CDC #74 – Ronin

Ronin

Hora da nossa colher de chá! Ronin é um clássico. Um clássicaço. Mas, por algum motivo que me foge à compreensão, não é tão celebrado e lembrado quanto seus parentes famosos, tipo Batman Ano Um, Cavaleiro das Trevas e A Queda de Murdock. Chegou a hora de corrigir isso!

Escrito e desenhado pelo próprio Frank Miller, Ronin é um Buffet de referências a tudo que Miller mais curtia na época: Japão feudal, clima noir, futuro distópico, quadrinho francês e bizarrices. A revista conta a história é de um Ronin (um samurai sem mestre) que vem parar num futuro maluco, reencarnado no corpo de uma pessoa sem braços e pernas, para combater o demônio responsável por atrocidades no seu passado. Descrevendo assim, parece uma bela bosta. Mas eu posso garantir que Frank Miller dá um show de narrativa, ao mesmo tempo te mantendo instigado sobre what the fuck é isso, intercalando com sequências empolgantes de ação, no melhor estilo Lobo Solitário (mangá preferido do autor). Parece que deixaram o homem solto pra brincar com seus brinquedos preferidos. E quem sai ganhando é o leitor.

Lynn Varley dá um show nas cores – eu ainda prefiro seu trabalho em Cavaleiro das Trevas e 300 de Esparta, mas aqui ela é fundamental para ambientar a trama e te ajudar a mergulhar nesse universo sombrio, brincando com os tons esverdeados numa vibe meio “computador anos 80” (isso muito antes de Matrix, tá?) e com os tons de amarelo pra retratar os descampados das batalhas no Japão antigo.

A arte consegue variar magistralmente entre mangá – no estilo Lobo Solitário – e quadrinho europeu, no melhor estilo Moebius. Essa é parte daquela mistureba maravilhosa que eu estava falando. É como comer um sushi de vinho. Tá bom, essa não é a melhor analogia, com certeza, mas o que eu quero dizer é que junta o melhor de dois mundos.

A minissérie foi lançada pela DC, na cara e na coragem (não é nem Vertigo, é DC mesmo!) e foi publicada aqui no Brasil mais de uma vez.

Tô Lendovantagens
  • Frank Miller em sua melhor forma! Hoje em dia pra conseguir isso, só revisitando o passado mesmo…
  • Mangá, quadrinho europeu, futuro distópico, anos 80, tudo junto, compondo um delicioso sanduíche nérdico de vários andares. Por incrível que pareça, todas essas coisas combinam!
  • História envolvente
  • Visual envolvente
  • Leitura fluida
  • Publicada no Brasil pela editora Abril, duas vezes em minissérie de 6 edições (uma no final da década de 80 e outra no início da década de 90) e uma vez em encadernado, em 1988, todas no formato americano. Mais tarde a Opera Graphica relançou a minissérie em 3 edições, no formato álbum europeu (esse é o que eu tenho) e por foi último lançado pela Panini num formato megablaster capa dura.
  • Com essa quantidade de versões nacionais, essa revista é uma excelente candidata para ser encontrada em promoções virtuais e garimpos nos sebos, minha atividade favorita.
Tô Lendodesvantagens
  • Numa primeira folheada pode não ser a revista mais convidativa do mundo, principalmente pra quem está acostumado com coisinhas coloridas e bonitinhas
  • Alguns desses conceitos, usados e abusados em diversas outras mídias, podem não parecer tão inovadores numa leitura hoje em dia como foram na época.
  • A versão megablaster capa dura deve ser carinha. Mas as outras versões tão aí pra isso!

Apesar de não tão conhecida, essa é uma preferida de muita gente, inclusive do animador Genndy Tartakovsky, criador das Garotas Super Poderosas, que se inspirou na obra de Miller para fazer o seu Samurai Jack (ainda bem que ele admite, aliás, porque se não seria um plágio descarado!). E você? Já conhecia? Já leu? Conta aqui pra gente as suas impressões e vamos falar de quadrinhos!

Até a próxima e boas leituras!

Tô LendoAlgumas imagens!
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2020-09-02T13:23:37+00:00 2 de setembro de 2020|0 Comentários