NAS PRATELEIRAS #54 – Batman: Cavaleiro Branco

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Na primeira prateleira do ano, vamos falar de uma série que se tornou um sucesso mundial em 2018 e ainda dá tempo de acompanhar nas bancas. Cavaleiro Branco chegou para no dar uma nova visão do relacionamento entre Batman e Coringa.

Lançado nos Estados Unidos entre 2017 e 2018, Batman: White Knight chegou ao Brasil no formato mensal pela editora Panini no fim do ano passado. No momento que este texto está indo ao ar, estamos na quinta edição das oito que totalizam a série.

Pela primeira vez, estou escrevendo sobre uma HQ que não li por completo. Até existe a oportunidade de comprar este encadernado americano por aí, mas decidi continuar acompanhando nas bancas brasileiras e desviando de spoilers como Neo em Matrix! Você pode se perguntar: mas como sugerir algo que não terminou? Bem, mesmo que Sean Murphy faça uma cagada absurda no fim, o caminho vale a pena (e pelo sucesso/assédio em cima dele nas Comic Cons por causa dessa revista, duvido que isso tenha acontecido)!

A premissa de Batman: Cavaleiro Branco (nome que brinca e antagoniza o famoso Cavaleiro da Trevas ou Dark Knight) é mostrar um mundo onde ocorre a inversão de papéis entre nosso herói e seu arqui-inimigo, o Coringa. ÓBVIO que não é tão simples assim, logo na primeira edição essa reviravolta no que conhecemos é explicada (ou pelo menos como começou isso) e vamos entendendo como chegamos no momento que o herói se torna o vilão e o vilão, herói.

Caverna do Caruso - Cavaleiro Branco - White Knight - Batmóvel

Quem é que chega de batmóvel para visitar Arkham Asylum?

A abordagem de Murphy começa trazendo a cidade de Gotham para uma realidade onde espancar vilões e até policiais para alcançar seu objetivo não é algo aceitável, né seu Bruce? A história até poderia se encaixar na linha cronológica oficial, mas daria um trabalho tão grande que vamos de realidade paralela mesmo.

Começa assim: após uma perseguição pela cidade, um Batman obcecado por capturar o bandido é provocado até seu limite ao ponto de bater e continuar socando o Coringa até ele perder a consciência e parar de respirar (alguém lembra do fim de Piada Mortal? rs…). E isso acontece na presença do Robin, Batgirl, de toda a polícia da cidade e com câmeras de celulares filmando. Pronto, polêmica instaurada! Além disso, após espancar, o Batman ainda despeja um pote de um remédio desconhecido goela abaixo do palhaço. Ao retornar de seu estado enfermo, o Coringa simplesmente não existe mais, dando lugar apenas a Jack Napier (vale lembrar que Jack Napier, usado nessa série, é o nome real dado a ele no filme de 1989 pelo Tim Burton, interpretado pelo Jack Nicholson).

A mídia vai ao êxtase com tanta coisa acontecendo, um supervilão curado, um herói encapuzado que abusa da autoridade agindo com o aval da polícia, protestos… e nós somos levados a julgar as atitudes do Batman e do Coringa (nessa realidade é dita que ele nunca foi condenado por nenhum crime grave, todos os outros nunca foram provados serem de sua autoria). Ao mesmo tempo que o mundo discute o assunto, Bruce Wayne passa por uma situação inusitada, trabalhando em parceria com Mr Freeze.

Caverna do Caruso - Cavaleiro Branco - White Knight - Batman e Coringa

Dessa vez Batman pode ter passado dos limites…

O Coringa, ou melhor, Jack, agora sem a loucura, leva a tona todos os problemas de Gotham, incluindo ter como cúmplice o vigilante, favorecimento dos mais ricos, descaso com os mais pobres, corrupção e coisas que diz ter sido usado por outros como bode expiatório como, por exemplo, a criação do Arkham Asylum… Se pensar bem, seria um esquema bem doido e uma visão que não tivemos antes. Tudo segue a partir daí com várias reviravoltas, personagens já conhecidos da galeria de vilões e alguns easter eggs.

Omiti algumas informações para evitar ao máximo as surpresas que aparecem ao longo dos capítulos, até mesmo na primeira edição, mas, se você não se interessou por isso, devolve sua carteirinha de batmaníaco!!

A arte é do próprio Sean Murphy, que indico outras várias HQs como Tokyo Ghost, Chrononauts, Punk Rock Jesus, Joe: The Barbarian e American Vampire. A cor fica por conta de Matt Hollingsworth, com uma lista infindável de trabalhos e vencedor nomeado por vários anos ao Eisner Awards como melhor colorista, recebendo o prêmio uma vez.

