CDC #22 – Powers

CDC #22 - Powers

Powers talvez tenha sido a melhor coisa no universo de super-heróis que eu já tenha lido em toda a minha vida (e olha que eu já li muita coisa de super herói na minha vida!). Essa é uma leitura que eu recomendo fortemente para qualquer amante do gênero.

A premissa é a seguinte: um departamento da polícia que só investiga “super” casos. Ou seja, normalmente, quando um super-herói aparece na história, ele está morto, envolto por um traço de giz no chão. A partir daí, as histórias passam a investigar os desdobramentos obscuros das dinâmicas comportamentais dos clichês super-heróicos. Vigilantes obcecados com seus parceiros mirins, heróis que tiveram sucesso numa determinada época e caíram no esquecimento, super grupos super felizes na frente das câmeras, mas cheios de problemas nos bastidores, etc. Tudo isso num clima bastante noir, carregado de suspense e realismo.

Boa parte desse realismo pode ser creditado aos diálogos de Brian Michael Bendis, meu autor predileto. Bendis tem uma habilidade impressionante de te fazer ouvir os diálogos, escrevendo de uma maneira extremamente coloquial, cheio de gírias e palavrões (muitos palavrões) te dando uma sensação de como seriam os super-heróis caso eles realmente existissem: indivíduos muito preocupados com a imagem, extremamente problemáticos, se relacionando através de empresários, etc. Muito, muito, muito legal!

CDC #22 - Powers

O traço do Mike Avon Oeming é uma escolha bastante peculiar, dado o estilo Bruce Timm com o qual ele trabalha. Acontece uma contraposição extremamente interessante entre uma temática bastante adulta, ultra realista, com um caracterização mais estilizada, quase cartunesca. Acho que se o traço fosse muito realista, talvez a história ficasse muito pesada e um pouco maçante. Isso é evitado por com maestria pelo desenhista, usando um estilo ágil e dinamizado, ótimo para dar ritmo às cenas de ação.

Indo além da premissa principal, temos a relação dos dois protagonistas, os detetives Deena Pilgrim (uma policial de cabelo e pavio curto, sem papas na língua) e Christian Walker, que é um ex super-herói sem poderes, cujo passado vai sendo revelado aos poucos, até culminar na MELHOR HISTÓRIA DE ORIGEM DE TODOS OS TEMPOS. Sério. A melhor.

Ainda na dúvida? Algumas coisas para levar em consideração:

Tô Lendovantagens
  • O primeiro volume, Quem Matou a Garota Retrô saiu no Brasil. E acho que alguns outros, também.
  • De início publicado pela Image e depois pela Icon, os encadernados originais americanos são facílimos de encontrar nas comic shops importadas e amazon da vida.
  • A coleção se completa em 13 volumes, sendo que cada um deles com um arco fechado, o que permite uma leitura um pouco mais espaçada (mas não tanto, pois a trama vai engrossando aos poucos)
  •  Uma releitura incrivelmente original do universo dos super-heróis. Perfeito pra quem cansou das mesmices do Batman, Super Homem e companhia (pois eles estão todos lá, ainda que com outros nomes)
  • Traço dinâmico
  • Diálogos incríveis
  • Uma leitura que possivelmente vai mudar a sua vida.
  • Inspirou uma série de TV – então se você quiser ser o mala que diz “isso não está igual na revista” pros seus amiguinhos, é melhor correr atrás da leitura imediatamente!
Tô Lendodesvantagens
  • O primeiro arco, Quem Matou a Garota Retrô, na minha opinião, é o mais chatinho. É preciso vencê-lo pra chegar na parte suculenta.
  • Não foi publicado completo no Brasil, sorry.
  • O traço do Oeming é meio divisor de opiniões (eu curto muito!)
  • Algumas histórias têm muito diálogos, o que gera vááárias páginas de “cabeças falantes”, coisa pela qual o Bendis (esse deus em forma de gente no universo dos quadrinhos) costuma ser criticado
  • Extremamente viciante
  • Inspirou uma série de TV – então se você quiser ser daqueles que vão se decepcionar com a adaptação, é melhor correr atrás da leitura imediatamente

Bem, é isso. Essa é, disparada, uma das minhas leituras preferidas de todos os tempos. Por isso é um prazer enorme poder compartilhá-la. Para se ter uma ideia, toda vez que alguém me perguntava uma indicação de leitura ou qual era minha revista preferida, eu sempre respondia Powers, Walking Dead e Invincible. Só pra ver como ela era Top 3 – não 10 – da minha lista (e que lista! Quem sabe do que eu estou falando, sabe do que eu estou falando!)

Quem leu, por favor, deixe um comentário expondo sua opinião e quem não leu, estou aqui para qualquer coisa! Espero, de coração, que POWERS alcance cada vez mais estantes brasileiras!

Forte abraço e boas leituras!

Tô LendoAlgumas imagens!
CDC #22 - Powers
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2018-07-25T12:12:02+00:00 25 de julho de 2018|16 Comentários