CDC #41 Guardiões da Galáxia Vol.3

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Guardiões da Galáxia Vol.3 HQ

AVISO: Essa vai ser a coluna mais longa de todas. Talvez você queira voltar depois, quando estiver com mais tempo. Ou fazer várias viagens, não sei. De qualquer forma, o aviso foi feito. É bom respirar bastante, separar um sanduíche ou uma garrafinha
d´água, sei lá, porque vai ser uma jornada. Boa sorte! A gente se vê no final. Vamos lá…

Os Guardiões da Galáxia no cinema atiçou em mim uma fagulha nerd que eu nem sabia que eu tinha. Algo me deixou bastante intrigado. Fiquei bastante surpreso em não apenas adorar o filme como em desconhecer completamente aquele universo. Foi uma das primeiras vezes que eu não sabia do que diabo se tratava nenhuma daquelas referências. (Ok, eu sabia quem era o Drax e talvez tivesse visto a Gamora em algum canto de quadro de alguma batalha homérica, mas fora isso, tudo pra mim era uma novidade). Cheguei a achar, inclusive, que eles tinham se apropriado apenas do nome do grupo – o da década de 60 – e criado todo o resto, gerando uma franquia do zero. Quando eu soube que uma formação bem parecida com aquela do cinema já havia existido nos quadrinhos, resolvi ir atrás para ver a fonte de inspiração do filme que eu havia gostado tanto. Foi um pouco mais difícil do que eu esperava, mas valeu a pena. Finalmente eu terminei de ler tudo que eu encontrei sobre os Guardiões da Galáxia volume 3, com a formação de 2008 (não confundir com a de 60, a de 90 e nem com a versão atual do Bendis, que faz o caminho contrário, trazendo a vibe do filme para os quadrinhos.)

Pra chegar no título dos Guardiões escrito por Abnett e Lanning foi uma verdadeira saga, que eu relatarei mais abaixo, passando por duas Aniquilações, dois sebos e uma viagem pra Aspen. Passado tudo isso, vamos ao miolo da questão: o título é muito bom. É bem interessante ver a essência da caracterização dos personagens que gerou suas versões hollywoodianas, bem antes deles sonharem alçar esse voo. Eu tenho uma impressão que, hoje em dia, uma boa parte dos quadrinhos é feita pensando na sua possível versão cinematográfica, com aberturas de cinema, cores realistas e um universo possível de ser adaptado. Esses Guardiões não, eles são feitos para serem personagens de quadrinhos, apenas. E mais: personagens de quadrinhos da Marvel, do setor cósmico. Quer dizer, mais específico e inadaptável, impossível. Já adianto que ler esse volume dos Guardiões sem conhecimento prévio do universo da editora pode ser bastante infrutífero. As histórias são cheias de referências a personagens, mundos e culturas criadas dentro da cronologia marveliana. Pouca coisa é criada especificamente para aquela revista apenas. Isso é bastante legal, vários personagens espaciais são reaproveitados nessas histórias, com uma pegada bastante divertida e carregada de humor. Eu percebi que eu sentia um pouco falta disso: quadrinho pra quem já lê quadrinho, não pra quem está preocupado em atrair novos leitores ou licenciar uma marca.

O desenhista dos primeiros números é o Paul Pelletier, que faz um trabalho bem legal, mas que logo é substituído por vários outros desenhistas, cada um com um traço completamente diferente, mas todos eles muito bons, contribuindo de um jeito bem particular para a história. No total são 25 revistas muito legais, que valem a pena serem lidas, baixadas ou contrabandeadas no exterior. Porém, como eu falei, é uma leitura com pré-requisitos. Como eles são muitos, ao invés de fazer a minha tradicional listagem de VANTAGENS e DESVANTAGENS, eu vou listar todas as leituras aqui em ordem cronológica, como uma espécie de serviço público para quem quiser fazer o mesmo que eu e ir atrás dessa leitura. Foi bastante difícil, nem tudo saiu no Brasil, mas valeu à pena. Então vamos lá:

