CDC #33 – Mondo Urbano

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CDC #30 - Mondo Urbano

Preciso confessar que quadrinho nacional é o meu Calcanhar de Aquiles. Fico muito envergonhado de não conhecer boa parte desses novos expoentes que publicam coisas diferentes e tão interessantes. Minha referência dos quadrinhos nacionais, feliz e infelizmente, parou lá pelos idos dos anos 80, com Angeli, Glauco, Laerte e companhia.

E não é nenhuma escolha pessoal, preconceito, ou coisa do tipo: eu simplesmente tenho muita coisa pra ler, e, como adepto dos comics, acabo ficando por fora do que está rolando. Por isso eu fico muito feliz quando eu consigo não apenas achar uma revista nacional entre minhas infinitas leituras de lixo capitalista, como quando eu consigo também achar uma leitura nacional excelente, que abra espaço na estante à base de cotovelada e seja digna de indicação junto com tantos outros pesos pesados! Esse é o caso de Mondo Urbano, de Rafael Albuquerque, Mateus Santolouco e Eduardo Medeiros.

Me deparei com essa revista no formato americano, em uma mini-série de 4 partes, numa das minhas idas à Comix Book Shop, em São Paulo. No andar de cima (que agora talvez seja no andar de baixo, porque aquilo tá sempre mudando) tem uma parede só de quadrinho nacional alternativo, coisas que valem a visita (lá também conheci o Necronauta, no seu formatinho Xerox-leitura-de-banheiro, outra revista sensacional, assunto pruma próxima coluna). Numa dessas incursões, eu peguei uma das edições do Mondo Urbano e me surpreendi com a qualidade da revista. O traço era espetacular, com personalidade, dinâmico, diferente. Melhor que muita coisa sendo publicada na época. Resolvi comprar já satisfeito com apenas isso. Mas o roteiro me surpreendeu mais ainda. São três histórias (ou mais, não me lembro, já faz um tempo) que se intercalam, cada uma envolvendo sexo, drogas, Rock´n´roll e uma guitarra amaldiçoada. Os três autores também se intercalam, cada um com um estilo muito próprio, mas que funcionam bem juntos, conduzindo a história “Tarantino Style”. São histórias simples, bem contadas, ao mesmo tempo envolvendo coisas estranhas (já mencionei a guitarra amaldiçoada?) e ao mesmo tempo com aquele ar bem familiar de “eu poderia estar ouvindo essa história na vida real”. Adoro São Paulo. Ela é cheia dessas descobertas mágicas por aí.

Depois de indas e vindas na Comix, consegui completar todos os números: Powertrio, Overdose e Cabaret. Encontrei o Rafael Albuquerque na Rio Comicon e ele próprio me contou que as edições que eu tinha já haviam se tornado raridades, tal era a dificuldade de encontrá-las! No entanto, uma nova edição em formato livro, lindíssima, foi feita e vendida no mundo inteiro pela Oni Press, transformando aquela minha raridade alternativa num quase-mainstream conhecido mundialmente. E essa é uma leitura que merece ser conhecida! Me deu aquele “orgulho de ser Brasileiro”, sabe? O que é sempre bom, principalmente quando não é relacionado exclusivamente a futebol…

Tô Lendovantagens
  • Quadrinho nacional de qualidade, e não de “Pô, cara, é quadrinho nacional, dá uma força aí”. Esse é bom mesmo!
  • Visual diferente e estilizado, excelente pra quem quer estudar desenho ou simplesmente gosta de admirá-los
  • Temática nada nerd, ultra rock and roll, perfeito para catequizar amiguinhos para o Lado Nerd da Força.
  • Unissex!
  • Muito sex!
  • Belo acabamento de ambas as edições (a mini-série e a formato livro)
  • A mini-série, ao invés de ser preto e branco, é “outra cor” e branco. Tipo verde e branco, roxo e brando, vermelho e branco… Eu achei isso irado! É bem verdade que eu sou idiota, mas eu me amarrei. Cada revista ganha seu próprio tom. Literalmente. (Não lembro se a edição formato livro tem essa característica também! Talvez tenha!)
  • A compilação foi publicada pela Devir, em português senhoras e senhores!!!! Compra agora!
  • A leitura é fluida e fácil, você vai ler rapidinho e não tirar tempo de leitura do resto da sua pilha de leituras que já deve estar enorme a essa altura do campeonato.
Tô Lendodesvantagens
  • A mini série (que é meu formato preferido, formato americano, com três edições e capas com designs irados) é, aparentemente, dificílima de achar.
  • A edição formato livro é um pouco menor que o formato americano. É formato… livro. Fica lindo na estante, é ótima de ler, mas eu acho que a arte é mais rock and roll no formato americano. O outro formato é mais “radinho de pilha”. Mas acho que isso só é uma desvantagem pra quem pegou as edições originais na mão!

