que ela era o pontapé da excelente fase do Starman do James Robinson (uma das melhores séries de herói dos anos 90 ao lado do Hitman do Garth Ennis).
    Nem por esse adendo (agradeço ao comentário do Caruso), me motiva a pegar pra reler essa bosta.

    • Hahaha Putz, cara! Minhas sinceras desculpas por isso!

    • O foda é que ela veio com a proposta de revitalizar os personagens mesmo. Mas no fim tudo continuou a mesma coisa e não dá pra entender o que foi revitalizado ali.

      Parece que o plano era só matar a Sociedade da Justiça de velhice.

  • Alexandre Cavalcanti

    Zero Hora mora no meu coração da mesma forma que tem gente que não consegue desviar do olhar em um acidente de automóvel: você sabe que é errado ver, que só vai ter coisa ruim saindo dali, mas você olha do mesmo jeito. Uma das coisas que mais me dói na história é lembrar que foi o bucha do Ollie que resolveu a parada no final…

    • Hahaha. Mas dada a história dos dois tinha que ser o Ollie a resolver isso, né? Só achei ruim mesmo o Geoff Johns desfazer tudo isso anos depois.

  • Rafael Pires Dias

    isso foi a primeira coisa “grande” que li …meu irmão mais velho sempre acompanhou e nessa época ele me pagou pra organizar sua coleção…eu tinha uns 9 anos….na época gostei de ganhar um dinheiro fácil…o foda é que fiquei sequelado, meu herói favorito passou a ser o Kyle…

    • Hahahahaha. Nada contra. Eu acho o Kyle Rayner um Lanterna muito maneiro. Nunca curti muito o Hal Jordan, na verdade,mas provavelmente pq esse foi um dos meus primeiros contatos com o personagem.

      Mas o desenho da Liga me fez gostar mais do John Stewart.

  • tenho até hoje essa coleção, comprei na epoca, não curti muito o final

    • Tenho guardada aqui tb. Deveria ter ficado só na memória mesmo.

      • uma das coisas que nao gostei da arte (que é muito boa) é quando ele tenta fazer algo que só george perez consegue fazer com louvor, um quadrinho com uma centena de personagens

  • Muito importante, leia Zero Hora de trás pra frente. São 5 edições começando do 4 ao 0. Se ler do 0 ao 4 você não vai entender muito bem… hehehe
    E taí duas coisas que a Panini podia relançar: Amanhecer Esmeralda e Crepúsculo Esmeralda.

    • Porra, é verdade. Eu queria muito reler Crepúsculo Esmeralda.

  • Strider_Tag

    Muita gente odeia Zero Hora, eu até acho legalzinha. Tinha muitos tie-ins bacanas de Zero Hora :
    -O do Flash era o “ponto de partida” do arco “Velocidade Terminal”
    -O BATIMA tinha 3 tie-ins, correspondente à cada uma das revistas dele (Batman, Detective Comics, Shadow of the Bat). Em Batman, a Batgirl da Era de Bronze reaparecia, em Detective Comics o Batman entrava num periodo antes do assassinato dos pais e conseguia evitar a morte deles, em Shadow of the Bat reaparecia o Alfred da Era de Ouro
    -O do Robin era o Tim Drake com um jovem Dick Grayson
    -O Super-Homem tinha 4 tie-ins, correspondente à cada uma das revistas dele (Superman, Action Comics, The man of Steel, Adventures of Superman … era a famosa “Era do triangulo”). O bacana desses tie-ins é que um desembocava em outro. No 1° tie-in, de “Man of Steel”, apareciam vàrias versões do Batman … e detalhe, o Jon Bogdanove emulou vàrios desenhistas pra representar as versões do personagem. No final, o Super-Homem é chamado na fazenda dos Kent aonde aparecem o Jor-El e a Lara, o que é contado em “Superman”. No final desse tie-in, o Super-Homem é atingido por um raio que o transporta numa Metropolis alternativa aonde o protetor é o “Centurião Alpha”. Isso é contado em “Adventures of Superman”. No fim, o Super-Homem consegue voltar pra sua realidade, mas a onda temporal està consumindo tudo, e isso é contado em Action Comics. No final, a onda “engole” tudo.
    -No tie-in do Superboy, “recontam” as origens dele.
    -Os tie-ins da Legião dos Super-Herois (“Legionnaires” e “Legion of Super Heroes”) são as ultimas edições antes do reboot de ambas as séries, que adotam uma nova direção sob a batuta de Mark Waid, Tom Peyer e Tim McCraw.