NAS PRATELEIRAS #41 – O Desafio de Kamandi

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Nas Prateleiras traz um quadrinho lançado pelo selo Vertigo da DC Comics que, além de tudo, é uma grande homenagem à Jack Kirby, que em 1972 criou o personagem Kamandi. Uma história muito boa que reúne grandes nomes da nona arte atual.

O original Kamandi: The Last Boy on Earth durou 59 edições entre 1972 e 1978 e terminou meio que… não termina. A série foi cancelada e, quem acompanhava as aventuras desse menino num mundo pós-apocalíptico dominado por animais inteligentes e bípedes, ficou sem ter como continuar a ler. Apesar de alguma citações e referências dentro de outras revistas do universo DC, foi só em 2017, na comemoração do que seria o 100º aniversário de Jack Kirby, que a editora tirou do papel um projeto para reviver o personagem.

Como a editora revelou, durante os anos vários artistas vieram com ideias para seguir a história iniciada por Kirby, mas nunca chegou a uma ideia que valesse a pena investir, talvez por não estar na mesma ordem de grandeza que este merecia. Porém, se nenhum artista sozinho poderia continuar com o projeto, que tal todos?

Assim, nasceu a ideia de O Desafio de Kamandi. Durante doze edições (além de uma mini história prequel) cada roteirista iria criar um desafio maior ainda para que o próximo pudesse continuar a história de onde parou. Treze roteiristas, vários ilustradores, arte-finalistas e coloristas trabalhariam em cada parte da série.

Caverna do Caruso - O Desafio de Kamandi - Jack Kirby

Jack Kirby fazendo cameo logo no início da HQ

Iniciando com Dan DiDio, passando por Dan Abnett, Peter J. Tomasi, James Tynion IV, Bill Willingham, Tom King e Gail Simone e artes de nomes como Neal Adams, Amanda Conner e Ivan Reis cada parte termina num grande cliffhanger para que o próximo artista criasse uma forma de Kamandi sair daquela enrascada. A frase em destaque nas revistas era: Can you solve it before they do? instigando ao leitor a solucionar o desafio deixado até o próximo lançamento, onde o roteirista anterior também explicaria como ele resolveria a situação.

Não precisa ter conhecimento prévio desse universo ou ter lido as revistas antigas, aqui praticamente começa do zero. Temos meio que em um reboot do original, mesmo nunca ter sido explicado muito bem aquele mundo (e, sinceramente, nem importa). Uma referência bem clara ao Planeta dos Macacos de 1968 sendo que, aqui, outros animais também evoluíram e os continentes são divididos entre os macacos, leões ou leopardos que vivem em guerra constante. Os humanos são irracionais e não se comunicam, o que causa bastante curiosidade entre as espécies pensantes com a chegada desse menino “inteligente”.

Dr. Canus conhecendo seu novo animal de estimação

Além do personagem Dr Canus, pasmem, um cachorro (rs), sapos mergulhadores, cangurus com bumerangues, ratos ladrões e várias brincadeiras do gênero seguem a linha do original, inclusive o primeiro desafio na arena contra o gorila gigante que ocorreu também lá na década de 70. Uma leitura bem divertida, fácil e que lembra muito os quadrinhos de décadas passadas, tanto na forma de se contar como na arte.

Saiu este mês pela editora Panini um primeiro encadernado com as seis primeiras edições e pode servir bem de parâmetro para o que estar por vir na segunda metade. Mas, se está Nas Prateleiras, é porque eu recomendo.

Tô Lendovantagens
  • Grande homenagem à um personagem criado pelo mestre Jack Kirby.
  • Muitos artistas deixando sua marca é sempre legal. E a qualidade do material continua alta.
  • Uma história legal dessas com início, meio e fim em dois encadernados de capa cartão é bom para o nosso tempo e nosso bolso.
Tô Lendodesvantagens
  • Bem, só tem a primeira metade aqui no Brasil e é difícil esperar para saber como as coisas vão se resolver. Se pensar que não temos que esperar um ano pelas doze, é até vantagem. Enquanto isso, fica a pergunta: você consegue resolver o desafio antes que eles o façam?

Antes de ir embora, deixe seu comentário: se já leu, se não leu, se pretende ler… e até a próxima semana.

Tiberio Velasquez

Por: Tibério Velasquez

Analista de sistemas por profissão, integrante do Conselho Jedi do Rio de Janeiro, Tibério também é fotógrafo, turista, iPhoner e colecionador. Curte de tudo: filmes, músicas, livros, séries, peças teatrais, jogos e quadrinhos. Nerdices à parte, assiste sempre MMA, NFL, Rugby, NBA, MLB, futebol, e tenta não deixar a prática de esporte de lado.

2018-09-11T12:04:57+00:00 7 de setembro de 2018|10 Comentários
  • Taí, Tibério! Se não fosse você, eu JAMAIS iria pegar esse encadernado. Agora fiquei beeem curioso. Meu medo é essa mudança de roteirista gerar um roteiro meio confuso e truncado. Mas os nomes que você citou no início da coluna são tão fodões que o medo é superado pela curiosidade! Boa coluna!

    • Eu iria sem medo, mas como expectativa é uma merda, vai com cautela. hahaha
      E pode ser meio confuso, porque não tem muita explicação daquele universo ali. O foco não é explicar e sim homenagear e divertir, mas não tem nada de truncado. Pra mim funcionou.

  • Jean Carlos

    Já vale a compra só pelo Jack Kirby, mandou bem demais!!!

    • Jean, vale dar uma olhada no Kamandi clássico de 72 e notar as referências que o pessoal usou.

  • Ricardo Varotto

    E o prêmio anual “Nunca Ouvi Falar” 2018 vai para…

    Parece legal. Vou dar uma zoiada.

    • Hahaha Também não conhecia o projeto até ver nas bancas… banca de jornal tem seu valor.

      • Ricardo Varotto

        Durante muito tempo tive dificuldade em passar em frente a bancas de jornal sem dar uma conferida, mesmo as mais simples. Às vezes mesno passando de carro, dava uma reduzida.

        • Aliás, queria deixar meu abraço para meu jornaleiro preferido: Júnior! Que fica em frente ao cinema Roxy, que nunca vai ler isso aqui, mas fica o agradecimento pelos gibis reservados. hahaha

          • Ricardo Varotto

            Salve, Júnior!

  • E olha só, na semana seguinte ao post, a segunda e última edição já está nas bancas!!!