CDC #23 – The Maxx

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CDC #23 - The Maxx

The Maxx é um dos meus personagens favoritos, que muita gente nunca ouviu falar, e, quem já ouviu, não dá nada por ele. O personagem surgiu no meio do boom da Era Image no início dos anos 90 (talvez o motivo por ninguém dar nada por ele) e tinha um visual bem bizarro, com um uniforme roxo, uns dentões estranhos e garras amarelas em cada mão, não retráteis, que parecia que ele estava mandando alguém se f#¨*&r o tempo inteiro. Ah, e eu cheguei a mencionar que ele era mendigo? Pois é…

A história é a seguinte: ninguém sabe direito quem é esse The Maxx. Ele é um mendigão com essa roupa maluca que volta e meia se mete numa encrenca e precisa ser resgatado pela assistente social, Julie. Maxx, por sua vez, está sempre próximo dela, pois acredita ser seu protetor. O problema é que sua memória é um pouco confusa e às vezes ele se vê em uma savana, no meio de animais selvagens fantásticos, a serviço da Rainha dos Leopardos (ninguém menos que nossa assistente social, Julie). Essa troca de mundos levanta uma lebre: o que é verdadeiro e o que é imaginação? E o quanto um influencia o outro?

Os desenhos de Sam Kieth (um dos meus desenhistas preferidos) são um verdadeiro espetáculo! Desde os animais loucos que ele cria, aos cenários urbanos e selvagens, às vezes abusando de uma aquarela lindamente. Outra coisa curiosa: ninguém é gostosão na revista. Todo mundo tem uma barriguinha, um formato diferente, incluindo Julie, nossa heroína. Isso pra mim era um verdadeiro oásis no mundo halterofilista dos super heróis, ainda mais nos anos 90, ainda mais na Image Comics.

Mas o que a princípio poderia parecer mais um display visual de uma editora conhecida por priorizar a arte em detrimento de história, aos poucos vai se aprofundando, alcançando tons sombrios e muito interessantes. A relação entre os personagens vai revelando passados ocultos, traumas de infância e outras coisas pesadas, chegando até a abuso sexual. Pra quem começou lendo uma típica revista da Image, no final já me sentia lendo um título da Vertigo. Muito, muito, muito legal.

A série também gerou uma adaptação para desenho animado na MTV (junto com Aeon Fluxx e aquele outro do Cabeção), que eu considero a melhor adaptação de uma revista em quadrinho de todos os tempos! Não só eles conseguiram manter o traço peculiar do Sam Kieth, como também usaram seus enquadramentos, às vezes até dividindo a tela no mesmo formato dos quadrinhos da revista e os animando. Era como ver a revista em movimento (isso muito antes dos “icomics” surgirem). Vale a pena dar uma conferida!

A revista, se eu não me engano, teve pouco menos de 30 números, o que pra mim foi uma verdadeira lástima! Acho que ela aguentava até a casa dos sessenta com facilidade… Por outro lado, são menos números para completar a coleção e não houve brecha pra ela perder a qualidade.

Uma curiosidade: o Sam Kieth, a partir de um determinado número, começou a esconder pequenas mensagens no meio do texto legal de cada edição avulsa, a ponto de se comunicar com os leitores através delas! Muito divertido!

Essa aí vale a caça!

Tô Lendovantagens
  • A arte do Sam Kieth é espetacular!
  • As edições da Image foram todas encadernadas posteriormente, num trabalho de qualidade. Ou seja, você pode completar a sua coleção em meros 6 volumes lindíssimos, ao invés de ficar catando edição por edição ao redor do planeta, como eu fiz (e não me arrependo!!! Tenho muito carinho por essa coleção!)
  • Temáticas adultas e pouco comuns no universo de super-heróis
  • Personagens retratados de maneira realista
  • O autor demonstra um profundo conhecimento da alma humana
  • As cores são extremamente espetaculares!
  • O personagem principal tem um visual bem único e bad ass, que você vai ficar rabiscando no papel toda vez que estiver distraído no telefone, para o resto da sua vida.
Tô Lendodesvantagens
  • Nunca foi publicado no Brasil, tem que achar na gringa.
  • O traço do Sam Kieth (apesar de ser um dos meus preferidos) é meio “ame-o ou deixe-o”, tem muita gente que detesta (apesar de ser um dos meus preferidos. Já falei que é um dos meus preferidos?)
  • Algumas tramas mais pro final podem ficar um pouco confusas, um pouco cabeça de mais (ou eu que talvez seja meio lesado e não tenha conseguido entender mesmo… Até aí, eu também nunca entendi direito Crise nas Infinitas Terras, por exemplo.)

Bem, é isso! Até a próxima e boas leituras!

