CDC #29 – Planetary

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CDC #29 - Planetary

Chegou a hora da colher de chá! E a colher de chá além de relativamente fácil de encontrar é multidimensional e boa paca&@|#0! A indicação dessa semana é Planetary! Talvez uma das melhores histórias em quadrinhos do século XXI.

Planetary é escrita por Warren Ellis, um dos escritores mais f0%@s da modernidade e desenhada por John Cassaday, um dos meus desenhistas preferidos, tão bom, tão bom que só costuma fazer as capas das revistas, posto que sua fodice “vaza” pra dentro das páginas mal desenhadas da revista, melhorando sua qualidade por osmose. Em Planetary ele desenha não só as capas, mas c-a-d-a q-u-a-d-r-i-n-h-o.

A história é bem difícil de resumir, mas é basicamente o seguinte: um super grupo de três indivíduos (um coroa amnético com poder das neves, uma fortona de colante e o “baterista”, um sujeito estranho que conversa com as máquinas), que investiga casos supernaturais. Digo “super”, não sobrenaturais, porque todos os casos são de uma certa forma relacionados a elementos da cultura pop/nerd. Então eles são uma espécie de Arquivos X da nerdice. Os casos envolvem esqueletos de animais gigantes que destruíram Tóquio, aventureiros desaparecidos desde a década de 20 (junto com os pulps) e até alegorias metalinguísticas sobre a mudança do gênero de super-heróis com o surgimento dos quadrinhos “dark” dos anos 80. É muito f0%@ demais!

CDC #29 - Planetary

A princípio, cada capítulo é um caso, com ar de one shot. Os casos funcionam isoladamente, são interessantes e bem contados o suficiente até pra você ler sem pegar as referências, mas o leitor mais atento é extremamente bem recompensado!

Com a evolução das edições, começamos a aprender mais sobre essa organização, seus inimigos e o porquê do maluco amnético com poder das neves ser amnético. É aí que a porca torce o rabo, porque a partir daí eu não entendi mais p0&#@ nenhuma. Isso, de qualquer forma, não invalida nem um pouco a leitura como um todo, os personagens apresentados e cada caso visitado nas primeiras edições continuam sendo inigualáveis. Só valida mesmo a minha estupidez, já que na maioria das vezes não entendo nada do que o Warren Ellis escreve. Mas acho f0%@!

A coleção se completa com apenas 4 encadernados que demoraram ANOS pra serem encerrados, mas agora estão aí, de bobeira, pra você ler tudo de uma vez só de mão beijada. Existe também um quinto encadernado só de crossovers, que se encaixa, eu acho, entre o primeiro e o segundo, mas não é fundamental.

Fundamental mesmo é o encontro de Planetary com Batman, publicado aqui em uma edição magazine avulsa (aqui no Brazol mesmo!), onde o grupo visita cada encarnação do personagem ao longo dos anos. É sen-sa-cio-nal. Tá na dúvida? Lê só essa. Depois lê tudo, e lê essa de novo.

Vamos às vantagens e desvantagens:

Tô Lendovantagens
  • Tudo foi publicado no Brasil (êêê!!) e pela Panini (êêêê!!!), quer dizer, mais fácil de achar, impossível! Por isso que está como “colher de chá” da Caverna.
  • São só 4 volumes
  • A arte é primorosa
  • Muita metalinguagem, mas sem ser de um jeito chato. Quem pegar, pegou. Quem não pegou, se divertiu da mesma maneira! Muito difícil fazer isso, não sei como esse cara consegue!
  • Perfeito pra você que procura uma leitura nova e anda reclamando das revistas de super-herói de hoje em dia
  • Numa das histórias Warren Ellis faz uma analogia sobre os comics usando personagens metafóricos do Hellblazer e do Super-Homem, cada um representando um gênero! Olha, essa é uma das melhores coisas que eu já li na vida no universo dos quadrinhos
  • Leitura obrigatória para todo mundo do nível superior. Só o verdadeiro Nerd entenderá.
  • É o tipo de leitura que vale a pena ter em casa, para ler e reler de tempos em tempos. Pra exibir com orgulho na estante.
Tô Lendodesvantagens
  • O final não dá pra entender lhufas e aposto que você também não vai entender, mesmo que venha aqui tirar uma onda de que entendeu. CAÔ, nem vem que não tem, todo mundo sabe que você também não entendeu!!!
  • Não é uma boa para iniciantes, eu acho… Mas posso estar enganado.
  • Também não acho a leitura mais unissex do mundo, mas também posso estar enganado.
  • Por já ter sido publicada a algum tempo (sem nenhuma reimpressão em vista), algum garimpo virtual talvez se faça necessário para encontrar todas as edições em um bom preço.

