Rebobinando #07 | Superalmanaque Marvel #4: Thor

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Caverna do Caruso - Rebobinando #07

Sempre fui um fã professo do Homem-Aranha. Desde a fatídica Teia do Aranha #30, que continuava com a volta da Gwen Stacy. Ou seja, nunca fui lá muito fã do Thor. Mas lembro bem de um gibi que um amigo da escola me emprestou e que tinha um gimmick muito maneiro.

Eram duas histórias, uma do Thor (o lado A) e outra do Homem-de-Ferro (o lado B) que vinha PELO OUTRO LADO DA REVISTA E DE CABEÇA-PRA-BAIXO. Estou falando, caso você não lembre, de Superalmanaque Marvel #4. Mais especificamente sobre a história de Thor contra Jormungand, a Serpente de Midgard! Vamos Rebobinar!

Relendo a história agora, foi uma pena que ela não tenha sido aproveitada como inspiração para o filme mais recente, Thor: Ragnarok. Afinal, tem Loki. Tem Hela. Tem inferno. E, ok, não tem Odin, mas tem Balder e os Três Guerreiros tomando um cacete. Enfim… Esse foi um clássico do grande Walt Simonson, publicado originalmente em em quatro edições de The Mighty Thor durante 1987. Aqui no Brasil só saiu mesmo em 1991, na já esquecida Superalmanaque Marvel. Pra quem não sabe o que é um “almanaque” hoje em dia, isso é uma coletânea de histórias. No caso da Marvel, publicada aqui na época pela Abril Jovem, eles aproveitavam essas coletâneas pra lançar arcos de histórias inteiros em apenas uma edição mensal. Vários clássicos saíram por aqui na Superalmanaque, como A Queda dos Mutantes e a Saga do Alto Evolucionário. Vale a pena charfurdar nos sebos pra ler.

Caverna do Caruso - Thor

Era IRADO ter que virar a revista pra ler o “lado B”. Não… Péra…!

A História

A história começa com o Loki “P” da vida acordando no meio da sua fortaleza semi destruída. Nas edições anteriores Thor salvou o Homem-de-Gelo (esse mesmo, do X-Factor) das mãos de seu meio-irmão e rebocou os Gigantes de Gelo até o fim do mundo. Loki começa a maquinar outros planos e descobre que os Gigantes vieram até Midgard (o nosso planeta Terra) para acordar a terrível Jormungand, a serpente que envolve o nosso planeta, e eterna inimiga do herói, responsável inclusive pela sua morte. Numa inversão de expectativa maravilhosa, os caras acabam acordando o Fin Fang Foom, o charmoso dragão de cueca da Casa das Ideias. Os Gigantes dizem que queriam acordar outro monstro, e Fin Fang Foom se sente meio ofendido e resolve ir ele mesmo atrás do Thor pra ver se vale a pena derrotá-lo antes da serpente do mal.

Chegando em NY ele já chega na voadora no Thor e… pede desculpas! PAUSA.

Eu adoro a Marvel por causa dessas coisas malucas onde um dragão vem com uma voadora na pleura da peridural do Thor e depois pede desculpa porque ELE NÃO RECONHECE O THOR! Hah. Acontece que (de novo) nas edições anteriores de Thor, Hela lançou uma maldição no herói. Como Deusa da Morte, ela tirou dele a capacidade de morrer e, pra piorar as coisas, fez com que os ossos dele ficassem frágeis como vidro. Por conta disso ele forjou uma nova armadura mágica que protegia o seu corpo e permitia que ele saísse “Thorando” por aí sem muitas neuras. A armadura possuía um elmo que cobria o seu rosto e além disso tudo ele ainda deixou crescer uma barba de lenhador. Você poderia imaginar que um martelo na cintura e uma capa vermelha enorme fossem o suficiente pra reconhecer o Thor, mas não. Inimigos mortais praticamente na era do namoro pela internet.

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TOMA ESSA TH… opa, foi mal colega!

