Rebobinando #41

No último dia 15 de Julho um dos maiores filmes da história da humanidade completou 30 anos de idade! Sim, meu querido, Duro de Matar já é balzaquiano! Como eu já falei do filme aqui na Rebobinando perto da época do natal, como homenagem vamos falar hoje de uma das continuações mais controversas da franquia (pelo menos pra mim). Pega seu livrinho de charadas, um galão de água, um sidekick invocado, e bóra rebobinar Duro de Matar 3 – A Vingança!

Zeus e McClane fazendo cooper pra ficar com o cooper feito.

Meu histórico com Duro de Matar 3 não é lá dos melhores. Em 1995, eu já era fã da franquia, mas rolou uma certa decepção quando fui assistir ao filme. Eu estava acostumado com a idéia de que um filme de Duro de Matar tinha que ter pelo menos duas coisas: 1) um John McClane sozinho, perdido no lugar errado, na hora errada; e 2) Natal. Foi assim no primeiro, e foi assim no segundo filme e se tem dado certo, pra quê mudar, né? Mal sabia eu que essa era justamente a mentalidade de executivo de estúdio que eu tanto viria a criticar no futuro!

Pois bem, não somente o filme se passa no meio do verão nova iorquino, como o herói é convocado para resolver o problema pelo próprio terrorista! E além disso me  dão um sidekick pro cara que o acompanha o tempo inteiro! Mesmo que esse sidekick seja o Samuel L. Jackson, isso não estava certo! E assim sendo, durante anos DdM3 foi classificado por mim como o pior filme da franquia. E de novo, mal sabia eu o que o futuro reservava!

Duro de Matar 5. Eu estou falando de Duro de Matar 5.

Olá, boa tarde! Eu gostaria de estar cancelando Duro de Matar 5, por favor?

Só há uns três anos, quando fui procurar o filme original para assistir na netflix no natal e não encontrei, acabei reassistindo o terceiro só porque estava disponível. E vi com outros olhos! Não é que ele é bom mesmo? Quer dizer, ainda tenho diversas ressalvas, mas o fato dele não ser um “rascunho” dos dois primeiros filmes já é um grande avanço! E boa parte das outras temáticas presentes na franquia estão ali e fazem dele um tão necessário sopro de ar fresco dentro de um duto de ventilação fechado!

O roteiro

O roteiro original do filme tinha como idéia colocar Bruce Willis num cruzeiro. Mas como já haviam feito o “Duro de Matar num Cruzeiro” e chamaram de Força em Alerta, o ator não curtiu. No fim, esse roteiro, chamado Troubleshooter, acabou sendo adaptado para Velocidade Máxima 2 (que era a continuação de “Duro de Matar no Ônibus”). Como sabemos, esses dois filmes eram meio “meh” e ainda bem que o Bruce Willis não afundou com esse barco (heh).

Ei, amigo! Pode largar esse roteiro aí! Isso. No chão. Agora adapta esse outro roteiro aqui! “Duro de Matar Vai à Cidade Grande”!

Como de praxe o filme acabou não tendo um roteiro específico escrito para ele, sendo adaptado de um outro roteiro que passou pelas mãos de vários outros estúdios até cair na Fox. Com o nome de Simon Says, ele tinha sido escrito com o ator Brandon Lee em mente e depois foi readaptado como uma sequência de Máquina Mortífera. O lance do nome do filme é que “Simon Says” é uma brincadeira de crianças nos EUA muito parecida com “Seu Mestre Mandou” aqui no Brasil. Como tradutor chato que eu sou, gostaria muito de ter visto na dublagem e na legenda o vilão falando com o herói “seu mestre mandou ir até a fonte do parque em menos de 15 minutos”. Mas infelizmente tivemos que ficar com “Sáimon disse”.

