Necronauta HQ

Conheci o Necronauta naquela parte de trás da Comix, que eu mencionei na coluna sobre o Mondo Urbano, do Rafael Albuquerque. Foi naquele cantinho só dedicado a material nacional independente, sabe?

Na época, o Necronauta era um gibizinho feito em Xerox, de folhas A4 dobradas, com um simbolozinho (genial, diga-se de passagem) de tempo de leitura com um bonequinho sentado na privada (aliás, com uma descrição bastante precisa, como pude comprovar mais tarde no conforto de minha própria casa). Já naquela época, ele me encantou.

O Necronauta é um super-herói brasileiro, mas antes de ser brasileiro ele é original. A verdade é que ele é brasileiro só de “nascença”, porque ele poderia ser publicado em qualquer parte do mundo. É um conceito muito bem amarrado de uniforme, nome, função, símbolo, tudo. Muito me admira ele não ser tão conhecido entre a maioria dos nossos colegas nerds. Deveria.

A função do Necronauta é ajudar as almas perdidas a atravessar para o “outro lado”. Pra isso, ele muitas vezes assume formas que ajudam a alma penada a se identificar, confiar e acompanhar. Isso faz com que cada história seja mais focada na trama desses coadjuvantes do que do personagem principal, não muito diferente daquelas histórias mais clássicas do Spirit. Com essa premissa, Danilo Beyruth cria um universo riquíssimo de possibilidades, que te deixa não apenas desejando por mais, como imaginando um milhão de novas histórias na sua cabeça, bem além dos três-a-cinco minutos de banheiro que o simbolozinho na capa do fanzine advertia.

O traço do Beyrtuh (que além de escrever mirabolantemente bem, também desenha) é excelente. A narrativa visual, a movimentação dos personagens, os ângulos das cenas, tudo, denota uma elevadíssima capacidade profissional muito paradoxal àquelas folhas verdes de papel A4 dobradas, que conseguiram me entreter tanto, apesar da tosquice.

Ainda bem que a HQM (ah, que saudade!) resolveu publicar tudo em um formato digno de ser vendido em livrarias e a Zarabatana Books deu continuidade a essa maravilhosa empreitada. Eu acho que todo nerd tupiniquim deveria comprar um exemplar de cada. É o nosso dever nacional. Um dever deveras divertido!

Tô Lendovantagens
  • Publicado no Brasil! Aêêêê
  • Essas ediçõezinhas xerocadas em folhas A4, que eu mencionei, apesar de serem cheias de charme, já se tornaram raridades. Mas porque isso está na coluna de vantagens???  Porque a HQM, aquela linda, nos fez o favor de compilar todas elas e mais uma história inédita, em uma única edição! Então agradeça a HQM. Aquela linda. (Ah, que saudade!)
  • Patrimônio nacional. Mais até do que o avião, que está aberto a discussões…
  • Personagem super original
  • Que resolve os problemas com diálogo e não porrada
  • Conceito muito bem amarrado, daqueles que dá vontade de ter o bonequinho, camiseta, caneca, estatueta, etc.
  • Histórias muito leves, de fácil leitura.
  • Unissex. Almas não têm sexo.
  • Excelente pra quem quer dar um tempo dos Super Batidos
  • Os dois volumes (da HQM, aquela linda e da Zarabatana, essa gostosa) não são difíceis de achar em livrarias.
Tô Lendodesvantagens
  •  A maioria das histórias são em preto e branco ou três cores. Mas não prejudica em nada a qualidade dos desenhos, o homem sabe muito bem o que está fazendo.
  • A leitura pode ser rápida demais. (Eu li as mesmas várias vezes)
  • Te deixa querendo se aprofundar mais no universo e ter sagas mais longas, arqui-inimigos, super grupos, reboots… ops, acho que eu me empolguei, esquece reboots, foi no embalo! 
  • Conceito muito bem amarrado, daqueles que dá vontade de ter o bonequinho, camiseta, caneca, estatueta, etc. MAS NÃO TEM NADA DISSO.

Taí, esse é um super-herói que merece muito da nossa divulgação! Então divulgue! Encaminhe essa coluna para algum coleguinha e, caso você já seja um necronáutico, deixe aqui seus comentários, incentivando outros a fazerem a… passagem.

Até a próxima e boas leituras!

Tô LendoAlgumas imagens!
Necronauta HQ
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