Rebobinando #03

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Essa semana deu bug na Gibiteca e nós viemos direto do Futuro. Ou seria do Futuro do Pretérito? Enfim, são lembranças de um futuro esquecido. Mais especificamente do ano de 2099, onde encontraremos o Homem-aranha 2099!

Em 1992, a Marvel esqueceu como a matemática funciona e decidiu que cem anos depois daquela data seria o ano de 2099. Uma data de impacto porque perto do fim do século todo ano com um 9 no final soa meio apocalíptico, sabe? O lance é que havíamos acabado de entrar nos anos 90 e com a ideia do fim do século cada vez mais próxima, voltar os olhos para o futuro era uma reação mais do que natural, a Marvel como sempre, só estava seguindo a tendência.

Publicado aqui a partir de outubro de 1993 com a chegada de Homem-aranha 2099 #1 nas bancas, o universo 2099 já entrou metendo o pé na porta. Na imagem mais abaixo você pode conferir a “cartinha de apresentação” do editor da revista dando uma indicação do esse futuro não seria tão fabuloso assim! Governos controlados por grandes corporações, assassinos e ladrões de órgãos espalhados pela cidade, fanáticos religiosos, drogas completamente viciantes e legais, polícia privatizada que só atende a quem está em dia com a mensalidade… quem diria que eles teriam acertado tanta coisa, né? ¯\_(ツ)_/¯ Num mundo como este, a falta de heróis se faz sentida e claro que uma “Nova Era Heróica” estaria por vir.

Rebobinando #03

No final da primeira edição do Aranha 2099, há também um artigo traduzido, publicado na revista Marvel Age #117, que explica bem como o universo futurista nasceu. Trocando em miúdos, tudo começou com uma ideia conjunta de Stan Lee e John Byrne que deu origem ao herói Ravage. Infelizmente (ou felizmente, nunca se sabe), tirando uma aparição breve na primeira mega saga de 2099, A Volta dos Deuses, esse Ravage nunca fez muito sucesso aqui, nem chegando a ser publicado direito. Enfim, Byrne pula fora do projeto e Vovô Stan apresenta pros editores da Marvel na época que acham a ideia muito pau*. A partir daí eles decidem quem serão os quatro heróis-base pra estabelecer a nova linha. Segundo Joe Cavalieri, o editor 2099, Homem-aranha e Justiceiro eram óbvios, Ravage também, por conta de Stan Lee. A surpresa ficou mesmo com Destino 2099. Trazer um vilão do passado para transformá-lo em herói no futuro foi a ideia mais audaciosa deles.

Estabelecidos quem seriam os precursores do novo universo, restava às equipes criativas desenvolverem os personagens e as histórias. O Homem-aranha caiu nas mãos dos competentíssimos Peter David e Rick Leonardi comandando respectivamente roteiro e desenhos… e cara! Que saudades! Reli algumas coisas pra escrever esse artigo e impressionante como as histórias se sustentam. Claro, ainda rola aquele “maravilhar-se” dos roteiristas e a “falta de noção” na hora de bolar algumas tecnologias, caindo nuns lugares-comum de previsões do futuro, mas serinho. Se você quer reler uma boa história de uma época em que a maioria dos heróis não se levava a sério de mais, as primeiras edições de Homem-aranha 2099 são o lugar certo!

Rebobinando #03

Vamos às apresentações de fato. Miguel O’hara é um geneticista supergênio, meio almofadinha, que trabalha para a Alchemax, uma corporação gigante que é praticamente dona de toda a costa leste dos EUA. Depois de um acidente de laboratório que resulta na morte de uma pessoa, ele resolve pedir demissão. Seu chefe, o inescrupuloso Tyler Stone, o vicia em êxtase, uma droga que não tem nada a ver com as raves, mas altamente viciante, letal e com permissão legal para o consumo. Numa tentativa de reescrever o seu código genético pro que era ANTES de ser levado a tomar a droga, Miguel é inadvertidamente sabotado por um rival que, ao mexer nos controles a esmo acaba alterando seu código genético. Miguel desenvolve uma visão noturna, sensível a altas luminosidades, garras retráteis nos dedos das mãos e dos pés, que lhe permitem escalar paredes e o já habitual pacote número um de superpoderes: super força, resistência, etc. Ah, e uma diferença básica entre ele e Peter Parker é que seus fluidos e lançadores de teia são orgânicos. E ele faz poucas piadas. Ou seja, são duas diferenças. Duas.