ANIQUILAÇÃO – Mini série em 7 partes que saiu aqui no Brasil. O prelúdio da mini-série é inteiro sobre o “novo” Drax, pra minha surpresa já bem parecido com o que ele virou no filme (eu lembrava dele com capa roxa e capuzinho de Drácula, lutando contra o Homem Impossível na revista do Surfista Prateado). A história é bem escrita e muito bem desenhada. Vale bem a pena. Depois, o resto a mini série, junta todos os títulos que saíram nos EUA como se fosse uma das nossas revistas de mix. Dessa forma na número 1 temos todos os números uns reunidos, das mini-séries do Surfista Prateado, do Ronan, do Super Skrull e do Nova. Isso pode complicar a sua vida se você seguir a leitura na forma como eles publicaram. O ideal, pra mim, é ler todos os capítulos do Nova, depois do Surfista, depois do Ronan e assim por diante. Aí, nos últimos títulos, todo mundo se junta para a porradaria final. A trama é basicamente uma invasão na nossa galáxia que precisa unir geral para combatê-la. É uma leitura boa, mas nada incrivelmente extraordinário. Quando começa a porradaria geral, além do Drax e do Ronan, que já tinham aparecido antes, contamos também com as aparições à conta gotas da Gamora e do Starlord. Esse último já com um humor mordaz bastante característico que, mesmo em doses pequenas, já chama a atenção. Isso acaba definindo o personagem de um jeito positivo. Diferente do que acontece quando esse recurso fica forçado (em HQs mal escritas do Homem Aranha ou do Deadpool, por exemplo), o Peter Quill não erra o tom até o final, mesmo depois de trocar de roterista.

Guardiões da Galáxia Vol.3 HQ

ANIQUILAÇÃO II – Mini série também em 7 partes, que também saiu no Brasil. Novamente dá merda na Galáxia e a galera precisa se juntar. Dessa vez a Panini já publicou as mini-séries dentro da revista da ordem ideal de leitura, não precisando daquela atenção redobrada da primeira saga. Além do retorno dos personagens anteriores, temos a primeira formação do grupo que se tornará os Guardiões da Galáxia, agora com o Rocket Raccoom e o Groot. O Groot horas fala, horas não. Parece que ainda estavam tentando acertar o conceito da reformulação do personagem. Mas, pra perto do final da revista tem umas pegadinhas que são:

MARVEL APRESENTA 38 e 41 – Todas elas acompanhando as histórias do Nova, para culminar no final da saga. São leituras importantes para a compreensão da revista, e ainda mostram a Gamora, o Drax e também o Cosmo (aquele cachorro vestido de astronauta que aparece na sala do Colecionador no primeiro filme) e o Luganenhum, a cabeça do Celestial morto (que também tem seu momento nas telonas). Apesar de não ser exatamente muito fã do Nova, gostei bastante das histórias e de completar as peças que faltavam para o meu quebra cabeça. (A Marvel 41 eu achei num sebo no centro do Rio de Janeiro, a Academia do Saber e quando eu fui lê-la, descobri que eu precisava da Marvel 38, que eu não achei em lugar nenhum. Acabei encomendando de outro sebo em São Paulo, pelo Mercado Livre.)

Depois dessas duas edições de Marvel Apresenta, vamos para os últimos números da saga Aniquilação II, onde, mais uma vez, todo mundo se junta pra porradaria final. Com isso resolvido podemos seguir para…

