Conheci Magra de Ruim na Bienal de Curitiba em 2016. Desde então promovo e indico esse quadrinho em tudo quanto é canto, em todas as oportunidades que eu tenho. Mas, por algum motivo que me foge à cabeça, esqueci de divulgar aqui! Um equívoco que eu pretendo corrigir agora.

Magra de Ruim é um pequeno livrinho em quadrinhos da autora Sirlanney, publicado pela Lote 42. Digo “livrinho” porque ele tem aquele formato “padrão” livro que eu adoro, acho super portátil. Nele, Sirlanney faz uma coletânea de crises, neuroses e frustações, mas de uma maneira muito divertida e, literalmente, colorida.

O livro tem um funcionamento de tiras e cartuns, pequenos tiros, pequenas piadas – muitas delas amargas – de uma leitura leve e rápida. Me lembrou muito o Shannon Wheeler, autor de um dos meus personagens mais preferidos de todos os tempos, o Too Much Cofee Man, protagonista de uma das minhas primeiras colunas. Assim como Wheeler, Sirlaney tem o incrível dom de transformar nossas maiores derrotas e inabilidades em arte e entretenimento, de maneira a nos ajudar a superar nossas próprias derrotas e inabilidades. É quase uma reciclagem espiritual. Acho isso muito impressionante. E fundamental, ainda mais nos dias de hoje, quando estamos expostos diariamente às conquistas e super-habilidades dos nossos amigos e parentes em todos os tipos de redes sociais. Todo mundo sempre feliz e bem realizado nas suas postagens, acabam causando aquela sensação de que apenas nós temos defeitos, frustrações e inquietações. Mas eis que surge Sirlaney fazendo não apenas você não se sentir sozinho, como bem acompanhado. Pra cada Rodrigo Hilbert, uma Sirlanney para equilibrar.

Nas suas tiras, a autora mostra um domínio de diversas técnicas, podendo mudar completamente o seu estilo de acordo com a sua piada. Uma das minha preferidas é uma arte com tons de Belle Époque, de uma moça detalhadamente bem vestida, em uma paisagem meio Monet e com um ar melancólico e os dizeres “ADORA UMA MERDA TRISTE”. Toda vez que eu vejo, eu rio alto. Toda vez.

Sirlaney é super acessível no instagram e volta e meia responde perguntas e mostra o processo de trabalho das suas pinturas. Vale a pena ter ela na sua timeline para equilibrar minimamente com as toneladas de filtros fakes que temos que lidar. Mas, se as redes sociais não são a sua praia (bom pra você!), fica com o livro físico mesmo! Aí vão algumas vantagens e desvantagens:

Tô Lendovantagens
  • Quadrinho nacional! Êêê! Comprando, você ajuda a tirar o país do buraco! E comprando na sua comic shop preferida, você pode ajudar a salvar esse nosso sofrido mercado.
  • Temas deprês, mas que te fazem se sentir bem. Não sei direito como funciona isso, mas é quase como um exorcismo dos nossos medos e das nossas neuroses. Recomendo.
  • Arte bacana!
  • Minha esposa leu e gostou! “Selo Mari de qualidade”
  • Leitura leve e rápida
  • Bem unissex. Ótima para chegar aos corações de quem normalmente não frequenta essa mídia
Tô Lendodesvantagens
  • Pra mim funcionou super bem, mas pode ser um gatilhozinho para algumas pessoas. (A Mari reclamou um pouquinho, mas não conta pra ela que eu disse isso…)
  • Embora eu ache a capa lindíssima, não acredito que ela te atraia tanto em uma livraria ou mesmo te dê uma boa ideia do que tem dentro. Vale a pena dar aquela folheada e ler uma página ou outra
  • Como qualquer coletânea de tiras, umas você vai gostar mais, outras você vai gostar menos. Mas, provavelmente, vai ter uma que vai cravar bem no meio do seu coração. Eu gostei de todas, até das que eu gostei menos.

Alguém mais aqui é fã de Sirlanney? Qual o seu grande projeto que a inércia nunca te deixou desengavetar? Tem coragem de se expor aqui na área de comentários?

Tô LendoAlgumas imagens!