CdC #92 – Ima – Sempre Em Frente

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CDC #92 - Ima: Sempre em Frente Eric Peleias

Algum tempo atrás, foi amplamente discutido nas internets se era ou não obrigação dos sites especializados divulgarem o quadrinho nacional em todo seu esplendor. Sendo ou não obrigação, quero indicar aqui um lance muito bacana que eu li recentemente: Ima.

Recebi da mão do próprio autor na CCXP de 2016 em algum momento de tanta correria, que eu não sei nem ao certo se eu consegui demonstrar minha gratidão tão amplamente quanto eu gostaria. Em todo caso, o faço agora, pois tive uma leitura muito prazerosa – apesar da história não ter sido nem um pouco assim para a protagonista.

CDC #92 - Ima: Sempre em Frente Eric Peleias

Ima conta a dura vida de Julia, que é enviada pelos pais ainda menina para sobreviver ao Holocausto, quando a Áustria é anexada pela Alemanha nazista em 1938. Escrita e desenhada pelo Eric Peleias, a HQ é biográfica, o que deixa a leitura ainda mais pungente. No entanto, a maneira como Peleias retrata os acontecimentos ajuda a amortecer o golpe, fazendo dessa uma leitura que te amplia os horizontes com gentileza para vários elementos da História. É realmente uma jornada muito marcante e muito bem contada. Ao final, podemos contar com depoimentos e fotos dos “personagens” reais, acentuando ainda mais a nossa sensação em relação ao que acabamos de ler.

As cores em tons suaves acalmam e muitas vezes contrastam com o pavor vivido naquela época. Em algumas ocasiões até ajudam a apontar a ironia sobre como o mundo “seguia normalmente” para a parte das pessoas que não era afetada diretamente pelos horrores do nazismo.

Confesso que normalmente eu abuso de um certo escapismo ao escolher as minhas leituras. Esse é o tipo de tema que eu talvez evitasse, na hora de procurar minha próxima HQ, admito vergonhosamente. Me considero um leitor hiper-sensível. No entanto, se trata de uma história de muita coragem e perseverança, de uma pessoa muito especial e muito bem contada pelo autor. Seria de extrema burrice da minha parte deixá-la passar despercebida (e dada a quantidade de coisas burras que eu já fiz na vida, imagino que a probabilidade de fazê-lo seja bem alta), por isso eu espero que você não cometa o mesmo erro!

Tô Lendovantagens
  • Volume único
  • Saiu no Brasil (duh, o autor é brasileiro!)
  • Quadrinho nacional! Comprando, você ESTARÁ AJUDANDO O NOSSO PAÍS
  • Uma história muito incrível que todo mundo deveria conhecer
  • Minha mulher gostou, feito raro! Parabéns, Eric Peleias.
  • Story teling sensível
  • Excelente para não leitores de quadrinhos e para os leitores mais jovens que anseiam por aprender mais sobre esse mundão de meu deus em que vivemos
Tô Lendodesvantagens
  • Uma história obviamente triste. Eu fico muito mexido com essas coisas. Pelo menos essa tem um final feliz, eu acho. SPOILER DO BEM, DESCULPA
  • O nome da revista dificulta muito as buscas, por conta de uma idiotice do google em achar que TODOS NÓS somos analfabetos. Então ele sempre dá resultados para IMÃ ao invés de IMA, pois ele assume que não sabemos acentuar. Bem enervante. Para encontrá-la, você precisa procurar por IMA – SEMPRE EM FRENTE e, na dúvida, acrescentar o nome do autor na sua busca.
  • O traço mais “desenho infantil” do Peleias pode afastar o leitor mais desavisado numa primeira folheada, MAS NÃO SE AFASTA NÃO, LEITOR! A LEITURA É BOA! E ADULTA! SUPER ADULTA!!!

Bem é isso. Como você já bem sabe, é seu dever cívico e patriótico divulgar essa coluna e comprar esse exemplar para presentear seus amigos. No mais, ficaria muito feliz de obter o seu feedback no espaço aqui embaixo. Ficou com vontade de ler a obra? Por que? Abra seu coração.

Do contrário, até a próxima e boas leituras!

Tô LendoAlgumas imagens!
CDC #92 - Ima: Sempre em Frente Eric Peleias
CDC #92 - Ima: Sempre em Frente Eric Peleias
2018-04-04T11:11:11+00:00 4 de abril de 2018|27 Comentários
  • Tirando a arte q parece de Facebook, eu achei interessante.
    O fato de ser uma história real deixa o tema mais “forte”

    • Ha! Não estou familiarizado com “arte de Facebook”, mas o traço pra mim remete mais a uma vibe Dr Katz, que passava na TV, com um traço ao mesmo tempo infantil e ao mesmo tempo conturbado. Você lembra/conheceu esse desenho?? Aliás, o que seria “arte de facebook”??

      • Fernando Jose Martins Junior

        Acho que ele se referiu aqueles memes compartilhados no Face…que tem desenhos com traços bem simples…como por exemplo da página Este é Alguém.

  • O estilo de arte pode parecer meio simples de mais ao olhar nu, mas é justamente essa simplicidade que cativa e enche o olhar, o traço é alternativo e eu adoro traço alternativo. Mais uma indicação que me fara gastar meus Temer’s <3.

    • Concordo contigo, Victor! Muito bem observado! E acho que essa simplicidade ganha ainda mais charme ao tratar de um tema tão complexo!

  • O Eric Peleias já “esteve” aqui no CdC quando falamos de Até o Fim! -> http://cavernadocaruso.com.br/nas-prateleiras-18-ate-o-fim/

    O cara manda bem! Parabéns!

