Fahrenheit

Farenheit foi uma excelente promessa de uma revista nacional que, infelizmente, não foi muito além da primeira mini-série. A trama consegue fazer uma boa mistura com elementos nacionais e o estilo mais “blockbuster” americano. Coisa rara.

Os protagonistas fazem parte de um grupo de mercenários (Farenheit 100º) composto por um paulista, um gaúcho, um carioca e um mineiro. Falando assim, parece o início de uma piada. E, muitas vezes, a revista segue por esse caminho, mostrando, no meio de uma missão os amigos de diferente regiões discutindo com suas devidas personalidades “geográficas” e sócio-culturais. Ou seja, o mineiro tem sotaque de mineiro, o carioca tem a marra e a “malandráge” característica, o paulista organiza tudo e o gaúcho… é hacker.

Essa dinâmica faz mais o charme da revista do que qualquer outra coisa. Muitas vezes a gente vê por aí umas tentativas de fazer um “quadrinho internacional brasileiro” (tô cheio das aspas hoje) que não dá muito certo. Fica uma versão americanizada de uns valores meio turísticos nossos, com uma Liga da Justiça meio Defensores da Amazônia, um Curupira com corpo de Superman e uma Iemanjá de biquíni cavado, etc. O que eu me atraiu em Fahrenheit, é que, apesar das missões e as cenas de ação serem meio hollywoodianas (pra dar aquele “tchans”), a ambientação é verdadeiramente nacional. A história se passa em BH e você sente que as referências são precisas (que aliás, você pode comprovar no extras de cada edição), dando um senso de realidade, assim como a relação entre os personagens.

Dito isso, é claro que a obra tem seus poréns. Ela tem uma pegada meio “massavéio” muito fruto da época de seu lançamento, quando os quadrinhos americanos dominavam as bancas e as livrarias não tinham a mesma proliferação de quadrinho nacional que a gente tem hoje. A arte do Rodney Buchemi, que melhorou muito de lá pra cá, parece sofrer um pouco com a arte final e a colorização (essa sim, péssima, sinto muito a todos os envolvidos), que remete a uma época meio Image Comics anos 90, com uns tons esquisitos de roxo, uns verdes musgo, que simplesmente não se saíram bem na impressão.

Mas ainda assim, o clima da história, a relação dos personagens, a ambientação das missões, tudo isso demonstrava grande potencial. Era uma série que – se a gente vivesse em outro mercado – tinha tudo pra sobreviver, gerar várias tramas e até passar de “mão em mão” para outros criadores, como os personagens dos quadrinhos americanos. Infelizmente, só temos essas 3 edições. Mas, quem sabe um dia, uma série de TV…?

Enquanto isso, vamos às vantagens e desvantagens:

Tô Lendovantagens
  • Quadrinho nacional! Uhu!
  • Algo que eu nunca vi muito desenvolvido na nossa dramaturgia, apesar de ser tão presente no nosso cotidiano: as diferenças regionais. Somos um país tão grande, com tantas gírias diferentes, comidas típicas, comportamentos, etc., no entanto não exploramos isso tanto quanto eu acho que poderíamos. Fahrenheit dá um passo nessa direção.
  • As edições ainda estão por aí. Eu comprei as minhas na banca de jornal, na época em que foram lançadas, depois não achei mais. Comprei todas elas de novo, baratinho, pelo Mercado Livre, com extrema facilidade.
  • A revista apresenta uns momentos de storytelling bem diferenciado, com ângulos inusitados, pontos de partidas incomuns e algumas das montagens mais criativas que eu já vi na vida.
Tô Lendodesvantagens
  • As cores são horrorosas! Sinto muito, mas são!
  • A impressão não é das melhores
  • A arte final deixa um pouco a desejar
  • Alguns elementos na trama são bastante pueris, tipo “a base do vilão”, a “hackerice”, etc… Nesse sentido, algumas coisas envelheceram um pouco mal.
  • A revista promete. Ela pulsa possibilidades e novas histórias. Inclusive, o último número anuncia que o próximo aparecerá o “maverick do Tony Brasa!” Mas esse próximo número nunca chegará… snif.

E aí? Quem já conhecia essa? Entra aí na área de comentários e troca uma ideia comigo!

Até a próxima e boas leituras!

Tô LendoAlgumas imagens!
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