NAS PRATELEIRAS #52 – Marada: A Mulher-Lobo

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Marada foi idealizada em 1980 quando quase todas as revistas em quadrinhos eram compostas por protagonistas masculinos. Com uma grande história somada a uma arte excepcional, estamos diante de um produto épico.

​Para contar a história de Marada, vamos voltar à década de 1970. Quase que ao mesmo tempo quando Chris Claremont era creditado como escritor principal em primeira história para a Marvel Comics surgia a revista Métal Hurlant na França. Nesse momento, não existia nenhuma ligação entre estes dois acontecimentos, ainda… Para quem nunca ouviu falar, a publicação francesa é a versão original da Heavy Metal, publicada em larga escala, inclusive no Brasil, e trazia um quadrinho diferente dos super-heróis que povoavam as HQs à alguns anos.

Cerca de três anos após o lançamento de Heavy Metal no mercado americano, a Marvel inicia seu projeto chamado de Epic Illustrated (que futuramente iria ser o selo Epic Comics). No projeto Epic, os autores tinham a liberdade de escreverem suas publicações para um outro público mais adulto, usando conteúdo explicito, de horror a sexo, sem as mesmas preocupações das outras revistas. Um outro diferencial no selo Epic era o fato dos artistas manterem os direitos sobre sua criação e, por esse motivo, você poderá ver essas revistas sendo relançadas por outras empresas. Nesse período tivemos, por exemplo: Hellraiser, Dreadstar, Elektra: Assassina e (uma das melhores coisas já lançadas ever:) Guerra de Luz e Trevas.

Uma arte em página cheia como ocorre algumas vezes para encher os olhos

Mas e Chris Claremont? Esse jovem rapaz já era O Chris Claremont. Quando ele foi aceito para participar da Epic Illustrated em 1982 com Marada: A Mulher-Lobo, Chris era mundialmente conhecido principalmente pela sua recente saga da Fênix Negra e Dias de um Futuro Esquecido. Claremont já trabalhava para a Marvel à anos quando o ilustrador inglês John Bolton se juntou a empresa. Após alguns poucos trabalhos (ilustrando para ninguém menos que Robert E. Howard) os dois se uniram para apresentar o projeto à Casa das Ideias.

Tudo isso que escrevi aqui em minha empolgação (e mais ainda) fazem parte das páginas inicias da edição lançada no Brasil pela Pipoca & Nanquim. São três ou quatro textos que descrevem a criação de Marada e como ela se tornou realidade por mais de um ponto de vista e é bem interessante.

Mas vamos à história em si: Marada Starhair (obviamente pelos seus cabelos cor de prata) nascida filha de César no mesmo século do surgimento de Cristo, quando Roma se tornava um império. Pelos textos introdutórios e pela na narração inicial da primeira de três histórias que seguem um grande arco que completam o encadernado, nós vamos conhecendo a lenda da Mulher-Lobo.

No primeiro capítulo somos apresentados a personagem principal assim como o universo de guerra e magia que a cerca. Também conhecemos Arianrod que terá importância durante toda a saga ao lado de Marada. Porém, nesse início, ainda não vemos a guerreira que fomos instigados (mesmo tendo um vislumbre disso), aqui Marada sofre as consequências de algo anterior a essa história (que talvez seja melhor você descobrir lendo). Somente nos dois capítulos seguintes temos o “retorno para casa” com muitas lutas e lições aprendidas (no melhor estilo Conan/Red Sonja).

Marada em batalha

Aliás, o universo de Conan e Marada parecem bem próximos e a sensação é que o Bárbaro apareceria a qualquer momento. O que muda é que aqui temos uma personagem principal mulher, coisa difícil de se ver numa época de super-heróis masculinos nas páginas da Marvel e DC, onde Image nem pensava em existir. Também difere de Conan pelo tempo, agora estamos em algum lugar após o ano 1 do calendário romano.

Uma personagem forte e superior aos homens em sua volta, seja em caráter quanto em habilidades físicas. Porém, talvez pela sua época, ainda esbarramos de situações como estupro, onde podíamos chegar no mesmo resultado por outros caminhos. Com nudez mínima, mas cenas com bastante sangue e diálogos mais adultos sobre abuso e escravidão, a graphic novel não é recomendada para crianças.

De qualquer maneira, Chris Claremont trata muito bem de suas personagens, nos guiando junto a elas por desertos e mares até seu destino final. Da época da Epic Illustrated, foi talvez a única obra a ser relançada. Pena não termos mais histórias da guerreira para ler.

Se não falei da arte ainda, é fenomenal e você pode se pegar algumas vezes navegando os olhos pela página nos seus detalhes. Essa é daquelas edições que merecem o tratamento de luxo dado. De cair o queixo.

Tô Lendovantagens
  • Esse material não sobreviveu tanto tempo, diferente de outros do sele Epic sem motivo. É bom.
  • O valor das edições de luxo da Pipoca & Naquim não são baratos, mas, nesse caso, o tratamento e acabamento valem o preço.
  • Mais uma chance de sairmos do mesmo universo de super-herói que conhecemos e ler algo novo.
Tô Lendodesvantagens
  • Talvez, não sei, eu contaria a história de outra maneira para termos uma Marada diferente nas primeiras páginas.
  • De qualquer forma, o preço não é dos mais baratos, mas justifica.

E não saia sem deixar seu recadinho aqui. Já leu Marada: A Mulher-Lobo? Nem conhecia? Conhecia a Epic Illustrated ou Epic Comics? Deixe também sua sugestão de HQ ou caso queira algum review sobre algo que esteja curioso.

Tiberio Velasquez

Por: Tibério Velasquez

Analista de sistemas por profissão, integrante do Conselho Jedi do Rio de Janeiro, Tibério também é fotógrafo, turista, iPhoner e colecionador. Curte de tudo: filmes, músicas, livros, séries, peças teatrais, jogos e quadrinhos. Nerdices à parte, assiste sempre MMA, NFL, Rugby, NBA, MLB, futebol, e tenta não deixar a prática de esporte de lado.

2018-12-20T01:45:03+00:00 20 de dezembro de 2018|4 Comentários
  • Douglas Cardoso

    já favoritei o site, não conhecia descobri pelo nerd all stars e foi uma grata surpresa, especificamente esse tipo de conteúdo que traz hq’s pouco conhecidas, é mt bom pois vc acaba saindo da saturação dos heróis mais conhecidos de marvel / dc, não que isso seja uma coisa ruim, mas pra a gente que acompanha hq’s se torna mais do mesmo, e ao menos eu acho que conhecer historias diferentes é algo que acrescenta muito.

    • Obrigado pela visita Douglas, legal que curtiu o conteúdo. Toda semana tem novidades, às vezes mais às vezes menos conhecidas.

      Fique a vontade e puxa uma cadeira. Abração

  • Leonardo Campos

    Dos títulos do PN que consegui comprar até agora (haja grana pra ter tudo), foi o que mais gostei! E fiquei curioso pra conhecer mais do selo Epic. Não lia quadrinhos na época e pelo jeito perdi muita coisa boa. Parabéns pela resenha!

    • Obrigado Leonardo.
      Acho que pouca gente viveu essa época do Epic e aqui no Brasil nem sei como aconteceu, mas bom poder ler esse material de antigamente e poder ter a mesma emoção que alguém teve lendo anos atrás.
      Abraço