CDC #159 – Scarlet

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Scarlet

Scarlet é um dos últimos grandes trabalhos autorais do Brian Michael Bendis. Quem me acompanha aqui sabe do meu amor confesso por esse GÊNIO das HQs, mas entre Marvel e DC, seus trabalhos mais autorais, área onde ele se consagrou, ficaram um pouco de lado. Scarlet é uma volta magnífica à sua velha forma!

A trama aborda a vida da Scarlet Rue, uma jovem residente de Portland, como tantas outras. Sua vida talvez seguisse sem muito alarde, se ela não tivesse se tornado mais uma vítima da brutalidade policial americana. Scarlet e seus amigos estavam jogando conversa fora em um espaço público, quando dois policiais resolvem dar “uma dura” no seu namorado. Mais tarde ela viria descobrir que o policial que deu início à ação era viciado em drogas e seguia esse modus operandi: achincalhar jovens na esperança de descolar drogas para seu próprio consumo. Os problemas começam a piorar quando o rapaz revidou, levando a uma perseguição e consequências desastrosas.

O diferencial da revista, sem sombra de dúvida, é a maneira como Bendis desenvolve a história. Tanto na forma, quanto no conteúdo. Na forma, além dos seus já célebres diálogos naturalistas e orgânicos, nosso querido gênio das HQs abusa de mecanismos de linguagem, com diversas quebras da quarta parede, como se fosse uma série de TV. É quase um cruzamento de Fleabag com 24h. Aliás eu li tudo fazendo escalação de elenco, imaginando que série incrível esse material poderia se tornar no audiovisual.

No conteúdo, também Bendis surpreende. Parece ter previsto uma série de movimentos contra a brutalidade policial, fazendo uma história em perfeita sintonia com os eventos da atualidade, só que uns 5 anos antes. Eu ficava voltando pra data original de publicação para checar se era isso mesmo. E era. À medida que a protagonista se aprofunda em sua investigação, ela vai expondo um sistema de corrupção endêmico, que envolve diversos departamentos subindo toda a hierarquia da polícia e culmina numa série de revoltas que, lendo hoje em dia, são capazes de arrepiar até o último fio de cabelo da nuca mais cínica.

A arte é de ninguém menos que Alex Maleev, que já repetiu a parceria com Bendis em Demolidor (uma das melhores fases de quadrinhos que eu já li em toda minha vida) e Cavaleiro da Lua. Mas aqui ele está em sua melhor forma. É impressionante. Parece que foi uma despedida até, de tão inspirado que o cara tá.

O material foi publicado lá fora com dois volumes lançados pela Icon, da Marvel e um terceiro, pela DC, quando o autor mudou de time. Só que por uma confusão qualquer o terceiro volume, que era o último, foi publicado como número 1, por ser o primeiro na editora nova. Então a numeração ficou assim: 1, 2, 1. Esquisitíssimo. Mas é isso mesmo.

Rapaz, essa leitura foi incrível demais. Vou fazer aqui um VANTAGENS e DESVANTAGENS, mas quero muito que você leia.

Tô Lendovantagens
  • Bendis
  • Maleev
  • Bendis + Maleev
  • Só três volumes
  • História ultra realista
  • Muito bem escrita.
  • Um daqueles momentos mágicos, onde os quadrinhos dialogam com a nossa realidade e têm a coragem de fazer as mudanças que a gente gostaria que acontecessem na nossa realidade. Um misto de escapismo com realismo. Muito legal quando isso acontece.
Tô Lendodesvantagens
  •  Não saiu no Brasil, então só em inglês.
  • Esse troço da numeração é muito confuso, mas agora que eu já te expliquei, você está a salvo
  • O fato disso ter sido publicado muitos anos antes do movimento BLM gera uma pegadinha esquisita, por ter uma protagonista branca encabeçando o movimento de revolta que causa as transformações necessárias na nossa sociedade. Acho que se ele tivesse escrito isso hoje, talvez fizesse outras escolhas. Mas enfim, temos que dar esse desconto aí.

Já esbarrei com outros fãs do Bendis por aqui pela coluna. Ia adorar esbarrar novamente! Alguém aí leu essa?? Se você também gosta de Bendis, talvez se interesse pelas resenhas de Powers e Jessica Jones

Tô LendoAlgumas imagens!
Scarlet
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Scarlet
2020-12-14T18:50:59+00:00 16 de dezembro de 2020|0 Comentários