NAS PRATELEIRAS #28 – Eu Mato Gigantes

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Essa é mais umas daquelas histórias que você começa a ler despretensiosamente, sem muitas expectativas e ela vai se transformando em algo que você realmente não esperava. Do dia a dia de uma menina fissurada em Dungeons & Dragons até uma lição de vida para levar conosco para sempre.

Eu Mato Gigantes foi lançada nos EUA há 10 anos atrás em sete edições e posteriormente em um único encadernado pela Image Comics. Com certeza ela passou fora do radar de muita gente, inclusive em 2013 quando chegou ao Brasil traduzido pela editora New Pop. Foi uma HQ com tiragem limitada, meio indie, realmente não teve um começo fácil.

Idealizada por Joe Kelly, que já conhecemos por vários trabalho, de Deadpool até Superman, e com coautoria e arte de Ken Niimura, um espanhol de descendência japonesa desconhecido até então. De uma parceira bem diferente e inusitada, sairia esta revista que já venceu diversos prêmios internacionais. Um desses prêmios veio do International Manga Awards graças a essa influência oriental bem evidente trazida pelo Niimura (se espelhar as páginas e adicionar umas onomatopeias em japonês vira um mangá na hora! rs…).

Traduzido literalmente de I Kill Giants, acompanhamos Barbara, uma menina obcecada por Dungeons & Dragons e solitária. Distante de outras pessoas na escola, sua convivência se resume à dois ou três amigos que participam de suas campanhas de RPG, seu irmão e sua irmã mais velha que sustenta a família.

Caverna do Caruso - Eu Mato Gigantes - Pagina

O que você faz da vida? Eu mato gigantes!!

Barbara é vista pelos outros meio como freak, anti-social, com comportamento que a leva frequentemente a sala do diretor. Muita coisa muda com a chegada de uma nova vizinha e colega de escola que, inclusive, serve como ponto de visto dos leitores que também estamos nos mudando para essa nova cidade e conhecendo as pessoas dali.

Até aqui estaria tudo normal se não fosse por Barbara ser uma matadora de gigantes (ou pelo menos é isso que ela afirma para todos que quiserem ouvir). Isso e mais sobre essa menina de muita imaginação que se mostra mais forte do que ela mesmo imagina frente a todas as dificuldades da vida, você só descobre lendo! (E, se eu posso dar uma dica, leia os quadrinhos sem ler nada na internet antes, nem sinopse oficial nem nada, fica só com o que eu falei aqui e acredite que é bom!)

Aliás, a história é tão boa que foi adaptada para um filme lançado oficialmente este ano nos EUA direto para DVD/BD e serviços de streaming. E vou dizer: uma das melhores adaptações de um HQ para live action! Talvez, parte disso se dê ao fato de Joe Kelly ter sido o roteirista do filme e ter a obra em suas mãos, talvez competência da produção de Chris Columbus e cia., mas fato é que, pouco faz diferença ler os quadrinhos ou ver o filme, está tudo lá. Madicon Wolfe, com 15 anos, está excelente no papel de Barbara Thorson (filha de Thor?) onde temos também Zoe Saldana, que vimos “ontem” em Guerra Infinita, fazendo a psicóloga do colégio.

Caverna do Caruso - I Kill Giants - Filme

Excelente escolha de elenco

Claro que não tem como ser ipsis litteris a história em quadrinhos, adaptações são necessárias na mudança de mídia, e, se tivesse que escolher, ficava somente com a HQ. Não sei explicar o porquê… talvez eu saiba, mas se for contar vou ter que dar spoiler aqui, melhor não.

De qualquer forma, se você é fã de quadrinho, leia e depois tente ver o filme. Se curte mesmo cinema, veja o filme que vai aguçar sua curiosidade pela história original. Com certeza Eu Mato Gigantes é algo único e vai te emocionar em algum momento (a não ser que você seja um robô ou tenha uma pedra no lugar do coração hehehe).

