CDC #67 – Rising Stars

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Rising Stars

Rising Stars é quaaaaase foda pra caralho. Mas é muito bom. Mas também é quaaaaaase muito ruim. Eu sei que é um jeito esquisito de começar uma resenha, mas eu vou tentar explicar.

O primeiro encadernado saiu aqui no Brasil pela Mythos e era uma excelente promessa. O arco contava a história de uma cidadezinha cuja a passagem de um meteoro gerou super poderes para 113 crianças diferentes. Poderes muito, muito diferentes! Desde os mais “básicos” (tipo voo, super força, invulnerabilidade) aos mais inúteis (tipo levitar somente 40 centímetros do chão). Passam-se alguns anos, essas pessoas super poderosas, agora adultas, começam a ser assassinadas sistematicamente. Cabe a uma dessas super-pessoas investigar os super assassinatos de seus super colegas.

Até aí, tudo ótimo! Apesar dela ter sido publicada pela Image Comics, numa época em que a editora ainda era mais Image do que Comics, o roteiro do J. M. Strazinsky é bom o suficiente pra suprir os defeitos da arte. E aja defeito, viu? É aquele traço bem típico da Image dos anos 90 ainda, onde todas as mulheres parecem fazer parte de Baywatch e todos os homens são o He-Man. A impressão da Mythos também deixa muito a desejar, apesar da qualidade da capa e do papel escolhido para o miolo. Mas ainda assim, o enredo foi interessante o suficiente para me deixar curioso e ir atrás da continuação lá fora, na gringolândia.

A partir daí é que a coisa fica um pouco mais confusa. Essa premissa, que eu achei bem interessante no início, dá um salto inusitado e muito rapidamente vira algo que se assemelha a Watchmen, logo no segundo encadernado. Então agora vamos para aquele típico cenário de humanos com medo de super humanos, opinião pública contra super-seres e conspirações do governo. Até aí, ok. Só que essa premissa que, com tempo, talvez pudesse se desenvolver naturalmente até algo original, também sofre uma guinada e vai para numa jornada quase religiosa, um pouco cafona e completamente diferente de tudo que havia sido proposto antes.

Não sei até que ponto o cancelamento da revista era tão eminente, que o autor quis correr com as suas ideias pra não deixar nada de fora. Por outro lado, o Michael Strazinsky é dado a acertos maravilhosos e erros homéricos (tão aí os filhos do Duende Verde com a Gwen Stacy que não me deixam mentir…). Rising Star é cheia de altos e baixos. Mas ao mesmo tempo em que ela peca em alguns momentos, eu acho que ela tem ideias muito interessantes, que merecem ser conhecidas por todos os fãs de super-heróis. É uma pena que essas ideias não sejam desenvolvidas com a calma que mereciam, mas ainda assim, elas estão lá!

Outra coisa legal, é que ninguém mais precisa passar pela peregrinação que eu passei pra completar a coleção. Parece que a Mythos lançou um tijolão que reúne a obra completa! (Outro negócio que eu esqueci de falar, é que nos arcos mais próximos do final, o traço dá uma melhorada. Temos uma rápida participação do Stuart Imonen, antes do seu traço ficar mais estilizado e depois, quem assume é o Bret Andersen, desenhista do Astro City).

Vamos às vantagens e desvantagens propriamente ditas:

Tô Lendovantagens
  • Boas premissas criativas. Tanto de história, quanto de personagens e super poderes diferentes. Um bom sopro de originalidade, mostrando como ainda é possível pensar coisas novas no meio super-heroesco.
  • Publicado aqui no Brasil. O primeiro arco saiu num encadernado fechadinho da Mythos, que deve ter gerado algum encalhe (não sei), porque eu encontro ele com muita facilidade nos sebos da vida. O que significa que você deve achar ele baratinho.
  • Obra completa lançada aqui, ainda que num encadernadão caro e meio difícil de achar. Mas que ele existe, ele existe.
Tô Lendodesvantagens
  • Primeiro e segundo arco têm um traço HORROROSO
  • Qualidade da impressão do primeiro encadernado da Mythos é bem deplorável. Eu não vi o outro, completão, mas acredito que eles tenham corrigido esse erro! (Agora se for culpa da edição original americana, babou…)
  • As premissas, apesar de muito boas, nem sempre são desenvolvidas até alcançar o seu potencial
  • O encadernado da Mythos completão deve ser bem caro.
  • Alguns personagens, visualmente, se parecem muito uns com os outros (ainda mais se levarmos em consideração o traço horroroso). Então temos, por exemplo, dois cabeludos superfortes com ar de misterioso ao longo da história, o que exige uma certa atenção na leitura.
  • Não é, nem de longe, um Watchmen. Nesse caso eu acho bom reforçar isso, porque, mesmo NADA sendo um Watchmen, a divulgação da edição nacional diz, em letras garrafais “O PRÓXIMO WATCHMEN”. Rá, tá bom. Senta lá, Claudia.

Apesar do excesso de desvantagens, eu continuo achando que essa é uma obra que merece a atenção do fã de Super Heróis. Mesmo ela não alcançando todo o seu potencial, eu acho que ela aborda temas instigantes e diferentes, que podem até ajudar a criar uma próxima geração de roteiristas, quem sabe?

De qualquer forma, vai ser um prazer trocar ideia com alguém que já tenha lido ess material. Ainda não conheci ninguém que tenha lido tudo, então… apareça!

Boas leituras, meninos e meninas!

Tô LendoAlgumas imagens!
Rising Stars
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2020-05-27T11:58:54+00:00 27 de maio de 2020|0 Comentários