NAS PRATELEIRAS #91 – Dampyr

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Hoje vamos falar de um título de uma das maiores e mais antiga empresa de quadrinhos do mundo, a italiana Sergio Bonelli. Conhecida mundialmente por Tex, publicado desde 1940, claramente não é só de velho oeste que vive a editora. Que tal conhecer um novo mundo de terror fantástico? Ou vai me dizer que tem medo de vampiros?

Dampyr é uma história que mistura terror e fantasia. Acompanhando a história de Harlan Draka, vamos passando por diferentes cidades do mundo, muitas vezes durante períodos conturbados na história, incluindo as duas guerras mundiais, e descobrindo seres fantásticos que nada de bom querem com a raça humana. Enfrentar vampiros e demônios fazem parte do dia a dia do personagem que lembra, de certa forma, o Constantine.

A série foi lançada em 2000 pela Bonelli na Itália e chegou ao Brasil quatro anos depois pela Mythos (que não deu continuidade ao projeto, publicando apenas 12 edições da revista). Porém, em 2018, a Editora 85 apostou na continuação dessa história e lançou um quarto volume que agrupava as quatro edições seguintes ao que já havia sido publicado por aqui. Vendo o sucesso e atendendo a pedidos, posteriormente a editora lançou uma campanha de financiamento coletivo para a republicação das primeiras histórias, agora no mesmo formato encadernado, juntando as quatro primeiras edições. E deu certo! Hoje já temos quatro volumes com os 16 primeiros capítulos da história de Dampyr no Brasil, condensados em quatro edições (e aguardamos mais).

Caverna do Caruso - Dampyr - Bonelli - Pagina 28

Harlan, você está sendo convocado!

Dampyr é o antagonista ao Vampyr (ou vampiro), nome dado aos filhos de vampiros com humanos, e conhecidos por terem o sangue abençoado. Não envelhecem como nós e isso faz com que Harlan, na primeira edição já tenha 50 anos, mesmo sem acreditar nessa “história de vampiro”. Quando conhecemos o personagem, ele é apenas um aproveitador, que usa da fé de pessoas oprimidas pela guerra para resolver problemas sobrenaturais que não existem. Obviamente isso mudará e o protagonista da história entenderá que precisa enfrentar seu destino, principalmente quando é convocado para enfrentar um massacre ocorrido de forma desconhecida em uma cidade controlada por uma milícia durante a guerra.

A diferença deste título para outros da Bonelli é que possui uma linha temporal definida e as história acabam se esbarrando. Os acontecimentos de uma edição refletem em outra, assim como as amizades e inimigos feitos pelo caminho. Enquanto você pode ler Tex ou Zagor sem qualquer ordem, Dampyr fica muito melhor lendo pela ordem de lançamento, mesmo que não seja nenhuma história super complicada de ser ler direto do volume 4, por exemplo.

Caverna do Caruso - Dampyr - Bonelli - Pagina 51

Não dá para confiar em qualquer criança ou senhora sozinha à noite pela estrada.

A maior parte do roteiro de tudo que saiu até hoje é do Mauro Boselli, já conhecido na editora por trabalhos esporádicos em outras revistas, que parece tanto estudioso da história da Europa, refletindo fielmente as localidades, como conhecedor da mitologia dos vampiros. Na verdade a criação do personagem é dividida entre Boselli e Maurizio Colombo, porém este não está mais à frente da série desde 2006 por motivos de saúde. A arte é de Mario Rossi (Majo), mas diversos outros artistas assumem o lápis e caneta pelas edições seguintes.

Poderia ficar um bom tempo conversando sobre o material, mas, além de não querer dar mais informação do que já escrevi (tentando manter o máximo de spoiler longe), a recomendação é mesmo ler. Mesmo que você sempre tenha torcido o nariz para aqueles formatinhos em preto e branco no jornaleiro desde que você se entende por gente, Dampyr também é um ótimo ponte de partida para entrar nesse mundo italiano de quadrinhos.

Você encontra Dampyr no próprio site da Editora 85 e também pela Amazon.

Tô Lendovantagens
  • Ótima opção para quem estava com saudades de boas histórias de vampiros. Eu sou da geração Vampiro: A Máscara e quase que precisava ler isso como se fosse sangue e… deixa pra lá.
  • Vou dizer que gosto do formato Bonelli, é um formato mangá lido no sentido ocidental. Fácil de carregar e manusear.
  • A arte, quase que segue um bom padrão da editora, com bastante detalhes no ambiente e uma certa profundidade.
Tô Lendodesvantagens
  • Para que não curte preto e branco, bem, é em preto e branco, o que até ajuda a diminuir o impacto de alguma coisa mais violenta (mas não considero quadrinho exclusivo para adultos como outros que já falei aqui na coluna).
  • Tem muiiiiiiito material para sair no Brasil e dá uma ansiedadezinha não ter mais coisa nova para ler aqui.

Não deixe de comentar aqui no post o que você achou de Dampyr. Se pretende acompanhar, quer saber mais, se curte os títulos da Bonelli… E, se interessar, não deixe de usar nossos links na coluna. Semana que vem tem mais!

Tiberio Velasquez

Por: Tibério Velasquez

Analista de sistemas por profissão, integrante do Conselho Jedi do Rio de Janeiro, Tibério também é fotógrafo, turista, iPhoner e colecionador. Curte de tudo: filmes, músicas, livros, séries, peças teatrais, jogos e quadrinhos. Nerdices à parte, assiste sempre MMA, NFL, Rugby, NBA, MLB, futebol, e tenta não deixar a prática de esporte de lado.

2020-01-17T15:06:35+00:00 16 de janeiro de 2020|0 Comentários