GUARDIÕES DA GALÁXIA

OS GUARDIÕES DA GALÁXIA – Finalmente, depois das duas Aniquilações, vem a série do grupo gerado por elas, que eu estava falando lá em cima. Foi publicado aqui no Brasil duas vezes pela Panini. Uma em Marvel Apresenta número 42 e outra numa edição especial mais recente, toda linda com capa cromada. As primeiras histórias referem bastante às duas sagas anteriores, por isso que eu fui atrás delas. Mas é aqui que começaram os problemas: a Panini lançou só o arco com os números do 1 ao 6, mas a história nem de longe acaba aí. O final desse encadernado, inclusive, é bem Império Contra Ataca, te deixando desesperado por uma continuação. Por isso tive procurá-las lá fora. SÓ QUE… por algum motivo, essas revistas viraram raridade nos estados unidos. Como eu falei, são 25 números que foram organizados em 4 encadernados. Todos eles esgotadíssimos e vendidos a preços relativamente abusivos nas Amazon da vida. Minha solução (que provavelmente não é muito útil para mais ninguém) foi fazer o seguinte: eu achei no site mycomicshop.com outros encadernados, uma espécie de “obras completas” Parte I e Parte II. O primeiro com as revistas de 1 a 12 e o segundo com as revistas de 12 a 25. É bem traiçoeiro achar esses encadernados (tem que procurar pelo nome dos autores) porque os Guardiões da Galáxia tiveram muitas encarnações. Achados esses volumes (com preços bem mais em conta que as encadernações menores) eu mandei entregar em Aspen, aonde eu ia passar meu carnaval, escapando assim da folia e do frete internacional. O problema dessa solução é que o meu encadernado da Panini, embora lindíssimo, perdeu um pouco do sentido. Paciência. Pois bem, lidos os dois volumes (que fazem referência à Invasão Skrull, Guerra Civil e Guerra de Reis – nada que complique muito a leitura, mas como eu falei: é preciso estar com seu conhecimento do Universo Marvel em dia…) eu descobri que, depois disso tudo, ainda tinha uma última mini série (!!!!!!!!) que realmente encerrava os trabalhos dessa formação dos Guardiões. Era ela…

THANOS IMPERATIVE – Que também não foi publicada no Brasil*, infelizmente, porque eu achei uma mini-série muito boa! Achei o encadernado dando sopa na Amazon.com.br, que eu nem sabia que existia, sendo vendido em reais e com frete de graça! Fazendo a conversão do dólar e subtraindo frete, acabei até pagando mais barato… Mas voltando a mini série: ela é diretamente ligada a revista dos Guardiões das Galáxias e junta tooodas as pontas soltas numa última mega blaster aventura, com um belas viradas pra cada capítulo (incluindo o vilão mais improvável de uma saga cósmica!). E Thanos, muito Thanos. Os leitores da época do Jim Starlim, eu acho, vão se deliciar com essa saga. Além de muito bem escrita, ela é muito bem desenhada. Ao final dela, surge um novo grupo, para tomar o lugar dos Guardiões, os Aniquiladores. Mas aí eu parei. Confesso que eu fiquei até curioso, mas não, chega! Vamos deixar isso pra uma outra ocasião, pois eu ainda tenho muita coisa pra ler.

Não sei se deu pra passar ao longo da coluna, mas apesar dessa longa e difícil jornada, cada etapa foi bem divertida. Há muito tempo que eu não lia algo que me fazia eu me sentir um moleque novamente, acompanhando os personagens que eu já conhecia, mas em aventuras e situações completamente diferentes. Também foi bem legal ver a gênese desse “novo” grupo, e uma dinâmica muito legal, que eu gostei bastante de ter conhecido. Uma pena tudo não ter sido publicado aqui no Brasil, visto que são histórias tão boas – algo que parece faltar no universo mainstream, ainda mais sem apelar para retcons ou reformulações. Eu sei que esse não é exatamente o tipo de história que eu costumo compartilhar aqui na Caverna, mas quis abrir uma exceção. Como eu disse, foi uma jornada longa e difícil, descobrir que capítulo faltava para cada parte da história a medida que eu ia lendo e por isso quis expor tudo aqui, para facilitar a vida de algum futuro desbravador cósmico. Espero que eu tenha sido útil. Ou, pelo menos, uma boa leitura.

* De 2015 (ano em que eu escrevi essa coluna) pra cá, o Imperativo Thanos foi publicado pela Salvat. Bem como, se eu não me engano, a série Os Aniquiladores. Não quis alterar isso no texto original, para não perder um pouco do clima de caça ao tesouro do qual eu estava imbuído quando escrevi a coluna na primeira vez.

Nos vemos na quarta feira que vem, de volta com a programação normal!

Tô LendoAlgumas imagens!
Guardiões da Galáxia Vol.3 HQ
Guardiões da Galáxia Vol.3 HQ
2019-05-15T13:12:13+00:00 15 de maio de 2019|25 Comentários