Tô Lendovantagens
  • A parceira Joe e Ken foi muito interessante e com um resultado surpreendente.
  • O universo longe da DC e Marvel é muito grande, não tenha medo de arriscar que você vai achar muita coisa boa assim.
  • Adaptação para live action quando é feita/acompanhada pelo roteirista da obra original pode dar bastante certo, não adianta fazer a coisa sem aprovação do autor.
  • História fechadinha em um encadernado.
  • Por incrível que pareça, saiu no Brasil.
Tô Lendodesvantagens
  • Muito difícil chegar nessa revista “virgem”, sem ter visto nada, nem lido nada.
  • Pode não ser fácil de achar a edição nacional por aí, mas volta e meia tem reposição de estoque, só ficar de olho.

Como sempre, não deixe de passar nos comentários para dizer o que achou dessa HQ ou do filme ou dos dois.

Tiberio Velasquez

Por: Tibério Velasquez

Analista de sistemas por profissão, integrante do Conselho Jedi do Rio de Janeiro, Tibério também é fotógrafo, turista, iPhoner e colecionador. Curte de tudo: filmes, músicas, livros, séries, peças teatrais, jogos e quadrinhos. Nerdices à parte, assiste sempre MMA, NFL, Rugby, NBA, MLB, futebol, e tenta não deixar a prática de esporte de lado.

2018-05-10T10:29:12+00:00 10 de maio de 2018|11 Comentários
  • Bruno Messias

    Eu fui ler essa HQ esperando uma coisa e encontrei outra. Essa menina não tem “imaginação”, ela tem problemas sérios! É uma HQ bem forte, eu acho.

    • Então, não queria dar spoilers da HQ, mas achei bem forte sim. Vejo uma superação acima de tudo. As pessoas que querem ajudar, as pessoas que não enxergam o problema… muitas camadas aí. Cada um leva sua ideia de mundo para interpretar o que está ali.

      @disqus_qkYMe2lbJd:disqus , dá uma olhada no filme quando puder, ele é um pouco diferente e dá uma visão bem legal também. A história é a mesma na essência.

      Abraço

      • Bruno Messias

        É difícil mesmo comentar essa Hq sem dar spoiler. Só pra explicar melhor minha quebra de espectativa, porque acho que pareceu que não gostei: imaginei que seria algo meio quando o Calvin brinca de Cosmonauta Spiff, com a menina viajando na imaginação. Acabou sendo mais realista, meio triste até. Mas é uma história excelente! Vou procurar o filme, sim!

        • Entendi sua sensação, foi um pouco do que tive também, por isso acho que coisas como o poster do filme, por exemplo, já te dá uma ideia bem diferente e por estragar parte da experiência.

  • Carlos Tenorio

    Um começo lento, demorei um pouco a imergir na história. De repente e um baque… Muito bom, gostei, diferente do que costumo ler em quadrinhos.

    • Apesar de não achar esse início lento para uma história que estamos sendo apresentados a novos personagens e tals, essa coisa de ser diferente é boa.

      Sair de um universo de heróis que já estamos acostumados ou zumbis com ação frenética ou qq coisa e cair nesse mundo é legal.

      Valeu CT!

  • Ricardo Varotto

    Nunca havia ouvido falar dos quadrinhos e acabei esbarrando com o filme, mas ainda está na minha lista de espera. Agora acho que ele vai pular algumas posições na fila.

    P.S.: Para ser filha de Thor, ela teria de ser Thordottir. 🙂

    • Cara, assiste ou lê sim porque você vai curtir.

      • Ricardo Varotto

        Já furou a fila de espera. Vou ver no FdS.

  • Fábio Ochôa

    Aliás, Tibério, a situação do Joe Kelly é muito interessante, cansado de levar pedrada das grandes editoras, ele se juntou com o Duncan Roleau, o Steven T. Seagle, o Joe Casey e juntos formaram o Man of Action, um coletivo que faz roteiros e desenvolve animações, séries e filmes. Encamparam o desenho animado Ben 10 e encheram o c* de grana. Agora voltam aos quadrinhos apenas quando querem, como alguém que visita uma velha casa onde morou.

    • Olha aí! Conhecia o projeto deles, mas nem sabia que Ben 10 tinha surgido dali. Realmente foi um sucesso com a garotada.

      Valeu