CdC #93 – Fogtown

CDC #93 Fogtown Andersen Gabrych Brad Rader

Gosta de noir? Então você veio ao lugar certo! Não gosta de noir? Espera, não vai embora, deixa eu tentar te convencer ainda!

Não sou o que se pode chamar de fã inveterado de romances policiais. Nunca li nenhum dos principais romances e meu apreço pelo gênero no cinema vem muito mais pelas paródias do Tiny Toons do que pelo número de vezes que eu assisti O Falcão Maltês (que é zero). No entanto, volta e meia esbarro com uma leitura nessa linha que me encanta e foi bem esse o caso com FOGTOWN!

Encontrei esse belo exemplar em um sebo em Los Angeles (Amoeba Records, se sua viagem passar por ali, dê uma paradinha porque vale a pena!) pela bagatela de 3 dólares e cinquenta. O formato era de um livrinho, o traço era convidativo e com esse preço irresistível, acabei levando. Pra minha surpresa, ao começar a leitura, descobri que tinha adquirido uma edição autografada pelo desenhista, com direito à sketch e tudo! Ah, se meu nome ao menos fosse RICK…

CDC #93 Fogtown Andersen Gabrych Brad Rader

A história fala de um detetive particular linha dura, na São Francisco de 1953. Ao investigar um caso de desaparecimento, ele acaba virando suspeito de uma seqüência de assassinatos. Nada muito fora da curva para o universo do romance policial, no entanto a premissa esconde umas surpresinhas para esse gênero que eu realmente não esperava e que eu não vou contar aqui para não estragá-las. Mas vou dizer que: vale a pena! Mais do que uma grande virada de roteiro, o que surpreende mesmo são as relações dos personagens, que te deixam pra lá de envolvido!

Nunca tinha ouvido falar desse roteirista, Andersen Gabrych, mas sua escrita é fluida e cativante, respeitando o ritmo característico do romance policial, mas sabendo acelerar quando necessário. Assim como o autor, eu também não conhecia o desenhista, Brad Rader, mas que faz um trabalho bem sólido, em um estilo mais “classicão” (como uma pessoa recebe uma dedicatória dele e deixa num sebo é algo além da minha compreensão!) e fiquei muito feliz em conhecê-lo.

Pra completar, eu achei que essa fosse ser uma daquelas que eu ia me gabar de que ninguém no Brasil nunca viu nem verá uma edição dessas por aqui (eu sei, eu posso ser bem insuportável) mas, pra minha surpresa, descobri que TODA A COLEÇÃO foi publicada aqui pela New Pop! Ah, sim, faltou ter avisado no início: esse volume faz parte de uma coleção Crimes Vertigo, onde cada dupla de artistas faz sua própria história fechada. Eu achei recentemente toda (ou boa parte) da coleção no segundo andar da Comix em São Paulo pela metade do preço e tratei de arrebatar mais um exemplar por R$12,90! Que daria em dólares – adivinha só – aproximadamente TRÊS DÓLARES E CINQUENTA, fechando maravilhosamente a coluna de hoje em um belíssimo círculo dourado.

Mas vamos às vantagens e desvantagens:

Tô Lendovantagens
  • Saiu no Brasil!!! Aêêê, pode largar o cursinho de inglês!
  • Volume único! Não precisa se comprometer com a coleção inteira.
  • Personagens bem surpreendentes para uma história que se passa em 1953.
  • Temática adulta
  • Formato portátil
  • Precinho camarada (quer dizer, pelo menos na Comix…)
  • Ideal para aqueles que ficaram órfãos da maravilhosa série PARKER lançada recentemente pela Devir (que aliás, está na fila dessa coluna! Ô, série boa! Já pode ir atrás, nem espera eu escrever, pra quando eu escrever você já ter lido e a gente poder conversar abertamente! Vai, corre!!)
Tô Lendodesvantagens
  • Preto e branco
  • Letrinhas pequenas
  • O traço pode não ser o mais convidadtivo do mundo numa primeira folheada, mas eu garanto que você rapidamente se afeiçoa!
  • Como eu não esbarrei com essa coleção muitas vezes por aí, não sei com que facilidade ou onde você a encontraria…
  • A trama pode irritar um pouco os corações “mais sensíveis”. Mas, se irritar, você tem que ver isso aí, porque não deveria, viu?

Taí, eu fico extremamente curioso pra saber se alguém já leu isso aí ou se conhece o trabalho de um dos autores de algum outro lugar! Se você estiver entre nós, por favor, me dê uma luz! Os demais podem me responder a seguinte pergunta: vocês gostam de filme noir / romance policial? O que você me indicaria? Grato.

De resto, até a próxima e boas leituras!

