CdC #96 – Parker

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CDC #96 Richard Stark's Parker Darwyn Cooke

Taí uma excelente surpresa publicada aqui no Brasil pela Devir! Parker é um dos últimos trabalhos do quadrinista Darwyn Cooke (vale o Google, vai lá) antes de falecer. E que obra ele nos deixou!

Criado em 1959 por Richard Stark, pseudônimo mais famoso do autor Donald E Westlake (cujo o nome real parece outro pseudônimo…), o personagem protagonizou uma série de livros por quase uma década, sendo muito celebrado entre os amantes do romance noir, o que não é o meu caso, pois nunca li nenhum livro dele, só essa versão em quadrinhos, mas catei essas informações para parecer mais inteligente e dar um estofo cultural para a nossa coluninha querida.

Parker é um ladrão inescrupuloso e durão, que quando é passado para trás resolve se vingar impiedosamente dos seus malfeitores. A pegada das histórias têm um clima super Onze Homens e Um Segredo e mostra uma América dos anos 60 mais suja e cruel. Para quem acompanhou Mad Men, você parece estar vendo o outro lado, o submundo da série. Isso, inclusive, pode assustar o leitor mais desavisado: estamos tratando de uma literatura que remonta uma determinada época, abordando a vida de criminosos. Não há aqui empoderamento feminino, representatividade de minorias, nada. O protagonista chega a esbofetear sua ex-amante sem cerimônias. Embora seja de torcer o estômago, é um interessante olhar nu e cru sobre um tempo que de fato existiu e, graças a deus (espera-se) evoluímos além dele.

Darwyn Cooke (e aí, já googlou?) era fã declarado dos livros e faz um excelente trabalho na adaptação. Você sente que toda a essência da obra original, tanto nos diálogos quanto nessa caracterização dura dos EUA sessentista permanecem lá, fazendo um contraste muito interessante com o traço do artista, que tem um estilo muito mais próximo das animações do Batman nos anos 90. Essa mistura é muito legal e ajuda a deixar fluida uma obra que, do contrário, correria risco de ficar maçante (o que não diminui o choque quando o protagonista esbofeteia sua ex-amante, que coisa horrível!)

As edições lançadas pela Devir (três até agora e o quarto volume está na boca de sair) são muito bacanas e extremamente fiéis às suas contrapartes gringas! Esse formatinho livro é uma delícia, super portátil e fica uma GRACINHA na estante! (Me bateu uma Hebe aqui, foi mal). Cada volume conta uma história totalmente independente, que pode inclusive ser lida em qualquer ordem, salvo raras menções aqui e acolá.

Pra quem gosta de filmes noir ou já leu e/ou ficou curioso com as minhas indicações em colunas passadas como XIII, Snapshot e Fogtown, essa é a pedida perfeita! Se você está chegando aqui agora, vale a pena dar uma chance para O Caçador, primeiro volume do personagem, antes de sair atrás das outras publicações.

Tô Lendovantagens
  • Saiu no Brasil!
  • Arcos fechados. Nada de ficar esperando uma conclusão!
  • Uma bela saída dos quadrinhos main-stream e uma excelente forma de catequizar outros leitores que habitualmente não chegariam perto de uma HQ. Talvez um bom presente para o sogro, papai, o tio ou o avô que curtiam essa literatura de outrora.
  • Uma boa maneira de conhecer esse autor e esse personagem (eu mesmo só fui conhecer graças a Devir), que já foi adaptado em diversas mídias, incluindo cinema (como no caso do filme “O Troco”, com o Mel Gibson em 1999 e “Parker”, com o Jason Staton em sei lá quando, mas que tá no Netflix)
  • Leitura adulta
Tô Lendodesvantagens
  • Preto e branco (não acho ruim, mas tem gente que acha) ou duas cores. Tudo isso, na minha opinião, ajuda a climatizar a história nesse universo noir.
  • Letrinha pequena. Meu pai, por exemplo, já não leria.
  • É uma leitura que exige atenção. Muitos nomes, planos e viradas que, se você for ler meio de bobeira, podem te confundir.
  • Essa pegada retrograda pode afastar uma galera, que talvez ganhe uma antipatia pelo protagonista. É importante entender a obra dentro do seu contexto e enxergá-la mais como uma ferramenta antropológica e uma janela para o passado, do que uma apologia a comportamentos que não devem ser repetidos.
  • Eu acho que essa é uma leitura que tem um “tipo”. Se você não é o tipo dela, não vale a pena insistir. Definitivamente não é pra todo mundo.
  • A arte do Darwyn Cooke e a quantidade de texto, numa primeira folheada, poden afastar a criatura mais indecisa na hora de escolher se compra ou não. Mas quando você respira fundo e mergulha na primeira página, o autor faz um ótimo trabalho te puxando para as próximas

Essa está ao alcance de suas mãos! Sei que tem muita gente por aí que adora o trabalho do Darwyn Cooke e já deve ter lido toda essa coleção. Vai ser uma alegria ouvir essas opiniões! Em todo caso, nos vemos na área de comentários! Beijo nas crianças

Tô LendoAlgumas imagens!
CDC #96 Richard Stark's Parker Darwyn Cooke
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CDC #96 Richard Stark's Parker Darwyn Cooke
2018-06-06T14:36:51+00:00 6 de junho de 2018|35 Comentários