(Duvido que alguém conheça The Maxx, então não vou nem insistir nos comentários…)

Tô LendoAlgumas imagens!
CDC #23 - The Maxx
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CDC #23 - The Maxx
2018-08-01T17:18:39+00:00 8 de agosto de 2018|29 Comentários
  • Esse é o Caverna do Caruso que conheço recomendando coisas que vamos ficar babando porque não vamos encontrar aqui e teremos que encher a caixa de mensagem das editoras nacionais para publicarem o material. Hahaha

    Mas o Sam Kieth tá beeeem pra escanteio né? Não sai nada de relevante dele faz tempo.

    • Ele curte publicar as paradinhas dele. Criou o Zero Girl, fez Epicuro – O Sábio. Produz como se estivesse com a vida ganha.

  • Ricardo Varotto

    Cara, que legal. Nunca tinha ouvido falar, mas me impressionou. Vai para a lista agora mesmo…

    • giovanni antonni

      Cara na Amazon tem vários volumes no formato digital. É só procura por esse nome ” The Maxx: Maxximized #4 eBook Kindle ” depois é só troca o número e vc acha os outros volumes

      • Ricardo Varotto

        Eu já havia achado esses Maxximized, mas entendi que eram as edições separadas. Eu estava procurando os tais seis volumes encadernados que o Caruso falou. Obrigado.

    • Show de bola! Já conseguiu ler alguma coisa??

      • Ricardo Varotto

        Fiz isso ontem à noite, então só consegui dar uma olhada geral e parece mesmo muito legal. Consegui a série de TV também, mas essa ainda não consegui olhar.

        Outro dia estava conversando com o Tibério sobre HQs digitais, porque resolvi reativar um tablet antigo de 10″ só para isso. E cara, estou com uma coleção de quadrinhos digitais obscenamente grande. Por enquanto somam uns 400GB e quando gerei uma listagem dos títulos, o resultado foi um documento do Word de quase cem páginas! Ainda estou organizando e, certamente, deve ter uma coisinha repetida aqui e ali, mas é uma quantidade absurda. E o resultado disso é que acrescentei mais um “problema” para me deixar angustiado. Agora, além de todos os filmes, séries, livros e música que eu “tenho” na fila para consumir, adicionei essa avalanche de quadrinhos. E o pior é que quando tenho de consumir qualquer coisa dessas gasto um tempo enorme tentando decidir o que priorizar.

        Sei que você se diz analfabeto digital, mas se quiser um dia compartilhar essa angústia, o material está aí para dividir. O Tibério, que sei não ter esses problemas, pode entrar na parada também. 🙂

        P.S.: Outro dia te mandei um e-mail com uma sugestão. Dá uma olhadinha aí…

        • Rapaz, tô bem de angústia! Não tenho nem videogame por causa disso. O que me ajuda com os entrenimentos é separar um espacinho do dia pra cada coisa e evitar abrir muitas frentes ao mesmo tempo. Então por exemplo: nunca começo uma série dessas de quarenta minutos antes de acabar a que eu estou vendo. Quadrinhos eu tenho sempre três (descobri que esse é o meu limite). Só pego um novo quando acabo um dos três. Se eu começar a ler quatro ou cinco, não vou terminar nenhum. E aí vou separando essas coisas ao longo do dia, o que deixa o dia bem mais divertido. A medida que uma das coisas vai acabando (e só quando ela está acabando) eu vou decidindo qual vai ser a próxima da fila.

          • Ricardo Varotto

            Caruso, comecei a ler o Maxx. Na verdade, já li um tanto razoável e escolhi ler a versão Maxximized, pois gostei mais das novas cores, menos carregadas. Cara, esse Sam Kieth deve ser um cara bem perturbado, hein? De onde sai aquilo tudo? Enfim, valeu a dica.

            P.S.: Será que a perturbação do Kieth tem alguma relação com o fato dele desenhar aqui e ali a Julie com dois pés direitos (ou dois esquerdos)? 🙂 Vi isso acontecendo em alguns pontos da história, como nessas duas imagens abaixo. Sujeitinho estranho…

            https://uploads.disquscdn.com/images/f1d45623fec4aab3b3867c90f86583cb70985ebb52c66bf4af62e2db029b8929.jpg https://uploads.disquscdn.com/images/3308aa2c9b5ed6fa4fcb12682df0c4f40bc81c3a0312c8ee242506eb7c0e69ce.jpg

          • Nossa, QUE BIZARRO! Nunca tinha reparado nisso! Então, algumas coisas para você saber ao longo de sua leitura:
            – Vai ficando mais bizarro, você vai ver.
            – Não sei se no formato que você tá lendo vai dar pra ver isso, mas na primeira página (antes mesmo de começar a história) onde ficam os créditos da revista, tem um texto legal no final, com informações de copyright. A partir de um determinado número, ele começa a deixar mensagens para os leitores escondidas ali no meio!

          • Ricardo Varotto

            Legal! Vou prestar atenção. Estou com Powers na fila logo em seguida.

