Eu não costumo escrever sobre alguma série antes dela terminar, para evitar surpresas desagradáveis depois da indicação feita. Mas vou ter que abrir uma exceção para O Árabe do Futuro.

Lançado pela editora Íntrinseca em formato livro, O Árabe do Futuro é um quadrinho auto biográfico relembrando a infância do autor entre a França e a Síria. Como sua mãe é francesa e seu pai é árabe, professor de uma universidade, seus primeiros anos resultaram em muitas viagens e adaptações. Através do olhar da criança, aprendemos sobre a cultura árabe de um jeito muito pessoal e sensível. É como se estivéssemos lá. Muitos relatos chegam a ser extremamente assustadores, ainda mais quando se pensa no ponto de vista infantil, mas o traço mais cartunesco da obra ajuda a amenizar a porrada – embora a angústia continue muito presente.

Além da trama “macro” fazendo esse mapeamento antropológico, temos a trama pessoal dessa família, que é bastante movimentada por si só. A mãe, francesa, sem saber falar árabe, tendo que cuidar de duas crianças sozinha em um pequeno apartamento, que, se ela sair, pode ser ocupado por outra família, a relação com os avós, os primos com fortes tendências violentas, tudo isso e mais um pouco é suficiente pra te deixar preso à leitura do início ao fim. E cada final de volume te deixa louco pela continuação. Talvez não à toa alguns números sejam difíceis de encontrar.

A arte mais cartunesca pode afastar em uma folheada. Aa diagramação simples com quadrinhos pequenos carregados de texto dão a impressão de uma leitura truncada e meio didática, mas não se trata disso, nem um pouco. Basta ler a primeira página pra leitura deslanchar. As cores (me disseram) remetem as cores da bandeira do país aonde se passa a trama, variando entre azul, preto e branco ou vermelho, preto e branco, dependendo daonde o protagonista esteja no momento. Embora o conceito seja interessante, isso é mais um elemento capaz de afastar o leitor incauto em uma folheada.

No momento em que eu escrevo essas linhas, aguardo desesperadamente o lançamento do volume 5, após o impactante final do volume 4, que eu não quero comentar para não dar spoilers. Mas, o que eu posso dizer é que, mesmo não sendo nem de longe um conhecedor da cultura árabe, essa foi uma leitura que me arrebatou por completo. Por isso indico sem medo, até para os não leitores habituais de quadrinhos.

Vamos a algumas vantagens e desvantagens:

Tô Lendovantagens
  • Saiu no Brasil! Êêê! (Não vai precisar aprender francês!) E saiu pela editora Intrínseca, que costuma ter uma ótima entrada nas livrarias
  • Uma narrativa que prende o leitor! Essa é daquelas que faz o esforço por você
  • Chance de aprender sobre outras culturas
  • A minha esposa gostou. Devorou os livros e ainda me ultrapassou na leitura. Ou seja: gostou meesmo. Então esse aí tem o cobiçado Selo Mari de Qualidade
  • O acabamento gráfico da Intrínseca, tanto na capa quanto nas páginas é muito gostosinho de ler. Eu sei que é um comentário meio esquisito de se fazer, mas pega o livro na mão pra você ver só…
  • No site da editora (que eu marquei no início da coluna) dá pra ler um trecho em PDF
Tô Lendodesvantagens
  • Acho que o volume 2, até pouco tempo atrás, estava esgotado, uma caça virtual se fará necessária…
  • Ainda não acabou. Parece que na França já saiu o volume 6.
  • A espera é angustiante! Gente, esse final do volume 4, meu deus….!
  • As cores, a arte e as capas não inspiram uma boa leitura, mas CONFIA EM MIM!
  • Tem alguns momentos bad. Mas não o suficiente pra me fazer considerar uma “leitura bad”.

Alguém tá acompanhando o Árabe do Futuro? Quer comentar comigo sobre o final do volume 4???

Tô LendoAlgumas imagens!