Hellblazer Origens - Vol 1 - Panini Comics

O início das aventuras solo do mago mais louco e odiado dos quadrinhos – e o melhor, como continua atual!

Uma releitura necessária 

Quando li em 2011 o quadrinho John Constantine – Hellblazer: Origens – Vol. 1: Pecados Originais, não imaginava sequer ter esta coluna. Entretanto, como um chamado constante, ela ficava atraindo minha atenção de tempos em tempos. Resolvi agora voltar nesta leitura, pois faz todo sentido trazer este quadrinho para a Caverna do Caruso

Hellblazer Origens - Vol 1 - Panini Comics

Hellblazer Origens – Vol 1 – Panini Comics

Reunindo as primeiras histórias de John Constantine, mais precisamente as edições 1 à 6, ela apresenta o personagem e vários outros coadjuvantes de seu universo. Apesar de ter sido criado por Alan Moore, foi Jamie Delano que recebeu a incumbência do próprio Moore de seguir com a definição do personagem.

A arte é de John Ridgway e a tradução foi feita por Guilherme Braga. É uma publicação da Panini Comics e não será fácil encontrar visto ter se passado dez anos do seu lançamento. 

Mas John Constantine é o que afinal? 

Percebam que nem deixo a pergunta de quem ele é, mas sim o que ele é! John Constantine surge como um personagem menor na história do Monstro do Pântano, escrita por Moore (um dia trago uma resenha dela por aqui, prometo). Ele surge naquelas páginas de maneira tímida e só após algum tempo ganha sua própria revista. 

Reler esta obra hoje foi muito interessante. Estamos falando de histórias de 1988 e imaginava reencontrar um quadrinho datado. Não foi o que aconteceu! Muitos dos enredos das seis histórias deste encadernado tratam temas urbanos, sociais, políticos e terríveis. Este caldeirão de possibilidades de narrativa, que poderia desandar facilmente, ganha uma liga incrível exatamente pela presença do próprio mago. Temos ali críticas ao conservadorismo extremo, ao capitalismo e sua fome sem fim, aos grupos religiosos hipócritas e suas lavagens cerebrais e até mesmo à guerra! 

Sim, Constantine também é um mago moderno, dentre suas várias facetas. Some a isso um enganador perfeito, além de um malandro de marca maior. Em suas histórias temos elementos variados que vemos em nossas vidas como caos social, violência, valores deturpados e muita crítica bem feita. 

Você que nunca leu nada dele, não espere um personagem como Dr. Estranho ou Mandrake. Certamente John Constantine está em um lugar único, limítrofe talvez, dentre os muitos personagens que lidam com magia. Ele não é um herói, pois tem uma agenda particular egoísta e caótica, mas sempre encontra uma forma de arrumar a casa. Nosso anti-herói apenas deixa tudo da sua maneira, agrade ela ou não. 

Uma arte que fala diretamente com o enredo

A arte de Ridgway é perfeita. Olhando agora, passado tanto tempo, percebi como ela casa com o universo de John Constantine. Ela é suja, escura e passa um sentido de imperfeição, que está alinhado com os enredos.

Inegavelmente nenhuma história dele fala sobre altruísmo. O que me vem à cabeça enquanto escrevo estas linhas é a frase “a vida como ela é”, apenas na pior concepção possível. O mago está apenas oportunamente perto quando o desequilíbrio toma conta.

Observe, entretanto, que não falei de bem ou mal. Esta dicotomia é esgarçada por Constantine continuamente em seus enredos. A arte desta obra ajuda muito ao leitor no entendimento de como o mundo está imundo. Perceber isso é incrível. 

Considerações finais 

Em suma, optei por não falar muito das histórias exatamente porque elas vão criar os alicerces para todo o futuro do personagem. Garanto que em todas você verá críticas e paralelos inegavelmente atuais com nossa realidade. 

O enigmático personagem, criado com a aparência do cantor Sting, envelheceu muito bem. Se você gosta de classificações literárias, as histórias de Constantine são um excelente exemplo de fantasia urbana terrível. 

Você vai encontrar nas bancas, Gibiterias e até mesmo pela Internet, várias opções de quadrinhos com ele. Vou trazer certamente mais coisas dele por aqui, mas achei por bem deixar esta primeira opção. Talvez seja meu TOC atuando, vai saber. 

Já leu algo dele? Deixe nos comentários e vamos conversar… 

Tô LendoAlgumas imagens!
Hellblazer Origens - Vol 1 - Panini Comics
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Este eu tirei do fundo do baú realmente, mas precisava. John Constantine é um personagem que conversa diretamente com muito do que falamos por aqui e de uma forma única. Quer ver mais resenhas destes quadrinhos mais antigos? Comenta aí para irmos conversando.

Daniel Braga

Por: Daniel Braga

Pai de uma mulher, nerd, analista de sistemas especializado em infraestrutura, poeta, board game designer e sommelier de cervejas. Adora jogar board games e ouvir jazz anos 30/40, Dead Can Dance e rock and roll. Curte muito o gênero de horror e tudo relacionado, principalmente as boas leituras como Lovecraft, Blackwood, Machen e muitos outros.