O filme

Dirigido por John McTiernan (o diretor do primeiro) o filme é bem bacana sim. Eu que era um adolescente chato, viu? Tem ação pra caramba, tem umas cenas maneiríssimas e tem o relacionamento entre John McClane e Zeus, brigando e se ajudando o tempo todo. Não vou nem mentir que é o carisma do Bruce Willis e do Samuel L. Jackson que acabam segurando esse filme inteiro, algumas vezes na marra.

Já pensou em se juntar pra formármos uma “máquina mortífera”?

A história gira em torno de um ataque terrorista na cidade de Nova Iorque. Um grupo faz diversas exigências, entre elas que um policial em específico esteja em vários lugares ao mesmo tempo para resolver charadas que não levam a lugar nenhum. O nome dele, claro, é John McClane. Logo no início do filme ele é salvo de uma encrenca seríssima por Zeus, personagem de Samuel L. Jackson. E é nesse ponto que eu traço a minha primeira ressalva. O filme tem uma idéia bem errada do que é racismo. Inclusive, em determinado ponto da história, John McClane ainda joga a carta do “racismo reverso” e Zeus até tenta discutir e argumentar, mas no fim fica por isso mesmo. Acho que é uma tremenda bola fora do filme e envelheceu mal para cacete todas as cenas em que este tipo de coisa ocorre. Hoje em dia nada disso passaria de jeito nenhum.

Mais para o meio, descobre-se que Simon, na verdade é Simon Gruber. Irmão de Hans Gruber o terrorista/ladrão do primeiro filme e o melhor vilão do cinema, ponto! E é aí que entendemos o nome do filme, porque Simon busca vingança contra McClane por conta da morte de seu irmão anos atrás no Nakatomi Plaza. No papel do vilão temos Jeremy Irons impecavelmente vilanesco, quase um Scar de O Rei Leão! Acho incrível como ele é um ótimo ator, mas tirando uma ou outra produção de destaque ele acaba fazendo um monte de filme meio merda.

O vilão estiloso e o herói vira-lata. (na boa, esse óculos é MUITO anos 90, né não?)

No fim, o plano de Simon não era um ataque terrorista, mas sim roubar 140 bilhões de dólares em ouro do Banco da Reserva Federal dos EUA. E como de praxe na franquia, os bandidos são “só” uns ladrõezinhos metido a espertos. E mais uma vez o bandido não contava com a astúcia de John McClane para resolver o caso, mesmo já tendo escapado! Tudo termina numa cena de ação meia boca na beira de um motel no Canadá com o clássico yippee-ki-yay motherfucker e uma explosão!

Final Alternativo

Pesquisando sobre o filme, eu acabei descobrindo que existe um final alternativo gravado! Ele está disponível em alguma versão especial de DVD que eu não tenho certeza se saiu no Brasil. Mas no youtube a gente acha de tudo, meu amigo! Nessa versão, o roubo também é bem sucedido. Só que diferentemente do final original, os bandidos não escapam para o Canadá e são encontrados algumas horas depois. Eles realmente fogem e deixam McClane pra se dar mal mesmo! O FBI acha que ele estava envolvido no roubo e ele acaba perdendo todo o apoio da família, dos amigos, perde o emprego e até sua aposentadoria.

Sim, já anotamos o número de protocolo. Mas Duro de Matar 5 ainda não foi cancelado!

De alguma forma, algum tempo depois (anos, talvez), John McClane consegue encontrar Simon Gruber em um bar na Alemanha. Ele rastreou o frasquinho de analgésicos até uma farmácia na vila onde o bandido se escondeu. Descobrimos que Simon passou a perna em todo mundo e ficou com o dinheiro do roubo para si. John então propõe um jogo de “Seu McClane  Mandou” e faz algumas charadas para o vilão que vai respondendo corretamente. No fim, o jogo é tipo uma roleta russa com um lança-foguetes chinês sem as marcas de direção, então não se sabe qual é o lado que atira. Simon responde a última pergunta errada e… bom, vejam aí a cena!