Tô LendoAlgumas imagens!
CDC #93 Fogtown Andersen Gabrych Brad Rader
CDC #93 Fogtown Andersen Gabrych Brad Rader
CDC #93 Fogtown Andersen Gabrych Brad Rader
CDC #93 Fogtown Andersen Gabrych Brad Rader
CDC #93 Fogtown Andersen Gabrych Brad Rader
CDC #93 Fogtown Andersen Gabrych Brad Rader
2018-04-17T12:57:40+00:00 18 de abril de 2018|10 Comentários
  • Léquinho Maniezo

    Po, a comix em loja fisica parece realmente uma boa opção em loja fisica hein… ja tive uns probleminhas com eles pela internet, mas acho q vou tentar garimpar algo la qualquer dia.

    Esse rick é um otario , mas sorte a sua por ele ser! Gostei do formato da revista e a arte/narrativa parece ser muito funcional (eu achei ate bonita).

    Quanto aos filmes noir, o Los Angeles cidade proibida é bem legal, O Troco do Mel Gibson tmb é maneiro (inspirado nos livros Parker, mais um bonus) e Vicio Inerente q é um noir com drogas sem escuridão.

    Dica boa e barata! Abraço!

    • Opa, opa, opa! Valeu pelas dicas! Todas devidamente anotadas aqui! Fiquei particularmente curioso para ver esse do Mel Gibson, não sabia que ele tinha feito essa adaptação. Tomei conhecimento justamente na hora de pesquisar para fazer a coluna sobre Parker (que, aliás, me amarrei muito!!). Muito obrigado mais uma vez!

  • Hugo Carlos

    Preto-e-branco é ponto negativo? Oxe, acho que combina bem com que está acontecendo na obra. Parece muito legal! Nunca ouvi falar na NewPop antes, vou dar uma conferida. Estou numa vibe de ler esse tipo de material. Tirando poeira da coleção de Dylan Dog e Martin Mystère aqui.

    • É como eu sempre falo: eu não acho preto e branco ponto negativo não. Mas há quem ache. Então eu prefiro avisar do que a pessoa ter uma surpresa…
      Se você se interessou por esse título, também vale muito a pena ir atrás de PARKER, lançado aqui pela Devir! Pretendo falar dele nas próximas semanas em algum momento! Eu acho muito, muito bom!

  • Jean Carlos

    Gostei Caruso, adoro romances policiais, George Simenom, Arthur Conan Doyle e outros, que pena que tenha pouca coisa em quadrinhos desses clássicos. Muito boa a dica!!!

  • Dennis Almeida

    Valeu pela dica Caruso! Sempre gostei de histórias policiais, especialmente as do comissário Montalbano, do Andrea Camilleri…

    • Oooooolha o Homem Silencioso aí! Obrigado pela aparição, Dennis! Dicas anotadas aqui! Forte abraço!

  • groucho

    pô caruso, como assim tu não curte estilo Noir? um dos melhores estilos pra nerds,
    agora que tu falou dessa coleção vou ter que ir até a comix a caçar isso. aliás, sobre o autor, quando li o nome algo me soou, a´pi fui pesquisar no google e, se a wikipedia estiver correta descobri algumas coisas
    1 – ele escreveu batman, mulher gato e batgirl. então devo ter lido o nome deles numa historia pouco memorável (mas não necessariamente ruim)
    2 – ele nasceu no mesmo dia que eu, 4 de setembro
    3 – ele também é ator (o que sempre me dá esperança que dá pra ser ator e escrever quadrinhos, sem necessariamente precisar ser o felipe folgosi)
    4 – ele escreve com regularidade pra LA Confidential magazine, ou seja, tá na cara qual é o estilo que ele curte escrever

    agora, se tu curtiu esse certo inusitado no romance noir (os melhores noir hoje em dia brincam exaustivamente com o clichê, em minha opinão) acho que tu ia curtir ler ‘a dália azuk’, uma adaptação de um romance noir, na verdade um roteiro do raymond chandler que nunca foi filmado e aí um italiano resolveu fazer a versão em hq,se tu n~çao leu, procura que não é uma obra cara, vale a pena

    ah, e vou correr atrás desse parker que tu falou, fiquei curioso

    • Hahahaha Adorei suas observações!
      1 – Irado, não sabia
      2 – Hahahha Ok.
      3 – Você também pode ser o Fernando Caruso, olha que vantagem!
      4 – Devo supor que essa é uma revista de contos noir?

      Pensando aqui, eu falei que eu não gosto de noir, mas tudo na minha vida indica ao contrário. O personagem que eu mais gostei de fazer na minha profissão foi Ed Mort, uma das minhas séries preferidas é Bored To Death e até o Mickey Detetive me entreteve. Então eu acho que eu sempre gostei e não sabia. Falta correr atrás dos clássicos.
      E a Dália Azul tá anotado aqui! (Quer dizer, estou supondo que esse seja o nome correto e que Dália Azuk foi erro de digitação, dada a proximidade das letras no teclado…)