CDC #55 – ZERO GIRL

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Zero Girl

Como já falei aqui na Caverna do Caruso sobre The Maxx, eu sou muito fã do Sam Kieth. Por conta disso, durante muito tempo andei catando coisas que ele publicou por aí a fora. Zero Girl foi uma dessas excelentes descobertas. É esquisitona, mas eu gosto bastante.

Zero Girl foi publicado numa mini-série em cinco edições em 2001 e posteriormente compilado num encadernado contendo o arco todo e mais alguns extras (é esse que eu tenho). A trama conta a história de uma menina que se envolve romanticamente com um professor muito mais velho que ela. Como nada é simples e normal no mundo de Sam Kieth, a garota tem uma aversão a formas quadradas e extrai poder e segurança de formas circulares. É isso mesmo, fazer o quê? Deixa a garota, ué. Somado a isso, toda vez que ela fica nervosa ou constrangida, seus pés suam em quantidades monstruosas, fazendo verdadeiras poças de suor embaixo dela.

Como as outras coisas que o Sam Kieth costuma escrever, a história vai muito além da simples trama e reside mais nos sentimentos que ela evoca. Seja em você, na protagonista, nesse professor confuso que se vê sugado para esse universo louco dessa menina, em todo mundo. Ele representa muito bem o mundo adolescente, onde tudo é muito mais do que parece. E, apesar das insanidades do roteiro, o sentimento é bem verdadeiro e fácil de se identificar. É uma revista bastante interessante.

Talvez até mais interessante do que isso, seja o fato da história ser, de alguma maneira, auto biográfica. O próprio Sam Kieth explica que ele passou por algo semelhante e veio a se casar com a sua professora, 15 anos mais velha que ele. Quem sabe por isso os sentimentos que a trama evoca são tão sinceros.

A arte do moço é espetacular e foi o que me atraiu à HQ, antes mesmo de viajar nas suas histórias viajandonas. Ele usa bastante pintura e seus desenhos variam entre o muito realista ou o muito absurdo, de acordo com a necessidade da cena. As cores também são espetaculares. É ideal pra quem curte o trabalho do Bill Sieckenvildksajhflsakjche, Simon Bisley e afins. Um verdadeiro banquete para os olhos.

Então para todos os orfãos de Sandman, The Maxx, ou para todos aqueles cansados de gente de collant dando tapa na cara de alienígena, essa pode ser a leitura ideal que estava faltando. Mas se você é do tipo que curte trabucos gigantes e pés pequenos, melhor manter a distância.

Pra quem curtir, um segundo arco foi publicado, que conta a história dos dois alguns anos mais pra frente. Não é uma continuação direta, então você pode ler o primeiro encadernado sem compromisso e, se quiser, pegar o segundo pra ler anos depois.

Tô Lendovantagens
  • Publicado pela Homage Comics (que eu acho que é um braço da Image Comics, mas oque importa é que…) não é nenhuma raridade! Capaz até de achar por uns preços bacanas por aí!
  • História sensível, com uma pegada diferenciada.
  • Leitura rápida, que não vai atrasar a sua pilha de gibis por muito tempo
  • Arte espetacular! Ideal pra quem “só lê as figuras”…
  • Leitura unissex, com uma protagonista feminina forte e complexa
  • Ideal pra quem quer ler quadrinhos com um pouquiiiinho mais de profundidade
Tô Lendodesvantagens
  • Nunca foi publicado no Brasil. Nem nunca será, infelizmente…
  • O traço do Sam Kieth, pra quem não gosta, pode ser um impeditivo.
  • Pra quem não curte umas loucurinhas e subjetividades, pode não ser a leitura mais indicada…

Será que eu encontro por entre as nossas fileiras outros fãs do Sam Kieth?? Você já leu alguma revista que te evocasse esses sentimentos “diferentes“? Qual? Entra aí nos comentários e troca uma ideia comigo!

No mais, até a próxima quarta e boas leituras!

Tô LendoAlgumas imagens!
2019-11-25T17:40:48+00:00 27 de novembro de 2019|0 Comentários