Que tal aprender um pouco mais sobre os hábitos sexuais dos nossos avós (ou bisavós, dependendo da su geração) e ao mesmo tempo investigar um crime? Tudo isso e muito mais nesse incrível lançamento da Editora Nemo! Quer click bait melhor que esse? Bem, você não vai acreditar no final…

Degenerado conta a história de um casal em torno da década de 1920, cujo homem após ser convocado para lutar na Guerra foge do campo de batalha tentando escapar dos horrores do front. Agora como desertor, ele não pode ser visto na rua sob risco de pena de morte. Depois de algumas semanas enlouquecedoras em quarentena auto imposta (quem nunca?) a solução se apresenta da única forma possível: se vestir de mulher para conseguir ir ao mercado. Aos poucos o que era uma necessidade vai se tornando um gosto e acaba abalando a relação do jovem casal, especialmente quando eles descobrem um grupo de pessoas que se encontram numa praça de madruga para fazer todo tipo de “saliência”. Em paralelo, acompanhamos outra trama em uma linha temporal diferente, de um caso sendo julgado no tribunal. À medida que o julgamento e as cenas do flashback avançam, vamos entendendo afinal de contas como tudo se encaixa.

A arte tem uma pegada cartunesca quase Pixar, mas com tons de carvão, que muito combinam com o clima da história e o teor da época, com a revolução industrial bem ali do lado (me lembrou Peaky Blinders). Esse traço também remete a um estilo de desenho mais anos 20, especialmente na caracterização das personagens femininas.

E AGORA, O FINAL! Como eu prometi no início dessa coluna, o mais chocante eu deixo para esse momento agora. Não vou revelar nada da trama, mas vou revelar algo sobre a obra que me pegou de surpresa só no finalzinho da leitura. Então, se você for um purista, pode pular esse parágrafo, entrar no site da Nemo e comprar Degenerado pra ler sem saber de nada, como eu fiz. Se não, continue lendo por sua própria conta e risco. Está aqui ainda? Certo, então vamos lá: é tudo verdade!!! Ao final do livro, temos documentos, trechos retirado de cartas trocadas entre os personagens e um apanhado de informações que me chocaram ao me fazer perceber que aquela trama, com todos os ares de ficção, era toda verdadeira, ainda mais nos anos 20! Isso me levou a várias elocubrações sobre o funcionamento da sociedade antes do desenvolvimento mais catedrático da moralidade como conhecemos hoje em dia. Talvez eu até fale sobre isso em algum podcast que relembre momentos marcantes dos quadrinhos alguma hora, não sei…

Opa, pulou o spoilerzinho direto pra cá? Não tem problema, vamos às vantagens e desvantagens pra te ajudar a nortear a sua decisão sobre comprar ou não comprar essa HQ MARAVILHOSA (já vou tentando de influenciar desde agora):

Tô Lendovantagens
  • Saiu no Brasil! Êêê! Pela Editora Nemo, que tem grande entrada nas livrarias e, se não me engano, entrega no Brasil inteiro. Vale a pena seguir a conta deles nas redes sociais.
  • História instigante, que não te deixa largar o livro. Mesmo antes do “caldo engrossar” a narrativa da autora te prende e vai te prendendo cada vez mais à medida que o caldo engrossa.
  • Arte bacana
  • Um jeito bem interessante de conhecer outras épocas
  • UMA SURPRESINHA NO FINAL (Bem, pra mim foi, pode ser que pra você não seja)
Tô Lendodesvantagens
  • Preto e branco. Quer dizer, mais ou menos. Não é uma desvantagem, os tons são lindíssimos, mas eu acho que sempre convém avisar.
  • O formato é estranhíssimo, não combina com nenhum dos outros lançamentos da Nemo nem com nada na estante. É frescura da minha parte? Sim. Mas nem por isso menos irritante.

Já leu? Rolou uma curiosidade? Conta pra mim!

Tô LendoAlgumas imagens!