CDC #66 – WILSON

Wilson

Wilson é um daqueles excelentes quadrinhos que pode estar escondido numa livraria perto de você! Tanto que eu mesmo fiquei surpreso quando eu dei de cara com a versão nacional, que eu nem sabia que existia, ali me olhando, com cara de “eu tava aqui há mó tempão e você nem viu”! Aliás, parabéns à Companhia das Letras, que publicou essa obra do Daniel Clowes aqui no Brasil, numa edição tão boa quanto a americana, com uma vantagem: em português!!! Coisa que os americanos nunca fazem, não sei por que…

É bastante difícil descrever o charme da obra, que reside mais em seu sarcasmo do que qualquer outra coisa. A revista conta a história de Wilson, que é um cara anti-social, com uma enorme dificuldade de lidar com as pessoas no dia-a-dia, apesar de suas (quase) boas intenções. O curioso é que as coisas pelas quais o personagem passa, são dignas de um verdadeiro drama, mas a forma como ele encara cada acontecimento, gera cenas muito engraçadas, que te fazem rir em voz alta (muitas vezes por puro constrangimento).

A trama segue em formato de tiras de uma página, tipo aquelas tiras dominicais, que saíam maiores nos jornais. Apesar de um funcionamento episódico (todas as tiras funcionam com um perfeito senso de conclusão individual), a história vai avançando e os anos vão passando, quase sem você perceber, assim como na vida. O que eu acho interessante, é que você pode tanto pegar pra ler uma tira solta, em qualquer ordem, quanto ler montando a cronologia do personagem, sem ser prejudicado em nenhum dos casos. Várias dariam excelentes quadros isolados em uma parede qualquer da sua sala. 

O mais curioso desse esquema, é que cada tira possui um estilo de arte diferente, hora mais cartunesco, hora mais realista, sem isso necessariamente condizer com o clima da história sendo contada. E o mais curioso ainda disso tudo, é que todos esses estilos são perpetrados pelo mesmo artista, o próprio Daniel Clowes, autor da obra. É interessante analisar que cada estilo que ele cria é consistente dentro da sua personalidade, ou seja, realmente parece desenhado por uns quatro ou cinco caras diferentes. Muito doido.

Apesar dessa doidera toda, a temática é absolutamente mundana e pode ser apreciada por qualquer um, leitores de muita ou primeira viagem. Altamente recomendado!

Tô Lendovantagens
  • Saiu no Brasil! Aêêêê (deixa para os fogos)!
  • Saiu pela Cia dos Quadrinhos, um braço da Companhia das Letras. O que significa que você encontrará, com relativa facilidade, em livrarias que tenham ar condicionado.
  • Um tipo de humor muito diferente
  • Um tipo de humor muito inteligente
  • Excelente pra quem quer conhecer um mundo além das capas e colantes
  • Leitura unissex e excelente pra catequizar os que acham que quadrinhos é coisa de criança ou de “menino”
  • Como ela tem um funcionamento de tiras isoladas, é muito fácil dar uma folheada na livraria antes de decidir se é a leitura ideal pra você ou não.
  • Minha mulher se amarrou. Até agora eu conto nos dedos de uma mão as revistas com o “Selo Mari de Qualidade” e essa é uma delas!
Tô Lendodesvantagens
  • Talvez seja um tipo de humor que não é pra todo mundo
  • Numa folheada rápida, sem ler os diálogos, a inconstância da arte pode afastar o leitor mais incauto
  • Acho que não houve uma tiragem nova da obra, que se encontra esgotada no catálogo da editora. Mas as lojas de quadrinho estão aí para isso!
  • Estou inventando desvantagens, porque na real eu não consigo pensar em nenhuma…

Essa é uma leitura obrigatória para os que se dizem amantes da nona arte. Se você não conhece, é a hora de expandir seus horizontes para além das grandes indústrias. Essa aí não chega nem a ser undergound, é tipo a beirola do underground. Mas é uma verdadeira brisa de criatividade em meio à mesmice pasteurizada que muitas vezes a gente encontra mensalmente por aí!

Conto com a sua participação nos comentários!

Até a próxima e boas leituras.

Tô LendoAlgumas imagens!
Wilson
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2020-05-11T13:33:58+00:00 13 de maio de 2020|0 Comentários