CDC #69 – Justiça

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Justiça

Hora da nossa colher de chá! Essa é bem basicona, mas nem por isso, menos legal! O assunto de hoje será JUSTIÇA, de Alex Ross e aquele outro cara lá.

Justiça é uma verdadeira aula de DC. É tipo Introdução aos Super-Heróis 101. O que os autores fizeram foi pegar todos os personagens da Liga dos anos 70 e fazer uma história clássica, como a editora costumava fazer. Então não espere ambiguidades: os vilões são vilões e os mocinhos são mocinhos. A trama é totalmente acima da cintura, sem palavrões e sem conotações sexuais. E pra quem pensa que isso dá uma história sem graça, essa maxi-série de 12 edições é, como eu já falei, uma verdadeira aula!

A primeira vez que eu vi a arte do Alex Ross, a minha cara caiu da cabeça. Não tinha filmes de super-heróis na época como tem hoje e a sensação foi de ver eles se tornando reais. Mas em seguida eu comecei a me perguntar, mas será que daria pra fazer todas as revistas de super-herói assim? Minha primeira resposta foi “naaaaaaaah”. Arte do Ross, por ser muito fotográfica, acabava gerando uma arte meio estática, sem aquela sensação de movimento e ação que estamos acostumados na nossa dose semanal de “soc, pow e kabum”. Então se o roteiro não fosse meio contemplativo, como em Marvels e Kingdom Come, não iria combinar com a arte (pensei). Parece que alguém soprou minhas dúvidas no ouvido do homem, porque eu tive que dobrar minha língua 18 vezes ao ler Justiça. Você tem todo o desbunde daquela arte “capela sistinesca” do Alex Ross e, somada a ela, uma ação típica dos quadrinhos, muito melhor do que a de qualquer filme. Você tem a perfeita noção de movimento, impacto, agilidade, soc, pow e kabum. É bem impressionante!

Isso se deve, a meu ver, por dois motivos: um é o roteiro do Jim Kreuger (o tal do outro cara lá, que tem seu nome ofuscado ao lado de Alex Ross). Ele consegue fazer uma trama cheia de ação e cliffhangers, que te prendem a cada capítulo. E ele faz isso sem ficar ao mesmo tempo só porradaria: o roteiro é, também, bastante cerebral.

Outro motivo se chama o Doug Braithwaite, um nome mais ofuscado ainda, que tem suma importância na execução dessa HQ. Ele que fez os storyboards de todas as cenas. Ele praticamente fez o gibi todo e o Alex Ross “arte finalizou”. O problema é que a arte final do Alex Ross fazem você esquecer da sua vida, que dirá lembrar que tinha um layout por baixo. Acho que eles fizeram assim para agilizar o trabalho enorme, com aquele volume gigantesco de páginas. Dessa forma, eles poderiam ir trabalhando concomitantemente.

A história propriamente dita é bem básica: os vilões querem fazer alguma maldade e os heróis descobrem e impedem. O mais interessante é que eles conseguem espaço no roteiro para cada personagem ter o seu momento de holofote. E são uns 15 pelo menos, só entre os heróis. Então você imagina o trabalho que não deu coordenar essa super zona! Isso também pode ser um dos pontos negativos da revista, porque é tanta, tanta, tanta gente, que em um determinado momento você já tá meio perdido, sem saber quem é esse cara e onde é que tava o Elétron nessa altura do campeonato. Mas nada disso incomoda, porque você ainda vai estar embasbacado com a arte do Alex Ross, pode ter certeza.

A série foi publicada aqui em formato avulso em 2005 ou 2006, em 12 edições. E recentemente foi relançada num formato mega Power ultra delux, de capa dura que não cabe em nenhuma estante. Ela tem que ficar em céu aberto, tipo no topo do armário ou do lado de fora de casa.

Essa edição foi a que eu li recentemente, pra participar de um podcast sobre ela, o Matando Robô Gigante (com Affonso Solano, Didi Braguinha e Beto Estrada), cujo o link está aqui  http://jovemnerd.com.br/matando-robos-gigantes/mrg-284-fazendo-justica-com-fernando-caruso/ Ficou muito engraçado, não é longo, vale a pena dar uma ouvida. No final das contas, eu fui presenteado com essa edição, então eu não poderia ficar mais feliz! Ela vem com vários extras legais, esboços do Doug Braithwaite e do Alex Ross, palavras dos criadores, etc. Deve ser caríssima, mas vale a pena! Se você quiser saber mais sobre ela, é só ouvir o podcast! Aliás, obrigado MRG!

Vamos as vantagens e desvantagens:

Tô Lendovantagens
  • Saiu no Brasil (êêê), duas vezes (êêê êêê)
  • Saiu pela Panini, ou seja, não deve ser impossível de catar por aí nos mercados livres e sebos da vida
  • Arte do Alex Fucking Ross
  • Um roteiro simples, linear, que consegue aproveitar ainda melhor a arte do homem
  • Quase todos os heróis da DC reunidos e bem representados.
Tô Lendodesvantagens
  • A quantidade absurda de personagens pode confundir um pouco a leitura
  • A edição encadernada capa dura da Panini deve ser o preço de um Pálio
  • O roteiro é básico, não espere nada muito inventivo, fora da caixinha, inovador, kick ass, soco na cara. É como se você voltasse a ser criança e resolvesse brincar com todos os seus bonequinhos. Nem por isso quer dizer que a história vai ser ruim

Esse é um daqueles novos clássicos que todo bom nerd já deve ter lido. Então a graça de um post como esse, mais do que indicar uma leitura que todo mundo provavelmente já conhece, é saber a opinião de quem já leu! Então, por favor, não se acanhe! Vem brincar comigo na área dos comentários!

Até a próxima e boas leituras!

Tô LendoAlgumas imagens!
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2020-06-23T13:43:47+00:00 24 de junho de 2020|0 Comentários