Como de praxe, as três primeiras edições cobrem sua origem e apresentam os personagens secundários, como seu irmão Gabriel O’hara, sua namorada Dana D’angelo, sua assistente virtual Lyla (ADORAVA A LYLA) e o vilão Tyler Stone. E seguindo a linha inicial proposta pelos editores da linha, era bem legal ver vilões que não eram só uma versão futurista dos vilões tradicionais. E tirando o Abutre 2099 e posteriormente o Venom e o Duende, foi muito legal ver caras como o ciborgue Risco (ELE ERA MUITO FODÃO), sua irmã Risque, o Especialista, Fogo Cruzado, entre outros…

Tô Lendovantagens
    O design do uniforme! CARACA, que uniforme irado! Achei meio estranha a arte do Rick Leonardi na época e tenho amigos que acham o cara ruim até hoje, mas eu me acostumei e achei que tinha um “quê” de futurista no jeito que ele desenhava as histórias. O ruim é que passou muito desenhista bosta pelo gibi depois, me fazendo repensar minha primeira impressão do Leonardi.

  • O fato de Miguel O’hara ser super sério. Acho que se o plano era distanciar mesmo do Aranha do presente, fazer do Aranha 2099 um cara sério foi bem efetivo.
Tô Lendodesvantagens
  • Como disse ali em cima, alguns dos desenhistas eram beeeeem ruins. Mas ruins mesmo. Parecia que o universo 2099 era só uma “área de testes” pra desenhistas novatos que eram colocados pra ilustrar qualquer coisa e que faziam tudo de qualquer jeito. Tirando as equipes criativas iniciais, quase todos que vieram depois eram muito ruins.
  • O final. Por mim eu estaria lendo aquelas histórias até hoje, mas o fim das histórias daquele futuro foi a minha primeira decepção com uma editora (OI, ULTIMATUM!). Por que ora bolas, como assim cancelaram tudo? Era muito legal! Aí a justificativa de que o mundo estava acabando, as calotas polares derretendo tudo e aí, os poucos heróis que sobreviveram se juntam num foguete e vão morar em Marte? VSF, Marvel!
2017-11-06T13:03:23+00:00 9 de outubro de 2017|7 Comentários
  • Marcelo Escudeiro

    Eu sempre gostei do Spider 2099, sempre foi bom, acredito que cancelaram pois os outros personagens estavam se desgastando, ao meu ver a boa sacada foi traze- lo para o século 21 (histórias atuais) só nao gostei da mudança do uniforme, e não posso deixar de concordar que Peter David e Rick Leonardi arrebentaram, sou fã do Peter David (ainda mais na fase que ele fez o Hulk).

    • Peter David é foda, mas eu só aprendi a gostar do traço do Leonardi com o tempo, hehehe. Acho que como o Ultiverso, o 2099 funcionava como uma “área de testes” pra ver o que pegava no 616 ou não. Quando começou a ficar grande demais, acabaram com ele. Uma pena.

  • Ygor Vieira

    Essa foi uma das primeiras HQs de super-heróis que me lembro de ter comprado. Já até tinha lido algumas outras histórias soltas de outros personagens, mas foi o Aranha 2099 (junto com os X-Men na época desenhados pelo Marc Silvestri e o X-Factor pelo Walt Simonson) que me fizeram ser fã de HQs de super-heróis.

    Além de ter todo o lance de futuro distópico, uma coisa que eu achava legal na revista eram as histórias mostrando o passado do O’hara, o que ajudava o leitor a simpatizar mais com o personagem, já que ele não era tão amigável quanto o Aranha 616.

    Uma pena que o resto do universo 2099 ficava bem abaixo, principalmente os X-Men e o Hulk que eu detestava.

    • Eu achava X-men 2099 bem maneiro. Sei lá. A dinâmica era diferente dos X-men do presente, eles tinham uma vibe mais “sobreviventes do apocalipse”, que eu achava legal. Já o Hulk 2099 eu achava chatissimo. Só curtia os desenhos do Ed Benes.

  • Hahahahahah Não lembrava desse final “foguete pra Marte”!!!!

    • Haha. O pior é que rolou isso mesmo. Foi mega frustrante.

  • Bruno Messias

    Sabe um personagem que eu achava muito maneiro? O Motoqueiro Fantasma 2099! Achava os desenhos o máximo, e todos os conceitos envolvidos, a coisa do pai dele ser o cabeça de uma mega-corporação… era da hora! E também adorava os desenhos do Rick Leonardi.
    Quando começou a sair tudo que era personagem como versão 2099, fiz uma piada com minha turma de escola e desenhei uma versão nossa futurista. Era o PD 2099 (nossa turma era de Processamento de Dados)! A galera gostou da brincadeira, comecei a fazer historinhas com a turma. Eu sou o que está com a corrente no peito (eu tinha 15 anos na época, hoje o desenho seria bem diferente – sem cabelo, por exemplo…).

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