  • marwin souza

    Eu vi a imagem do the maxx há uns anos, mas nunca soube do que se tratava, e vou te falar que deu vontade de ler depois do texto. Você dizer que que se sentiu lendo um quadrinho da vertigo me ganhou, e o detalhe das barriguinhas também( o que que custa desenhar gente de verdade?).

    Sobre o desenho do Sam Keith: achei muito bom nas páginas acima, mas jamais vou me esquecer daquele constantine em sandman.

    • Hahahahah O Sam Kieth tem um jeito meio bizarro de desenhar. Às vezes é a coisa mais incrível que você já viu, às vezes parece que ele tá de sacanagem com a nossa cara! Mas eu gosto de tudo, não tem jeito.

  • Jean Carlos

    Cheguei a assistir o desenho e gostei da história esse vai pra lista também.

  • Silvio Peters

    Muito bom. Lembro do desenho da MTV também. Acho que vi todos (não foram muitos).

    • Sim, foram 13 episódios de 11 minutos. Como a série tinha recapitulação e cenas do próximo capítulo, dava até menos que isso em termos de história. Tanto que quando lançaram em VHS foi como se fosse um filmão só, de duas horas.

  • El Django

    Cara; eu amo o traço do Sam Kieth. Sou um desenhista frustrado porque desde que eu era criança e vi ele desenhando o Wolverine eu tento emular a arte do Sam Kieth e, simplesmente, nunca cheguei nem perto dele. Eu amo The Maxx. Tenho todos os episódios do desenho, legendado, em alta qualidade. Tenho a coleção de revistas também. Parabéns por densenterrar essa pérola da nona arte.

    • UAAAAAAAU!!!!! Que maravilha encontrar outro fã de The Maxx e Sam Kieth aqui em terras tupiniquins!!! Cara, eu fui atrás de TUDO que ele já publicou! Epicuro o Sábio (bem chatinho), Zero Girl volume 1 e 2 (bem legal!), Four Women (bem foda, mas bem pesado também)… Você já leu essas coisas? Também lembro bem dele desenhando Wolverine! Em particular uma história loucaça com o Cyber!

      • El Django

        Pow, Caruso. Eu também caço tudo desse cara. Conheci ele com a história do Wolverine enfrentando o Cyber e me apaixonei pela arte do Sam Kieth desde então. Eu tenho Epicuro – O Sábio (realmente, chatinho) e Zero Girl. Four Women eu nunca li. Mas acho que vi em algum lugar que é meio que autobiográfica. Se não me engano, é a história do relacionamento de uma garota e de um cara mais velho. Posso estar enganado…

        • Four Women é meio barra pesada, tomara que não seja biográfico. Já Zero Girl a trama é exatamente essa que você descreveu e no prefácio ele explica que se casou com a sua professora (se eu não me engano) 13 anos mais velha que ele! Mas fora isso, tem muita loucura envolvida pra chamar de “autobiográfico”…

      • El Django

        Ah; e antes que eu esqueça. Lá fora, ele está lançando The Maxx vs Batman. Uma história inédita onde o Batman tenta desvendar a psiquê de um interno do Asilo Arkham que pode acessar o mundo do Maxx. Bem interessante a premissa. Fora que ver o Sam Kieth desenhando o The Maxx depois de tantos anos em uma história inédita e, ainda por cima, encontrando o mala metido a fodão que engrossa a voz e nunca ri do Batman, é imperdível.

        • Pois é! Me contaram dessa parada no twitter, já tô todo me coçando!!!

  • Roberto Hunger Junior

    Eu me recordo da animação. E de como ela era fora da curva. Vou buscar novamente pra ver como envelheceu. Mas pelo que vi aqui continua grandioso.

    • Não é?? As vozes e as interpretações também eram bem espetaculares!

      • Roberto Hunger Junior

        Infelizmente fiz um busca aqui no google e youtube, e não achei, terei de ir mais fundo! Mas me recordo bem daquela sensação de não ter certeza mesmo do que era realidade e do que era a loucura na história. Me lembro bem da cena final do desenho da primeira temporada onde a máscara dele caia e … nunca mais eu soube nada da história. Aceito até spoliers pra saber o final da saga. Mas vou fazer uma busca em sites e ver se acho onde comprar ou baixar a série. Pois os trailers que revi nesta busca me deixaram bem animado, ela ainda parece bem atual. E ISTO NASCEU NOS ANOS 90, caramba… Uma época onde as ombreiras de “colchonete das casas Bahia” do Cable imperavam soberanas pelo mundo nerd.

  • Leonardo Ferrari

    E o seu livro? Me interessei mais. Tem ele lançado em ebook?

    • Se você está se referindo ao Zenas Escrevinhadas, não, não tem! Ele foi lançado muito antes do advento da tecnologia da leitura digital! Mas talvez você consiga achar algumas edições pela internet, ou no site da editora…