  • Fernando Jose Martins Junior

    Cara voce escreve muito bem !! Acho muito maneiro o fato de você usar palavras não muito comuns no nosso dia dia…mas sem querer parecer culto ou algo assim…tipo “pungente”…”escapismo”…soa quase como gíria…gíria carusiana hahaha…gostei da dica vou procurar por ai…

    • Hahahahahaha Cara, nunca tinha reparado nisso! Seu comentário foi super pungente pra mim agora!

  • Elvis Kleber

    Indicação muito boa,ja coloquei na lista da Amazon.
    Hqs históricas/biográficas são tensas mesmo,pq sempre ta na nossa mente que aquilo tem base na realidade,que ja aconteceu.
    Sobre a Arte ser “Simples” isso não é um problema.Eu pego por exemplo Adolf do Osamu Tezuka (que a arte basicamente de um desenho da Disney) que consegue passar toda a crueldade da Alemanã Nazista utilizando esse traço simples.A sensação que fica é que uma arte mais “realista” desviaria do que é importante.Acho que Maus entra nessa questão mais por usar as alegorias de animais e tals

    • Boa, excelente exemplo! Ainda não li Adolf, mas tá na minha lista. Li recentemente um mandá do Tesuka de 1949 que me surpreendeu bastante! Metrópolis. Fiquei impressionado de quão a frente do seu tempo era, comparando as outras coisas dessa mesma época.

  • Bruno Messias

    Puxa, ia mandar um “sempre em frente – não olhe para o lado” da Carreta Furacão, mas a história é séria, não encaixa brincadeira boba.

    Não acho que seja obrigação dos sites divulgarem quadrinho nacional. Acho que se deve indicar quadrinhos bons, e ponto! Tenho lido muita coisa interessante de autores brasileiros no Social Comics (já viu os desenhos de ‘Valkíria’? Esse até comprei a versão impressa depois de ler!), mas já viu a quantidade de porcaria que também tem lá?

    Gostei da indicação, vou atrás.

    • Valkíia é do Alex Mir?

      • Bruno Messias

        Isso, com arte do Alex Genaro. Não sei se ele ja fez algum trabalho pro exterior, mas imagino muito ele desenhando a Mulher Maravilha. O cara manda muito bem!

        • Ah, então eu li! Mas o trabalho do Alex Mir que eu mais gostei foi Segundo Tempo, que eu falei aqui na CdC #87! Se você não tiver lido essa coluna ainda, vai lá que vale dar uma olhada!

          • Bruno Messias

            Opa, vou ver! Em compensação eu tenho um gibi dele que não gosto. Defensores da Pátria, de super heróis brasileiros. Beeem fraco, deve ser trabalho de início de carreira. Junta os “heróis”, eles brigam entre si, e acaba sem nem dizer quem são alguns personagens! Pior, a única mulher do grupo só faz uma coisa: reclamar que estragaram o penteado dela. E na chamada pra segunda edição (que não teve) diz meio assim: “aparece o vilão; fulano é capturado; e fulana… quebra a unha no shopping!”
            Juro, sem zoeira.

          • Hahaha Putz!! Uma coisa me chamou muita atenção no Alex Mir, ele parece produzir quadrinhos como uma pequena editora! São muitos títulos diferentes, sobre temáticas diferentes, que parecem escritos por autores completamente diferentes! Também li dele um gibi que contava as histórias dos orixás de uma maneira mais “supereroesca”, que parecia outra pessoa escrevendo. Acho louvável essa esquizofrenia criativa!

  • Léquinho Maniezo

    Bonito traço! A história parece ser bem interessante também e, por algum motivo, essa capa me lembrou um pouco Asterios Polyp… acho que são as cores, muito legais tmb. Esse tipo de traço meio “simples” é bem legal, como você disse, pra fazer contraste com histórias pesadas.

    Bela recomendação, se não fosse o CdC não ia saber da existência desse gibi. Abraço!

    • Rapaz, bem observado, a capa realmente lembra Asterios Polyp! Mas o formato do álbum é tão diferente, que você vai ver que as semelhanças param por aí!
      Fico feliz de ter te apresentado um troço que você não sabia que existia! Se você chegar a ler, vou querer muito saber a sua opinião! Forte abraço!

  • The Freeman, El Cucaracho Libr

    Cara, não achei o traço infantil, me lembrou bastante Asterios Polyp, do David Mazzucchelli (que inclusive pordia ter um CdC alguma hora), por causa da capa. Mas o desenho do interior tem cara de alguns quadrinhos da linha clara, tipo um Tintin. De qualquer forma, esse tipo de história sempre tem um apelo grande, pelo menos pra mim, tipo Maus, o Boxeador e até um Gen. Assim que me recuperar do rombo da última compra vou providenciar esse aí. E SIM, CARUSO, EU VOLTO PRA FALAR O QUE ACHEI.

    • Hahaahah Sobrou pouca coisa preu te dizer então… Mas fico feliz que você tenha gostado da sugestão!

  • Marcela

    Eu li e gostei, também recomendaria

    • Boa, Marcela!! Como você conheceu Ima, você lembra?

      • Marcela

        Foi no Anime Friends de 2015, o autor estava lá, eu estava como artista também expondo, me interessei mas não comprei na hora só depois quando ajudei ele no catarse com outra obra se não me engano era a HQ Eu herói especial de Natal.

        • Legal, Marcela! E, se você me permite a pergunta, o que você estava expondo no Anime Friends? Fiquei curioso!

          • Marcela

            Estava expondo o mangá shoujo que desenho com a história da Celly G. Mariano, é uma publicação tipo fanzine, ainda tenho muito o que aprender. Eu publico ele online: http://www.hotcold-fanzine.blogspot.com.br