Um verdadeiro clássico da ficção científica, os quadrinhos Incal foram publicados na França entre 1980 e 1988 e está sendo relançado no Brasil para quem ainda não teve a oportunidade de conhece-lo. E você tem que ler, porque clássico é clássico e vice-versa.

Há muito tempo atrás numa galáxia muito distante pude ler Incal emprestado de um amigo que tinha uma edição portuguesa. Não era a história completa e não me importava muito (coisa que hoje em dia meu TOC não permite). Foi um experiência única e acho que junto com outros “quadrinhos de adulto” que tive acesso no mesmo período como Akira, Guerra de Luz e Trevas… mostraram para Tibério criança/adolescente que existia um mundo de quadrinhos além de Turma da Mônica e super-heróis. Achava aquilo diferentão com morte e sexo sem muita preocupação ou preparação.

Obviamente, com o tempo pude reler Incal na sua plenitude e, este ano com o relançamento pela Pipoca & Nanquim, ter novamente a oportunidade de voltar a esse universo que me conquistou há bastante tempo. Digo universo, pois a revista gerou uma série de quadrinhos com histórias de antes e depois dos eventos contados aqui. O Metabarão, Megalex, Technopriests e outros títulos que expandem tudo que vimos pela primeira vez nessa primeira obra e juntam para formar o Jodoverse, nome dado em homenagem ao autor  Alexandro Jodorowsky.

Caverna do Caruso - Incal Pipoca e Nanquim - Jodorowsky Moebius - Cores

Sabia que já tentaram lançar uma versão alterando as cores do original?

Entrando especificamente nesse encadernado principal, acompanhamos John Difool, um detetive particular que vive entre as classes mais baixas dessa sociedade distópica onde os mais afortunados estão bem separados e protegidos dos mais pobres. Rebeliões e suicídios são comuns para quem vive no subsolo, a tecnologia é onipresente, a polícia é violenta e são todos governados por uma mesma imperatriz andrógena (inspiração clara de Duna) há gerações, tudo com apoio de um grupo de tecnopadres que mantém uma religião ao mesmo tempo que são responsáveis pelos desenvolvimentos de tecnologia.

A vida vai indo mal como de costume até que Difool coloca as mãos no Incal e tudo muda quando se vê junto a seu pássaro Deepo em meio à uma guerra entre diversas forças por esse artefato mais poderoso do que poderia imaginar. Conhecendo personagens como Animah, Meta-Barão, Cara de Cão… vamos entendendo mais sobre essa sociedade e este mundo louco que, com certeza, só poderia ter surgido na cabeça de Jodorowsky (e se você viu algum trabalho dele no cinema ou qualquer lugar, vai entender).

Aliás, se você é um nerd raiz que curte todos os detalhes de tudo, vale estudar mais sobre obra depois, tem relações com alquimia, tarô e cabala escondidas por ela principalmente nos nomes. Tudo tem um motivo aqui. Ao mesmo tempo, podemos ver influência em filmes como Quinto Elemento, apesar de não ser oficializado por Luc Besson, ou o planeta de Coruscant em Star Wars… quem sabe…

A arte desta edições é de Jean Giraud, mais conhecido como Moebius, e é sensacional. Tentaram relançar há alguns anos a revista “atualizando” a arte nas suas cores e sombras e, pelamordedeus, não se faz isso! É algo que sinto diferença nos spin-offs.

Caverna do Caruso - Incal Pipoca e Nanquim - Jodorowsky Moebius - Pagina

Em alguns momentos o protagonista conversa sozinho para ajudar a gente a entender seu objetivo, mas precisa mesmo?

Como opinião pessoal (aliás, tudo aqui é opinião pessoal obviamente), a dinâmica de leitura, agora com uma bagagem que a vida me deu, é ingênua ou até infantil numa falta de palavra melhor. Sabe quando o personagem, sozinho, fala em voz alta o que está pensando para que o espectador entenda a cena? Tipo isso. JDF fala bastante sozinho… Claro que isso não diminuiu meu gosto pela obra, afinal, estou aqui para recomenda-la!

Bem, o resumão é esse! Tem muito mais, mas o Nas Prateleiras tenta ser o mais spoiler free possível, então o desenrolar da história e detalhes você vai ter que descobrir sozinho.

Tô Lendovantagens
  • São 324 páginas de uma história clássica que merece atenção pelas referências e discussão que traz, mesmo sendo escrita há mais de 30 anos atrás.
  • A edição ficou com ótimo acabamento e é um ótimo item de colecionador. Diferente de outras revistas que podíamos ter em capa cartão, aqui vale a capa dura.
  • É a introdução do Jodoverse que gosto muito do conceito. Se você gostar, tem muita coisa pra correr atrás.
  • Tem sexo e nudez, não recomendado para crianças.
Tô Lendodesvantagens
  • Meu saudosismo é alto e a forma de contar a história pode não agradar a todos. Apesar disso é uma das coisas menos loucas do Jodorowsky.
  • Os materiais spin-off mudam na qualidade das histórias e da arte. Fora o que já temos anunciado de Antes do Incal e Depois do Incal, o restante do material só em outra língua.

Se não vá embora sem deixar seu comentário sobre Incal e qualquer material do Jodoverse ou da Humanoids. Depois que conheci a editora, abriu uma nova porta para mim de novas leituras no passado.

Tiberio Velasquez

Por: Tibério Velasquez

Analista de sistemas por profissão, integrante do Conselho Jedi do Rio de Janeiro, Tibério também é fotógrafo, turista, iPhoner e colecionador. Curte de tudo: filmes, músicas, livros, séries, peças teatrais, jogos e quadrinhos. Nerdices à parte, assiste sempre MMA, NFL, Rugby, NBA, MLB, futebol, e tenta não deixar a prática de esporte de lado.