CDC #36 – Brit

CDC #36 - Brit

Taí mais uma pequena pérola do nosso fornecedor de bons quadrinhos de ação, o prolífico Robert Kirkman! Se você está procurando uma boa leitura de super-heróis, sem crises ou guerras secretas, uma história simples, bem escrita, interessante e direta ao ponto, BRIT pode ser a leitura ideal pra você.

Essa é uma tecla que eu costumo bater constantemente com meus amigos nerds decepcionados (ou, deveria dizer DCpcionados – rá rá rá) com os rumos dos quadrinhos de super-heróis atualmente: se você não está gostando das histórias que você está lendo, procure novos personagens! Não podemos esperar que o Wolwerine nos surpreenda eternamente por 30 anos seguidos. Ou que o Super-Homem continue com histórias eletrizantes ininterruptamente por um milhão de anos. Ou que a Marvel não resolva usar o Mefisto para apagar a memória do mundo ou que o Dr Octopus não assuma o corpo do Homem Aranha durante um ano. Se suas leituras te incomodam, procure novas leituras. Você não precisa largar as suas leituras antigas, mas diversificar suas leituras pode fazer com que você deposite menos expectativas sobre elas! Mas voltando ao assunto principal…

Brit é um super-herói cujo o poder é invulnerabilidade. Aí você me diz “tá, e daí? Geral tem invulnerabilidade!” A diferença é que o Brit tem SÓ invulnerabilidade. Ele não voa, não tem superforça, não atira raios lasers (ou laseres) dos olhos. Ele é basicamente um tijolo. E a sua personalidade também não é muito diferente disso. Ele é um cara meio durão, meio pavio curto. Sua vibe lembra um pouco personagens como Savage Dragon, Hellboy, Atomic Robo, Simon Cowell e Leda Nagle. Além disso, o cara é super velho e tem aquela marra Clint Eastwoodiana que também lhe confere a falta de paciência para boa parte das “frescuras” que vem com o universo dos Super Heróis, tipo capas, uniformes colantes ou discursos engomadinhos. É só “quem é que tá causando problemas? É aquele cara ali? Então deixa eu ir lá, dar um soco na cara dele e voltar a tempo de jantar em casa com a minha esposa gostosona, com licença”. Só que muito melhor escrito, é claro.

Logo na seqüência inicial temos uma batalha com um monstro gigante feito de pessoas, mais uma cortesia de Robert Kirkman e sua enorme inventividade para criar super vilões e cenas inusitadas. Os desenhos do Tony Moore dão um show, especialmente nessa cena. Tony Moore, pra quem não lembra, é o responsável pelo primeiro arco de Walking Dead (aquele que é melhor desenhado, sabe? Antes de entrar o Chad Adlard e você passar a não saber mais quem é quem direito? Tô brincando, adoro ele, só que eu achava o Tony Moore melhor, apesar de um pouquinho mais cartunesco). E em Brit, você pode vê-lo colocar as asinhas para fora e com mais um acréscimo: cores!

Brit foi publicado pela primeira vez numa mini-série em três edições em preto e branco (mas esquece isso, porque logo depois virou um encadernadão completo e colorido, muito mais fácil de achar do que a mini-série em PB, que eu mesmo nunca vi) e depois teve mais outros dois encadernados, que são escritos e desenhados por outras pessoas e são bem, bem ruins. Sei que eu vou voltar a falar disso nas desvantagens, mas já aviso logo: compra só o primeiro. Eu não entendi lhufas dos outros dois volumes e achei chatão, embora eu quisesse muito curtir a história e os outros desenhistas serem bem competentes também… Bem, já que eu já comecei, vamos às vantagens e desvantagens:

Tô Lendovantagens
  • Saiu pela Image, o que é bem fácil de encontrar por aí, ainda mais se apelar para compra online.
  • Basta um encadernado. O primeiro. Os outros dois são desnecessários. O que significa que você não precisa assumir um compromisso para a vida toda, dá pra ler como se fosse um graphic novelzona. Só que de porrada.
  • A leitura é bastante fluida. Se você tem muitas coisas pra ler, esse é o tipo de leitura que você vai devorar rapidinho, sem atrapalhar o seu cronograma. Pode até aumentar seu apetite para as outras leituras
  • Os desenhos do Tony Moore, apesar de não ser nenhum Ryan Otley, são muito bons. Não têm muita firula: ao mesmo tempo que ele não se dá ao luxo de muitas “estilizações”, ele tem bastante dinamismo, impacto e conta bem a história
  • O personagem principal é muito carismático, interessante, e apesar de ser um certo clichê do super-herói machão, ele consegue ser um pouquinho diferente de tudo que está sendo publicado.
  • Pra quem se interessou por Invincible, Astounding Werewolf e Capes (ambos já mencionados aqui na Caverna), essa pode ser a oportunidade de acompanhar mais uma origem de um herói que marcará presença junto com os demais personagens do “Kirkmanverse”. (Não fui eu que inventei o nome!)
  • Ideal pra quem curte uma boa história de super herói, sem essa parafernalha com a qual elas costumam vir acopladas ultimamente.
Tô Lendodesvantagens
  • Só em inglês (Mas esse aí nem é tão complicado, viu? Como a história é bem diretona, pode ser ideal pra quem quer botar em prática seu CCAA)
  • Os outros dois volumes são, na minha humilde opinião, uma bosta. A única coisa legal é a introdução da irmã do personagem principal. Fora isso, eu não entendi nada direito e me deu um certo sono. Mas esse sou eu, pode ser que você goste! Só digo isso: o aviso foi dado.
  • Não acredito se tratar de um título uni-sex. Acho que ele apela mais para o público masculino do que feminino, mas é só um chute. Afinal, tá cheio de mulher por aí que curte gibi de ação.
  • Também não sei se é um título para quem quer começar a ler quadrinhos de super-heróis. Por algum motivo, ele me parece fazer mais sentido entre aqueles que conhecem os clichês desse universo e buscam um sopro de novidade num mundo tão calejado de porradarias e reformulações
  • Não é a leitura mais incrível do mundo. É bem básica. Se você for esperando uma reinvenção da mídia ou o novo Watchmen, vai se decepcionar. Mas até aí, acho que isso seria capaz de estragar qualquer leitura!

