CDC #59 – SUPREMO

Hora da nossa colher de chá e a nossa colher de chá hoje é suprema! Sim, o trocadilho infame é para introduzir Supremo, criação máxima do multitalentoso Rob Liefeld, esse jovem mancebo adorado por tantos!

Supremo é um super-herói desenvolvido para a Awesome Entretainment (pra você ter uma ideia da personalidade confiante do rapaz, a empresa do homem se chama Entretenimento do C@%$¨*!), que surgiu numa época muito “““criativa”””” (o excesso de aspas não é acidental) do sensacional desenhista de pé e mão que a nação nerd tanto ama. Resumindo, o Supremo é uma fotocópia cuspida e escarrada (e não esculpida em carrara) do Superman. Apareceu mais ou menos ao mesmo tempo que o Liefeld resolveu ressuscitar o Fighting America, cópia do Capitão América dos mesmos criadores do original, depois que perderam os direitos sobre ele para Marvel em 1954. Quer dizer, nem pra copiar o Liefeld serviu, acabou com a cópia da cópia. Bastava criar um novo! O Cópiatão América! Pronto! É teu, Liefeld, de graça, toma, nem precisa agradecer…

Mas voltando a super vaca fria. Porque então falar desse super chupim descarado do “Roube” Liefeld? Porque em 1996 ele teve uma ideia brilhante: passar a sua criação para o Alan Moore. Alan Moore, mago supremo dos quadrinhos – e louco de pedra – aceitou (por isso a parte do “louco de pedra”), com a condição de que ele pudesse desconsiderar tudo que já havia feito do personagem e começar do zero, já que as histórias anteriores “não eram muito boas” (palavras do mago supremo, não minhas. Eu não teria sido tão gentil…). Rob Liefeld, brilhantemente mais uma vez, disse: vai que é tua, Tafarel, faz o que você qui-ser! E o Alan Moore foi lá e fez o que é, simplesmente, uma das obras mais incríveis da nona arte (afinal, o cara é o Mago Supremo dos quadrinhos).

Assumindo que o personagem era uma cópia descarada do Super Homem, Moore escreveu a história do Super Homem que a DC jamais deixaria ele escrever, carregada de metalinguagem, crítica ao universo dos quadrinhos, revivendo as eras de ouro, prata e bronze dos gibis. É uma leitura realmente muito, muito interessante! Essa ideia depois acabou sendo aproveitada por váááários outros roteiristas muitas vezes depois.

Uma das coisas interessantes da revista é que quando o personagem se lembra de aventuras passadas, elas são retratadas como gibis antigos, com traço e narrativas completamente diferentes. É realmente genial. Com esse subterfúgio, Alan Moore mostra sua paixão e conhecimento absoluto dos personagens clássicos de quadrinhos, remetendo desde a primeira formação da Liga da Justiça, até a Crise nas Infinitas Terras de 85. (Agora que a gente tem uma Crise todo mês, é bom começar a colocar o ano do lado…)

A revista é desenhada por vários artistas diferentes, remetendo a variadas épocas. Inclusive a época que ele vive, os terríveis anos 90, com o traço mais “Image” – no mal sentido – possível. Alan Moore parece estar claramente tirando sarro da própria revista nesses momentos. Uma coisa que me deixou chocado, inclusive, é como ele consegue criticar os anos 90 em plenos anos 90! Ele parece escrever do futuro! Em uma passagem da revista, Supremo é descrito como “um típico Super Herói dos anos 90”, sendo listada uma série de clichês que definem esses personagens. Eu já vi essas análises de épocas e comportamentos sendo feitas décadas depois do acontecido, que você consegue analisar com mais distanciamento seu objeto de pesquisa. Mas nunca tinha visto isso sendo feito tão perfeitamente de dentro da época em que se está vivendo, antes mesmo dela acabar… Quer dizer, Mago Supremo, né gente?

O curioso é que, apesar da história ser uma alusão e um tratado às eras e os clichês dos quadrinhos, ela também é uma boa aventura, funcionando até pra quem não pega essa brincadeira. (Tradução: pode emprestar pros amigos mais burrinhos, sem problemas!) 

A coleção com os três encadernados de A História do Ano – Era de Ouro, Era de Prata e Era de Bronze, foram lançadas aqui por mais de uma editora. A coleção que eu tenho é a da Brainstorm, que veio com um casesinho tipo de Box de DVD, bem bonintinho. Anos mais tarde publicaram um último encadernado intitulado A Era Moderna, mas esse eu ainda não li, então não posso opinar!

Tô Lendovantagens
  • Alan Moore. Alan Moore é sempre vantagem.
  • Uma análise bem crítica do universo dos Super Heróis. Coisas que estão ali, bem na nossa cara, mas que só precisava de um Mago Supremo para mostrar pra gente
  • Ideal pra todo nerd conhecedor de quadrinhos. Vão ter orgasmos múltiplos pegando todas as referências
  • Já foi publicado aqui, pela Brain Storm e pela Devir.
  • Não é difícil de achar, então você não deveria ter que pagar muito caro por elas. Se alguém estiver cobrando um braço e duas pernas, você diz obrigado, e continua procurando, que vai achar uma oferta mais em conta
  • Esse case da Brainstorm, apesar de na época eu ter achado meio chinfrim, hoje eu pude perceber como ele ajudou a conservar a minha coleção como se fosse nova! Então… obrigado, Brainstorm!
Tô Lendodesvantagens
  • A qualidade do papel e da impressão da minha coleção é beeeem ruim, então… obrigado, Brainstorm!
  • Acho que essa é uma leitura exclusiva para iniciados. Quem não pega essas referências ou não está inserido nos clichês do universo de Super Heróis não vai se divertir tanto…
  • Entre os vários artistas, tem alguns muuuito ruins! Principalmente os que representam a Era Image. É claro, eles estão cumprindo a sua função na história, mas meu deus do céu, crê em Deus pai, sangue de Jesus, como era ruim!
  • Por conta disso, a folheada pode assustar o leitor de passagem. Mas o leitor mais sagaz sabe que tem que vencer isso para ter uma maravilhosa experiência!
  • É do Rob Liefeld. Não importa quão maravilhosa seja a história (porque é, sim, maravilhosa) sempre vai ter aquela sensaçãozinha desagradável no fundo do seu cérebro de que você ajudando a financiar o tráfico.

Como esse é um verdadeiro neo-clássico, eu imagino que a maioria das pessoas já tenham lido! Então vamos abrir a porteira dos infernos e botar a boca no proverbial trombone! Bora começar o fórum e trocar ideia! Digam lá: o que vocês acharam???

Tô LendoAlgumas imagens!
2020-02-04T19:43:48+00:00 5 de fevereiro de 2020|0 Comentários