Bem, é isso! Se vocês curtirem, vou fazer a minha parte e tentar achar mais quadrinho nacional por aqui. Conto com a opinião de todos vocês! Deixe seu comentário e será respondido!

Até a próxima e boas leituras!


PS: Essa coluna foi escrita originalmente em 8/02/2015

Tô LendoAlgumas imagens!
CDC #30 - Mondo Urbano
2019-01-16T13:48:44+00:00 16 de janeiro de 2019|11 Comentários
  • Jean Carlos

    Essa turma, Angeli, Glauco e Laerte era bom demais, eu me amarrava em Los 3 Amigos, ria pra caralho com as histórias, o Miguelito sempre se fodia rsrsrsrs sinto falta dessa época mais acho que esta aparecendo muita coisa boa nacional e suas dicas estão ajudando muito as pessoas a conhecerem mais nossos quadrinhos eu voltei a ler nacional por sua causa . Abraço Caruso!!!!

    • Uau. Jean! Fico muito feliz em ler isso!
      Laerte pra sempre vai ocupar um lugar muito especial pra mim, bem como todos Los Otros Dos Amigos, mas você tem razão: a cena do quadrinho nacional mudou muito de pouco tempo pra cá. Acho que em cinco anos o cenário mudou completamente. Hoje se você vai na FIQ você se perde dentre tantos títulos nacionais bacanas que parecem conseguir se sustentar sozinhos no mercado direto, sem precisar de uma grande editora.
      Espero mudar um pouco esse meu quadro de “calcanhar de aquiles” com as próximas indicações. Tenho lido muita coisa nacional bacana! O lance é ter tempo pra escrever sobre tudo…

  • Alexandra Gregório

    Ah vou mandar o link para um amigo Meu, com certeza ele vai gostar MT, ele adora essas coisas, depois Caruso vc ver oq te falei no Twitter, nessa madrugada, sobre pétalas… kkk, mas eu tbm gostei que vc indicou hj, muito difícil eu n curti uma coisa q vc indica, sempre acerta né, ou minha curiosidade em ler coisas novas tbm, enfim né, é isso!!! 😁

    • Legal, Alexandra! É isso aí! Muito obrigado por ajudar a divulgar a minha coluninha!
      Que bom que você gostou de Pétalas! Conheci o Gustavo Borges no ano passado (o autor) e gostei mais ainda do trabalho dele! Ele é bem novinho!

      • Alexandra Gregório

        Gostei mto, sempre divulgo a coluna, o Gustavo é novo mesmo, procurei saber sobre ele, trabalho dele é bom mesmo!!!

  • Rafael Albuquerque, Mateus Santolouco e Eduardo Medeiros? Não precisa falar mais nada, pega o dinheiro aqui!

  • Renatinho Santos

    Mondo Urbano é muito bacana mesmo, se a memória não me trai, comprei a edição encadernada no FIQ 2013.
    Falando sobre a produção nacional, estamos em uma crescente muito interessante, tanto em quantidade de material, quanto em qualidade (o mais importante).
    Indico quatro materiais, caso não tenha lido ainda, valem muito a pena:

    A Vida de Jonas do Magno Costa (Ed. Zarabatana)
    Open Bar Edição Definitiva do Eduardo Medeiros (Ed. Panini/Stout Club)
    Sabor Brasilis de Hector Lima, Pablo Casado, Felipe Cunha e e George Schall (Ed. Zarabatana)
    Market Garden do Bruno Seelig (Ed. Mino)

    • Seu crédito está altíssimo aqui na Caverna, Renatinho, ainda por conta de Local! S2
      Open Bar eu já li e ADOREI! Espere uma resenha aqui em breve!
      Irei atrás dos outros títulos que você mencionou!

      • Renatinho Santos

        opa, tomara então que não te desaponte hahaha

        Open Bar eu li faz pouco tempo, gostei muito mesmo da história, se eu fizesse um top 5 das nacionais, ela figuraria sem duvida.

  • Faz tempo que li essa HQ e lembro de ser muito boa. Acho que foi uma das primeiras hqs que li que não tinha super-heróis e adorei.