Essa é uma daquelas mais obscuras que eu acho difícil encontrar alguém que tenha lido! Se por algum acaso essa pessoa estiver por aí, vou adorar ouvir sua opinião e trocar figurinhas premiadas sobre esse título meio fora da curva! No mais, estou aqui para sanar todas as dúvidas que estiverem ao meu alcance e conversar nerdices! Portanto, os comentários de um modo geral, são sempre bem vindos!

Até quarta que vem e boas leituras!

Tô LendoAlgumas imagens!
2019-03-11T09:23:34+00:00 27 de fevereiro de 2019|16 Comentários
  • Ricardo Varotto

    Estava achando estranho você falar de Brit sem falar de Invincible, mas aí vi que você citou ligeiramente na seção de Vantagens. Eu achava que Brit era tipo um spin-off de Invincible, mas do jeito que você colocou me pareceu que a publicação já existia independentemente. É isso mesmo?

    • Os dois. Ele surge no encadernado como desconectado e depois aparece no título de Invincible e alguns personagens coadjuvantes se cruzam. Pode ler separado e pode ler no mesmo universo. Brilhante, não? Só o Kirkman mesmo…

  • Fábio Ochôa

    Olha, Caruso, Invencible, Capes, Astonishing Wolfman, Brit… evidentemente não pelo alcance, mas pela intimidade com o gênero e o modo como reinventa de maneira divertida o universo dos heróis, dá para considerar o Robert Kirkman o Stan Lee da geração millenial?

    • Rapaz… Não chegaria a tanto porque nenhuma das obras dele sobrevivem além da sua própria escrita. Stan Lee foi incrível em estabelecer o universo e manter a bola rolando. No caso do Robert Kirkman, parece que se não for ele tocando pra frente, a bola para. É o caso de Tech Jacket, The Haunt, Guardians of The Globe… Mas, sem dúvida, ele é ótimo em criar personagens e universos!

      • Fábio Ochôa

        Aliás , o que também me lembre, leu o Outcast dele? É bem legal, ainda que os desenhos do Paul Azaceta ajudem muito!

        • Não, quero muito ler! Virou série, né? E parece que a Intrínseca vai publicar Oblivion Song, ficou sabendo?

          • Fábio Ochôa

            Sim, claramente tentando esperar que o raio de Walking Dead caia duas vezes no mesmo lugar. Tem uma premissa pra lá de interessante, lidando com um homem traumatizado e um padre às voltas com uma epidemia de possessões demoníacas. Cara, o que é o Oblivion Song? Eu realmente não conheço. Mas o que anda sequestrando minha atenção atualmente é o Locke and Key. Rapaz! Cheguei a passar para minha mulher, que não gosta de quadrinhos. Ou seja, para eu fazer isso é porque eu tenho que ter a revista em MUITA alta conta.

          • Oblivion Song é outra HQ do Kirkman, mas também não sei nada muito além disso.
            Locke and Key é uma das minhas HQ favoritésimas!!! Tomara que a sua mulher goste! Você chegou a ler a postagem sobre ela aqui na Caverna? Já não lembro mais…

  • Alexandra Gregório

    Acho que n é MT minha praia, mas meu irmão deve gostar!!!
    Hein Caruso, meu irmão leu pétalas e gostou tbm, pediu pra te avisar aqui e é isso q tô fazendo kkk. Mas te falar, carnaval está chegando e eu e meus amigos do teatro vamos se fantasiar de DC, eu vou ser a mulher Maravilha e a outra menina a super girl, o resto tudo menino, kkkk, vai ser MT engraçado!!! E vou mostrar para o meu irmão, pena q é inglês né, vou tem q ajudar ele se realmente ele gostar!!!

    • Cassandra Nelson
    • Hahaha Que legal, Alexandra! Depois mostra as fotos no twitter! Tem vários blocos de carnaval que seguem essa linha, como o Desliga da Justiça e o Pipoca e Guaraná!

      • Alexandra Gregório

        Vou mostrar sim, Kkkk, vai ser MT legal! Mas eu moro na região dos Lagos, aí aqui n tem blocos assim.

  • IDRIS ELBA RAMALHO

    Que massa! Não fazia ideia que esse quadrinho existia, vou correr atrás.
    O Robert Kirkman é O CARA quando se trata de quadrinhos descompromissados e divertidos.

    • Vale a pena conferir o Capes, o Tech Jacket e o Astounding Wolf-Man dele também! Tudo na mesmíssima linha.

      • IDRIS ELBA RAMALHO

        O Wolf-Man eu li,é muito louco. Achei que ia ser meio na pegada Walking Dead mas vai pro lado mais Invencible kkkkkk.
        Vou dar uma lida nesses outro também.

        • Capes é um volume só, foi resenhado aqui na Caverna, vale muito a pena! Tech Jacket também, mas só os dois primeiros volumes que valem, pois são escritos por ele (ou talvez só o primeiro). Aí é bom checar, porque a qualidade dá uma bela decaída na troca de autor.