Rebobinando #05

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Caverna do Caruso - Rebobinando #05

Cá estou eu de novo, como o teu avô, contando histórias do arco da velha, proferindo o já clássico “mas é que no meu tempo…” e tentando ensinar pra vocês que antes de ser da Hydra, o Capitão já foi nazista, que antes de sair quebrando pescoços no filme, o Super já matou gente nos quadrinhos, e que nos anos 90 existia uma banda chamada “Que Fim Levou o Robin?” (NÃO PERGUNTE)… Mas hoje falaremos do Homem-aranha.

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Aranha pensa na vida

A minissérie Tormento foi lançada aqui no Brasil em 1992 pela finada Abril Jovem e mais recentemente pela Panini em 2013, naquela coleção das capas pretas horrorosas. Nos EUA, a história foi publicada como um arco em cinco edições da nova revista mensal chamada só Spider-man em 1990. Pra entender essa minissérie, é preciso sacar um pouco do contexto da época também e por que muita gente hoje em dia acha que a história meio que não se sustenta, apesar da arte ser magnífica. Precisamos falar então sobre Todd McFarlane!

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I’m too sexy for my shirt

Tio Todd foi o cara que me inspirou, junto com muitas pessoas da minha faixa etária, a querer desenhar e por volta do lançamento de Spider-man, ele já estava na Marvel desde 1987, quando entrou pra desenhar O Incrível Hulk. Quando ele foi para Amazing Spider-man em 88, suas primeiras edições não eram lá de tanto destaque, parecia que seu estilo ainda estava muito preso ao Marvel Way. Aos poucos ele foi deixando sua marca no herói como as poses mais ousadas, a teia espaguete e as transições cinematográficas. Depois de quase dois anos e meio na revista, McFarlane já era talvez a pessoa mais conhecida dos quadrinhos na época, qualquer coisa que ele desenhasse vendia feito água.

Daí tio Todd falou com o editor, Jim Salicrup, que “estava cansado de desenhar histórias dos outros”, em entrevistas ele comentou que o objetivo dele era só desenhar, mas que ele se sentia preso ao desenhar o que outros pediam pra ele, logo pra fazer o que ele queria, ele precisava escrever as próprias histórias. Não sendo bobo em perder a galinha dos ovos de ouro, Jim Salicrup deu a ele a chance de escrever E desenhar as próprias histórias em uma revista nova, que não precisava seguir a cronologia de anos do Aranha, com histórias fechadas. Mais liberdade que isso, impossível. Todd ficou feliz como pinto no lixo (OU DEVO DIZER, COMO UM SPAWN NO LIXO?)

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Heróis dormindo no lixo – a eterna fantasia de tio Todd

Por fim, a primeira edição de Spider-man foi um sucesso espetacular de vendas (HEIN, HEIN?), só sendo superado no ano seguinte pela primeira edição de X-men desenhado pelo seu sidekick, Jim Lee.

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Todd McFarlane e Jim Lee em um momento de descontração

Vamos a mini de fato. A história gira em torno de uma misteriosa vilã, uma bruxa poderosa, que começa a controlar o Lagarto para cometer crimes e sair devorando pessoas por NY afora. Peter está completamente alheio a tudo, só pensando na vida, na esposa gata e na quantidade de teias que ele solta. Só lá pela segunda edição que ele percebe que há algo de errado e vai atrás do problema. O Aranha enfrenta o Lagarto, mas sai muito ferido e acaba sendo envenenado, o que o torna presa fácil para a bruxa, que se revela como Calypso! Felizmente ela não faz como todo vilão e se apresenta, mas através de flashbacks descobrimos que ela é uma poderosa feiticeira vodu caribenha e que já teve um tchereco-tcheco com o falecido Kraven. Ao que tudo indica ela não é movida por vingança, mas por poder. Ela consegue aumentar seus poderes através de sacrifícios humanos e, só podemos imaginar, que ao sacrificar o Homem-aranha, seus poderes aumentariam significativamente. Felizmente, um acidente explode a mansão Kravinoff e tanto ela quanto o Lagarto escapam, deixando o Aranha livre pra voltar pros braços de MJ, sua eterna esposa (ETERNA! VIU, QUESADA?!).

