CDC #58 – FLAMING CARROT

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“Depois de ler 5000 gibis em uma única sentada para ganhar uma aposta, esse pobre homem sofreu danos cerebrais e ressurgiu imediatamente depois como… o CENOURA FLAMEJANTE”.

Muito bem! Essa é uma daquelas beeem bizarras, que eu passei a vida tentando achar. Já tinha esbarrado com o Flaming Carrot várias vezes, em várias ocasiões (inclusive “pessoalmente”), mas nunca achei um ponto de partida ideal para ler as suas histórias. Isso aconteceu, em parte, porque o histórico do personagem é um pouco errático. Surgiu em 1979, foi publicado de forma independente (“independente” mesmo, tipo, xerox independente, sabe?) e depois passou por inúmeras editoras. Suas revistas são bem difíceis de encontrar, mesmo nos Estados Unidos, onde elas são consideradas cults e meio raridade. Não é incomum você achar um mero encadernado no valor de 100 dólares ou mais.

Mas a curiosidade já estava lá. Como se não bastasse o nome e o visual peculiar do personagem, numa das minhas idas à convenção eu me deparei com um cosplay surreal do Cenoura Flamejante descendo a escada rolante. Era tão surreal que até hoje eu não sei se eu vi ou sonhei aquilo. Mas foi com certeza o suficiente para eu dizer: chega, eu preciso ler isso de qualquer jeito!

Assim sendo, quando eu fiz um trabalho para a Devir e me deram um polpudo bônus em revistas em quadrinhos, eu não deixei passar a oportunidade de pegar um encadernado da Dark Horse com a antologia do Flaming Carrot. O problema é que só tinha o Volume 3 pra pegar, coisa que meus colegas leitores transtornados obsessiva e compulsivamente bem sabem, eu não costumo fazer. Peguei-o mesmo assim (afinal, era “de graça”!) e usei o número ímpar como desculpa para ir atrás dos outros dois assim que eu tivesse a oportunidade. E eis que, depois de uma vida, finalmente encontrei o volume 1 num preço acessível na MyComicShop e pude, enfim, ler o tão perseguido personagem. Vamos a ele!

É muito difícil definir o Cenoura Flamejante. A melhor descrição é a da própria revista, “Um Super Herói Surrealista”. Ele brinca com os quadrinhos mais “simplistas” da Era de Ouro, com histórias curtas, mas sempre com finais absurdos e hilários. Aliás, o meio e o início costumam ser hilários também. Isso sem falar no conceito do personagem, que além de ter uma cabeça de cenoura enorme e flamejante, usa pés de pato, fuma um cachimbo de bolinhas de sabão e se locomove com um pula-pula atômico. Se as palavras “pula-pula atômico” não te fizerem digitar Flaming Carrot no Google agora, você é um caso perdido.

O traço é bem sujo e caótico, mas ao mesmo tempo muito interessante, combina muito com o tipo de humor underground que a revista possui. Esse é bem pra quem curtiu o Squee, o Bob The Angry Flower, o Too Much Coffee Man, ou mesmo The Tick, já mencionados aqui em Cavernas passadas. Aliás, um crossover entre eles faria bastante sentido… (Mais até do que um crossover entre ele e as Tartarugas Ninja, que eu acabei de descobrir que existe).

Os vilões e as situações pelas quais o Cenoura Flamejante passa também são tão surreais quanto ele. Mas o que eu acho mais curioso é que, mesmo esses personagens malucos, nesse universo maluco, olham para o Cenoura Flamejante e dizem “esse cara não bate bem…”. Quer dizer, ele é o mais maluco da maluquice toda!

Como eu disse, é muito difícil descrever o Cenoura Flamejante. Acho que ele é um personagem que precisa ser vivido e descoberto por cada um, como uma viagem de ácido. Não existe maneira didática de fazer você entender, tem que experimentar (tô falando do gibi, não do ácido, pelo amor de deus!). Eu experimentei e me amarrei! (O gibi, tá?? O gibi!!!)

A edição que eu consegui é da coleção da Dark Horse, que compila tudo que já foi publicado por aí a fora do personagem, numa ordem minimamente cronológica. Além das histórias em quadrinhos, a edição trazia uma aventura em prosa, um conto escrito, com o bizarro personagem. Um dos pedaços do conto me fez rir em voz alta, vou transcrevê-lo aqui para quem interessar possa:

Capítulo 7 – O Castelo Misterioso.

Seguindo a luz distante, o Cenoura Flamejante chegou a uma grande construção ao lado de uma montanha. Um tipo de castelo com torres espiraladas, ponte levadiça e um rio a sua volta. Era impressionante e intimidante, mas o Cenoura Flamejante bateu na porta mesmo assim.

‘Quem vem lá?’ disse uma voz lá de dentro.

‘Eu sou um viajante em uma terra estranha, que pede humildemente para adentrar’ respondeu o Cenoura Flamejante.

‘E o que você quer aqui?’ disse a voz por trás da porta.

Após alguns segundos, ele retrucou com a verdade. ‘Eu tenho que ir no banheiro’ disse o Cenoura Flamejante em um fraco murmúrio envergonhado.

Sério gente… Eu acho isso muito engraçado! Ai, ai… Bem, vamos às vantagens e desvantagens:

Tô Lendovantagens
  • Ideal pra quem quer fugir do mainstream. Não se vai mais longe do mainstream que isso!
  • Excelente para quem quer contar vantagem de nerd, mostrando conhecimento de um personagem que ninguém mais conhece
  • Visual único, que você vai adorar conhecer. UMA VEZ VISTO, NÃO PODERÁ SER DES-VISTO!
  • Histórias bem engraçadas, em especial para quem curte o nonsense Monty Pythoniano
  • Apesar de muito obscuro, ele volta e meia aparece em referências escondidas em filmes e séries de TV que vão te deixar feliz da vida de reconhecer, enquanto todos em volta te olham com aquela cara de “Hã???”
Tô Lendodesvantagens
  • Nunca saiu no Brasil
  • Mesmo lá fora é dificílimo de achar
  • Mais difícil ainda de achar o volume 1 da Dark Horse, que eu acredito ser o ponto de partida ideal para o personagem
  • Traço sujo e caótico que pode afastar os mais medrosos da leitura
  • Meio surreal demais. Se você não curte o nonsense Monty Pythoniano, esse não é para você.

E aí? Quem será que vai conversar comigo sobre isso? Ninguém, né? Bem, se você se animar, deixa um comentário aí embaixo que eu me animo também! Será um prazer!

Para os demais, até a próxima e boas leituras!

Tô LendoAlgumas imagens!
Flaming Carrot
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Flaming Carrot
2020-01-22T15:18:37+00:00 22 de janeiro de 2020|0 Comentários