Vale citar que ela faz parte do novo selo Black Label da DC, para minisséries voltadas ao público adulto por onde lançaram Batman: Damned e futuramente irá relançar Watchmen e Kingdom Come. É isso, sendo ou não fã do Batman ou Coringa, é uma leitura que vale a pena por, além de tudo mais, ter uma abordagem diferente, psicológica e adulta dos personagens.

Tô Lendovantagens
  • É Batman, o maior herói de todos os tempos… da DC! Brincadeira, Batman é phoda!
  • Tudo que a gente queria era material de qualidade chegando do lado da nossa casa assim.
  • Minissérie em oito edições, molezinha.
  • Qualidade da revista é superior as outras edições de banca. Capa de papelão, papel bom… tratamento adequado ao conteúdo.
Tô Lendodesvantagens
  • E a vontade de ler tudo logo por aí? “Acalme-se, controle seus instintos… você consegue!”

Antes de ir correndo para o jornaleiro ou loja de quadrinhos mais próxima, deixe seu comentário. Se já começou a ler, o que está achando? Se não, pretende? Não vai se arrepender.

Tiberio Velasquez

Por: Tibério Velasquez

Analista de sistemas por profissão, integrante do Conselho Jedi do Rio de Janeiro, Tibério também é fotógrafo, turista, iPhoner e colecionador. Curte de tudo: filmes, músicas, livros, séries, peças teatrais, jogos e quadrinhos. Nerdices à parte, assiste sempre MMA, NFL, Rugby, NBA, MLB, futebol, e tenta não deixar a prática de esporte de lado.

2019-01-10T19:48:14+00:00 10 de janeiro de 2019|14 Comentários
  • Ricardo Varotto

    Cara, que interessante! Vou atrás. Valeu a dica.

    P.S.: Fiquei sabendo hoje da existência de uma série animada do Savage Dragon, de meados da década de 1990. Você sabia disso?

    • Eu sabia de algo assim pq já vi uns trechos de vídeos no YouTube, mas não lembro disso de antigamente…

      Chegou a ver já?

      • Ricardo Varotto

        Estou baixando aqui mas, apesar de ainda não ter acabado, já vi uns pedaços e só tem uma trilha de áudio em russo.

        Der’mo! (que é “merda” em russo, segundo o google translator)

  • Bruno Messias

    Eu tô lendo! E tô gostando muito. Dá muito sentido à expressão “mais louco que o Batman”.
    Não quero dar spoiler, claro, então vou tomar cuidado no comentário de uma coisa que me incomodou: a Arlequina parece contestar o caminho “sexy demais” que a Arlequina têm tomado, como isso é um desserviço ao feminismo… achei muito adequada a colocação! Mas pouco depois disso ela mesma aparece pelada varias vezes! Dá impressão que a personagem fiz uma coisa e o desenhista faz outra só de sacanagem!

    • Bruno Messias

      Ps.: Acho que é linha alternativa, sim… O Dick não comenta que o Jason foi Robin antes dele?

      • Sim, não é a Terra 1. Nunca é…

    • Entendi o que você falou… faz sentido… por um lado. Porém o escritor e o desenhista são a mesma pessoa hahaha

      Como curiosidade, por ser de uma linha adulta da DC (inclusive sendo incorporado ao Black Label agora com o encadernado sendo lançado lá fora), o Sean Murphy pesou bem em algumas parte que inclusive foi vetado pela DC. Então essa não seria a ideia 100% original dele, não é o “Murphy’s Cut”. Provavelmente, sem o veto dos produtores, teríamos mais nudez ainda.

  • Jean Carlos

    Faz um tempo estou querendo comprar essa coleção, mais dessa vez não passa vou garimpar agora.Valeu Tibério!!!!

    • Lá fora já saiu completa e o encadernado estava pra ser lançado por agora.
      Aqui no Brasil já passamos da metade e deve fechar a história até Março ou Abril.

  • Eduardo Starling

    Muito provável que eu corra atrás do encadernado americano

    • O encadernado americano na Amazon não muda muito o preço de se comprar as edições individuais aqui no Brasil, mas como estava em falta no mercado e a previsão era para Janeiro/2019, acabei iniciando a coleção pelas bancas mesmo.

      Depois manda falando se tem algum material extra maneiro!

  • Alexandre Tavora

    Muito boa a série. Já havia lido o Punk Rock Jesus e gosto muito da arte do Sean Murphy. As reviravoltas são muito legais. Vale a leitura. Imagina isso numa Elseworlds nos cinemas!

    • Ia ser demais, mas não podia ser CW para manter o clima adulto da história.

      • Alexandre Tavora

        Com certeza. O caminho teria de ser cinema ou canais por assinatura tipo HBO, Netflix, Amazon ou o Canal de streaming da DC.