Mas taí. Se você ainda não leu, sério, não sei o que você tá fazendo aqui na internet.

Se você já leu, deixe aqui suas impressões e me ajude a convencer os desavisados que não lerem a ler imediatamente!

Forte abraço e boas leituras!

Tô LendoAlgumas imagens!
CDC #29 - Planetary
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2018-10-18T14:13:39+00:00 31 de outubro de 2018|17 Comentários
  • Eduardo Mathias

    Cara, eu acho Planetary fantástico! Peguei para ler depois do Maximus falar tanto dele no MDM, e não me arrependi. O estilo vilão/herói da semana (tipo arquivo X) misturado com a história linear, além da sensibilidade em cada história, é algo admirável. ( Me brilha o olho sempre a história da menina estrela e o guardião fantasma de Toquio ). Acho interessante a Metalinguagem, uma nova roupagem de interpretação e referencias a coisas já conhecidas, mas admito que posso ter perdido algumas….E o final, acho que a graça é esse em aberto meio dificil de traçar entendimento, como nas obras do David Lynch, quem torce nariz para temtar entender e querer explicar para todos é só chato mesmo.

    • A história disparada que eu mais gosto é a do Superman brigando com o Hellblazer!

      • Cara, eu curto muito a origem da Jakita Wagner. E a história do retorno de um dos personagens, mais pro fim da saga.

        • Então, é bem aí que eu começo a não entender mais. Vou reler.

  • Mestre Kame

    Planetary é foda, mas eu sou do time que a partir de certo ponto, nao entendi nada da história, ate tentei emprestar pros amigos pra ter com quem comentar esse gibi, mas todos desistiram por nao conseguirem entender nada.

  • AMO Planetary, acho incrivelmente foda e é o tipo de coisa que eu gostaria de ter escrito na vida. Tem uma vibe meio Jonny Quest, meio Arquivo X que é maravilhosa. E como vc bem disse, as referências são só a cereja do bolo! Dá pra passar sem, mas se vc saca-las, a história fica MAIS FODA ainda.

    E eu vou tirar onda de que eu entendi, hein? Pode ter tido uma ou outra one-shot que eu precisei reler algumas vezes mais, mas eu entendi. 😉

    • Hahahahaha As histórias eu entendi, Kadu! Só não entendi o final. Acho que deu uma grantmorrinoneada braba ali. Ellis deve ter pego algum vírus escocês, sei lá…

  • Pedro Paulo

    Preciso ler urgentemente!!!

    • Quando o fizer, please, volte aqui para dizer o que achou! Vou querer saber a sua opinião! Se quiser fazer um teste drive, compre o primeiro e leia só ele. Planetary é uma boa leitura interrompida, por ter histórias estanques. Só não é bom demorar taaaaanto entre uma e outra!

  • Ricardo Varotto

    Acho que temos um candidato para suceder Invicible, que ja estou quase acabando.

    • Uau!! Você lê rápido, Ricardo!!! O quê que está acontecendo no seu Invincible agora? Esse pode ser um bom sucessor mesmo, já que não tem nada a ver e são só 4 volumes. Pode ser uma boa variação, saca? Planetary é bem mais dark e amargo que Invincible (embora Invincible também tenha seus momentos…). Fique atento às referências!

      • Ricardo Varotto

        Cara, acabei Invincible hoje, e que coisa fantástica. Já estou me sentindo órfão. Incrível como é bem escrito e como a história não se acomoda nunca. Valeu muito a dica!

        Planetary, here I go.

        • Pô, cara, fico muito feliz que você tenha gostado! Vale a pena dar uma chance pras outras coisas do Robert Kirkman quando quiser matar a saudade, como Tech Jacket, Astonish Where-Wolf e Capes. Acho que já falei de alguns deles por aqui!

          • Ricardo Varotto

            Já tenho estes na lista de espera.

  • Bruno Messias

    Eu não lembro se entendi o final porque li faz tempo. Mas é tudo muito bom! A forma como eles trabalham a “arqueologia do impossível”, dissecando cada era da ficção – dos pulps aos filmes policiais e quadrinhos de super herois. Perfeito!
    O crossover com o Batman é o melhor! Já o da Liga… Eu até gosto, mas é muito abaixo da média da série.

    • Concordo com tudo que você escreveu. O crossover do Batman é uma obra de arte e uma verdadeira ode de amor aos quadrinhos.