Eu achei ela bem irada, mas o estúdio não curtiu porque além de ser uma cena mais “quieta” sem muita ação, nela McClane parece mais um “psicopata em busca de vingança” do que um “ex-policial em busca de justiça”. No fim acabaram gastando mais uma grana para fazer aquele final apoteótico com explosões e etc.

Tô LendoPontos Fortes
  • Bruce Willis e Samuel L. Jackson. Eles tem uma química incrível e é de se admirar que nunca tenham feito qualquer outro filme juntos (não, Pulp Fiction não conta).
  • Cenas iradas. Tem umas cenas beeeeem over the top mesmo, mas é pra isso que eu pago meu ingresso de cinema sabe? Pra ver John McClane surfando num caminhão dentro de um túnel! E fazendo rapel de uma ponte prum navio num cabo de aço. Etc. etc.
  • Mudança de cenário. John McClane não precisa estar literalmente preso num duto de ventilação pra se sentir acuado. O cenário nesse filme é praticamente a ilha de Manhattan inteira e consegue-se o mesmo efeito fazendo com que ele tenha que resolver as charadas do Simon.
Tô LendoPontos Meh
  • Racismo. O que eu falei mais acima sobre o tema do racismo no filme. Tratado de uma forma super datada e até ofensiva.
  • O final. Durante muito tempo eu achei que esse final era mega mal amarrado. Só agora, vendo o final alternativo (que foi filmado antes), que eu entendi o porquê. A cena foi meio mal amarrada mesmo para substituir outra, deixando tudo com uma cara de “meh, acabou assim?”.

Eu SABIA que essa história de “número de protocolo” era mentira!

Veredicto

Pois bem, como fã recente de Duro de Matar – A Vingança, eu acho que ele vale a pena ser revisto e tem seu lugar no coração da franquia. Não bate o primeiro filme mas é melhor que o segundo. Eu ainda colocaria o DdM 4.0 acima dele, porque mesmo este sendo PG13, ele tem umas cenas de ação beeeem mais bacanas.

Duro de Matar – A Vingança vale pelo menos quatro rebobinadas! 📼📼📼📼

Kadu Castro

Por: Kadu Castro

Quadrinista, criador do “Escalafobético, O Ornitorrinco” ( e ainda esperando o sucesso). Professor de Inglês. Fã de quadrinhos. Aprendeu a desenhar vendo o Jim Lee, mas é fã mesmo do Scott McCloud. Acessórios vendidos separadamente. Não inclui pilhas.

2018-07-30T15:59:17+00:00 16 de julho de 2018|9 Comentários
  • DIE HARD!!!

  • Jean Carlos

    O meu favorito é o primeiro mais vale sim quatro rebobinadas só por essa dupla de atores.

    • O primeiro é o melhor de todos sem sombra de dúvida. 😉

  • Freze

    Achei muito maneiro esse final alternativo. Não fazia ideia que ele existia. Se tratando de Duro de Matar, acho sempre válido uma menção honrosa a essa musica:
    https://www.youtube.com/watch?v=OTyw6cq86kY

  • Freze

    Achei muito maneiro esse final alternativo. Não fazia ideia que ele existia. Se tratando de Duro de Matar, acho sempre válido uma menção honrosa a música do GuyzNite – Die Hard. Acho uma homenagem muito boa a série.

    • Nunca ouvi a música, vou procurar. E o final alternativo é bem bacana, gostei mais do que o oficial.

  • Pedro Paulo

    Reassisti o primeiro esses dias, sendo que a última vez que o tinha visto eu ainda era criança, e cara esse filme é muito bom, não ficou datado e ainda bate de frente com muita coisa boa de hoje em dia, vou seguir no embalo e ver as sequências, exceto o 5 é claro hahahahaha. Curti bastante a resenha!!!

    • Cara, ótima pedida. Tenho boas lembranças do 2 (que é bem parecido com o primeiro) e adoro o 4 porque ele é pura galhofa! Taí uma maratona de respeito!