No final, em mais uma inversão de expectativa, ficamos sabendo que esse Fin Fang Foom era na verdade um disfarce da Serpente de Midgard! Thor, que não foge de uma briga, assume sua identidade para serpente que fica embasbacada em não ter percebido antes. Daí o que se segue é uma das edições mais maravilhosas. Desenhada inteiramente por Walt Simonson cada página é um painel inteiro da luta entre o herói e Jormungand. E é só isso. 23 páginas de splash pages do Thor descendo o martelo na serpente de Midgard. Finda a luta, o corpo do herói cai inerte e  fica à mercê dos Gigantes de Gelo.

Loki, ainda tramando, acorda o Destruidor, a poderosa armadura criada por Odin, e o envia contra os Gigantes de Gelo. Porquê? Você pergunta. Porque ele é o Loki, oras. E isso acaba por ser revelado só no fim da história, mas é aquele negócio de “eu vou ajudar o meu inimigo porque só eu é quem posso derrotá-lo”, sabe? Mas algo inesperado acontece. O Destruidor fica intrigado pois não consegue destruir o corpo de Thor (lembra que a Hela o “proibiu” de morrer) e trava um embate com deus asgardiano no plano das almas. Thor subjuga o espírito da armadura e passa a ocupá-la, com acesso a todo o seu poder. Em seguida ele parte direto para…

Isso mesmo. Para Hel. O equivalente ao inferno asgardiano. Lá ele toca o zaralho e quase chega aos finalmentes de matar Hela, a própria deusa da morte! Acontece que a armadura do Destruidor é tão poderosa que nem ela mesma pode enfrentá-la ilesa.

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DestruiThor vs Hela. Melhor que o Ragnarok.

Pra casa não vir abaixo e o próprio equilíbrio da vida e da morte não acabar, Hela cede à vontade de Thor e retira dele os feitiços previamente colocados. Humilhada, ela dá sua palavra ao Deus do Trovão de que não irá tentar algo parecido de novo e o devolve a Asgard prontamente para evitar que os Gigantes de Gelo restantes dominassem Asgard na ausência de seu protetor.

No fim, tudo volta ao normal e Thor vai tirar satisfação com o seu meio-irmão em sua fortaleza. E ele deixa beeeeem claro para Loki que não está mais para brincadeira. Numa ação totalmente inesperada, dá um toquinho com o Mjolnir que quebra o braço do vilão. “Nem todas as feridas são facilmente curadas com magia” – diz ele – “algumas precisam de tempo para se curarem naturalmente”.

Não à toa Walt Simonson é considerado um dos maiores escritores do Thor. Mesmo com a quantidade quase claremontesca de texto, o cara definiu o herói por muito tempo e, convenhamos tinha um desenho que era muito foda.

Tô Lendodesvantagens
  • Como eu já falei de quase todos os pontos fortes (WALT SIMONSON), o meu único ponto fraco é a arte do Sal Buscema. Porque, né? Nunca curti muito o estilo quadradão dele. Sem falar que em 1991 já havia histórias com uma quadrinização mais dinâmica e o estilo de enfiar tudo em quadradinhos pequenos pela página se já era meio chato na época, imagina hoje em dia. Há quem curta o cara, eu não sou muito fã mesmo não.

Mas vale a pena?

Se você só conhece o Thor pelos filmes, ou gibis atuais, vale mesmo a pena correr atrás dos arcos de histórias dele. Seja nos sebos ou nos encadernados de clássicos constantemente relançados. Até mesmo eu, que na época achava o Deus do Trovão um porre, curti muito esse Superalmanaque Marvel. Tanto que eu quase não devolvi, mas isso não se faz com o gibi dos amigos, viu? Sempre devolva os gibis dos coleguinhas! 😉

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Walt Simonson, cara! Duas palavras: Walt. Simonson.

2019-02-25T22:10:58+00:00 6 de novembro de 2017|17 Comentários