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Coletânea de Capas homenageando Spider-man #1

Tô Lendovantagens
  • O homem, o mito, a lenda! Todd McFarlane e seus desenhos. As belíssimas splash pages que abrem cada história são incrivelmente fodas, tão cheias de detalhes que dá vontade de destruir a revista e transformar num pôster!
  • A capa! A capa de Spider-man #1 nasceu tão clássica, que é uma das capas mais reconhecidas do herói até hoje, gerando inúmeras homenagens e cópias baratas.
  • A história tem um “quê” de tensão que seria muito legal se fosse mais bem aproveitada. Ela tenta pegar carona na Última Caçada de Kraven e, de certa maneira, ler Tormento é quase que uma prévia do que seria o Todd McFarlane escrevendo Spawn uns dois anos depois. O clima noir, as narrações dramáticas, os enquadramentos em close… mortes, sangue e heróis dormindo no meio do lixo.
  • Mary Jane. Como fã velho que sou, é sempre legal ler uma história do Aranha onde ele ainda é casado com a MJ.
Tô Lendodesvantagens
  • De tentar entender a história. É bem ruim mesmo, apesar de ser “os primórdios de Spawn” como mencionei acima, ela é basicamente um pano de fundo pruma série de desenhos muito irados um atrás do outro. Não tem lá muita fluidez e nada acontece de fato.
  • Os “DOOMDOOMDOOMDOOMDOOMDOOMDOOM…” infinitos espalhados pela história afora. Minha nossa senhora, eu sei que ele quer tentar imitar o som de tambores tribais, um troço meio vodu que “atormenta” o Homem-aranha, mas valei-me, nunca soube em que ordem ler aquilo ali. Até hoje.
  • Calypso é uma vilã bem dispensável. Não lembro de nenhuma outra história do Aranha onde ela tenha sido melhor aproveitada, se alguém souber, avisa aí nos comentários.
2017-11-06T13:03:15+00:00 23 de outubro de 2017|16 Comentários
  • Hahahahahahahahaha Eu sempre vou rir com essa “foto” do Jim Lee e o Todd McFarlane em momento de descontração. Sempre.

  • Rimos & Morty

    Imagina que pegam o Brian Michael Bendis, Fabian Nicieza, Grant Morrison, Scott Lobdell e J. Michael Straczynsky, montam uma editora nova e eles vão DESENHAR as histórias, além de escrevê-las.
    Só podia dar no que deu.

    • Hahahahaha. Nunca pensei por esse lado. Mas olha, a Image até que deu certo se vc parar pra analisar o conteúdo que eles produzem hoje em dia, vai?

      • Rimos & Morty

        Poisé, resolveram contratar roteiristas. O Supremo do Liefeld, por exemplo, só funcionou com o Alan Moore.

      • Rimos & Morty

        Image é a melhor editora hoje, sem dúvida.

    • Opa, opa, só uma ressalva: o Bendis começou a carreira desenhando as suas próprias histórias e, pasmem, ele desenha bem pra caralho (dá uma googlada em Jinx, Goldfish e Torso), então PODE IR TIRANDO ELE DESSA SUA LISTINHA AÍ!!!

      • Eita que disso eu não sabia! 😱

      • Rimos & Morty

        sim sinhô.

      • Rimos & Morty

        Ele seria um equivalente ao Erik Larsen Reverso nesse universo espelho.

      • Rimos & Morty

        Procurei e não é que o carecão desenha mesmo? Fiquei até curioso pra ler as paradas desenhadas por ele. Boa dica involuntária.

  • Roberto Reis

    Comprei o Encadernado da Salvat

  • ueeeepaaaaaa
    mas quando o super homem (super homem >>>>> super mam ) matou, foram os kriptonianos do universo compacto, os 3 ja havia exterminado toda a vida daquela terra, e ameaçaram fazer o mesmo com a terra do super. ele não teve escolha a não ser matar os 3 com kriptonita.
    mas isso foi tão traumatico pra ele, que ficou meio lelé da cuca, e passou a ter uma outra personalidade, virou o juticeiro… justiceiro…. (putz, esqueci o nome) bem, a coisa foi tão traumatica, que no fim, ele teve que se exilar no espaço, para não ter o risco de machucar alguem na terra, e foi nesse exilio que ele encontrou o erradicador

  • Gabriel Ferreira

    Ele desenha muito bem os caras usando uniforme
    o problema são os rostos huAHUAUHAAUHAUH
    me lembra um pouco o Igor Cordey (do xmen do morrison) que é muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito bosta